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Escrito por • 22/04/2009

a atenção e as redes sociais

lá no começo da internet se dizia que o negócio de todo e qualquer site estava era relacionado a eyeballs, ou olhos. dos olhos com que se via e se vê a rede é de onde vem a atenção que, por sua vez, é de onde vem a renda que transforma sites em negócios. antigamente [há uma meia década…] certamente poder-se-ia dizer que “no eyeballs, no business”.

mas o tempo da internet é acelerado; a rede é uma economia exponencial. basta ver as curvas de performance e penetração das tecnologias da rede. escolha a sua e procure um gráfico. abaixo, o crescimento do número de visitantes de twitter nos últimos doze meses

imagesó entre fevereiro e março deste ano, twitter cresceu 131%, pulando de perto de quatro para mais de nove milhões de visitantes por mês. é deste tipo de pegada, e suas prováveis consequências, que negócios estabelecidos como google e microsoft tem medo. no último ano [e não no último mês] google cresceu 8%. e eyballs, hoje, é um tipo bem diferente de atenção; é a atenção associada à contribuição, à participação pessoal em comunidades, e não à realização de transações simples como uma busca.

image no passado, claro, google teve uma curva de crescimento muito similar ao twitter de hoje. só que, nas economias exponenciais das quais estamos falando, cada sistema ou site não é uma curva exponencial para sempre, mas uma sigmóide, uma função que começa como uma exponencial mas que, depois de um tempo, diminui sua velocidade de crescimento até, literalmente, “bater no teto”. twitter tá no começo de sua sigmóide e google está muito mais perto do “teto” do S.

só que google tem, hoje, cerca de 3/4 dos old eyballs da rede, quando o negócio é busca. para todos os efeitos, google é imbatível no “seu” negócio. mas… e se a atenção, se os new eyeballs e todo o resto começarem a se mudar para outras plagas, tipo blogs e, principalmente, redes sociais como facebook e twitter?…

leia este texto de joshua porter, que termina dizendo que… in conclusion I see Google’s dominance being eroded by the social networks. It won’t be a direct assault on search, just as Google didn’t directly assault Microsoft by trying to build a better OS or a better Office suite. It will be a direct assault on attention. You don’t kill the incumbent at their own game. You change the game, and then beat them at that one.

em português?… você não derrota monopólios no jogo deles. primeiro, você muda o jogo, pra um que eles não sabem ou não conseguem jogar e, aí, você os derrota no seu jogo. o ataque a google não vai ser à busca, mas à atenção que google tem hoje. porter, e muito mais gente, acha que google está começando a perder atenção para os sistemas sociais da rede. façam suas apostas, pois em pouco tempo –menos de meia década- saberemos a resposta.

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0 Responses to a atenção e as redes sociais

  1. Nick Ellis disse:

    Eu acho que este é mesmo o caminho, mas o Google não vai desistir sem uma boa briga.

  2. Nick Ellis disse:

    Eu acho que este é mesmo o caminho, mas o Google não vai desistir sem uma boa briga.

  3. Andres disse:

    Porque a gente não consegue alguma coisa exponencial na rede? Será que nosso poder de inovação é pequeno? Será que não somos empreendedores?

  4. Andres disse:

    Porque a gente não consegue alguma coisa exponencial na rede? Será que nosso poder de inovação é pequeno? Será que não somos empreendedores?

  5. Onanista Cibernético disse:

    Xicher Sil, o detalhe __ que talvez, não esteja sendo levado em conta pelo nobre cara-pálida__é que os serviços do Google não estão centralizados, unicamente, em seus serviços de buscas, serviços estes por sua vez, já consagrados e popularizados. Os líderes desta empresa pulverizaram interesses em muitos setores como blogs, softwares….

