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Escrito por • 18/03/2010

carros em modo beta?…

image qualquer carro, hoje, tem software. mesmo os mais simples, por mais incrível que pareça, têm muito software. e não se trata só de software naquele computador de bordo que a gente vê no painel. porque a bordo, em outras partes do carro, há computadores [sim, mais de um] de bordo, escondidos, mas fazendo [ou não, como se sabe] seu trabalho.

os computadores de bordo e seu software fazem de um tudo, de aceleração a frenagem, de controle dos mais diversos parâmetros do motor à verificação da pressão dos pneus e ajuste e controle de tração e suspensão. e parece que isso tudo ainda é pouco; a cada ano, uma parte ainda maior das funcionalidades dos carros é realizada por software, a ponto dos especialistas em aviação concordarem que o setor automobilístico passou o aeronáutico, há tempos, quando o negócio é software “embarcado”, aquele que anda [ou roda, ou voa] dentro dos carros e aviões.

o desafio de escrever software embarcado automotivo e que funciona corretamente pode ser considerado bem maior do que o de fazer sistemas de informação, digamos, para a web: enquanto estes existem e funcionam num mundo quase que puramente virtual, aqueles têm que interagir com coisas reais ao seu redor, como o motorista e passageiro, a estrada [e os buracos] o calor, o frio, o dia e a noite, o claro e o escuro. e os problemas, aqui, são muito mais concretos, até porque o software da web, do meu e do seu laptop não tem nenhuma garantia e o carro tem… e em alguns casos de até cinco anos. e daí?

daí que, já em 2002, a IBM já estimava que 50% dos custos da garantia dos carros estava relacionada a problemas com eletrônica e software. de lá pra cá, o problema só deve ter piorado. meu carro já trocou o software [e a autorizada não soube precisar que parte dele] uma vez, e só tem um ano e meio de uso. isso é uma mudança muito radical em menos de meio século: até os anos 70, software não tinha nada a ver com carro. clique na figura abaixo para ir até o relatório Shifting car makeup shakes up OEM status quo: Software strength is critical e ver a imagem abaixo em tamanho natural; os blobs verdes são funções essenciais [como controle de aceleração] e os amarelos são comodidades [como memória dos bancos].

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em this car runs on code [“o combustível deste carro é software”], texto publicado no ieee spectrum de fevereiro de 2009, manfred broy dá o tamanho do problema atual: segundo ele, carros topo de linha podem ter 100 milhões de linhas de código [ou 100MLoC, million lines of code]. para você que não é de software, cada LoC é uma “instrução” entendida e executada pelo hardware, os computadores embarcados no carro, chamados de ECUs, ou “electronic control units”. há veículos que têm 100 ECUs conectadas em rede. pense na complexidade. nos mercedes classe S, segundo broy, somente o software que trata do console de entretenimento e navegação [rádio, cd… GPS] tem cerca de 20MLoC.

em 1983, um engenheiro da GM escreveu que”software development will become the single most important consideration in new product development engineering”… ou que …desenvolvimento de software se tornaria o problema mais importante do processo de desenvolvimento de novos automóveis... e não é que ele tinha uma bola de cristal? num carro padrão, o custo da eletrônica saiu de 5% na década de 70 para 15% em 2005, num híbrido, chega a 45%.

do ponto de vista das inovações no setor automobilístico, saímos de 10% derivadas de ou intensivas em eletrônica e software em 1970 para 90% em 2010. em outras palavras, quase tudo de novo que há no meu e no seu carro, hoje, é software. clique na imagem abaixo uma discussão detalhada deste tema em um relatório da mcKinsey.

