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Escrito por • 29/05/2008

as células-tronco e o futuro

os primeiros trabalhos sobre anatomia humana datam de três e meio milênios atrás e começam no antigo egito. passando por hipócrates e galeno, até que o estudo da anatomia sucumbiu às trevas, preconceitos e superstições da idade média. apesar da atividade científica ter continuado no mundo árabe, quase um milênio e meio de parálise separam o trabalho fundador de galeno [ao redor do ano 200] do próximo marco ocidental nos estudos do corpo humano, de humani corporis fabrica, escrito [e desenhado] por vesalius na metade do século xvi. isso porque o oriente e o ocidente se separaram e, depois, o crescente fértil minguou como economia, sociedade e cultura.

nesse meio -e longo- tempo, as doenças da humanidade foram tratadas à base de preces e meizinhas. sofrimento e morte eram abundantes, resultado da ignorância que era mais que a ordem do dia na sociedade medieval: quem quisesse saber mais, entender mais, sobre o espaço, o tempo, os seres vivos, as razões reais de estarmos aqui e fazermos o que fazemos, era ordenado a continuar ignorante. isso se quisesse continuar vivo. a fogueira levava, quase sempre, desta para a melhor, os renitentes e descontentes.

estávamos diante de uma pequena idade média no brasil, no caso das células-tronco embrionárias, até o supremo decidir, hoje à tarde, pela continuidade das pesquisas no país. isso reabre a janela de possibilidades para o desenvolvimento de terapias baseadas em células-tronco e cria uma gama muito grande de expectativas do público, doentes, familiares, investidores e empresas de saúde e fármacos. a importância das células-tronco embrionárias, hoje, é do tamanho da controvérsia que as cerca desde o começo, e nem podia ser de outra forma. revoluções são revoluções porque mudam o mundo; e a vasta maioria -quase a totalidade- dos habitantes do planeta quer continuar levando a mesma vidinha estável que sempre levou, dentro dos limites que sempre teve, com os mesmos problemas de ontem e anteontem… mesmo que isso signifique matar o amanhã das possibilidades criadas pela ciência, tecnologia e sua transformação em inovação, no mercado.

o brasil está acordando. volto a dizer que a decisão do supremo é uma declaração de grau de investimento ao nível de conhecimento e entendimento da vida e do mundo que começa a desabrochar no país. estamos formando quase 50.000 mestres e mais de 10.000 doutores por ano e isso tem conseqüências teóricas e práticas. há coisas que nem podíamos pensar há vinte anos e que fazemos hoje com a mesma naturalidade de acordar, num dia de sol, e sorrir antes de escovar os dentes. isso inclui um cerrado agricultável transformando o país em potência capaz de matar a fome do mundo. e ainda não inclui, infelizmente, um desenvolvimento agro-pastoril-industrial em equilíbrio com o ambiente, até porque não se ouve e aplica, como se deveria, os resultados que a ciência e tecnologia brasileira são capazes hoje, como inovação, em todos os campos.

o resultado da votação do stf não é um destino, é uma partida. outras votações, sobre outros temas tão espinhosos quanto, virão. nelas, cada vez mais, o debate será sobre o conhecimento que temos do mundo, e não sobre nossas superstições, ideologias e crenças. num mundo onde todos temos que viver juntos e em conjunto, o denominador comum não pode ser o dogma de cada um, mas o conhecimento compartilhado por todos. compartilhar é o nosso destino, é o nosso futuro. e foi pra lá que o stf apontou a sociedade. mãos à obra…

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0 Responses to as células-tronco e o futuro

  1. Pedro disse:

    Muito estranho, para não dizer contraditório… Silvio Meira e Lauri Guerra demostram-se entendidos em matéria de Idade Média. Principalmente quando citam o preconceituoso termo “obscurantismo” se referindo a posição católica. Obscuro meu caro, é ter uma posição preconceituosa. A posição católica não está fundamentada apenas em questões subjetivas como a fé. Pelo contrário, ela se apoia justamente na própria ciencia. A mesma que hj é bombardeada por tanto relativismo suprimindo qualquer possibilidade da verdade existir. Antes de pegarem na espada do “pseudo-progresso” e ir a uma cruzada contra os tapados religiosos, aconselho a contextualizaçao e uma abordagem menos reduzida no preconceito das diferentes opniões para um assunto de tal relevancia. Do contrario, os “razoáveis” superiores ficaram estacionados com argumentos nada conexos – “como infelizmente talvez seja o caso de quem benze copos no topo da TV.” Não vejo em nenhum dos textos algum argumento sólido para que o dilema proposto e defendido pelos católicos seja refutado. Senhor Lauri fala sobre a “evolução social “. Alguém por aí pode me apontar um fator de “evolução social” após a lei do divórcio? Hanmmmm…deixe me ver…não, acho que nao tem. Ficamos então com o impasse: “estupidos, ignorantes, obscuros” versus “iluminados”. Desculpe a sinceridade, mas suas luzes, estatiscas, teorias e blablabla não conseguem iluminar o próprio preconceito. Quem dirá iluminar os passos da “evolução”.

