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Escrito por • 12/04/2009

dá pra salvar o bom jornalismo?

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o boston globe, um dos maiores jornais dos estados unidos, deve ter um prejuízo de US$85M este ano, depois de perder US$50M ano passado. o globe não é um jornal independente, mas parte do new york times. e o NYT está ameaçando fechar o globe caso os sindicatos não concordem com medidas radicais de corte de custos. e não consiga aumentar receitas: o preço do jornal nas bancas subiu US$1.50, só pra “continuar viável”. mesmo assim, pode fechar no mês que vem. o globe foi comprado pelo NYT em 1993 por US$1.1B; desde então, a circulação só faz cair. a receita demorou mais um pouco a seguir a circulação, mas está em queda continuada desde 1999.

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no dono do globe, o NYT, o período de férias foi estendido, cem pessoas foram demitidas semana passada e quem sobrou vai ter uma redução de 5% no salário pelo menos durante o resto deste ano. e tem que apelar pra santo muito forte pro jornal continuar existindo –em papel- ano que vem. a pergunta a se responder, no particular e no geral, está na capa do boston globe deste domingo: o que saiu errado?… a resposta, da própria casa, é que… o globe não viu –e não soube aproveitar- a web. os outros jornais tampouco. e ponto final.

mas a pergunta da hora, feita por brian solis a walt mossberg, talvez fosse… vale a pena salvar os jornais?… sabe-se lá, se obama vai salvar a indústria automobilística americana, talvez…  mas mossberg pensa rápido e diz que esta é a pergunta errada; a pergunta apropriada seria… será que dá pra salvar o bom jornalismo?… segundo mossberg, só há uns poucos jornais de verdade nos EUA; o resto são alguns jornalistas de qualidade e noticiário nacional e internacional reciclado, pra encher linguiça e imprimir as páginas necessárias para os anúncios. isso quando havia anúncios. quando estes se mudam pra web, porque tais páginas deveriam ser impressas?… o mesmo raciocínio vale para o brasil e qualquer outro país. abra seu jornal local ou regional e constate com seus próprios olhos.

desde janeiro de 2008, mais de 120 jornais americanos fecharam as portas e mais de 21.000 jornalistas e pessoal auxiliar foram demitidos destes e de outros 67 que continuam no negócio. só em 2009, mais de 8.000 pessoas já perderam o emprego. e a tendência não dá sinais de ser revertida; muito ao contrário. a internet já é a fonte primária de notícias nos EUA e vai ser, no brasil, assim que houver banda larga [de verdade] por aqui.

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mas brian solis acha que um novo desenvolvimento pode salvar o “bom” jornalismo: a statusphere, ou statusfera, a rede de reputação capaz de fazer com que agentes individuais, em rede, tenham tanta reputação, reconhecimento e importância –e remuneração- como tinham os grandes jornalistas dos antigos jornais. será? e como e quando?

segundo solisThe Statusphere is the new ecosystem for sharing, discovering, and publishing updates and micro-sized content that reverberates throughout social networks and syndicated profiles, resulting in a formidable network effect of activity. It is the digital curation of relevant content that binds us contextually to the statusphere, where we can connect directly to existing contacts, reach new people, and also forge new acquaintances through the friends of friends effect (FoFs) in the process.

em português? a statusfera é o novo ecosistema para compartilhar, descobrir e publicar atualizações e microconteúdo, reverberando sobre redes sociais e perfis compartilhados, tendo como resultado um espetacular efeito rede de conexões e atividade. a statusfera fará o papel de curadoria digital [e em rede] de conteúdo e conexões relevantes, onde poderemos nos conectar, em contexto e diretamente, a contatos existentes… e onde iremos descobrir e construir novas relações através do efeito FoFs [friends of friends, ou AdAs, amigos de amigos].

parece uma tese interessante. talvez a gente –e quem toca os jornais, no brasil, aindadevesse ler com muito cuidado e ver como –e se- dá pra fazer aqui, e por quanto e quando, no nosso contexto. a mesma leitura atenciosa, e não por acaso, vale para quem toca serviços online como o TERRA, terraMagazine e tantos outros…

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0 Responses to dá pra salvar o bom jornalismo?

  1. baratas disse:

    Silvio, ouve-se e/ou lê-se que a salvação da mídia moderna, de um modo geral, está no direcionamento massivo de contéudo de informações _ e venda correspondente_ para celulares. Uns dizem que mídia impressa está com os dias contados _ para desespero dos puristas. Outro detalhe a se deter, seria o de uma ampla análise, revisão de conceitos e diretrizes editoriais para tornar-se o veículo impresso com um novo layout de credibilidade, atratatividade jornalística e comercial, __ junto ao público alvo de consumo __ sem cair na vala comum dos artigos sensacionalistas e pedestres. No entanto, creio que este tema está na fase embrionária _ embora, faça-se necessária uma solução celerada_ visto que, no afã que arrebanhar tudo com menor tempo e maior lucro, acabam por pulverizar e, se fazerem presentes, em todos os segmentos do campo da ação jornalística. A questão é: haverá público consumidor _e pagante_ para este bombardeio de produtos midiáticos modernos?

