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Escrito por • 06/08/2009

a apple e a CENSURA a aplicações no appStore

no post anterior, falamos da iniciativa do governo inglês de vigiar, muito de perto, as piores [por qual crivo?] 20.000 famílias da inglaterra, como se houvesse uma relação causal e direta entre o que acontece dentro das casas, o comportamento na rua e a melhoria do mesmo caso haja uma supervisão e intervenção nos lares, por agentes do governo, em tempo real.

nada mais orwelliano do que isso. e teve muita gente, nos comentários, que achou o projeto inglês muito legal. o mundo deve estar mesmo pra se acabar.

hoje, a conversa é sobre o mesmo tema, controle social, e sobre uma empresa que parece estar –cada vez mais- rezando pela cartilha do controle absoluto: a apple.

image o incidente é bizarro: envolve a apple, seu appStore, o repositório de aplicações para o iPhone, a matchstick software e uma aplicação escrita pela companhia, o dicionário ninjaWords da língua inglesa. a apple resolveu “limpar” a coisa: mandou a matchstcik retirar do dicionário palavras como screw, cock, snatch, tits que tinham, por sinal, significados canônicos encontrados em qualquer dicionário on ou off line e, mesmo depois do processo de sanitização, manteve a classificação da aplicação na categoria 17+, ou seja, apenas para pessoas acima de 17 anos.

segundo john gruber, a… Apple requires you to be 17 years or older to purchase a censored dictionary that omits half the words Steve Jobs uses every day… [a apple requer que você tenha pelo menos 17 anos pra comprar um dicionário censurado que omite metade das palavras que steve jobs usa todo dia].

o incidente é bizarro, mas não é o único. a inquisição não poderia fazer melhor. à medida que a apple se envolve em mais coisas, que têm impacto cada vez maior sobre a sociedade, a veia controladora da empresa, que mantém uma religião fundamentalista de hardware e software, se espalha –ou quer se espalhar- por toda sua cadeia de valor.

mas censurar um dicionário, convenhamos, passa muito da conta. se você quiser saber o significado das palavras que a apple tirou do iPhone, vá por exemplo ao merriam-webster. tá tudo lá. publicado por uma companhia centenária, respeitável e presente nas casas de dezenas de milhões de pessoas.

no appStore, por outro lado, agora só se pode falar appSpeak, uma língua muito, mas muito parecida com o newSpeak de 1984, cuja definição, na wikipedia, começa assim:

Newspeak is a fictional language in George Orwell‘s novel Nineteen Eighty-Four. In the novel, it is described as being "the only language in the world whose vocabulary gets smaller every year". Orwell included an essay about it in the form of an appendix[1] in which the basic principles of the language are explained. Newspeak is closely based on English but has a greatly reduced and simplified vocabulary and grammar. This suits the totalitarian regime of the Party, whose aim is to make any alternative thinking — "thoughtcrime", or "crimethink" in the newest edition of Newspeak — impossible by removing any words or possible constructs which describe the ideas of freedom, rebellion and so on. One character says admiringly of the shrinking volume of the new dictionary: "It’s a beautiful thing, the destruction of words."

tem gente achando que os censores da apple são apenas meros idiotas. mas tem gente que acha que eles têm um plano… e não acreditam que a informação, como todos estamos cansados de saber quer ser –e ultimamente é- livre.

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0 Responses to a apple e a CENSURA a aplicações no appStore

  1. Luiz Augusto B. de Britto e Silva disse:

    Censores da Apple ou de qualquer lugar são sempre idiotas.

  2. Michelle Meira disse:

    As informações deveriam ser livres, mais nunca são, só temos o conhecimento daquilo, que de alguma forma favorece quem as fornece.

  3. Michelle Meira disse:

    As informações deveriam ser livres, mais nunca são, só temos o conhecimento daquilo, que de alguma forma favorece quem as fornece. Esses censores com certeza não são idiotas.

  4. nada mais orwelliano do que isso. e teve muita gente, nos comentários, que achou o projeto inglês muito legal. o mundo deve estar mesmo pra se acabar.

    Tive o mesmo pensamento… está complicado brigar pelas coisas nesse admirável mundo novo.

  5. Mazo disse:

    Acho que a Apple está errada e o governo inglês certo. Não vejo relação entre as duas iniciativas.
    Censura é ruim, mas o mundo livre precisa defender a liberdade CONTRA os que odeiam o mundo livre. A democracia deve permitir tudo, menos sua própria destruição. Os gregos sabiam disso.
    Na Inglaterra que vocês criticam, sheiks medievais defendem o absolutismo islâmico e a destruição da Inglaterra e o fazem nos microfones protegidos pela liberdade de imprensa. Isto não é aceitável.
    O uso de câmaras nas ruas nunca pode ser tratado como assunto de privacidade porque as ruas não são um local privado, ruas são públicas e as ações das pessoas nas ruas são de interesse público. Por outro lado, lares são privados, mas da mesma forma que a ninguém é permitido armazenar explosivos nos armários da cozinha ou bater em velhinhos na sala de estar, a sociedade ocidental há muito aceita algum nível de intervenção estatal nas famílias. A discussão não é SE o estado entra nas casas, é QUANTO o estado pode entrar.
    A Apple por sua vez parece que leu 1984. Não está no texto da Wikipedia que Silvio recortou, mas lembro quando li 1984 na adolescência que um dos objetivos de reduzir a língua seria chegar ao ponto em que uma palavra teria todas as denotações menos a idéia de revolução. E se você não tem um termo, não pode pensar no conceito. Filosoficamente, não sei quanto isso é verdade porque animais podem se revoltar sem uma linguagem estruturada para pensar na revolta. Porém, parece que a Apple acha que se ninguém puder pensar em screw, ninguém vai mandar o outro se f… É ruim para os consumidores e não ajuda a companhia.

  6. Davi Pires disse:

    “posso não concordar com nada que você diga, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

    A máxima da democracia e da liberdade de expressão é você poder usá-la até para questionar a liberdade de expressão. O que me faz pensar em uma app que enfrente a censura a outras apps. Como seria um vírus anti-appSpeak?

  7. Caolho disse:

    Vc leu a reportagem “Amigos imaginários melhoram linguagem da criança, diz estudo”? Por favor leia. Vai ajudar vc a entender porque lhe falta tanta imaginação e seus artigos são tão ruins.

  8. Victor Rodrigues disse:

    Até entendo porque existir certo controle das apps, eles seguem mais ou menos a lógica dos consoles de games – com a diferença que a apple disponibiliza a plataforma de desenvolvimento para todos (mediante um pagamento de $99), coisa que muitos consoles grandes não fazem.

    Agora esse filtro é corda pra se enforcar… Android “só” precisa de um aparelho fodão e uma interface melhorada para mostrar a que veio, e o negócio deve ficar um pouco diferente.

    Enquanto isso, na appStore… Um brasileiro, desenvolvedor de Recife, tem a top 1 app baixada na applestore brasileira:

    http://appleaddicted.com.br/blog/addictedreview-promocao-paciencia-br/#idc-container