  2. Blogger Blogger disse:

    Não acompanhei a votação hoje na íntegra mas tive o prazer de ouvir anteriormente, por quase duas horas, o Ministro Carlos Ayres Britto em uma das mais brilhantes exposições que já ouvi em minha vida. Dava para imaginar o voto só de olhar para a cara dos ministros. Os que votaram a favor da inconstitucionalidade da Lei de Biossegurança coincidentemente pareciam ser os mais limitados intelectualmente. Não gostei do clima de descontração ao final. Torci para que o Ministro Celso de Mello mandasse alguns ignóbeis calarem a boca. E o Ministro Cesar Peluzzo é o que dizia antigamente ‘um cafifa’ daqueles que palitam os dentes e tomam café com o dedo mínimo erguido e a unha comprida. Ele é de lascar juntamento com o Ministro Carlos Alberto Menezes Direito que deve ser um sabujo dos bispos da CNBB.

  3. Otávio disse:

    Acho que o STF poderia aproveitar e rever o conceito de vida humana. Talvez fosse possível, sem modificar a Constituição Federal, estabelecer que a vida começa a partir dos 3 anos após a fecundação (mais ou menos 2 anos e 3 meses após o parto). A criatura ganharia o status de ser humano quando fosse capaz de se alimentar sozinho. Com isto, caso os doadores do material genético que deu origem à criatura concordem, será possível extrair órgãos inteiros ao invés de apenas algumas células. Seria fácil convencer a opinião pública, basta dizer que várias vidas podem ser salvas. E se isto não for suficiente, o argumento de que a Igreja é contra, obrigaria a “Ciência” a ser a favor. Ainda bem que os seres humanos não são gerados a partir de óvulos de tartaruga. As tartarugas são protegidas desde a fecundação e a eliminação de seus óvulos é crime.

  4. Klaus disse:

    Estávamos diante de dois caminhos: Primeiro, proibir as pesquisas com células-tronco e ceder ao império castro-religioso-católico, cuja interpretação e vontade levariam aquelas vidas já desgraçadas por algum infortúnio a continuar sua desgraça e infortúnio enquanto um amontoado de células congeladas, que não é vida e jamais viria a ser, continuaria sendo um amontoado de células congeladas e sem vida. Outro, permitir-se as pesquisas com células-tronco e dar um fio de esperança para aqueles que não dispõe da robusta saúde, da qual é dotada os contra. Ridícula e desnecessária esta batalha jurídica. Outro detalhe importante, se eu estiver errado, por favor me corrijam, mas não percebi nenhuma pessoa em cadeira de rodas ou parente próximo desses sofredores, fazendo campanha contra a permissão das pesquisas.

  5. ADEMIR DE OLIVEIRA disse:

    Finalmente (ufa!), estamos saindo da idade média científica e nos alinhando à comunidade científica mundial. É bastante constransgedor ver que o País ainda é atravancado pelos dogmas absurdos da elite religiosa oficial , vesga e não antenada com os verdadeiros caminhos redentores que o o próprio Criador nos concede. Um amontoado de células ainda zeradas, sem ter ainda originado nenhum órgão vital e sem a menor possibilidade de evoluir para o status de ser Humano, não caracteriza nenhuma agressão à vida e ao direito de existir. Seria um verdadeiro absurdo, considerar-se que é correto descartá-las no lixo biológico sem utilizar o seu real potencial de salvar outras vidas, da mesma forma importantes e dignas de serem assistidas da melhor forma possível. se não utilizarmos as células tronco pelos argumentos utilizados por essas correntes retrógradas, deveríamos tembém cessar os transplantes de órgãos. hoje tão essencizais para a esperança de sobrevida de milhares de seres humanos. Tenho dito!!

  6. Um dia li uma crítica desses reliogiosos sobre as pesquisas com céluas tronco e achei a coisa mais ridivula que já tinha lido a respeito do assunto.
    Digamos que o Papa sofra de uma doença degernerativa como mal de parkison ou ataxia que é semelhante, a pessoa só não tem tremedeiras, mas não tem equiíbrrio para andar, se engasga com a própria saliva senão tomar cuidado “e são engasgos feios”.
    Alguém tem alguma dúviada de que esses caras não apelariam para essas pesquisas, pois são doenças em sua maioria não fatais, mas que deixam o individuo incapacido relativamente bem cedo. São doenças que algumas vezes fazem com que seus portadores pensem, se a morte não seria a solução, pois é desesperador voce perder a capacidade gradativamente e com o tempo de forma mais rápida.
    Isso que não menciocei doenças fatais.
    As células tronco estão ai para começar a dar uma luz no fim do túnel, dar esperança e quem sabe alívio e alegria de viver o resto de vida que nos resta com dignidade e satisfação.
    É querer demais?

  7. Não é preciso dizer que sou portador de ataxia, estou perdendo a coordenação e com isso cometo erros de digitação, que antes dificilmente cometeria, pois trabalho com computador o dia todo na minha profissão.