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Escrito por • 21/05/2012

chega de “analógicos digitais”…

…é mais ou menos o título de um texto no blog de seth godin, o cara que quase inventou a ideia de permission marketing há mais de uma década. partindo do ponto em que o parquímetro digital que tentava usar estava dando reboot, godin reclama da digitalização pura e simples de serviços e sistemas analógicos e, no caso do parquímetro, propõe um similar ao que usamos no porto digital, o estacionamento público, na rua, cobrado pelo celular [ou smartphone]. brasil 1, EUA 0. e a solução do porto digital é de uma empresa daqui, a SERTTEL.

há mais de dois anos, falamos nisso em "a informatização do caos" [neste link; em áudio na CBN aqui], onde a conversa era sobre como a falta de capacidade de repensar os processos e serviços que usamos tem levado as instituições a criar digitais que, pura e simplesmente, abstraem analógicos que já usamos há tempos. estes são os "analógicos digitais" de godin. chega deles. podemos fazer muito melhor, em todos os cenários econômicos e sociais.

o exemplo que dei em 2010 era sobre a renovação da carteira de motorista, que chega às raias do absurdo, hoje e aqui, comparado com a simplicidade que poderia ter, fosse propriamente informatizada. mas não: ao invés, é apenas o mesmo e velho processo, automatizado. e poderíamos citar muitos outros processos, como a receita federal nos passar, no download ou logo depois, tudo o que já sabe do nosso imposto de renda de pessoa física, só pra gente confirmar. já imaginou o quanto isso simplificaria nossas vidas, sabendo a receita tudo o que já sabe de nós?

algum dia, tomara que não muito distante, vamos todos chegar lá. o futuro, afinal, já está aqui, só falta ser homogeneamente distribuído. até lá, o "parquímetro" de seth godin vai dar tela azul vez por outra e eu e vocês vamos preencher, linha a linha, dados que a receita federal já sabe a priori, sem nossa ajuda [e vamos ser multados pelos que esquecermos, o que parece uma pegadinha do IRPF] e, sem precisar, vamos renovar a carteira de motorista a cada cinco anos, ao mesmo tempo em que os pontos que invalidariam qualquer carteira não são computados na maioria dos estados. isso é que é a informatização do caos, causada, em sua maioria, por analógicos reimplementados de forma digital sem que se reveja os princípios, processos e métodos para resolver o problema que deveria estar sendo resolvido, antes de comprar hardware, escrever código e nos forçar a usá-lo.

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