MENU

Escrito por • 11/11/2011

as reuniões de avatares

lá no princípio da internet comercial, uma operadora portuguesa botou um gigantesco outdoor sobre seus novos serviços de conectividade na entrada do aeroporto de lisboa. o anúncio dizia… "economize tempo e dinheiro: não vá". uma referência direta ao que se gasta em viagens aéreas de negócios, parte das quais para ir a reuniões que, bem mais que vez por outra, servem para não mais que gastar –mesmo- tempo e dinheiro.

há quinze anos, a promessa da operadora era não mais que promessa. não dava para substituir uma reunião presencial, por mais improdutiva que fosse. se –hoje- mal dá pra conversar pela rede [em áudio, básico], com algumas poucas pessoas, por uma hora, sem interrupções, imagine lá em 1997.

mas as instituições se distribuem cada vez mais e têm interesses cada vez mais globais, onde nem sempre dá para estar presencialmente. o que leva à demanda por meios cada vez mais realistas de montar encontros onde uma ou mais pessoas estão noutra cidade ou continente. e não é preciso estar muito longe para pensar em "não ir": na maioria das grandes cidades, a demanda por reuniões virtuais é cada vez maior, face ao tempo que se gasta, quase a qualquer hora, pra ir de um lugar a outro.

o que era norma apenas em são paulo, aqui no brasil, agora é o caso em quase toda grande cidade, incluindo recife. e cada vez mais gente trabalha em casa e "não vai" fisicamente ao que se costumava chamar de "local de trabalho". o blog já discutiu o assunto neste link, pensando em redesenhar cidades, conectando-as, para que bem menos gente tenha que ir "longe" de casa só para ter acesso a meios de trabalho que, hoje, são essencialmente informacionais ou dependem, muito, de infraestrutura de informação.

e quem já esteve em conversa só por vídeo sabe que é diferente, por melhor que seja, do que estar presente. o ambiente criado pela presença em tela [na reunião] apesar dos muitos avanços dos últimos anos, ainda é muito menos interessante do que a participação direta no evento. é isso que o bell labs está querendo resolver com robôs de telepresença, como os da visão artística abaixo.

image

a ideia, ainda em estágio de laboratório, é simples: robôs controlados pela rede, por quem está longe, com câmeras, microfones e falantes, capazes de alguns movimentos básicos, como girar e olhar pra "alguém", talvez um outro robô. segundo os proponentes, o uso deste tipo de tecnologia poderia deixar encontros com participantes remotos mais pessoais e realistas para todos.

exemplo? numa reunião presencial, quando mais de um começa a falar ao mesmo tempo, continua falando quem captura a atenção da maior parte dos outros participantes.  os tais "robôs de reunião" conseguiriam transmitir esta e muitas outras sensações para quem está longe, melhorando a qualidade do encontro.

evoluções como esta são um prenúncio do fim dos encontros presenciais? bem… sim e não. é possível defender que certos elementos [conexões, impacto…] das reuniões presenciais nunca vão rolar nos encontros virtuais. pelo menos enquanto estivermos pensando em realizá-los sobre plataformas tão básicas quanto os robôs propostos pelo bell labs ou em mundos virtuais como second life, discutido aqui. sem falar no intervalo, que é quando a maior parte das coisas realmente interessantes começa ou acontece.

o problema é muito maior do que reuniões, reais e/ou virtuais. a taxonomia de trabalho colaborativo no espaço-tempo [de ellis et, al., discutida neste link, pág. 47] mostrada abaixo, nos diz que reuniões virtuais são interação síncrona distribuída. acontecem ao mesmo tempo, mas com participantes de diferentes lugares. a maior parte do trabalho distribuído [pense uma disciplina de graduação, quatro meses de aulas, estudos e trabalhos] tem a ver com interações assíncronas e distribuídas, porque nem todo mundo pode estar disponível ao mesmo tempo para alguma coisa, mesmo que não seja no mesmo lugar.image

pode-se defender a tese de que a maior parte do trabalho do futuro vai ser realizado em diferentes lugares e tempos, ou seja, no quadrante inferior mais à direita da imagem: interações assíncronas e distribuídas. e [quase] todos nós já participamos de ambientes onde isso ocorre, não necessariamente para trabalhar. se você está pensando que redes sociais são tais ambientes, acertou na mosca.

ainda mais, como quase tudo são redes sociais, inclusive empresas, e como memória e conhecimento estão nos fluxos destas redes e não depositados em um lugar qualquer, entender como tais fluxos acontecem, dentro e fora dos negócios, é muito mais importante no médio prazo do que fabricar robôs que participam de reuniões. porque o que precisamos mesmo é de avatares que nos representem nas interações, ao ponto de [no futuro] eles continuarem agindo como se fossem "só" uma representação de nós próprios, apesar de, depois de um tempo, terem adquirido capacidade independente, provocada e parcialmente construída por nós, de resolver problemas. pelo menos os mais simples.

image

pra descobrir quão distante a gente está deste ponto, dê uma folheada na tese de doutorado de tony clear, 849 páginas dedicadas à mediação tecnológica para interações assíncronas e distribuídas. e vá ver este conjunto de textos, daqui mesmo do blog, que parte do princípio que empresas são abstrações. avatares, por sinal, também. mais dia, menos dia, ainda vamos ver reuniões deles. só deles, por sinal.

Artigos relacionados

0 Responses to as reuniões de avatares

  1. MIA disse:

    Economizar não só tempo e dinheiro é muito bom, sem falar no desgaste físico e emocional que as reuniões “presenciais” nos trazem.

    Infelizmente cada vez mais pessoas comem pessoas (“o homem é o lobo do homem” é ditado bem atual).

    Viva a tecnologia.

  2. TheGreatSouthernHB disse:

    “Surrogates” se tornando realidade….