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em alguns anos, um carro básico terá 50% de todo seu custo associado à eletrônica e software e tal proporção deverá chegar a 80% num híbrido. e todos estes sistemas embarcados, como nós estamos acostumados a saber por experiência própria com o software que usamos em casa e no trabalho, têm problemas, e não poucos, e difíceis de serem identificados à primeira vista, mesmo pelos engenheiros que os desenharam e implementaram. quer ver parte das consequências?…

lá em 2005, a Toyota fez um recall voluntário de 160.000 prius modelos 2004 e 2005, pra resolver um problema de software que fazia o carro morrer de repente. o custo do “reparo” foi estimado em 240.000 homens hora. na época, a empresa dizia ter “consertado” um dos problemas relatados pelos motoristas mas que, para um segundo problema… "due to the limited amount of information surrounding the incidents"… estava tendo dificuldades para determinar a causa exata… e consequentemente em produzir uma novar versão do software que desse conta do defeito. tratava-se, muito provavelmente, de um defeito intermitente, oriundo da interação de vários sistemas de hardware e software e seus sensores e atuadores.

na atual leva de recalls da companhia, a toyota está trocando uma parte mecânica do acelerador em nada menos que oito milhões de veículos, além de um recall de 400 mil prius de última geração por um problema nos freios, atribuído pela própria toyta a um defeito de software. a operação toda deve custar mais de dois bilhões de dólares aos cofres da montadora japonesa. isso se ficar por aí: tem gente que teve a tal parte mecânica do acelerador trocada e, depois, sofreu um acidente por não ter conseguido desacelerar o carro, o que aponta para mais problemas de software.

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segundo quem está por dentro do assunto, pode haver um erro sistêmico nos carros envolvidos, nenhum deles vendido no brasil, só em mercados “mais sofisticados”. aparentemente, o sinal de frenagem teria prioridade mais baixa do que o de aceleração. como assim, você diria? ora, pois: nos tais mercados “mais sofisticados”, os carros do recall da toyota são driven-by-wire, totalmente controlados por computadores e software, e isso faz com que não seja sua força física, no pé, que faz o carro freiar. quando você pisa no freio, o pedal captura sua intenção e um conjunto de sistemas tenta realizá-la usando os sensores e atuadores do veículo. se tudo der certo, o carro para. senão…

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e isso nos leva à conclusão deste já muito longo texto: o mundo está em modo beta, como já dissemos aqui várias vezes [e que você pode ver em vídeo aqui].

já faz algum tempo que estamos fazendo tudo na base da execução imperfeita do desconhecido, o que leva quase tudo a não ficar pronto nunca. de mais de uma forma, estamos prontos, vamos dizer assim, pra aceitar tal característica [a dos sistemas se tornarem incrementalmente melhores com o tempo] no nosso emeio, site do banco e da empresa.

mas, considerando que só nos últimos seis meses a indústria automobilística mundial fez recalls de quase vinte milhões de veículos,  será que não deveríamos pensar e trabalhar um pouco –ou muito- mais antes de botar na rua automóveis que parecem ter seu software em modo beta e às vezes, pelo que parece, muito beta demais?…

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0 Responses to carros em modo beta?…

  1. Agostinho Iarito Sato disse:

    É deprimente saber que a qualidade dos veículos está caindo. Deveriam existir multas pesadas para veículos que sofram recall. Bem como a indústria automotiva deveria ter algum tipo de ISO. Até porque, os veículos são muito caros e não se justifica a grande quantidade de recalls. Por outro lado, é necessário algum tipo de condenação criminal. As companhias deveriam encontrar os culpados e que estes fossem, devidamente, condenados.

  2. Daniel T. disse:

    Boa matéria. Só gostaria de comentar uma coisa parecida. Os aviões da Airbus são mais “tecnológicos” que os da Boeing. Tudo é eletronico. Porém nem sempre o melhor é o “mais eletronico”, haja visto vários problemas com os Airbus nos últimos anos. O que acontece é que todo mundo acha que tecnologia de ponta tem que ser eletrônica. No caso dos aviões ficou claro que nao é verdade.

  3. jao disse:

    melhor fazer o recall do que o carro dar problema com você, o c3 da minha irmã foi chamado 3 vezes para recall

  4. Alexandre Rocha disse:

    Nossos legisladores, voltados para a causa da defesa do consumidor, deveriam criar uma regulamentação proibindo o uso do termo RECALL, usando este termo, é escondido a incompetência das montadoras, além de ser flagrante o desrespeito ao consumidor.
    Ao invés de Recall o termo apropriado, para chamar os proprietários dos veículos com problemas devia ser DEFEITO DE FÁBRICA.

