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Escrito por • 28/04/2010

a internet das coisas, 2: everyware

aqui no c.e.s.a.r a gente tem um ditado sobre idéias, propostas e soluções: sempre que você está pensando em alguma coisa inovadora, um monte de gente, mundo afora, está pensando na mesma coisa. a experiência do c.e.s.a.r mostra que esta máxima vale pra quase tudo, de nomes de domínio a complexas arquiteturas de software.

estamos no mesmo mundo, ele está cada vez mais conectado, cada vez mais gente tem acesso aos mesmos dados, informação e conhecimento. e o resultado é que quase todos acabamos vivendo dentro do mesmo contexto, observando os mesmos problemas e oportunidades e, por conseguinte, usando o mesmo repertório de idéias, designs, projetos e soluções. todo “mundo” [de pelo menos uma certa parte do mundo todo] detém, ao mesmo tempo, boa parte dos meios -os mesmos “meios”- para realizar o que quiser.

o que nos torna diferentes? v-e-l-o-c-i-d-a-d-e. com todo mundo “sabendo” de tudo e de tudo o que é preciso fazer, ao mesmo tempo, e de posse dos meios para tal, o único diferencial é a velocidade com que se faz. ou se tenta propor ou fazer. isso vai acabar sendo assunto deste blog quando voltarmos aos temas de criatividade, inovação e empreendedorismo. mas hoje, sendo a conversa sobre everyware, porque começamos desta forma?

porque um certo conjunto de idéias-força que sustenta a internet das coisas como é pensada, desenhada e marqueteada hoje nasceu ao mesmo tempo, ao redor do fim de 2005 e começo de 2006. dias depois de bruce sterling publicar shaping things, em setembro de 2005, peter morville saía com ambient findability; digital ground, de malcom mccullough, saiu em outubro e, pra encerrar uma curta bibliografia de idéias sobre a rede das coisas, adam greenfield publicava everyware em março de 2006.

image no subtítulo, the dawning age of ubiquitous computing, greenfield, head of design da nokia, diz o que vê: uma era onde todos os objetos são capazes de capturar, receber, transmitir, armazenar, processar e mostrar informação e, se for o caso, agir [em contexto] em função da informação que detêm e sua capacidade de processá-la. por todos os objetos entenda todos os objetos: de latas de sardinha a botões de camisa, da camisa ao carro, do pneu ao sinal de trânsito, ao sapato do pedestre… em suma, tudo.

everyware é um manifesto em forma de teses, 81 delas; e a número 81 declara que as oitenta teses anteriores são necessárias mas não suficientes; e não são o fim, mas o princípio desta história. correndo o risco de errar por muito, vou resumir a cinco pontos “operacionais” as primeiras oitenta teses de greenfield, pois isso vai nos ajudar a fundir o que estamos discutindo neste texto com o que foi apresentado no anterior, onde discutimos a idéia de spimes.

olhando de longe e sem tratar diretamente o que everyware é ou faz, everyware é… 1. sem fio; 2. embarcado; 3. imperceptível; 4.múltiplo e 5. “invisível”. explico: para estar em tudo e em todo lugar, everyware não pode ter fio, deve poder ser embutido na “coisa”, passando a fazer parte “dela”, tem que ser imperceptível, de modo a não modificar a coisa à qual adiciona capacidades computacionais, de computação e de controle, deve existir em quantidade [potencialmente massiva], pois estamos falando de elementos informacionais que possam ser [eventualmente] inseridos e descartados no ambiente e, finalmente, nada de interface tipo WIMP ou “touch” ou o que parecido for: everyware tem que funcionar de forma transparente.

quando fala everyware estar em tudo e em todo lugar, greenfield chega bem perto dos conceitos essenciais de computação ubíqua e quer dizer, de fato, em todos os lugares e em todas as coisas. ainda por cima, nós poderíamos adicionar um “o tempo todo”. a consequência disso? tal ubiquidade de computação, comunicação e controle, em que há sensores e atuadores em todo canto, criaria um campo informacional no planeta. claro que isso tem a ver com computação ubíqua na concepção original de mark weiser e, mais recentemente, com a visão que temos de realidade aumentada, especialmente de sua evolução nos próximos 10, 20 anos.

