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Escrito por • 26/04/2011

alta frequência nas redes sociais… piora suas notas?

bem, não se sabe ao certo. mas é o que parece dizer um artigo de kirschner e karpinski publicado na revista acadêmica computers in human behavior. o artigo, cujo título é “faceBook and academic performance” diz logo na abertura que seus resultados…

…show that Facebook users reported having lower GPAs and
spend fewer hours per week studying than nonusers…

…mostram que usuários de faceBook relataram menores notas [GPA, grade point average, um coeficiente de rendimento escolar] e gastam menos horas por semana estudando.

o artigo considerou um pequeno grupo de alunos, americanos, e uma das conclusões é de que, entre os alunos que acreditam que faceBook pode causar um impacto em sua performance acadêmica [cerca de 25% da amostra], 75% indicam que este impacto é negativo, nas notas inclusive.

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um dos principais efeitos do uso de faceBook [e provavelmente de outras redes de relacionamento, não consideradas no estudo] é o aumento do índice de procrastinação, com os alunos deixando para estudar depois de fazer “tudo” o que tinham que tratar com suas relações sociais [virtuais].

aqui pra nós, isso mostra que faceBook é o problema? não, não mostra. o problema pode ser que a escola –e as oportunidades de aprendizado que rolam por lá, para a vasta maioria dos alunos- deixou de ser interessante. aliás, disso se pode ter certeza; a escola não acompanhou a linguagem dos “alunos”, especialmente nestas últimas duas décadas de games e rede, de games em rede.

será que a escola não deveria usar isso a seu favor? sim, e é isso que os governos do rio de janeiro e pernambuco estão tentando fazer, e com resultados muito interessantes, usando uma plataforma de redes sociais para jogos interativos [uma olimpíada, online, de jogos e educação, uma rede social para “jogar” conteúdos do currículo escolar…] para trazer os alunos de volta para o “ambiente” escolar. ainda por cima, este experimento em grande escala já criou a joyStreet, um dos startups mais interessantes do portoDigital.

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imagine que a escola transcenda prédios, práticas e processos seculares e adote –também- um novo ambiente e linguagem, se expandindo para ele, em rede. se houvesse cada vez mais ambiente e conteúdo educacional interessante e interativo, jogável e em redes sociais, será que não aprenderíamos muito mais, muito mais rápido?

esta é uma pesquisa acadêmica que deveria ser feita de imediato. os resultados, dado um ambiente que capturasse a imaginação dos aprendizes, quase certamente nos diriam que o problema apontado pelo estudo que citamos no começo deste texto é da escola… e não da rede social.

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0 Responses to alta frequência nas redes sociais… piora suas notas?

  1. Concordo com a sua posição Silvio e acredito que o modelo de escola que utilizamos, NÃO tenha sido bom nem para quem foi do século passado (ou retrasado). O problema esta nos Gestores, tão ultrapassados quanto esse sistema, que sempre funcionou muito pouco e funcionará cada vez menos, permitirem as atualizações que o Rio e Recife já estão aplicando (ainda que de forma humilde, mas aplicando.). Temos que atualizar, primeiro, a cabeça desses Senhores e de quem deu poder a eles. Só assim a educação vai cumprir o seu papel.

    Chico Scarpini
    http://www.scarpini.zip.net

  2. Telmo Mota disse:

    Concordo que a metodologia das escolas precisam ser revistas.
    Sites com jogos educativos (como http://www.discoverykidsbrasil.com/jogos e http://www.escolagames.com.br/) estão ensinando de forma muito mais agradável do que a sala de aula tradicional.
    Espero que os educadores mostrem esses jogos a seus alunos e os acompanhem nas descobertas e tirando dúvidas.

  3. PAULO NASC disse:

    OK, professor Meira, a escola têm que adaptar-se às novas tecnologias. Acredito até que superado essa barreira, o processo educacional dará um salto qualitativo equivalente ao da medicina quando, quase na porrada, adotou a acepcia desesperadamente recomendada por aquele médico austríaco cujo nome não me lembro.