  6. Onanista Cibernético disse:

    Xicher Sil, o detalhe __ que talvez, não esteja sendo levado em conta pelo nobre cara-pálida__é que os serviços do Google não estão centralizados, unicamente, em seus serviços de buscas, serviços estes por sua vez, já consagrados e popularizados. Os líderes desta empresa pulverizaram interesses em muitos setores como blogs, softwares….

  7. Google tem um modelo de negócio que inclui geração de receita. O Twitter ainda não. É hype de momento, daqui a pouco passa e dá lugar à próxima moda. Acho que se alguma empresa com rede social aparecer para se tornar muito grande vai ter um modelo bem diferente das que já existem.

  8. Google tem um modelo de negócio que inclui geração de receita. O Twitter ainda não. É hype de momento, daqui a pouco passa e dá lugar à próxima moda. Acho que se alguma empresa com rede social aparecer para se tornar muito grande vai ter um modelo bem diferente das que já existem.

  9. Jairson disse:

    Resposta ao comentário de Andres: No Brasil não existe capital de risco, as Universidades não incentivam o empreendedorismo entre mestres e doutores e medem sua perfomance pela quantidade de artigos engavetados publicados, todos com potencial criativo e empreendedor acabam trabalhando no Tribunal das Contas Universais, na UF** ou na IBM, Oracle, Johnson etc ou vão para o Canadá. No único centro de negócios do país, São Paulo, as start-ups ocupam-se a clonar digg, orkut, google etc. E quero deixar claro que isso nao acontece somente no Brasil, na Alemanha, onde passo boa parte do meu tempo, e na Europa em geral, a situacao é um pouquinho menos grave, mas muito parecida.

  10. Jairson disse:

    Resposta ao comentário de Andres: No Brasil não existe capital de risco, as Universidades não incentivam o empreendedorismo entre mestres e doutores e medem sua perfomance pela quantidade de artigos engavetados publicados, todos com potencial criativo e empreendedor acabam trabalhando no Tribunal das Contas Universais, na UF** ou na IBM, Oracle, Johnson etc ou vão para o Canadá. No único centro de negócios do país, São Paulo, as start-ups ocupam-se a clonar digg, orkut, google etc. E quero deixar claro que isso nao acontece somente no Brasil, na Alemanha, onde passo boa parte do meu tempo, e na Europa em geral, a situacao é um pouquinho menos grave, mas muito parecida.

  11. bruno disse:

    excelente comentário o do Jairson. Gostaria só de acrescentar que temos uma mentalidade relativamente provinciana de fazer coisas exclusivamente para o público nacional, como aplicações que carregam o slogan de “O Digg brasileiro”. Digg só tem um, os outros são insignificantes. Enquanto não fizermos coisas para *o mundo*, nem que seja um hype, estaremos na periferia das startups mundiais.

  12. bruno disse:

    excelente comentário o do Jairson. Gostaria só de acrescentar que temos uma mentalidade relativamente provinciana de fazer coisas exclusivamente para o público nacional, como aplicações que carregam o slogan de “O Digg brasileiro”. Digg só tem um, os outros são insignificantes. Enquanto não fizermos coisas para *o mundo*, nem que seja um hype, estaremos na periferia das startups mundiais.

  13. silvio m. disse:

    jairson e bruno: é isso aí mesmo. ou olhamos pro mundo ou vamos pra m**da… silvio m.

  14. silvio m. disse:

    jairson e bruno: é isso aí mesmo. ou olhamos pro mundo ou vamos pra m**da… silvio m.

  15. Andres disse:

    Excelentes colocações do Bruno e do Jairson. Provocando mais uma vez… Como é que podemos sair desse vicio?

  16. Andres disse:

    Excelentes colocações do Bruno e do Jairson. Provocando mais uma vez… Como é que podemos sair desse vicio?

  17. Julio Verdi disse:

    Olá Silvio
    Sou constante leitor de suas matérias, também pelo óbvio motivo que atuo na área tecnológica.

    Olá

    Te convido para conhecer meu blog e minhas idéias.

    http://www.julio-verdi.blogspot.com/

    Grato pela atenção.