segundo o próprio greenfield, everyware é informática dissolvida em comportamento, ou no ambiente, ou nos objetos. isso não significa que uma banana vai ser um computador, muito pelo contrário; mas que haverá capacidades informacionais, ou seja, de computação, comunicação e controle, associadas a bananas. por que? por que seria muito legal se você pudesse questionar uma banana num supermercado e perguntar… quem é você? ainda mais porque, em função disso, a banana provavelmente contaria toda sua história… como vamos ver no nosso próximo texto sobre este assunto, ligando spimes e everyware.

até lá, e pensando em bananas, digamos, informatizadas, reflita sobre a tese 16 do livro de greenfield: nós nos relacionaremos com everyware sem advertência, sem sabermos [que estamos nos relacionando com ele] e, vez por outra, mesmo que não queiramos… será que isso quer dizer que bananas informatizadas vão “querer” conversar conosco no supermercado? de certa forma, sim.

você não perde por esperar o próximo texto… e, enquanto isso, pode clicar na imagem abaixo para vê-la [maior] em contexto numa discussão sobre um tipo particular de everyware chamado smart dust ou poeira inteligente.

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0 Responses to a internet das coisas, 2: everyware

  1. Creio que realmente há uma “informatização” de tudo, e quando digo tudo, ao contrário do que o texto diz, não quero dizer realmente tudo, mas muita coisa de nosso cotidiano. o exemplo da banana ainda me parece algo muito distante, estou ansioso para o próximo texto. ab

  2. Bruno Bezerra disse:

    O diferencial estando na velocidade com que se faz. ou se tenta propor ou fazer… No contexto, multiplica-se a importância da dinâmica empreendedora, da atitude empreendedora, da habilidade empreendedora, da inovação como mudança de atitude e, da criatividade.

    Numa esquecendo Albert Einstein:
    “Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento”

    Muito bom o texto Silvio, e dentro da temática sinto que textos melhores virão…

  3. Professor Meira, sua acuidade com as questões tecnológicas ante a dinâmica do mercado da computação e as necessidades de uma sociedade em constante mutação é, de fato, singular… Excelente texto, excelente trabalho…!

    Um grande abraço!

  4. Renato Duarte disse:

    Meira
    Duas colaborações:
    Bananas eu não sei, mas os chips de rastreamento de produto animal na União Européia carregam identificação capazes de rastrear desde a origem até o destino toda sua vida incluindo cuidados na origem (alimentação, vacina, processamento,etc.) até o destino passando pelo transporte. O Villelinha tem trabalhado nisto no Brasil. Claro que as informações são de back-office mas acessíveis imediatamente.
    Velocidade: O Dr Kris Pister comercializa as Smart Dusts através da empresa Dust Networks fundada por ele em 2002. Seu lema: At Dust Networks we are passionate about making this vision a reality. Já conseguiram obter padrões IEC e ISA da tecnologia. Precisamos aprender que se bem estruturadas, idéias e conceitos tem valor desde o começo ao agregarem diferenciais ao existente mesmo que ainda longe do resultado final. Fazer isto neste país, tirando honrosas exceções, não é fácil até porque aqui tudo tem que ser demonstrado e finalizado antes.

    • srlm disse:

      renato,

      grato pelas observações; na minha opiniao, ainda vai ser preciso muito esforço -regulatorio, inclusive- pra chegarmos neste cenário que estamos discutindo aqui. mas nao tenho dúvida de que chegaremos…

  5. Paulo Nasc disse:

    Olá professor Meira: sensacional essa séria sobre a internet das coisas. Em linhas gerais estamos assistindo a concretização das teses esboçadas por Michael Dertouzos do MIT em seu livro “O QUE SERÁ – Como o Novo Mundo da Informação Transformará Nossas Vidas”.

  6. AG disse:

    Great work bringing these streams of thought together. I wouldn’t call it “spimeware,” as I’m trying to get away from coining new words, but as you can see, I’m having very similar thoughts these days:
    https://speedbird.wordpress.com/2010/04/24/frameworks-for-citizen-responsiveness-enhanced-toward-a-readwrite-urbanism/