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Escrito por • 19/06/2008

os PCs e a balança comercial

de acordo com pesquisa do idc, foram vendidos mais de 21 PCs por minuto no brasil durante o primeiro trimestre de 2008. isso dá quase 2.4 milhões de computadores pessoais nos três primeiros meses do ano, um aumento de quase 19% sobre período similar de 2007, que tinha sido considerado atípico [de tão bom].

segundo o idc, citado pela folha,  até 2010 o brasil alcançará o terceiro lugar em volume de vendas de PCs no mundo, atrás apenas de eua e china; pelas contas dos consultores, há cerca de 50 milhões de PCs funcionando no país, no momento.

e a balança comercial com isso? o déficit da balança de eletrônicos, até maio deste ano, jádecon141-import.gif está 61% maior do que no mesmo período no ano passado [que foi, por sua vez, 41% maior que 2006, comparando ano a ano]. estima-se que o rombo passe dos US$20B em 2009, resultado de um mercado interno que compra cada vez mais PCs, laptops, celulares e tudo que tem, dentro, componentes, partes e peças que importamos a granel da ásia, combinado com uma muita dificuldade de exportar o que é produzido aqui, por causa do que se convencionou chamar de “custo brasil”, que agora inclui um real tão valorizado como há uma década.

no passado, quando isso acontecia, fechava-se as fronteiras e se tratava de “substituir as importações”. à medida que o país se globaliza,decon142-deficit.gif o mercado [ou seja, todo mundo que não fabrica alguma coisa aqui, só para comércio local] quer os melhores produtos, pelos melhores preços, pouco importa de onde venham. até porque nosso argumento para vender [por exemplo] etanol nos estados unidos é menos barreiras na fronteira e menos subsídios dentro delas. se saímos com etanol, onde somos muito competitivos, os outros vão querer entrar com os produtos onde são muito competitivos. simples assim. antigamente, até que dava para pensar em ser competitivo em tudo. no mundo globalizado e conectado, onde a antiga brahma vai acabar comprando a cerveja símbolo dos eua, só burma e a coréia do norte acham que estão isoladas. por pouco tempo mais.

vamos ter que tomar e implementar decisões sérias de política industrial muito em breve, em muitas áreas. uma delas vai ser a de fabricação de commodities eletrônicas [PCs, laptops, celulares, câmeras, pods…] de baixo peso e alto valor agregado, onde o custo do transporte é irrelevante. ou se cria, aqui, condições para fazermos mais coisas pro brasil e outras partes do mundo ou acabaremos importando tudo pronto, até porque vai ficar, ao fim das contas, mais barato.

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0 Responses to os PCs e a balança comercial

  1. GEROLDO ZANON disse:

    Eu tenho um amigo que ainda não acredita em pc

  2. Ricardo disse:

    Incrivel como a inclusão digital avança num país claramente subdesenvolvido. Isso significa sobretudo que a internet já toma boa parte do dia a dia do brasileiro, não importa a renda social.

  3. Victor Pellegrini disse:

    Sílvio,

    todas as ações para a industrialização em componentes do país foram negligenciadas na década de 90. As instituições criadas para este fim ficaram sem investimentos, nas universidades apenas a abordagem acadêmica foi estimulada. O apoio governamental durante a década de 90 ficou destinado principalmente para a área de software, e os líderes da área de TI, oportunamente, aceitaram usar recursos da Lei de Informática de forma tática, e não estratégica, criando uma relação comensal com empresas da área de celulares que tinha a sua viabilidade dependente de um ecossistema industrial altamente subsidiado.

    Meu caro Sĩlvio… o resultado é o que agora você denuncia como um risco para o país.

    A área de componentes, diferentemente da área de software, necessita de décadas de investimento para se consolidar. Agora é difícil falar em uma política industrial que realmente nos coloque em situação de competir.

    Um abraço!

  4. Luis disse:

    E da-lhe PosiInfo.

  5. Denilson disse:

    Ótima materia.

    O Brasil já é uma potencia em número de computadores conectados a internet e cada vez mais se consolida no mercado de aparelhos eletronicos e moveis. espero que o governo facilite o acesso as pessoas carentes tambem..

    abraços e sucesso

  6. Fernando disse:

    Meira,

    Você está considerando nesta conta os equipamentos que entram no país ilegalmente através dos nossos organizadíssimos “agentes de fronteira”. Se não, a conta pode ser bem pior.

    Paga-se 70% de imposto de importação sobre um equipamento eletrônico pronto, por exemplo um notebook ou mp3 player. Resultado, tudo o que entra acaba sendo por meios ilegais.

    Se não vamos produzir estas coisas aqui, o mínimo que o governo deveria fazer é “concorrer” por preço com os importadores ilegais: basta cobrar de imposto o equivalente ao custo desta cadeia de importação ilegal que todos passariam a importar legalmente. Por exemplo, se o custo de trazer um equipamento por meios ilegais for 30%, bastaria que o governo cobrasse um imposto menor que este para que comprassemos legalmente dos fornecedores internacionais. Por exemplo, poderíamos comprar diretamente da amazon.com.

  7. Santelmo Figueiredo disse:

    Definitivamente, o Brasil conseguiu um feito inédito desde a implantação do Plano Real: conseguiu baancear os gastos internos e externos mas os brasileiros ainda teimam em por tapa-olho de modo a não ver que, gastos dessa natureza ( importação supérflua ) só contribuem para o desgaste da engrenagem financeira do país. Tenho em uso um velho notebook, se é que se pode chamar isto de notebook… satifeito ? sim pois trabalho c/ ele da mesma forma, não tão rápido mas, também não tenho pressa
    O brasileiro vive de grandeza virtual: faz de conta que um top de linha o deixará com melhor status, mais bem visto e melhor situado… às vezes chega a ser patético a falsa situação de status que esse indivíduo fica acometido. O status ainda é o dim-dim e sem ele não há maquiagem que dê jeito…. Acordem Brasileiros … nossa realidade é outra !!!!

  8. Bruno Bezerra disse:

    Silvio,

    Trabalho com venda de equipamentos de informática, nos últimos anos a entrada das grandes redes de varejo nesse segmento tem contribuído significativamente para o incremento das vendas de PC. Da mesma forma que tem sufocado as pequenas e médias lojas especializadas em informática, especialmente em razão dos longos prazos praticados pelas grandes redes de varejo.

    Você sabia que uma das maiores lojas de informática do Norte/Nordeste fica no interior de Pernambuco?

  9. Felipe [FIP] disse:

    lendo os comentarios aqui, me deparei com a realidade de que nem todos conseguiram enxergar (infelizmente) que a grande preocupação da matéria não é a inclusao digital, mas o quanto que isso poderá custar para a balança comercial brasileira futuramente.
    concordo que o país deve agir de forma eloquente para tentar competir com os preços de importação, utilizando tecnologia nacional. porém, a compra de suprimentos, mao de obra especializada entre outros fatores, acarretariam num ônus que, sinceramente, nao acredito ser prioridade, pelo menos momentaneamente.
    existem prioridades no país, e acho q a inclusão digital, definitivamente, nao seja uma das maiores.

  10. Felipe [FIP] disse:

    PS: parabéns pela matéria!

  11. philips disse:

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