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Escrito por • 11/09/2009

conteúdo, trabalho, renda, redes sociais, limites e proibições

image a globo tem, sob contrato, a maioria dos artistas mais rentáveis, como audiência –e propaganda- do país. e todos eles assinam um contrato que transforma sua “produção” em propriedade da empresa. o que é normal, pois o mesmo ocorre na record, na folha, no estado… ou qualquer outro lugar onde pessoas trabalham, arrendadas, para produzir performance ou conteúdo. faz parte do jogo.

ocorre que todo mundo que assina os contratos está, também no twitter, facebook, youTube…, não só de livre e espontânea vontade mas porque, de certa forma, tem que estar lá. afinal, artistas são pontos focais de redes sociais; e as redes sociais reais, daqui de fora, estão todas lá, na rede…

a globo [entre muitas outras empresas “de conteúdo”] está incomodada com essa, digamos, dispersão de conteúdo supostamente sob seu controle e baixou uma norma proibindo, a seus contratados“a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à emissora, ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”. segundo a empresa, a razão é proteger seus… “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

por que a globo está fazendo isso? porque boa parte da “audiência” de seus contratados está fora de seu controle, em redes como twitter e facebook. porque as redes sociais são uma ameaça de fato à hegemonia da TV sobre o que costumava ser chamado de “audiência” e, lá nas redes, é de fato “comunidade”. e porque a globo, entre muitos outros, bem que poderia ter criado as suas próprias redes sociais, mas não o fez.

o bonde da inovação passa, muitas vezes, rápido como um foguete. e a janela de oportunidade, quando você fica apenas esperando, é quase sempre invisível. mas não neste caso. a globo sabe, há muitos anos, que eventos marcantes em sua programação [incidentes no BBB, brigas e descobertas nas novelas…] correspondem a picos de atividade no orkut [por exemplo].

quando descobriu, já era quase muito tarde pra se fazer alguma coisa em redes sociais, porque o grande público já estava no orkut, e não em uma rede social da globo [que não existia e não existe até agora]. mas não se procurou alternativas, não se tentou descobrir o que poderia vir depois do orkut, não se fez experimentos para tentar transformar, paulatinamente, o que era “audiência” no que poderia ser “comunidade” da emissora.

o resultado é o que estamos vendo. a empresa, entre muitas outras, tentando controlar a presença de seus artistas em redes sociais sobre as quais não tem o menor controle ou influência. é mais ou menos como dizer que seus colaboradores não podem ir a campo participar de uma rede social chamada “torcida”, especialmente se a globo não estiver transmitindo a partida. acho que não vai dar certo.

e pode acabar de uma forma abrupta: alguém pode arguir, na justiça, que o grau de controle que a globo [e outras empresas] está querendo exercer sobre seus contratados é excessivo e indevido. e que participar de uma comunidade que discute [entre muitas coisas] seu trabalho, qualquer que seja, é um direito de todos e qualquer um, desde que não se ultrapasse certos limites óbvios, como oferecer, à concorrência, detalhes dos negócios da empresa que lhe contrata. essa regra vale em todo lugar, inclusive numa mesa de bar.

image e o twitter parece uma grande mesa de bar, 140 caracteres por vez. com dois problemas, do ponto de vista dos empregadores da moçada que está “na mesa”… primeiro, a mesa pode ser muito grande, centenas de milhares de pessoas ao redor de uma conversa. segundo, ao contrário do bar, onde ninguém escreve o que os outros dizem, tudo fica escrito e pode ser replicado ad infinitum. com as devidas consequências.

claro que todo mundo pode ir ao bar; e vai, e diz o que quer. às vezes, ouve o que não quer. no twitter, idem. algo me diz que o bom senso, ao invés da justiça, deveria resolver isso de uma forma muito mais simples.

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0 Responses to conteúdo, trabalho, renda, redes sociais, limites e proibições

  1. Roberta disse:

    Embora não tenha lido a matéria, o que os fragmentos do decreto exibidos neste post indicam é que é vetada “a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à emissora, ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”, e não a presença dos artistas em redes sociais, ou comentários que possam fazer sobre outros temas não ligados ao trabalho.

    Dessa forma, me parece que a Globo está proibindo que os artistas expressem suas impressões sobre as atividades profissionais que exercem dentro da instituição. Por uma questão de ética e confidencialidade, eu também não sou autorizada a divulgar informações internas da minha empresa, nem em redes sociais nem em canto nenhum. Parece lógico.

    Onde fica a diferença das duas abordagens entao? Entendi errado?

  2. essa analogia com a mesa de bar é ótima.

    estão tentando tornar “lei” algumas convenções sociais, boas práticas, que sempre existiram no mundo off line.

    sob o ponto de vista prático, acredito que não muda absolutamente nada.

    abração!

  3. Balança disse:

    Curioso é o que empresas de produção de conteúdo gostam de colocar na frente de qualquer um de seus produtos:

    1. Tudo o que você vai consumir a partir deste momento é MEU, se você replicar esse produto é CRIME e VOCÊ vai para a CADEIA

    2. Eu NÃO ME RESPONSABILIZO por nada do que você vai ver

    São dois pesos e duas medidas, sempre. Eles fazem questão de defender o seu direito de dono, mas fazem questão de se isentar dos danos que o seu produto possam causar.