  5. Tassio Vale disse:

    O “time-to-market” prevalece (afinal somos capitalistas), independente se o software parece ainda ser beta ou não. O carro precisa ir para a rua! Acredito que essa pressa pode ser um importante fator para a deficiência na qualidade dos softwares embarcados nestes veículos.
    Sistemas críticos como esses deveriam ser mais testados do que já são, já que com esses recalls todos prova-se que os softwares não estão sendo tão testados como deveriam. Aliás, sabemos que realizar testes num software nunca é demais!

  6. Hugo Souza disse:

    Muito bom o artigo, prof.! Acho que o problema é bem complexo e não se trata apenas de ser beta ou qualidade. Os automóveis (isso incluo também motocicletas e lanchas) estão demandando e absorvendo cada vez mais recursos tecnológicos que vão desde o aparelho de dvd ao controlado de combustível (injeção eletrônica), do gps ao controlador de estabilidade. Esses aparatos exigem tempo e dinheiro (time is money!), assim como também pessoal altamente qualificado. Como a industria automotiva é muito dinâmica e fomento por sifras é comum que reaproveitem tecnologias incorporadas a um carro que serão inclusas em outros (acontece isso muito com peças), afim de economizar na produção. Reuso de software é algo complicado, então imagine tecnologia em si (software e hardware). Colocar um carro no mercado é algo que envolve muitas variáveis, exemplo mais avançado é um carro de fórmula 1 que fatores como tempo, pista, piloto e o carro influenciam muito para a vitória em um grande prêmio. Também não deve ser nada simples colocar um carro no mercado com locais, motoristas, clima, estradas, ou seja, tantas variáveis divergentes. Enfim, dá para muitos artigos esse assunto. Abs

  7. Fábio Franklin disse:

    OPa Pof Sílvio!
    A busca pelo uso de novas tecnologias pelas empresas de automóveis, ativaram as parcerias entre empresas de sw e de automóveis, que estão preoculpadas em dar comforto e praticidade aos usuários dos seus veículos, mais isso nos leva a alguns questionamentos:
    Qual o nível de complexidade técnica que envolve essa parceria ?
    Qual seria o preço deste progresso?

    Ou seja, em outras palavras temos uma área em que há mais de um século se pesquisa e desenvolve(Eng. automobilistica) + uma outra que a apenas 60 anos se pesquisa e desenvolve.
    Enfim, Será mesmo que o problema é software?, apenas software?
    Bom, acho que não…
    Em grandes empresas de construção de automóveis hoje, segundo o proprio relatório da mcKinsey gerentes estão sob intensa pressão para trazer novos produtos ao mercado rapidamente e ao mesmo tempo, economizar custos!

    Michael Jackson( Not The Singer), Consultancy & Research in Software Development [http://mcs.open.ac.uk/mj665/],em um de seus artigos faz uma comparação interessantíssima de como as coisas foram sendo “aprendidas” durante sua construção e evolução,e dá um exmplo da construção do automóvel, onde determina vários marcos, por exmplo: primeiramente o carro foi feito com apenas 3 rodas, logo em seguida depois de alguns anos observou-se que para uma melhor estabilidade e outra série de fatores o carro ideal teria 4 rodas, ao invés de 3 como na sua concepção, e desta forma vão surgindo novos marcos em uma linha temporal, (tipo de conbustível, tipos de freios, tipos de pneus, tipo de estrutura etc…) que demonstra que toods tiveram que estudar, pesquisar e se especializar após cada grande marco para poder construir automóveis da maneira corrreta, e se estabelecer um padrão na construção dos mesmos, e compara que para software isso nao existe, por mais que existam marcos nao existe uma fórmula mágica para resolver os problemas e construir um software sem defeitos, e nós que somos da área sabemos como eles são frequentes e por isso estamos buscando sempre nos atualizar e aprender coisas novas.
    Talvez seja a hora de determinar um novo marco com relação ao processo de construção de carros, e passarmos a conciderá-los como “computadores móveis” ou “carros inteligentes”…Enfim, e ao invés de se fazer tantos recalls de carros, ser feito um recall de montadoras, engenheiros e todos os envolvidos no “Processo de desenvolvimento de automóveis” para que todos re-aprendam ou se qualifiquem ainda mais para fazer automóveis desta vez
    baseados em um novo marco que seria a união quase que total dos sistemas e os automóveis, pois os softwares hoje são parte inerente da vida real, seja no seu carrro, em uma bomba de combustível para abestecer seu carro ou em uma maquininha daquelas das operadoras de cartão de crédito realizando (TEF) para pagar o seu combustível, enfim nossa vida esta cercada de softwares….
    E acabamos tendo benefícios e malefícios por isso.

