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Escrito por • 10/01/2013

a rede em tempo de realimentação

os investidores, turma que define boa parte da agenda futura de qualquer mercado, estão sempre tentando entender qual é a próxima grande onda que dá pra surfar. não só a próxima grande onda, note bem; o que dá pra surfar é tão importante quanto, na frase. porque a onda pode ser grande e o cara não remar o suficiente pra ir junto, no pico. isso pode querer dizer que o investidor não tem [os contatos com gente de] tecnologia para tal, não tem rede suficiente para “fazer” a próxima onda, não tem recursos ou rede deles para bancar a rodada, não quer ou não pode tomar a classe de risco associada à próxima onda… um monte de coisas.

tempos atrás, um grande número de investidores que “faz” o mercado decidiu que a onda a surfar era o onde. conhecimento geográfico, associado a qualquer coisa, é sempre muito importante. quer ver? imagine se a galera que escreveu tordesilhas soubesse que os andes estavam muito mais próximos do pacífico?

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os resultados, vimos em todo lugar, literalmente, sobre os mapas-como-serviço de google, por exemplo. agora, diz-se que negócios e os investimentos na web [móvel, principalmente] vão se concentrar no quando. o exemplo padrão é o sistema por trás de UBER, um serviço transporte pessoal baseado em táxis, limousines [“black cars”] e SUVs, disponível em algumas cidades americanas.

a grande sacada de UBER, além de prover um serviço de qualidade muito acima do puro e simples táxi ou central de táxis, é mostrar a quem pede onde estão os carros que podem lhe servir mais rapidamente e, depois que você pediu, onde está, agora [e dirigido por quem], o que vem lhe servir. ainda por cima, o UBER é um sistema fechado: você registra seu cartão de crédito com eles e as corridas solicitadas no sistema são pagas nele, sem dinheiro entre você e o motorista. conta, depois, vem na fatura do cartão de crédito. e os motoristas de todos os tipos de carros, vêem o lado deles do sistema, incluindo um heat map da demanda por corridas.

muito bom, menos para centrais e os sindicatos, que na capital americana [que é também a capital mundial de todos os lobbies, queriam que corridas de black cars tivessem cinco vezes o valor de uma corrida normal de táxi. e dançaram. a pressão dos usuários ganhou. por enquanto.

agora, pense: UBER é exemplo de que? de onde? sim. de quando? sim, também. na verdade, UBER é exemplo de sistema, fechado: você pede o carro no sistema, vê o carro chegando no sistema, sabe quem é seu motorista no sistema, a corrida é paga no sistema, você recebe a conta no sistema, avalia motoristas no sistema. UBER é um exemplo [ainda em implementação, por diversas razões], de sistema fechado onde todas as ações, de todos, têm consequências nas ações de [quase] todos os outros.

realimentação, ou feedback, é o mecanismo pelo qual informação sobre o passado ou presente de um sistema influencia o futuro do sistema. sistemas que têm feedback positivo tendem ao caos [exemplo? estouros de boiada: quanto mais bois vêem mais bois correndo, mais bois correm] e os sistemas com feedback negativosão aqueles nos quais os acontecimentos [no sistema] tendem a levar o sistema para o menor nível de mudança possível. se eu peço um UBER e “vejo”, no meu app, que ele está confirmado e vindo na minha direção, é muito provável que eu vá esperar por ele.

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é isso que UBER faz, lhe dá realimentação [negativa], estabilizando [localmente] o sistema ao redor de sua posição e pedido. não há nenhum incentivo em, no calor, neve ou chuva, ficar na rua tentando um táxi se seu UBER está a três minutos de sua posição atual.

ao sugerir que 2013 –e muito, muito depois- será  tempo do quando, investidores que não desenvolveram seu argumento de forma mais consistente perdem a noção mais ampla do contexto e fazem seus startup correrem o risco #FNAC, ou seja, que seu negócio não é de fato um negócio, mas a funcionalidade de algum negócio.

se seu negócio não for construído como um sistema, onde onde é tão importante quanto quando, você terá problemas. ao redor, sistemas estão sendo construídos usando informática, ou a junção de computação, comunicação e controle. juntar os três é o que faz com que o app do ZIPCAR abra um carro compartilhado, se eu não estiver com o zipCard à mão. e abrir o carro a partir do smartphone não é uma função a mais, é parte de um sistema, que tem feedback, realimentação. como quase tudo na vida, aliás. pense em você mesmo e seus arredores…

ao insistir na criação de negócios centrados, simplesmente, em onde, quando ou qualquer outra singularidade, empreendedores e investidores dedicam tempo e recursos à construção de funcionalidades, e não de negócios. #FNAC é isso aí: o risco de criar uma feature, not a company. uma funcionalidade, e não uma companhia.

se você fizer a segunda, a chance de um futuro à sua frente é muito grande. no caso da primeira, bem, o grande cemitério de CNPJs é virtual e sempre há um lugar pra sua iniciativa, lá. quando você ouvir alguém dizendo que a tendência do momento é X ou Y, pense, sempre… mas qual é o contexto, o sistema? lembre-se: sistemas têm realimentação, feedback. todos. a “era”, esta ou qualquer outra, nunca foi do onde ou quando…, mas dos sistemas, como um todo.

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