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Escrito por • 18/10/2009

anúncios “banner”: o fim de um modelo de negócios?

estudo recente da comscore, especialista em análise da web, mostra que o número de pessoas que clica em anúncios do tipo display [ou banner, como a gente diz no brasil e como o que está lá no topo desta página] caiu mais de 50% nos EUA. a porcentagem de pessoas que clica um display despencou de 32 para 16% de quem vê uma página com um deles na web.  e isso nos últimos 20 meses. como se não bastasse, meros 8% dos usuários responde por 85% dos clicks… deve ser algum tipo de vício, talvez doença, bannerite crônica.

este tipo de estudo e dado é muito mais raro no brasil, mas pode-se assumir [sem muito medo de errar] que os padrões de uso e consumo de rede, aqui, não demoram muito a se tornarem similares aos dos EUA.

e isso tem implicações não triviais para modelos de negócios dependentes de propaganda online, especialmente na forma de banner e usando a medição padrão de banners impressos vs. clicados. isso porque, na maioria dos casos, o custo de manter coisas como este blog é suportado pelos tais banners, como se vê acima. se os leitores não estão nem aí para anúncios, vai ser preciso ir atrás de outras fontes de renda e modelos de negócio para manter uma boa parte do conteúdo que se vê na web. isso porque a quase totalidade dos leitores [inclusive o locutor que vos fala] está pouco disposto a pagar por conteúdo na rede.

máquinas de busca como google e bing são bem menos afetadas por tal tipo de comportamento, porque o anúncio que veiculam é muito mais dirigido; afinal, sabem exatamente qual é o interesse do usuário.

já para outros tipos de sites, a coisa é mais complicada. twitter, por exemplo, nem pensou em botar anúncio em sua página. e nem adiantaria, já que mais de 80% dos usuários não vai ao site twitter.com. eu mesmo nunca vou lá; uso um número de ferramentas [como seesmic] que tratam, de longe, a minha interface com a rede social.

esta conversa tem a ver com um texto que este blog acabou de publicar, sobre como um dos maiores jornais ingleses, the guardian, está se reescrevendo [na web 3.0] para tentar criar um novo tipo de ecologia de negócios ao seu redor. vá ver. o exemplo do guardian é muito interessante, porque representa um caminho alternativo para um negócio de informação na rede. e a busca por novos modelos de negócio para financiar conteúdo na web, hoje, não é só importante. é, também, relevante e urgente.

  [acima, a rua do mercado, em manchester, onde ficava a primeira redação do guardian, no séc. XIX.]

[acima, a rua do mercado, em manchester, onde ficava a primeira redação do guardian, no séc. XIX.]

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0 Responses to anúncios “banner”: o fim de um modelo de negócios?

  1. Esse “fim” reflete também a realidade dos anúncios AdSense? Ou quando você se referiu ao Google, esse tipo de anúncio está entre os bem sucedidos? Parece-me que há muita gente que lucra com isso na internet, como já li em outros blogs. Tem gente que fica até rico.

    • srlm disse:

      matheus, anúncio dirigidos [como os das máquinas de busca] estão fora desta estatística.

  2. Andre dexheimer disse:

    Só falta explicar ao mercado publicitário e os dptos de mkt de seus clientes. :-/

  3. bruno disse:

    o desenrolar disso nos próximos anos será bem interessante. A propaganda certamente não vai desaparecer, é claro. Possivelmente ela se manifestará de outras formas diferentes de um box do lado esquerdo de uma página com alguns textos e uma imagem. Acredito que social media maketing é um passo nesse ponto, mas pra isso é preciso entender bem o usuário. Conheço gente que já começou a fazer isso no Brasil, vamos ver até onde eles chegam…

  4. Onofre Santiago disse:

    Caro Sílvio, o Sr. acaba de perder um leitor,

    Há alguns anos que o mercado da propaganda na net não acredita mais no “click-trhough” como meio de avaliar a eficácia de banners. Prova disto é que o preço deles em sites ‘de credibilidade’ como os do Terra não é fixado com base em clique. Isso é fato e consta na matéria que você mencionou pela metade. Lá esta também:

    “But measuring an ad’s success by the click “grossly understates the importance of an advertising campaign,” said Andrew Lipsman, comScore’s director of industry analysis.”