  4. João Roque disse:

    Olá Silvio, gostei muito da mesa de bar, mas parece que em política, mesa de bar eletrônica será sensurada ou controlada.
    O que você acha desta inciativa de nossos congressitas de regular a propaganda eleitoral na internet?
    Abraços.
    João Roque

  5. susu disse:

    Não vejo nada demais nisso. Estão corretos em solicitar sigilo. Imagina o Rodrigo Lombardi escrever no Twitter o final da novela. Tem coisas que estão certos em pedir que sejam evitadas. De acordo com as novas demandas as emissoras como qualquer outra empresa tem o direito de se atualizar e solicitar uma nova postura de seus colaboradores.

  6. Franz disse:

    a globo pode e deve vetar “o seu conteúdo”, projetos, etc…

    o que está pegando é que só serão permitidos os blogs, twitters, orkuts, facebooks, e afins de globais, com a permissão dela, ou seja, é a mesma coisa que sua empresa vetar o seu orkut por medo de vazamento de informações…

    se eu fosse da concorrencia, lançava mão de um editorial incentivando o uso de novas mídias sociais por parte do quadro de funcionários.

    o que a globo está querendo fazer é tapar o sol com a peneira.

  7. Helcio Jose Figueira-Pirassununga disse:

    Pela primeira vez leio seu blog, e nunca vi ninguem postar algo tão real em relação a venus platinada..parabens..

  8. A Globo está proibindo “a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à emissora, ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”

    Logo, a Globo está proibindo o Luciano Huck (http://twitter.com/huckluciano) de falar que vai assistir ao CQC (na concorrente Band).

    Não acho tão absurdo, do ponto de vista comercial…

  9. lari disse:

    como pode uma emissora querer controlar a rede de relacionamento de seus funcionários???
    tudo bem que no caso luciano huck podiam avisar ele que falar antes do programa o que vai passar…. deixa com que os twiteros percam a vontade de assisti-lo auauhauhau dale globoooooo
    vamos assisit CQC que é melhor… e seguilos eles nçao falam do programa mas da agenda fora da emissora e fazem comentarios e discussões com outras fadas e correções ortograficas durante a semana!!!! por sinal quantos erros hortografico a anjinha aki escreveu??? nossa axo que não vou mais escrver pra vcs… au

  10. cleise disse:

    Isso é um absurdo

  11. Nilton Lopes disse:

    “a razão é proteger seus… “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

    Acho que pior do que seus contratados que estão no twitter falando sobre seus trabalhos, é ver a Sônia Abrão em outra emissora, dispersando conteúdos alheios e fazendo audiência falando de BBB, Novelas da Globo, e às vezes até usando imagens da mesma. Não sei qual é a da Globo…

  12. Jose disse:

    O ponto crucial deste engodo eh: o que eh vida particular e o que eh vida profissional.
    Obviamente, nao somos maquinas. Nao somos uma pessoa no trabalho e outra entre amigos.
    Este eh um excelente caso para ser estudado. As empresas nao tem o direito de intervir na vida particular, mesmo que o individuo queira tornar publico parte de sua privacidade. Da mesma maneira que tb nao podemos levar ao conhecimento publico segredos profissionais.
    Por outro lado, a empresa nao pode podar o profissional de suas preferencias sociais. Contudo, se a imagem, ou simplesmente o nome do profissional eh suficiente para seu vinculo empregaticio (no caso de empresas de comunicacao e propaganda), esta linha comeca a ficar tenue. E o problema passa a ser: a partir de que ponto um artista comeca a tirar vantagem de seu sucesso profissional na tv para comecar a usa-lo em suas redes sociais? Eh mais ou menos como um politico pedir para empregar parentes em empresas que sao fornecedoras do governo, aproveitando-se de seu prestigio.
    Realmente, tem que se entender a essencia do problema e saber ateh que ponto um se aproveita do outro. Proibicao nenhuma empresa pode fazer, ateh pq eh inconstitucional, mas pode pedir ressarcimento por parte dos ganhos que supostamente existiriam devido aos creditos em sua tv.
    Ganha quem tiver o melhor argumento!

  13. controle é excessivo da Rede Globo, mas nenhum dos artistas vai entrar na justiça contra a empresa, uma vez que sua existência é anabolizada pela emissora, e que, sem ela, não seriam nada mais que anônimos desinteressantes, queria lembrar que esse controle existe em relação ao funcionalismo público (professores, advogados, engenheirios, etc…) é conhecida como “lei da mordaça” (lei nº 10.261, de 28 de outubro de 1968) que está em discussão e, quem sabe, em extinção, mas ainda e existe e pode ser acionada por qualquer gestor de empresa pública.

  14. Francisco Emilio Baleotti disse:

    Pois é! Se o amor da Vênus Platinada pela democracia não fosse notório, a notícia causaria espanto. Não obstante como todos sabemos que as Organizações Globo sempre compartilharam a defesa da democracia e dos ideais libertários é de causar espécie tal atitude.

  15. Pamela thays Lins disse:

    Quem perde com uma atitude como esta é a a própria globo. em tempos onde a internet se torna cada dia mais ifnluente que a televisão, a rede globo deveria sim é migrar para a internet. Porem a global não consegue nem entender que o telespectador brasileiro mudou e que sua programação precisa mudar(por favor, programas com Faustão Fantastico eram dos anos 80, e deveriam ter morrido naquela época. Hoje o público é diferente, mais exigente, não aguenta mais o mesmo formato antiguado que a globo insiste em manter), quanto mais entender que atualmente as redes sociais na internet estão se tornando meios de comunicação bem mais poderosos que a televisão!!!Ela vai acabar morrendo por sua falta de criatividade e inovação. bom, isso pode ser um lado positivo para as outras emissoras. Quem sabe alguam delas se aventure no meio virtual.

  16. Bruno Bezerra disse:

    Bom senso e simplicidade… eternamente atuais, eternamente modernos!!!