    Grande Abraço!

  8. Ola Silvio

    O mundo está modo beta, sim! A principal razão é a óbvia: o modelo de negócios numa economia globalizada é o da inovação permanente, pois a ocupação dos mercados depende muito da percepção dos consumidores de quem está “na frente”: a Apple já percebeu isso faz tempo.

    Do ponto de vista de Computação, a questão subjacente é se hoje temos o suporte intelectual e as ferramentas (gente qualificada e ambientes de desenvolvimento adequados) para dar conta desta demanda. A resposta evidente é negativa. Além da complexidade inerente de desenvolver software (“No Silver Bullet”), nossas escolas de Computação não ensinam a programar direito e quando ensinam, se baseiam em ferramentas inadequadas.

    Algum dia, num futuro distante, nossos descendentes irão lamentar os malefícios que linguagens como Java e Phyton trouxeram à Computação. Uma nos dá a ilusão que o universo é orientado a objetos. Não é. Java promove a reificação do mundo que na mente dos programadores ingenuos. O mundo da computação é um mundo de tipos, estruturas de dados e algoritmos. Não é um mundo de objetos e classes. Já Phyton e semelhantes dão ao programador a falsa ilusão de poder total. Nada de tipos, liberdade total para fazer… errado.

    Sonho com um mundo futuro no qual finalmente reconheçamos que programação não é coisa de hackers e geeks, mas de pessoal com a devida formação matemática e formal que entenda bem do core business de software. Faz tempo que todas as demais engenharias trocaram o achismo pelo rigor. A Engenharia de Software ainda trabalha com achismo.Enquanto isso, continuaremos sem modelos formais adequados para sistemas críticos de tempo real.

    Abraços
    Gilberto

  9. carlos disse:

    c:> format world: /u
    Are you sure (y/n)? Y

  10. Emanuell Faustino disse:

    Olá professor Silvio,

    Na minha visão, se o carro possui software e este não funciona adequadamente, o que nos vem na mente logo de cara? Para nós que entendemos como é o mundo do desenvolvimento de software, a afirmação é clara (pelo menos para mim): Este software não foi validado corretamente!

    “…escrever software embarcado automotivo e que funciona corretamente pode ser considerado bem maior do que o de fazer sistemas de informação…”
    Nesta frase está claro pra mim que boa parte das falhas giram (ou podem girar) em torno da validação e verificação do software. Independente se está na web ou nos carros. Se hoje ainda é difícil prever falhas com casos de testes que proporcionam 100% de cobertura para sistemas de informação, imagina em carros onde se tem requisitos com diversos aspectos para lidar.

    Não posso afirmar de certeza, mas se neste submundo de software embarcados existir a mesma prática dos sistemas de informação, onde o tal deveria ser entregue ontem e, para atingir o objetivo, a verificação e validação do sistema é esquecida, claro que não tão esquecida, já que no setor automobilístico as consequências acarretadas por uma falha pode ser muito maior, mas ainda sim, com deficit de confiabilidade.

  11. A Toyota se pronuciou dizendo que nao achou nenhum defeito e…..

    Concordo com Tassio. A galera tah vendendo rompendo as barreiras da sanidade cara. Sem condicoes isso.
    E olha, projetos de softwares que interferem no curso de vida do homem, precisam ter niveis de aprovação muito rigorosos.
    Ir pro mundo virtual eh uma coisa. Porem, de lah pra cah são mais 500.