    Júlio Verdi

  18. Julio Verdi disse:

    Olá Silvio
    Sou constante leitor de suas matérias, também pelo óbvio motivo que atuo na área tecnológica.

    Olá

    Te convido para conhecer meu blog e minhas idéias.

    http://www.julio-verdi.blogspot.com/

    Grato pela atenção.

    Júlio Verdi

  19. Adolfo Neto disse:

    Sobre o comentário do Jairson: “Universidades não incentivam o empreendedorismo entre mestres e doutores e medem sua perfomance pela quantidade de artigos engavetados publicados”.

    Já tem gente nas próprias universidades e institutos públicos se manifestando sobre a irrelevância prática da ciência brasileira.

    Temos uma lista de discussão e vários documentos foram publicados (ver abaixo), alguns deles no Estadão, outros no Jornal da Ciência. E em breve deveremos lançar um blog.

    http://professoradolfo.blogspot.com/2008/12/cientistas-pedem-fim-de-oligarquia-no.html
    http://professoradolfo.blogspot.com/2008/12/cientistas-pedem-fim-de-oligarquia.html
    http://professoradolfo.blogspot.com/2008/12/manifesto-comunidade-e-aos-rgos-de-c.html
    http://professoradolfo.blogspot.com/2008/12/apoio-ao-manifesto-contra-o-cnpq-na-seo.html
    http://professoradolfo.blogspot.com/2009/02/casta-dos-superbachareis-artigo-de.html

    []s
    Adolfo

  20. Adolfo Neto disse:

    Sobre o comentário do Jairson: “Universidades não incentivam o empreendedorismo entre mestres e doutores e medem sua perfomance pela quantidade de artigos engavetados publicados”.

    Já tem gente nas próprias universidades e institutos públicos se manifestando sobre a irrelevância prática da ciência brasileira.

    Temos uma lista de discussão e vários documentos foram publicados (ver abaixo), alguns deles no Estadão, outros no Jornal da Ciência. E em breve deveremos lançar um blog.

    http://professoradolfo.blogspot.com/2008/12/cientistas-pedem-fim-de-oligarquia-no.html
    http://professoradolfo.blogspot.com/2008/12/cientistas-pedem-fim-de-oligarquia.html
    http://professoradolfo.blogspot.com/2008/12/manifesto-comunidade-e-aos-rgos-de-c.html
    http://professoradolfo.blogspot.com/2008/12/apoio-ao-manifesto-contra-o-cnpq-na-seo.html
    http://professoradolfo.blogspot.com/2009/02/casta-dos-superbachareis-artigo-de.html

    []s
    Adolfo

  21. Eduardo disse:

    muito bom o texto, e muito bom os comentários jairson e do bruno…

    eu posso dizer que existem muitas pessoas nas universidades que possuem idéias muito boas, mas que não tem respaldo algum para colocar suas idéias em prática. Alguns dos impercílios é a falta de insentivo por parte das universidades e também do governo, a execiva burocacia desetimula muito a criatividade de muita gente, e nós bem sabemos que este país possui muita burocracia. Muitas vezes nós temos que além de correr contra um mundo cada vez mais versátil e dinâmico, correr contra de nosso sistema burocrático.

  22. Andre Mendonca disse:

    My 2c,

    Eu acho interessante que, no Brasil, voce ve muita gente dando o “jeitinho brasileiro”, arrumando uma forma de se virar, ganhar uma grana aqui ou ali.

    Necessity is the mother of inventions.

    Eu posso estar completamente errado, mas por algum motivo esta criatividade, talvez por questoes culturais, parece desaparecer quando envolve classes mais favorecidas.

    Gente demais se forma tendo como objetivo fazer concurso publico e ter “estabilidade de emprego”. De fato, muita gente se forma unica e exclusivamente para poder prestar concursos publicos onde curso superior eh obrigatorio. Eu nao consigo entender a urgencia de tanta “estabilidade” quando voce tem 20 anos de idade e mora com seus pais.