    Não é a primeira vez que você omite o contraditório da fonte para manter o teu argumento, mas desta vez foi grosseiro demais. Na minha terra, já vi jornalistas serem demitidos por menos. Se for pra fazer clipping, pelo menos, faça bem feito!

    • srlm disse:

      onofre,

      pena perdê-lo como leitor [parcial]. parcial porque seu argumento para deixar de me ler NÃO é real: no TERCEIRO parágrafo do texto eu escrevo que… “e isso tem implicações não triviais para modelos de negócios dependentes de propaganda online, especialmente na forma de banner e usando a medição padrão de banners impressos vs. clicados…” deixando bastante claro que o raciocínio se aplica principalmente a um determinado tipo de mercado e não tentanto generalizar meu texto para o todo.

      de qualquer forma, noutros lugares, espero que tenha boas leituras. grato pelo seu comentário e muito boa viagem…

      silvio m.

  5. Cláudio França disse:

    @srlm Nos acostumamos a exigir da mídia online esse resultado imediato: a interação e o clique do consumidor. Quando pensamos em mídia impressa, tv ou rádio, esse critério do retorno instantâneo não existe. Parece, então, que nos tornamos mais exigentes e, ao mesmo tempo, mais pão-duros quando se trata de investimentos em mídia on-line? Pobrezinha…

    • srlm disse:

      cláudio, acho que a observação de bruno, juntamente com a sua, são parte do processo; temos menos de 15 anos de mídia online e basicamente UMA WEB a cada CINCO ANOS. primeiro tínhamos uma rede de transações, depois uma de conteúdo e agora temos uma de inovação, onde a tendência é que os sistemas de informação sejam plataformas de programação sobre as quais nós possamos desenvolver nossas próprias visões da web…

      a RENTABILIZAÇÃO deste “ambiente” passa por experimentação, tentativas, erros, inovação… de redes de agentes diversos, no tempo. uma coisa é certa: o ambiente, como um todo, é instável e mutante. pra onde, pouca gente sabe.

      mas o tempo é de tentar descobrir os caminhos, que seja…

      silvio m.

  6. Cláudio França disse:

    Sílvio, obrigado pela resposta. Não quis parecer simplesmente conservador, aliás, costumo preferir a inovação, não tenho como evitar. Em resumo, quis dizer que, pensando a mídia online como “coisa”, parece injusto e inadequado exigir tanto dessa coisa, quando, de coisas muito parecidas, como da mídia tv e da mídia impressa, se exige menos e se valoriza mais. Vale como argumento. Aliás, da Internet exigimos mais segurança, mais verdade, mais utilidade, mais ética e mais efetividade do que, por assim dizer, do mundo real. Acredito, como você falou, que faz parte do processo.

    Gostaria também de lamentar a abordagem do Onofre. Esse ” Na minha terra” foi demais, que coisa….

  7. Yellow disse:

    Tenho certeza que a baixa dos banners é diretamente causada pela crise. O consumidor americano está consumindo menos, e mais conscientemente. O tráfego através de banners baseia-se, principalmente, em impulsos consumistas.

  8. Yellow disse:

    btw, isso aqui tá muito bom:
    http://www.ted.com/talks/john_gerzema_the_post_crisis_consumer.html
    um perfil dos novos hábitos de consumo dos americanos após a crise.

  9. zezinho disse:

    Adicione-se a tudo, os abusos aos quais os publicadores de banners submeteram os usuários. Hoje em dia, banners são muito mais invasivos do que propaganda na televisão, mesmo em veículos considerados sérios.

    Exemplo clássico: um jornal de grande circulação que publica propaganda de ensaios fotográficos na página onde são veiculadas as “últimas notícias”. Para ter acesso às notícias num ambiente de trabalho, por exemplo, ou você instala um filtro de banners ou vai ter que explicar pro chefe o que é que aquela beldade está fazendo no seu monitor.