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Escrito por • 14/07/2009

cenas da “mídia” brasileira

domingo de muito sol. um pai está saindo de um grande restaurante numa cidade brasileira qualquer,  e há, na calçada, um display [quase um shopping] de centenas de DVDs na [permanente] liquidação “um é 5, três é 10”. o adulto, [des]avisado, compra três musicais por “10”. o blogueiro observa a normalidade do “shopping”, adultos, jovens e crianças, todos, escolhendo sua diversão matinal. e noturna. nisso, um adolescente entra em cena e admoesta: “pai, já disse pra você não fazer mais isso!…”

image aí eu penso: vixe! um jovem que aderiu ao discurso do fórum antipirataria… e me preparo pra fazer uma entrevista ali, ao vivo, que é desmontada na frase seguinte: “pare de comprar estes DVDs!… me diga o que você quer que eu pego num torrent!”

fecha o pano. a cena é real. e deve se repetir aos montes pelo país afora. pelo mundo afora.

esta semana, deu-se nota de um “report” escrito por um adolescente inglês [matthew robson, 15 anos] e publicado por ninguém menos que a morgan stanley [pegue o .pdf neste link], onde o jovem expert no comportamento de sua geração sintetiza…

Teenagers listen to a lot of music, mostly whilst doing
something else (like travelling or using a computer). This
makes it hard to get an idea of the proportion of their time that is
spent listening to music.

They are very reluctant to pay for it (most never having bought
a CD
) and a large majority (8/10) downloading it illegally from
file sharing sites
. Legal ways to get free music that teenagers
use are to listen to the radio, watch music TV channels (not
very popular, as these usually play music at certain times,
which is not always when teenagers are watching) and use
music streaming websites (as I mentioned previously).
Almost all teenagers like to have a ‘hard copy’ of the song (a file
of the song that they can keep on their computer and use at will) so that they can transfer it to portable music players and
share it with friends
.

How teenagers play their music while on the go varies, and
usually dependent on wealth –with teenagers from higher
income families using iPods and those from lower income
families using mobile phones. Some teenagers use both to
listen to music, and there are always exceptions to the rule.

A number of people use the music service iTunes (usually in
conjunction with iPods) to acquire their music (legally) but
again this is unpopular with many teenagers because of the
‘high price’
(79p per song). Some teenagers use a combination
of sources to obtain music, because sometimes the sound
quality is better on streaming sites but they cannot use these
sites whilst offline, so they would download a song then listen
to it on music streaming sites (separate from the file).

pra traduzir o texto para  o português, clique aqui.

matthew robson sabe o que está falando. e leva jeito pra analista. quem dera houvesse muitos robsons no mundo, aqui inclusive, com tal capacidade de análise e síntese. e a morgan stanley tá por dentro do lance: publicar em escala mundial um report de um estagiário de 15 anos de idade é um golpe mais que de mestre. é de aprendiz, de engenheiro do futuro, das coisas que não estão feitas, que ninguém sabe como vão ser. mas que se sabe, e muito bem, que não serão como eram. nunca mais.

este blog tem uma teoria sobre o que vai rolar. vamos falar dela aqui, amanhã.

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0 Responses to cenas da “mídia” brasileira

  1. Xico disse:

    100% verdade. Vejo isso todos os dias na minha própria casa (temos 4 computadores), onde cada um tem seu quinhão de músicas/mp3/celular/hardcopy.

    Até no carro tem pendrive+sintonizador fm, com musicas baixadas.

    O que vai rolar? Espero ansiosamente!

  2. Dio disse:

    Quem dera houvesse mais desses jovens que não deixam os pais comprarem produtos piratas. Quem dera houvesse mais gente baixando na Internet, tirando o lucro dos nossos modernos “piratas” (ainda que também prejudique os produtores reais da coisa toda). Quem dera houvesse milhares de Radioheads no mundo da arte. Quem dera…

    Abraços,
    Diogo.

  3. só não sei como vai ficar a produção de cultura com tanta troca “livre” se oferecendo no mercado. O escritor Mark Helprin reclama na Época desta semana sobre “pirataria” da sua obra pelo Google. Como fica?.
    O modelão comercial já era, mas é preciso ponto entre liberdade / preço justo e remuneração a quem merece? E a geração já acostumada com a troca livre, como reeducar o pessoal? Tô curioso com a teoria.

  4. Thiago disse:

    Eu acredito que depois de tanto tempo de troca livre/ grátis e sem controle, não dá mais pra simplesmente proibir e voltar a cobrar por isso.

    As pessoas não se acostumariam mais. Que se ganhe dinheiro fazendo shows, ou com música para comerciais e filmes (os músicos), com palestras e aulas(os escritores). Enfim, o modelão antigo realmente não cabe mais. O fim já está mais que anunciado, e essa luta já desesperada por parte das gravadoras é o ultimo suspiro dessa industria, que eu acredito, está com dias contados.

    Thiago Soares.

  5. Victor Rodrigues disse:

    É, não tem volta mesmo. Antes o dinheiro que uma pessoa tinha determinava quanta informação ela tinha acesso, pois precisava pagar caro por livros, filmes, músicas, etc.

    Hoje é tudo uma questão de busca. O texto desse garoto dá uma mostra do quanto a juventude de hoje ganha quando pode explorar o mundo sem barreiras, eu mesmo posso dizer que a internet me abriu as portas para conhecer muita coisa…

    A indústria mobile está mostrando que as pessoas pagam por conteúdo quando podem. Se estiverem no desktop, muito provavelmente vão baixar direto, mas se o conteúdo já perdeu o valor financeiro, a acessibilidade ainda o tem.

    Embora eu já tenha baixado umas centenas de álbuns, também já comprei música digital, e toparia pagar uma mensalidade, feito faço com a falida tv a cabo que está lá em casa, para ouvir, assistir e ler o que eu quiser.

  6. Silvio, por favor, publique o conteúdo completo no feed.

    Obrigado.