    Tenho um amigo que eh Diretor (!) de um banco em NY e ate hoje a mae dele manda emails sempre que o Banco Central lanca um edital.

    Em uma conversa recente com outro amigo ele tentou me convencer a voltar para o Brasil (moro em Londres) e fazer um concurso publico (motivos: bom salario, estabilidade, mamata aqui, mamata acola).

    Finalmente, como ja foi dito aqui, falta de capital de risco eh um problema serio mas tambem nao podemos esquecer que a burocracia e as leis trabalhistas primitivas nao ajudam potenciais investidores.

    Pergunte-se e responda sinceramente: se voce tivesse 100 milhoes de dolares sobrando, onde iria investi-los? Recife ou Silicon Valley?

    Enfim, tem coisa errada demais nessa historia.

    Abracos,
    Andre

  23. Andre Mendonca disse:

    My 2c,

    Eu acho interessante que, no Brasil, voce ve muita gente dando o “jeitinho brasileiro”, arrumando uma forma de se virar, ganhar uma grana aqui ou ali.

    Necessity is the mother of inventions.

    Eu posso estar completamente errado, mas por algum motivo esta criatividade, talvez por questoes culturais, parece desaparecer quando envolve classes mais favorecidas.

    Gente demais se forma tendo como objetivo fazer concurso publico e ter “estabilidade de emprego”. De fato, muita gente se forma unica e exclusivamente para poder prestar concursos publicos onde curso superior eh obrigatorio. Eu nao consigo entender a urgencia de tanta “estabilidade” quando voce tem 20 anos de idade e mora com seus pais.

    Tenho um amigo que eh Diretor (!) de um banco em NY e ate hoje a mae dele manda emails sempre que o Banco Central lanca um edital.

    Em uma conversa recente com outro amigo ele tentou me convencer a voltar para o Brasil (moro em Londres) e fazer um concurso publico (motivos: bom salario, estabilidade, mamata aqui, mamata acola).

    Finalmente, como ja foi dito aqui, falta de capital de risco eh um problema serio mas tambem nao podemos esquecer que a burocracia e as leis trabalhistas primitivas nao ajudam potenciais investidores.

    Pergunte-se e responda sinceramente: se voce tivesse 100 milhoes de dolares sobrando, onde iria investi-los? Recife ou Silicon Valley?

    Enfim, tem coisa errada demais nessa historia.

    Abracos,
    Andre

  24. divana disse:

    d+ sua entrevista na Marilia Gabriela. Adorei

    abraços.

  25. divana disse:

    d+ sua entrevista na Marilia Gabriela. Adorei

    abraços.

  26. divana disse:

    D+ sua entrevista na Marilia Gabriela

  27. bruno disse:

    Andres e Eduardo,
    Acho que falta a nós capacidade de execução. Temos ótimas idéias de fato, somos criativos também. Segundo Thomas Edison isso é só 1%. O restante é trabalho. Coisas como Flickr e Delicious foram programadas por uma, duas pessoas sem grana durante um bom tempo trabalhando de madrugada.Isso tem um slogan: “execução perfeita do desconhecido”. Significa que nem sempre eu sei como fazer, mas eu faço. Em modo beta. Para o mundo todo usar. E continuo fazendo enquanto as pessoas usam. Nunca tá fechado.

    Os recursos *tecnológicos* estão aí pra todo mundo. Posso hospedar meu serviço “do lado” de Twitter no Amazon S3. A internet é pública. Os custos de hospedagem caindo freneticamente. Tem muita gente querendo investir também, mas você tem que apresentar algo “that worth”. Resumindo: junte uma sacada genial com um trabalho ferrado que dá certo. Fica aí um pensando que eu gosto bastante:

    “well done is better than well said”. Think about it.