    FOnte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=440816

  12. Anselmo Lacerda disse:

    Silvio,

    O texto está fantástico! Lendo mais profundamente o texto “carros em modo beta?…”, bem como, as referências postadas nele.
    Tenho alguns comentários para fazer sobre o assunto, para mim o mundo está em Beta mesmo, isto faz parte do capitalismo que disponibiliza os produtos diretamente no mercado sem testes exaustivos, motivado muitas vezes por querer ser o primeiro a lançar as novidades sem tomar os devidos cuidados.

    As companhias automobilísticas só fazem recall por que alguns países têm uma legislação mais rígida. Acontece que a indústria quer entregar os produtos o mais rápido possível, visando o lucro imediato ou pensando em ganhar com atualizações futuras, sem preocupação com a qualidade do software.

    O que é importante na verdade é ser pioneiro no setor. Mas, as conseqüências podem ser trágicas. No caso da indústria automobilista, o prejuízo para as companhias parece ser maior com as operações de recall, não somente fazer um recall uma vez, pode até fazer mais operações do tipo para atualizar o software defeituoso, tornando uma operação custosa. Será que existe coincidência quando descobrem os problemas justamente depois que lançam e vendem os seus produtos no mercado. Será que o software automotivo está sendo bem especificado, testado?!

    Existe preocupação mesmo com os testes do software dos automóveis ou simplesmente a indústria está preocupada mais com as partes mecânicas do carro, relegando a segundo plano o software que controla toda a “carroceria”.

    Acredito que os problemas tendem a piorar cada vez mais, é necessária uma legislação mais especifica e controles mais rígidos de qualidade.

    Participei de uma palestra do EBTS em que o palestrante que trabalha com software na empresa automobilística dizia que as pessoas compravam o carro. Mas, não liam o manual do carro, deu exemplo no caso do FOX que cortava o dedo do individuo que não tomasse o cuidado de retirar o step do carro para trocar o pneu, algo desse tipo, querem colocar a culpa diretamente no consumidor, será que vão fazer o mesmo com o software, se o carro não frear, aperte alt+ctrl+Del e finalize o processo, senão você sabe…..

    Fazendo uma comparação, fizeram piada que o Windows ME faltava três letras “RDA” para expressar sua “qualidade”, se comparecem o Windows (a indústria do software com a indústria automobilista seria um desastre sem precedentes) e agora?! Isso se repetiu com o Windows Vista, totalmente um fracasso, quando se comprava uma licença Windows Vista, levava junto um cd com a versão do Windows XP por que se tivesse problema você instalava a versão anterior do software. Será que pode acontece o mesmo com a indústria automobilista?

    Em certo dia você recebe uma ligação, informando: “Senhor, informamos que é necessário trocar o software do seu carro, visto que encontramos diversos bugs, em alguns casos, é aconselhável, trocar o carro completamente, a companhia encontrou inúmeros problemas na sua versão automotiva, o senhor deseja trocar para uma versão anterior de carro v 1.x.x?!

  13. Anselmo Lacerda disse:

    Hacker Disables More Than 100 Cars Remotely

    http://www.wired.com/threatlevel/2010/03/hacker-bricks-cars/

    More than 100 drivers in Austin, Texas found their cars disabled or the horns honking out of control, after an intruder ran amok in a web-based vehicle-immobilization system normally used to get the attention of consumers delinquent in their auto payments.

  14. Pedro Daltro disse:

    Reza a lenda que isso rolou no começo dos anos 90:

    “Bill Gates reportedly compared the computer industry with the auto industry and stated: “If GM had kept up the technology like the computer industry has, we would all be driving twenty-five dollar cars that got 1,000 miles per gallon.”

    Recently General Motors addressed this comment by releasing the statement: “Yes, but would you want your car to crash twice a day?””

