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Escrito por • 22/05/2014

cadê os jogos educacionais móveis?

a distimo acaba de publicar um estudo sobre jogos disponíveis no play store de google, que reestruturou suas categorias, mudando os tipos de jogos de 6 para 18. os dados mostram que a renda de jogos móveis só cresce nos últimos meses [e anos, certamente] e que tal tendência acelerou com a mudança na estrutura do mercado, talvez porque as pessoas passaram a perceber mais [e mais específicas] categorias.

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as principais categorias, nos três principais mercados de jogos móveis, são as mesmas, com uma única diferença e educação está em todos. mas olhe o histograma gráfico de barras abaixo…

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…e note que educação é a décima sexta categoria em download [instalação] de jogos nos dispositivos android. interessante é que todo mundo que está em educação ou interessado nela ou em seu resultado, sabe e fala do potencial dos dispositivos móveis para educação. e, ainda mais, tem uma vaga ideia de que jogos devem ser as coisas que as pessoas mais pegam nos app stores. se você também achava, passe a ter certeza, como mostra a imagem abaixo, de outro relatório da distimo.

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a combinação de jogos móveis e educação deveria, pois, ser um óbvio ululante [vide nelson rodrigues]. só que não é; não só está quase no fim da lista dos jogos, em downloads, como nem aparece na lista das apps, como um todo, mais instaladas. e, estando quase no fim da lista dos jogos, está de fato no fim [mesmo] da lista das receitas de jogos, como mostra a imagem abaixo. ninguém ganha dinheiro com jogos educacionais móveis.

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não parece haver um mercado para jogos educacionais móveis. as razões, claro, devem, ser muitas. imagine as suas. conversei com um bocado de gente sobre o assunto e parece haver um quase consenso de que os jogos educacionais, em geral, são chatos, no mínimo, quando não confusos e [muitas vezes] sem noção, baseados em conceitos pedagógicos que deveriam ficar escondidos atrás do jogo, para que o aprendiz, jogando um jogo [aí, sim!] divertido, alta capacidade de engajamento e quase que necessariamente competitivo e colaborativo [que é como somos] aprendesse quase sem perceber que está aprendendo. mas parece que não é assim que os jogos “educacionais” são desenhados e implementados e o resultado, até aqui, é uma grande oportunidade perdida. até porque a humanidade joga mais de 3 bilhões de horas por semana e os adolescentes [12 a 17 anos] gastam pelo menos uma hora em jogos móveis por dia, sete dias por semana. só aí são mais de duas mil horas [ou muito mais], numa fase da vida em que há tanto a aprender… jogando.

a frase anterior é a que você entendeu, mesmo: …uma fase da vida em que há tanto a aprender… jogando. educadores e a indústria de jogos móveis estão deixando passar uma grande oportunidade e os jovens [assim como os mais jovens, de 2 a 11 anos] deixando de ter um grande auxiliar no processo de entender e intervir no mundo. enquanto isso, haja RPG!…

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5 Responses to cadê os jogos educacionais móveis?

  1. Eduardo Guerra disse:

    Eu acho que tem muito jogo educacional disfarçado nas outras categorias… Talvez o próprio rótulo “educacional” afaste as pessoas!

    Minha filha por exemplo, jogava um jogo em que precisava juntar dinheiro para comprar novas casinhas para seus bichinhos de estimação. Igual esse, tem aos montes! Eu percebi que com esse jogo, não apenas ela praticou matemática, mas também ganhou uma certa noção de economia.

    • Lucia Freitas disse:

      Eu ia dizer a mesma coisa.
      Os jogos de “fazendinha” têm o poder de fazer adultos e crianças ficarem pendurados para conquistar objetivos e são grandemente educativos. E tem ainda a nova “modalidade”, os de pergunta/resposta – q também são divertidos e têm bom potencial sim… (dureza é ter que aturar perguntas de esportes – cof, futebol, cof – no meio).

  2. Jáder Abreu disse:

    Infelizmente muitos professores, pedagogos e demais profissionais de educação tem uma visão muito limitada sobre a atuação dos jogos na educação. O discurso padrão dos mesmos quando confrontados sobre o jogo não ser divertido é “Não podemos colocar a educação em segundo plano, o mais importante é educar, não divertir”, como se tivessem medo de que, de outra forma, sua posição de educador seja desvalorizada.
    Deve ser difícil para industria apostar nesse ramo quando tem tantos outros lucrativos e os educadores são tão resistentes.

  3. Vitor disse:

    Temos um caso interessante aki: https://www.playosmo.com/

    Pode se considerar que é uma tentativa de aproximar Puzzle (3º colocado na pesquisa) com games educacionais. É interessante observar a introdução de elementos intermediários na relação Pessoa x Interface. Os brinquedos* podem ser vistos tanto como algo que confere substância à Jogabilidade quanto conectores**. Basta refletir um pouco para descobrir – infância: do aluno x do professor, modelo de apredizagem: “velho” e “novo”, cotidiano do aluno x projeção do professor.

    * E diga-se de passagem, são vendidos também ($);
    ** Facilitadores.

    Massa, bom post.

  4. Concordo com eduardo guerra, muitas vezes, o jogo por ser rotulado “educacional” já é excluído da cabeça dos jovens, contudo, como você escreveu muitos deles são chatos demais!. É difícil trazer alguns conceitos (como P.A. por exemplo), é um desafio interessante. Obrigado pelo texto! Trouxe motivação para retomar um antigo projeto.