    Saudações,

  2. Silvio, será que as leis vão ajudar a salvar o bom jornalismo? Segue uma matéria que se encaixa bem com seu post: http://www.guardian.co.uk/media/2009/apr/13/investigative-journalism-protecting-sources

  3. Analista disse:

    Obrigado pelo excelente conteúdo. Já adicionei nos meus bookmarks.

  4. Fred disse:

    Muito se fala na migração das propagandas da mídia impressa para a Internet e a conseqüente queda no faturamento dos jornais/revistas e sempre que isto acontece eu me pergunto: propaganda realmente vende um produto? Talvez porque eu seja muito “pirangueiro”, mas eu não lembro de nos meus 34 anos de vida ter comprado absolutamente nada só porque eu vi um anúncio.

    Existem dados que realmente comprovem a eficácia da propaganda de uma maneira geral e especificamente da propaganda na Internet? Novamente, olhando para meu próprio umbigo, eu até olho anúncios em jornais e revistas. Na televisão, para falar a verdade, eu gosto mais de ver os comerciais do que os programas. Mas na internet, eu sequer percebo que a propaganda está lá. Só percebo quando ela me incomoda (quando bloqueia a minha visão, quando atrasa a minha busca, etc). E a propaganda que incomoda, para mim, vira negativa.

    Na minha humilde opinião, a propaganda na Internet é um contrasenso, até que se prove o contrário ou que se mude a forma como ela é apresentada.

    Fica como sugestão para um próximo post 🙂

  5. Paulo disse:

    Realmente devemos nos preocupar com o “bom jornalismo”, especialmente quando temos a infelicidade de encontrar textos mal redigidos como este.

  6. Bruno Bezerra disse:

    Silvio,

    Colocando um pouco do tempero da pirataria no debate:

    Em certos aspectos como modelos de negócio, agilidade e dinâmica empreendedora, a pirataria estaria para os negócios (tidos como lícitos), assim com a internet hoje está para o jornal tradicional em papel?

  7. Vandré disse:

    Concordo com o Fred. A maior parte da propaganda que vemos na internet é do tipo que incomoda. Seja um pop-up teimoso, ou seja um spam, ou mesmo um vídeo colocado antes da reportagem. E vou usar um exemplo daqui mesmo do Terra TV. Eu odeio aquele comercial do Ford Edge, pois ele sempre vem antes de uma reportagem que quero assistir.

  8. victor disse:

    The Economist aposta no Kindle, o e-reader que anda prometendo revigorar o mercado editorial, quem sabe também salvar jornais e revistas num novo modelo de negócio.

    Até concordo com eles, mas estou achando a amazon meio perdida em começar esse mercado gigante. O Kindle tá caro ainda, e tem coisa melhor por aí, como o Sony Reader, e um japonês que é colorido.

  9. Poliana disse:

    Apenas alguns pequenos erros ortográficos: separação de palavras com vírgulas

  10. Falcão Neves disse:

    Está mal redigido. Desde a primeira frase.

  11. Jorge Reis disse:

    Como não comprou nada com a propaganda? Propaganda vende principalmente ideologia, idéias…
    Votamos no político A ou B, pela propaganda, que inclui simpatia e empatia (principalmente aqui no Brasil) e, boa divulgação de suas ações.

    Publicidade, que vende produtos (e muitas vezes os políticos o são), divulga marcas e benefícios. Vc experimenta sim, pela propaganda, considerando muitas variáveis e até mesmo o preço. Se gostar, volta a comprar. Foi assim e será, com as grandes marcas e com as pequenas que se tornarão grandes.

  12. Lucas Arruda disse:

    Desde que surgiram os blogs, os jornais tentaram de todas as formas deter, difamar e desacreditar, porém sem sucesso. E cada vez mais eles faziam sucesso e tomavam seu lugar ao sol.

    Os jornais lançaram sessões dentro dos portais. Só que mesmo assim ele foram pouco lidos, pois não mudaram sua forma de publicação pouco interativa. E os blogs agora ganham espaços enormes nos portais e passam a dominar acesso e conteúdo e ser mais rentáveis que os jornais, para esses portais.

    Diante de todo esse problema, o jornal ao invés de investir, fica tentando reformular isso ou aquilo, chama um blogueiro para publicar, etc.

    Mas a verdade é que enquanto a publicidade da web não tinha receita bilionária, os jornais a ignoravam, não entendendo que ela é um rede inteligente e pensante e que só ia crescer. Quando essa receita ficou grande o suficiente para interessá-los, eles entraram lado a lado com os portais. Mas aí já era tarde, pois a receita com o jornal de papel já tinha caído muito, já existia Google, Yahoo e outros 500 que já ganhavam dinheiro com publicidade, dificultando para que os jornais o fizessem e os blogs impedem que os jornais proliferem como meio de informação.

    Além disso, os jornais não dão conta de competir com milhares de blogs especializados, com equipe de pessoas especializadas em um só assunto, enquanto o jornal tem 100 jornalistas formados e excelente escritores, mas que não dão conta de dominar milhares de assuntos diferentes. Ou seja, mais uma lição para os jornais. Mais vale um especialista em X que aprende a escrever, do que cem escritores que tem que entender de 100mil assuntos.