  15. Brunno Wagner disse:

    Hoje em dia o software tem tudo a ver com a vida real, pois seu desenvolvimento é para reagir com coisas reais ao nosso redor, porém quanto mais isso acontece mais importante vai sendo a sociedade e problemas também vão aparecendo, pois o problema está em sua identificação como também em seu amadurecimento, visto que, nem mesmo alguns engenheiros apontados no texto sabem de onde vem tal problema isso tem haver com a “pressa” de colocar no mercado. A busca é por novas tecnologias em todos os ramos, exemplos: semáforos, indústria automobilística, academias, escolas, etc.
    Um sistema embarcado é um sistema microprocessado no qual o computador é completamente encapsulado ao dispositivo a partir daí, realiza um conjunto de tarefas predefinidas, geralmente com requisitos específicos. Já que o sistema é dedicado a tarefas específicas, através de engenharia pode-se otimizar o projeto reduzindo tamanho, recursos computacionais e custo do produto.
    Por questões como segurança e usabilidade, alguns inclusive possuem restrições para computação em tempo real. O software escrito para sistemas embarcados é muitas vezes chamado firmware onde este é o conjunto de instruções operacionais programadas diretamente no hardware de um equipamento eletrônico.
    A versão beta é a versão de um produto que ainda se encontra em fase de desenvolvimento e testes. No entanto, esses produtos muitas vezes são popularizados bem antes de sair a versão final que é o caso que acontece na indústria automobilística. Na prática, sempre que um programa é lançado em versão Beta, significa que o próprio desenvolvedor admite que o programa ainda não está pronto e pode ter problemas, porém já está em um nível decente para a utilização, mesmo que sem nenhuma garantia.
    A questão é acredito que deverá se pensar mais e estudar mais o desenvolvimento do software principalmente neste caso de automóveis, pois me parece que tais indústrias não estão preocupadas com o momento certo de ser colocado e sim pela simplicidade do que possa trazer, porém tal simplicidade pode não acontecer e o custo sair bem maior do que o planejado.

  16. Andreza leite disse:

    Olá!
    Sou patidária da idéia de que tudo esta ficando beta demais e o fato de os softwares estarem dominando as simples atividades do nosso dia a dia, que antes parecia tão claro ou mesmo pura mecânica(para os que entendiam disso) é preocupador. Ver um cell, tv, geladeira ou pequenos objetos apresentarem bugs de software é “aceitável” para a população visto que isso pode não representar graves riscos. Ja ter seu carro morto(de repente) simplesmente porque alguém colocou um ifelse fora do lugar ou a condição utilizada para executar a função de sei la das quantas não foi satisfeita é apavorador. Confiar nesses sistemas e entregar o “controle” no cenário citado por Giberto acima realmente não é tarefa simples para os profissionais de TI! Agora imagine o venvedor na concessionária tentando explicar o que o software vai fazer quanto vc precisar do freio em dias que a computação não é tão ubíqua qnto a eletricidade!
    []’s

  17. Rodrigo Monteiro disse:

    Quanta diferença! Eu morro de medo de ‘soltar’ um software financeiro que eu não tenho certeza de que vai funcionar corretamente e você me vem com essa de software beta para automóveis, rs.

    O que será que passa na cabeça da equipe de desenvolvimento? Um, se essa variável não for limpa o carro não vai freiar, bom, mas isso tem uma probabilidade muito pequena de acontecer……

    Surreal….

  18. Rodrigo Monteiro disse:

    peço desculpas pelo ‘freiar’

  19. Érica disse:

    Testes de Software é a resposta para isso.
    Infelizmente ou Felizmente erros desse nível estão aparecendo em um campo que envolve muita divulgação, polêmica e segurança (o mais crítico).
    Agora sim, INfelizmente, tivemos que chegar neste ponto para disseminar a grande importância da realização de Testes de Software. Ao contrário do que citou alguém acima, o time-to-market não é um fator crítico para a não realização dos testes de forma ideal. Existem váários estudos e técnicas que acompanham o ciclo de desenvolvimento, sem comprometer a entrega final.

  20. Toyota disse:

    Toyota: Moving forward (always)

  21. Weslley Silva Torres disse:

    Olá! Então, primeiro de tudo muito legal o texto. Esses problemas existentes em softwares críticos seriam cômicos se não fossem trágicos, e não sei porque mas a primeira coisa que me veio na mente quando estava lendo a parte – ” …quando você pisa no freio, o pedal captura sua intenção e um conjunto de sistemas tenta realizá-la usando os sensores e atuadores do veículo. se tudo der certo, o carro para. senão…” – foi o filme Premonição kkkk o cara apertando no freio e aparecendo uma mensagem – o sistema precisa ser reiniciado =0 – LOL…

