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Escrito por • 19/12/2012

a morte e a morte do “grátis”, na web

um modelo de negócios tem que responder as seguintes perguntas: quem paga o que, pra quem, por que e como? instagram, o app [aliás, a comunidade] que faceBook comprou por um bilhão de dólares há uns meses, está tentando responder esta pergunta. agora. a tentativa da semana gorou. e vão botar a culpa em algum estagiário do departamento legal.

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porque o menino ou menina, agora parte do time de faceBook, que também tem seus problemas de receita, principalmente no móvel, resolveu avançar o sinal e botar uns termos que davam a instagram o direito de fazer qualquer coisa com as suas fotos [com as minhas, não, porque não tenho conta lá]. onde se lê qualquer coisa, entenda qualquer coisa mesmo, inclusive e principalmente vender as fotos. o rebuliço foi tamanho que a “nova política” para o conteúdo, na comunidade, não durou nem um dia inteiro. e aí já apareceu uma galera pra dizer que o problema não eram os novos termos da licença, mas as mudanças no app, que agora não tem isso ou aquilo, impõe umas coisas, e por aí vai.

é fácil imaginar que quase a totalidade dos 100 milhões de usuários de instagram não esteja nem aí para o que acontece com suas fotos. afinal de contas, elas foram compartilhadas com o mundo. por outro lado, a foto de sua família, de repente, na propaganda do açougue do bairro, sem você autorizar, é danado. bem pior do que sem receber, especialmente se você é vegetariano. este contexto imaginário serve pra situar o tamanho do conflito potencial que o estagiário de instagram criou.

ok, passou, página virada, era uma brincadeira pra ver se a turma estava ligada ou não. mas o problema de fundo continua. a receita de instagram é zero. criar uma receita para pagar as contas da divisão instagram de faceBook é urgente. o mundo, claro, não vai se acabar nos próximos meses, porque os custos de instagram estão diluídos dentro do gigantismo de faceBook. pois zuckerberg faturou US$1.262B no trimestre passado foi , com 14% de toda receita de anúncios vinda do móvel, que tinha zero de renda até pouco tempo atrás. quer dizer que estão descobrindo, lá mesmo em faceBook, as respostas para quem paga o que, pra quem, por que e como?…

sim, estão. devagar e sempre, como em google + youTube; quando o segundo foi comprado pelo primeiro, por US$1.65B, em 2006, o serviço era insustentável comercialmente, apesar do uso intenso. durante muito tempo, muita gente deixou bem claro que a compra teria sido um grande erro por parte de google.  e se gastou muito dígito analisando os possíveis modelos de negócio. e até a metade de 2011, google continuava na busca de um modelo de negócios rentável para youTube. ano passado, havia previsões de que youTube chegaria a faturar US$1B agora em 2012 [depois de pagar royalties e o que mais]. apostas mais recentes apontam para mais que o dobro disso. só pra lembrar, google é um negócio de US$50B em 2012, com uns 20% de receita líquida. coisa de gente grande. e que, apesar disso, ainda não conseguiu acertar youTube “completamente”, seis anos depois da aquisição.

respostas para quem paga o que, pra quem, por que e como?… são poucas e na maioria das vezes de muito complexa implementação. não é o estagiário que vai fazer isso lá em instagram, porque as respostas estão no nível mais alto, político e estratégico, do negócio. de lá é que vão partir as ações que podem, como foi o caso de youTube, gerar alguma renda e fazer instagram valer o bilhão de dólares que foi pago por ele. porque, até aqui, foi só destruição de valor.

agora pense: porque todo este auê? porque não deixar instagram pra lá, perdendo o dinheiro dele? porque havia gente botando dinheiro pra fazer a coisa rodar. e este povo, na venda, se tornou acionista de faceBook, que está na bolsa e tem que prestar contas como uma companhia qualquer, já que suas ações são trocadas, lá, por outras, de negócios de mineração, energia, varejo… se não dão resultado.

nesta “nova” realidade, depois de 15 anos experimentando negócios para o futuro, temos uma rede no presente, resolvendo problemas reais das pessoas e empresas, e investidores querendo ver o retorno dos seus investimentos, o que é a coisa mais natural do mundo de negócios. aí… respostas para quem paga o que, pra quem, por que e como?… são mandatórias e o tal do “grátis”, puro e simples, quem sabe ingênuo, sem qualquer compromisso com a realidade, começa a desaparecer.

de uma outra forma, este blog discutiu o assunto neste texto, sobre a mudança das agendas de investimentos nos EUA e no mundo. se você está pensando em abrir um novo negócio na rede agora, vá ler. e vá pensando nas respostas para as perguntas em vermelho, no seu novo negócio…

chart of the day, facebook revenue growth, oct 2012

PS: parece tão óbvio, hoje em dia, que esqueci de mencionar. mas, a pedidos, lá vai: sempre que você encontrar um serviço gratuito, na web, é porque você, o que você produz com o serviço ou os dois são o produto [do serviço]. e o tal serviço gratuito vai tentar lhe vender de alguma forma. como é que você acha que google remunera o provimento gratuito de emeio pra centenas de milhões de pessoas? ele “vende” cada emeio seu. você só tem que decidir se fica [como produto] ou sai [do serviço gratuito]. há uma boa discussão aqui. e, tempos atrás, a gente descobriu, fazendo uma pesquisa sobre coisa parecida, que há muita gente disposta a pagar um preço razoável por serviços realmente úteis, desde que sua privacidade e propriedade informacional fosse preservada. é esperar pra ver.

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