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Escrito por • 31/10/2008

coração quase inteligente [a caminho]

“If you show the graphs to a cardiac surgeon, he will say it’s a human heart… But no, it’s not a human heart, it’s the prosthesis.” se você mostrar um eletrocardiograma para um especialista, ele vai dizer que se trata de um coração normal. mas não é um coração humano, é artificial. palavras do professor alain carpentier, da université pierre et marie curie em paris, responsável, juntamente com um time de engenharia da EADS [empresa que faz o airbus…] por um coração artificial que… parece humano.heart_1_421062a-carpentier.jpg

o coração desenhado e construído pelo time de carpentier é o primeiro capaz de entender o que o corpo ao seu redor está fazendo e funcionar de acordo com a demanda. você está dormindo, ele "sabe" e bate devagar; você levanta de repente e tenta ir pro banheiro, ele também "sabe" [via sensores, atuadores e computação e comunicação pra mediar uns e outros] e age de acordo. e aí você não cai ao levantar da cama.

e não é coisa de professor aloprado não: o projeto tem investidores de risco [sete milhões de euros, pra começar…] incluindo dinheiro do próprio carpentier. algo me diz que falta muito disso no brasil. muito mais acadêmicos dispostos a arriscar seu tempo, trabalho, reputação, currículo lattes [ou coisa que o valha] e seu próprio dinheiro, tentando mudar o mundo pela via de uma das formas mais rápidas e eficazes que existe, o mercado.

inovação não acontece nos artigos científicos publicados em grandes jornais e congressos, em patentes obscuras enquadradas e penduradas nas salas de pesquisadores e tampouco nas bancadas e prateleiras dos laboratórios, onde morre de inanição a vasta maioria das idéias da academia. inovação é a mudança de comportamento de agentes, no mercado, como fornecedores e consumidores. de qualquer coisa. e precisamos de inovação nos transplantes.

em 2007, foram realizados pouco mais de 11.000 transplantes de todos os tipos no brasil, quando havia mais de 66.000 pacientes na fila. não há órgãos naturais em quantidade e qualidade suficientes para dar conta da demanda. queiramos ou não, trata-se de um mercado: há uma demanda de órgãos para transplante e a oferta é muito menor do que ela, o que resulta em escassez, sofrimento, corrupção e,em muitos casos, morte.

e a vida é um mercado prioritário para qualquer sociedade minimamente civilizada investir, de forma a universalizar as chances de sobrevivência de seus cidadãos. órgãos artificiais como o coração do professor carpentier são grandes avanços nesta direção. precisamos de mais progressos deste tipo. e muito mais rápido.

[ps: amanhã, neste espaço, reprise de um pequeno conto que publiquei há quase uma década atrás, sobre um coração artificial, conectado, andando por aí no corpo de alguém…]

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0 Responses to coração quase inteligente [a caminho]

  1. fagno disse:

    issso e uma realidade a materia e interessante !!
    Inovaçoes estao acontecendo, agora pra que isso se torne concreto tem que haver pessoas que acreditem nisso; sem contar com nossos governos que so gostam do melzinho na chupe.
    Duvido se essa ideia der certo se nao vao aparecer milhoes de pessoas que diriam que isso e possivel mais nao tiverar a mesma coragem de arrisco como esse cidadão.

    parabens a materia e a pesquisa, estamos no caminho certo !!!!!

  2. mAuRO disse:

    Claro que o investimento em bem estar é prioritario ou deveria ser.
    Uma valvula cardiaca artificial com vida util de 50 anos seria o ideal para salvar muitos pacientes, no entanto as mais modernas, talvez sejam as ditas biológicas, duram no máximo 10,15 anos.
    Gostaria de notícias sobre as valvulas cardiacas artificiais e o quanto tempo podem durar, isto é, sua vida útil no paciente.
    Quais as diferenças entre elas e quais as com maior vida útil.
    Abraço,

    mAuRO