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Escrito por • 14/09/2008

a origem do cérebro humano

080608_brainevolution_300-nerves-synapses-edu-genes2cognition.jpggenes2cognition é um consórcio de alguns dos principais centros de pesquisa do planeta, cujo propósito é estudar genética, cérebros e comportamento de forma integrada.

o desafio do grupo é entender como o cérebro humano evoluiu até aqui e quais as vantagens e  "problemas" de "projeto e desenvolvimento" que geram certas capacidades e/ou deficiências.

as descobertas indicam que, ao longo de centenas de milhões de anos de evolução, certos tipos de animais passaram por uma evolução bem mais radical do que outros no que tange à complexidade das conexões existentes entre os nervos, as sinapses, no cérebro.

segundo o professor seth grant, do wellcome trust sanger institute, mais cérebro não significa mais capacidade ou poder de processamento de informação. de acordo com o professor… "apesar de muitos estudos terem considerado o número de neurônios no cérebro, nenhum estudou a composição molecular das conexões neuronais. e nós encontramos diferenças dramáticas na quantidade de proteínas nas conexões neuronais de diferentes espécies".

ainda segundo o professor"nós estudamos cerca de 600 proteínas encontradas nas sinapses dos mamíferos e ficamos surpresos ao encontrar apenas metade delas nas sinapses de invertebrados e somente um quarto do total em unicelulares, que obviamente não têm cérebro". 

finalmente, o professor grant conclui que "este trabalho está criando um modelo novo e simples para entender a origem e diversidade dos cérebros e o comportamento resultante em todas as espécies; nos estamos chegando mais perto de entender a lógica por trás da complexidade dos cérebros humanos".

depois de haver entendido boa parte do mundo físico ao nosso redor [o landScape] e estar no processo de descobrir as verdades sobre nossos corpos [o bodyScape], a ciência avança na direção da mente [o mindScape], tendo que para isso entender a evolução e os príncípios de funcionamento do cérebro.

nosso conhecimento sobre a parte do corpo que realmente nos move ainda é extremamente primário; nas próximas décadas, saberemos muito mais sobre como o cérebro, de fato, funciona. e teremos uma capacidade muito maior e mais precisa para resolver seus problemas, quando ocorrerem. e talvez para construir artefatos que se comportem como se tivessem, digamos, um "cérebro" como o nosso.

alguns sistemas nem tão primários já estão sendo testados em laboratório [veja aqui e aqui] e os resultados são muito interessantes. o objetivo último deste tipo de esforço é construir um sistema artificial consciente, o que gerald edelman considera que seria a notícia mais fantástica de todos os tempos, talvez perdendo em interesse apenas para mensagens de [ou encontros com] extra-terrestres

ao mesmo tempo, e à medida em que as tecnologias associadas começarem a emergir, vamos poder alterar o cérebro, aqui e ali, para tentar fazer com que ele faça coisas de que não é capaz hoje [e não faça outras que julgarmos "desnecessárias"]. e é aí que moram a oportunidade o perigo: reprogramar cérebros, alterando o pool de proteínas das conexões neuronais, por exemplo, não é algo trivial e de conseqüências triviais. mas será possível e, sendo possível, será feito. quem viver verá.

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0 Responses to a origem do cérebro humano

  1. Paulo Nasc disse:

    Grande sacada Professor Meira. Já tinha dado uma espiada lá no site gene2cognition e a primeira impressão foi de deslumbramento. Estamos acompanhando o ciclo de conferências “MUTAÇÕES e a CONDIÇÃO HUMANA”, na Casa de Cultura FIAT, aqui em BH e a importância desse assunto torna-se cada vez mais clara e irrecusável.

  2. Paulo Nasc disse:

    Grande sacada Professor Meira. Já tinha dado uma espiada lá no site gene2cognition e a primeira impressão foi de deslumbramento. Estamos acompanhando o ciclo de conferências “MUTAÇÕES e a CONDIÇÃO HUMANA”, na Casa de Cultura FIAT, aqui em BH e a importância desse assunto torna-se cada vez mais clara e irrecusável.