    Mas enfim, falando sério agora, eu acho que deveria existir um REGULAMENTO/LEGISLAÇÃO impedindo que um software critico seja posto em uso sem um determinado número de testes e tempo, meio que seguindo a filosofia do Debian, onde só é lançada uma nova versão do Debian depois dele parar de apresentar bug por um tempo e está supostamente estável para uso. Claro que é muito complicado prever todas as ações/situações que um carro possa sofrer, mas não é possível que pelo menos 90% não possa ser mapeada e testada. Tudo bem que por definição um software sempre vai estar em seu beta, ou seja, sempre vai existir uma atualização melhoria etc, mas não podemos usar isso como desculpa e lançar um software crítico de maneira arbitrária. Para quem leu o livro de engenharia de software do Sommerville sabe que ” – Os engenheiros de software devem assegurar que seus produtos e as modificações a eles relacionadas atendam aos mais altos padrões profissionais possíveis.

    Eu não concordo com o comentário do Tassio Vale que diz – O “time-to-market” prevalece (afinal somos capitalistas), independente se o software parece ainda ser beta ou não. O carro precisa ir para a rua!.. – Antes de mais nada cadê a ética do profissional em deixar um carro “desgovernado” andando livremente na rua?!?!

    Bom, acho que é isso.

    Abraço e t+

  22. Carlos Portela disse:

    Realmente o que assusta nessa história toda é a criticidade do contexto. Como sensores poderão prever as diversas situações adversas, como silvio falou (buracos, luz, calor, frio)? Creio que é uma questão de pensarmos até que ponto (e em quais operações) é vantajoso o uso da tecnologia em nosso dia-a-dia. Estamos cada vez mais reféns desta tecnologias, e como já citado, não somente no mundo virtual, mas em situações reais, onde a nossa vida tá em jogo (assim como no caso comentado por silvio do boeing air france 447). Bom, mas como estamos em um mundo capitalista, e apesar das organizações jurarem de pés juntos que se preocupam com o planeta e com a vida de seus consumidores, afeta bastante a imagem e a confiança nestas organizações, que sofrerão as consequências da falta de testes ostensivos, uso de padrões de qualidade rigorosos, etc…
    O citado recall da Toyota, abalou totalmente a empresa, além do custo do recall, a queda nas vendas. E a concorrência não perdoou, já lançando pequenas ações, satirizando os riscos em se dirigir um Toyota (http://jalopnik.com/5492832/the-anti+toyota-commercial-ford-wishes-it-had-the-balls-to-run).
    Mas sou a favor dos recalls, pois como diz o velho ditado “cometer um erro é humano, persistir é burrice”. Como sabemos, em nossa área, todo projeto precisa de manutenção.

  23. Fernando Kenji Kamei disse:

    Muito interessante a matéria prof. Silvio.

    Hoje os carros domésticos estão se tornando uma realidade dos carros voltados para a corrida. Já existem neles sistemas embarcados a algum tempo. Um vez ouvi um comentarista afirmando: “De tanta tecnologia existente nos carros de corrida, logo logo os carros farão as curvas sozinhos, e os softwares substituirão os pilotos…” Sinistro não?

    A partir dessa matéria, dou ênfase a importância da qualidade de desenvolvimento de um software, seja ele voltado para web, ou para sistemas embarcados como um carro. Testar préviamente, é sempre importante. Porém, tais softwares para veículos não podem de modo algum estarem disponíveis no mercado em modo “beta”. Já não estamos mais tratando de sistemas do mundo virtual. E sim com sistemas embarcados que por qualquer falha pode tirar a vida de alguém. Seria igual aos médicos “brincarem de aprender a fazer uma cirúrgia”… Quem quer ser o cobaia??

  24. Zinaldo Araujo Barros Jr disse:

    Já li um artigo que tratava da dificuldade em sem realizar testes em sistemas embarcados no hardware de automóveis, não apenas pela dificuldade em emular as condições reais a qual o sistema vai ser exposto, mas também pelo hardware não suportar ferramentas de debug (são utilizados circuitos com o menor numero de ECU’s possíveis, apenas o suficiente para realizar a função a eles destinada), fora que o simples fato de simular um bug pode significar em danos ao equipamento, o que implica em atividades de testes muito custosas.