  4. Thiago Salazar disse:

    Isso me remeteu ao meu já falecido avô (in memoriam), quando pedi a ele um computador da Gradiente chamado MSX na década de 80, e a única queixa dele e preocupação externada por ele à minha mãe, é que isso iria me distrair e talvez baixar minhas notas no colégio. Mesmo assim, ele me presenteou, e nada mudou nas minhas notas, porém devo admitir que o presente impactou minha vida definitivamente aumentando minha curiosidade e minha empolgação perante o desconhecido e o novo. Obrigado vô!

  5. Roberto Câmara disse:

    Silvio, muito boa noite!

    Vinha há pouco ouvindo a CBN, como em todas as noites e ouvi parte (infelizmente), quando falavas à Cristina Coghi. Realmente, não temos professores que consigam levar nossos filhos a pensarem, a raciocinarem em termos ou de mesma forma como fazem quando interagem em jogos virtuais, quer seja isoladamente ou em grupo.
    Vejo como se organizam, como enfrentam problemas, pensam estratégicamente e tomam decisões rápidas e precisas. Como não ser possível que matérias cruciais como matemática, física, entre outras não possam ter o mesmo apego?
    Muito boa esta tua matéria. Um abraço!

  6. yan justino disse:

    Bem, de fato, a escola não acompanhou este processo tecnológico. Mas há outro fato agravante: as academias também não estão proporcionando, muito menos orientando, os futuros licenciados a desenvolver habilidades em utilizar tais recursos. Minha peleja na licenciatura em Letras é justamente esta. “O uso de ambientes virtuais de aprendizado no ensino de língua materna”. Há mais de 2 anos este tem sido uns dos principais temas de minhas publicações. E é uma decepção ver o quanto os demais trabalhos em educação estão alicerçados em esquemas antiquados e que não surtem mais tanto efeito.

  7. Olá Sílvio,

    Que realidade escancarada! Realmente faz-se necessário a realização de pesquisas na área. Mas será que pesquisas acadêmicas seriam suficientes para incentivar governos e empresários da educação a mudarem de formato de negócio? E as pesquisas geológicas que já foram feitas comprovando os riscos de desastres ambientais nas áreas de encostas e mesmo assim não conseguiram evitar as últimas tragédias? Sou levada a concordar, em parte, com o Chico, a principal renovação deve ser incentivada aos gestores, mas, ao mesmo tempo não podemos deixar que esta mudança venha de cima para baixo. Podemos começar a propor novos olhares a partir de nossos locais de atuação.

  8. José Jorge disse:

    Olá Silvio!
    Sou estudante de Letras e achei muito interessante a materia, pois ela chega em um momento crucial…pois, realmente alguns pontos são exatamente nossa realidade de sala de aula, entretanto, o dificil é fazer os gestores das escolas entenderem como vem se dando o novo processo educacional, visto que, a cada dia, nós professores, sabedores da realidade, nua e crua, levamos inquietações e propostas para os coordenadores e diretores, mas logo são descartadas e dispensadas, pois para eles o método tradicional ainda deve ser preservado e ainda, colocam a culpa nos profissionais que são incapazes de se impor na aula, de fazer os alunos participarem e afirmam que a didatica do professor é que nao esta sendo adequada, em outras palavras, o professor é que nao presta. Entao, o fato importante desse artigo, é como levar essa proposta que vem na hora certa e traz fatos fantasticos para a nova realidade do professor, caso os gestores das escolas concordem com essa maravilhosa ferramenta que pode ser implantada, no ensino-aprendizagem.

  9. Bruno Penteado disse:

    Olá S.
    Há alguns anos, e acho que agora ainda, outras formas de interação social estavam presentes e que concorriam com as aulas.
    Por ex. o campenato jogo de truco concorria fortemente com as aulas para uma parte dos alunos.
    Então não é nada novo. O problema não são as redes sociais. Pessoas com perfis diferentes exigem tratamentos diferentes.
    Acredito que é aí que a TI pode agregar grande valor à educação, ao promover um ensino individualizado, despertando o interesse de acordo com os perfis dos alunos, definindo um plano de aprendizado conforme a exploração do conhecimento – que poderia incluir, inclusive, jogos de truco em um contexto de aprendizado.
    Abraço,