  3. Jedson Brito disse:

    Tem um filme muito interessante (Up in the sky) “Amor sem escalas” em português que retrata um pouco dessa tendencia a economizar tempo e dinheiro no filme eles usam a tecnologia para demitir pessoas.
    Quanto ao uso de Avatares muito boa idéia mas olhando de um lado como muitas empresas levam em consideração a boa aparência no sentido de o funcionário estar arrumado, apresentável o uso de avatares poderia levar alguns conflitos não é uma mudança simples pois mexe também com a visão da empresa.

  4. Cristina disse:

    De fato, grande parte do trabalho, especialmente a parte de comunicação, já é realizada em diferentes lugares e tempos, o que é possível pelo email (assíncrono distribuído) em substituição ao telefone (síncrono distribuído). O sincronismo é extremamente caro em qualquer sistema, quando comparado ao assincronismo. Quanto mais pessoas precisam entrar em sincronismo para um evento, mais complexo é o sistema e maior a probabilidade de falha (faltar alguém).

  5. Em 1993 comecei a trabalhar com Sistemas Colaborativos no meu mestrado. Era uma novidade e poucas pessoas sabiam o que era aqui no Brasil. Tive a oportunidade de conhecer o Ellis pessoalmente, uma pessoa fantástica.
    E me arrisco a dizer que este laboratório está criando um novo conceito em Trabalho Colaborativo. Fantástica a ideia.
    Ótimo post.

  6. Junior disse:

    Que lixo! Dá vergonha de ler isso… Um cursinho de redação cairia bem, Sr. blogueiro! Ortografia digna de aluno da rede pública estadual! Isso não levaria nem um 4 se fosse corrigido.
    O Terra deveria ter vergonha de publicar esse tipo de “matéria”! #vergonhaalheia

  7. Prof Courtnay disse:

    Grande Silvio,

    Lembrando que desde 2007, quando a DoCoMo lançou seu “Visions 2010” já se falava de auxílio à “telepresença” e saindo do universo “corp”, vejam que nesse novo vídeo eles já elaboram a “cultura global”, com recursos de redes sociais, traudução automática e ao invés de “avatares”, a velha e boa holografia do StarTrek (ou sua versão mais pessoal, os óculos de RV).

    Tendências ficando claras, mas as formas da realidade, além de se ampliando em número, cada dia mais difíceis de se acertar 🙂

    http://www.youtube.com/watch?v=Z4jO6mrzk9I

    p.s. Mais uma vez, a quem acha que o português é mais importante que o teor das idéias deste blog, favor ler outra coisa e postar os comentários construtivos no papel higiênico…

  8. Wagner Lapa PInheiro disse:

    Bom dia.
    Excelente artigo. Nos meus tempos de Diretor Comercial (SAP) e CIO (Embraer), criei e/ou auxiliei na criação de Videos Conferências com 3 e 4 pontos. Eram excelentes caminhos para comunicação e lapidação de Conteúdos, Projetos, Planos de Negócio, Contratos. Serviam para a fase do “Convencer – vencer juntos” das argumentações. Mas a fase seguinte, a Persuasão, esta tem que ser olho-no-olho.
    Lapa

  9. @jcaraujof disse:

    Acho que essas reunioes virtuais ainda vao demorar um tanto pra vingar. Na empresa em que trabalho temos parte do desenvolvimento das aplicacoes feitas offshore, tanto em Shangai quanto em Mumbai. Para o time onshore usamos metodologia Agile que incentiva a proximidade entre os membros do time e temos colhido excelentes resultados in house. Porem temos um infinito numero de problemas com os dois times offshore. Abusamos da videoconferencia, mas os beneficios de estar fisicamente proximos, incluindo as ideias compartilhadas durante um coffe break aindam nao podem ser reproduzidos pelas atuais tecnologias. Por isso o uso de desenvolvimento offshore esta sempre em discussao.

  10. Tarcisio Bomfim disse:

    Grande Silvio Meira,
    Este assunto que você apresentou leva-me a uma reflexão sobre o futuro. Será que é possível sermos representados por avatares? Muito interessante. Na realidade do dia-a-dia, sempre fui defensor do email como forma de comunicação mais adequada: envio um email quando posso e o destinatário responde no “timming” próprio, ou seja, de forma assíncrona. Isto vale para comunicação comercial e particular de rotina, ficando de fora as necessidades urgentes. Durante a rotina do trabalho a comunicação através de email serve para caracterizar e ilustrar as diferentes prioridades que um determinado assunto recebe do empregado, do gestor e do diretor.
    Também sou usuário diário de comunicação síncrona através de áudio e vídeo conference para aplicações comerciais e particulares. Se nas “áudio” a comunicação é muitas vezes interrompida, imagine nas “vídeo”. Somente utilizo vídeo fora da HMM (hora de maior movimento). A audio conference quer seja no skype (similares) ou através de telefones fixos ou móveis é uma grande aplicação para negócios. O meu negócio (consultoria e assessoria comercial) é realizado em quase 50% por áudio conference. No inicio e ainda em alguns casos sinto da comunicação olho-no-olho como falou o Lapa (comentário anterior) , mas após dois anos já consigo perceber quando um cliente/usuário não está satisfeito pelo tom ou timbre da voz e pelas as pausas da fala.
    Resumindo a reflexão que você apresenta é bastante válida e com certeza é uma opção para futuro, mas na verdade o que realmente virá, somente saberemos quando chegar. Enquanto isso, viva a áudio e vídeo conference e os tradicionais email.

  11. tharso disse:

    Quer assistir canais de TV por assinatura em seu PC http://www.tvhd.com.br

  12. cacau disse:

    Quer assistir canais de TV por assinatura em seu PC http://www.tvhd.com.br