  3. Prof Silvio,

    The synapse receptors not only differ by kinds of protein, but also by kind of chemical which can activate or inhibit the excitation of the post-synaptic neuron. The body communicates with itself (its various organs) by introducing chemicals in the blood, which are picked up by neurons elsewhere and processed. The notion of hunger or thirst for example are activated this way. It’s also not just the neurons in the brain that “think”. The entire body thinks, as neurons in the eye pre-process certain images before they reach the thalamus and the visual cortex. So different neurons have different functions and their interoperation together makes for the complex whole. You could consider the human body a large emergent intelligent being, where the most complex of processing (planning, analysis, motory functions, making sense out of this world) is located in the brain. Besides neurons, glial cells (glia) also seem to perform a very important function. Those are more numerous than neurons even, 10 times more and have certain methods for communicating between themselves here and there. It is said that Einstein’s brain didn’t have more neurons (or better), but that he did have more glial cells than other persons (roughly 12 per neuron, vs. 10 per neuron on average). All this… the chemicals, the glials, suggesting that the neural network in the brain isn’t necessarily just a static firing network, but a network with very dynamic properties, shifting and adjusting itself due to changes in the environment?, thereby focusing on a particular task at hand and making the (entire?) network available to specialized work in those functions? (we can only do a number of activities at the same time).

  4. Prof Silvio,

    The synapse receptors not only differ by kinds of protein, but also by kind of chemical which can activate or inhibit the excitation of the post-synaptic neuron. The body communicates with itself (its various organs) by introducing chemicals in the blood, which are picked up by neurons elsewhere and processed. The notion of hunger or thirst for example are activated this way. It’s also not just the neurons in the brain that “think”. The entire body thinks, as neurons in the eye pre-process certain images before they reach the thalamus and the visual cortex. So different neurons have different functions and their interoperation together makes for the complex whole. You could consider the human body a large emergent intelligent being, where the most complex of processing (planning, analysis, motory functions, making sense out of this world) is located in the brain. Besides neurons, glial cells (glia) also seem to perform a very important function. Those are more numerous than neurons even, 10 times more and have certain methods for communicating between themselves here and there. It is said that Einstein’s brain didn’t have more neurons (or better), but that he did have more glial cells than other persons (roughly 12 per neuron, vs. 10 per neuron on average). All this… the chemicals, the glials, suggesting that the neural network in the brain isn’t necessarily just a static firing network, but a network with very dynamic properties, shifting and adjusting itself due to changes in the environment?, thereby focusing on a particular task at hand and making the (entire?) network available to specialized work in those functions? (we can only do a number of activities at the same time).

  5. Jean Tótola disse:

    Se analisarmos a ciência e a evolução da mesma no campo político, veremos logo que, apesar de todos os avanços, a mesma é sempre ignorada, em grande parte pela influência da igreja.

    Aconteceu com os preservativos e o HIV, agora com as células-tronco, e vemos emergir as pesquisas neurais.

    Mas alterar o cérebro humano é complicado. Se alterássemos por exemplo a tendência criminosa da mente humana, tendo como criminosa, obviamente, tudo aquilo que fere a constituição, não veriamos grandes líderes militares emergir. Muito provavelmente, ainda, a competição entre indivíduos seria desmotivada, e veríamos uma decadência enorme, pois em um mundo capitalista globalizado, falta de competição é falta de desenvolvimento.

    Tais questões são muito complexas para serem analisadas, visto que uma simples alteração cerebral ocasionaria mudanças de uma magnitude incrível, no sentido original da palavra!

    O melhor a fazer é deixar de lado alterações em algo tão perfeito e complexo como a mente humana, e ver se encontramos algo melhor para fazer!

  6. Jean Tótola disse:

    Se analisarmos a ciência e a evolução da mesma no campo político, veremos logo que, apesar de todos os avanços, a mesma é sempre ignorada, em grande parte pela influência da igreja.

    Aconteceu com os preservativos e o HIV, agora com as células-tronco, e vemos emergir as pesquisas neurais.

    Mas alterar o cérebro humano é complicado. Se alterássemos por exemplo a tendência criminosa da mente humana, tendo como criminosa, obviamente, tudo aquilo que fere a constituição, não veriamos grandes líderes militares emergir. Muito provavelmente, ainda, a competição entre indivíduos seria desmotivada, e veríamos uma decadência enorme, pois em um mundo capitalista globalizado, falta de competição é falta de desenvolvimento.

    Tais questões são muito complexas para serem analisadas, visto que uma simples alteração cerebral ocasionaria mudanças de uma magnitude incrível, no sentido original da palavra!

    O melhor a fazer é deixar de lado alterações em algo tão perfeito e complexo como a mente humana, e ver se encontramos algo melhor para fazer!