    Apesar da existência de peculiaridades como as que relatei, que não encontramos comumente nos domínios em que o desenvolvimento de sistemas se estabeleceu, ainda sim, trata-se um claro problema de engenharia de software. A indústria de autos precisa entender que para sair da fase beta deve abandonar essa abordagem “hardware-driven” no desenvolvimento de software e adotar as melhores práticas, modelos de maturidade, técnicas de reuso, arquitetura modulares, etc.

  25. Karina Rodrigues disse:

    Olá Silvio,

    eu acredito que software veio e vai vir cada vez mais para facilitar nossas vidas, mas como você mesmo falou, talvez isso esteja acontecendo de modo “beta” demais. As empresas estão esquecendo que um simples erro pode colocar milhões de vidas em risco, isso para software automotivos e de aeronaves (que dispensa comentários de sua importância). As mudanças estão vindo numa velocidade tão grande que talvez as empresas não estejam dando o valor necessário ao testes e outras atitudes que venham garantir a qualidade de desenvolvimento de seus softwares que irão afetar diretamente o produto final, pois como você comentou temos que levar em consideração vários fatores e atores envolvidos nesse processo (motorista, passageiro, frio, calor….).
    Como o software vai estar cada vez mais presente em nossas vidas, seja ele onde for, de forma alguma podemos deixá-lo de modo “beta”.

    Abraços.

  26. Antúlio de OLiveira - AOL disse:

    Ao meu ver este momento onde o “Beta” passa ser
    algo normal, passamos a conviver com a própria materialização da “incerteza”.
    É preciso termos a coragem para repensar toda esta nossa
    Engenharia(Mecânica, Elétrica, Eletrônica , Software, Sistemas …).
    Passamos em nome do tempo de Mercado(Quem chega primeiro ganha!)
    a aumentar cada vez mais o risco de morte de milhões de pessoas no
    mundo ao aumentarmos o grau de dependência de funcionalidade
    destes veículos de transporte que agora dependem de uma rede intricada
    e cada vez mais complexa de de software/hardware
    que infelizmente não estão conseguindo falar entre si e o que é pior expondo
    diariamente milhares de vida no mundo em nome do conforto e sofisticação.
    A vida é menos importante que o lucro!
    Está na hora de pararmos de automatizar tanto e começarmos a repensar
    este paradígmas construtivos.
    Então por onde começar?
    Que tal nos espelharmos nos organismos vivos, na natureza em nosso redor,
    para aprendermos como construir melhor nossas soluções?
    Será que não devamos nos espelhar em observar como funciona o “Software de Controle”
    de movimentação de uma Centopéia com centenas de pernas que acelera e freia perfeitamente
    para aprendermos como automatizarmos os nossos Carros ?
    A Sociedade, o cidadão mundial, o consumidor não pode ficar a mercê da voracidade
    capitalista da Indústria Automobilística Mundial e continuar a ser cobaia pagante
    destes produto de Transporte.
    Por outro lado nós pessoas da tecnologia e ciência não podemos ficar de braços cruzados
    esperando que um guru traga uma solução fantástica que irá resolver tudo.
    Inovar, repensar construir tudo de novo é isso que a Sociedade espera de nós.
    Assim, ao meu ver esta crise não é do Software, da Tecnologia da Informação,
    e sim de uma grande mudança Estrutural que infelizmente para as pessoas está
    transparecendo ser da Informática.
    Por enquanto, Vivas! ao velho Fusca que com um simples arame conseguíamos colocar a
    embreagem dele para funcionar e chegarmos ao mecânico mais próximo para consertá-lo,
    sem haver qualquer risco de vida para nós …
    Antúlio de Oliveira – AOL

  27. Temusados disse:

    Tudo nesse mundo existe um modo beta… hoje em dia é normal voce ver os carros nas ruas camuflados para não serem descoberta as suas novas versoes…

  28. jami disse:

    Tenha 514 canais em sua casa http://www.tvhd.com.br

  29. Carros camuflados viu moda no brasil ahahaha.. todas as montadoras agora estão fazendo isso… pode ate se chamar de “marketing” aff.