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Escrito por • 14/03/2012

depois de 244 anos, o fim da BRITANNICA em papel

a encyclopaedia britannica acaba de anunciar que a edição de 2010 foi a última publicada em papel. daqui pra frente, só nos browsers e apps. quase certamente se vai, também, o conceito de "edição". você nunca ouviu falar numa "edição" da wikipedia: ela é atualizada o tempo todo, à medida que são feitas novas descobertas e ocorrem novos fatos. a britannica não tem alternativa a não ser fazer o mesmo. afinal de contas, passou o tempo em que podíamos esperar dois anos [o tempo entre edições da encyclopaedia] para "saber" o que aconteceu no mundo. imagine, dois anos!…

a literatura está sendo digitalizada na velocidade da rede. isso já aconteceu antes, com música e vídeo, mas faltavam plataformas para os livros, coisa que apareceu com kindle, nook e, depois, iPad, todos os tablets android e, breve, windows 8. e não mais que de repente [do ponto de vista da velha indústria do livro] a coréia anunciou [em julho de 2011] que todos os seus livros didáticos seriam digitalizados até 2015. todos os livros, de todos os conteúdos, para todas as escolas. a partir de 2015, todos os estudantes coreanos vão estudar sem precisar –na verdade, sem poder!- manipular um livro de papel, coisa que provavelmente, a partir daí, jamais farão no resto de suas vidas.

no vídeo abaixo, uma curta entrevista para a fliporto [em novembro de 2010] eu chuto [conscientemente] que o livro será digital em larga escala ainda nesta década e, em de vinte anos, será artigo de museu, de colecionador. claro que é muito arriscado fazer previsões e você diria… "mas nos países desiguais, onde muitas escolas ainda não têm nem eletricidade"?… pois é: como o livro digital é muito [mas muito mesmo] mais barato, quem sabe a gente não economiza uma boa parte do que se gasta com papel exatamente para manter as escolas? em 2012, só o custo dos livros, sem distribuição, passou de R$1 bilhão. quanto conseguiríamos economizar no digital?… sem nem pensar no que mais seria possível fazer com o digital?

o tempo, o texto, o virtual e o livro digital…

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0 Responses to depois de 244 anos, o fim da BRITANNICA em papel

  1. Caramba… parece que foi ontem que vi meu pai abrindo a nova edição da enciclopédia que tinha acabado de chegar. Ele estava todo empolgado e mostrava os livros para meu irmão e pra mim dizendo: “Aqui vocês encontram um pouquinho do conhecimento da humanidade.”
    É incrível perceber como as coisas mudaram. Não foi tão de repente como a indústria do livro acha (e da música também!), mas é impressionante pensar que essa mudança gigante aconteceu em apenas uma geração!

  2. Sony Santos disse:

    O livro digital ser usado em larga escala eu concordo, mas virar peça de museu, não. O mesmo se disse do rádio quando inventaram a TV, entre outros exemplos.

    Há coisas no livro impresso que são únicas, como folheá-lo facilmente para frente e para trás (algo que me pesa na decisão de comprá-lo), correr para uma página e reconhecê-la pelo formato dos parágrafos, a independência de eletricidade, a arte gráfica da capa (tintas espelhadas, altorrelevo, etc.), a textura do papel e o cheiro único, aquele perfume de um livro novo…

    Ainda que a maioria dos livros se tornem digitais, alguns livros vão sempre continuar no papel.

  3. Accacio Fernandes disse:

    Precisaremos ter pelo menos uma versão impressa das publicações futuras. Desta forma teremos um arquivo seguro do ponto de vista do armazenamento e imune a mudanças de tecnologias.

  4. Leocadio A. de Melo disse:

    olá, p4z & b3m!

    entendo q o suporte papel será revalorizado!

    a experiência “livro impresso” aliada à facilidade “livro digital” garantirá acesso às letras e imaginação.

    é por aí…

    []s livres,

    @leoc4dio

  5. Marcos Lima disse:

    Qual o possível padrão que será adotado em massa no futuro? Vamos de pdf mesmo?

  6. Eduardo disse:

    Pelo menos no Brasil, um país onde estatisticamente não se lê, dificilmente alguém rouba um livro, e você pode andar com um sem medo de alguém levá-lo. Mas, para ler um livro digital, necessita-se de um aparelho eletrônico que, além dos problemas que podem apresentar (sempre frustrantes, os problemas de computador), é algo desejável e roubável. Mesmo com a popularização dos celulares, ainda se ouve falar de gente que teve seu celular de R$150,00 furtado. Imagine-se num ônibus, lendo seu livro digital num tablet, com todo mundo vendo. Você tem certeza de chegar de volta à sua casa com ele?

  7. José Eduardo disse:

    Acho que o problema levantado pelo xará é importante mas não impede que a mudança ocorra, mesmo com gente assaltando celular de 150 reais, ninguém deixa de ter um celular por medo de ser assaltado. (mesmo que seja um celular de 150 reais, como o meu)

    Que venham os readers e tablets made in china!

  8. Alex disse:

    Não creio que o cheiro de papel vá ser a tábua de salvação do livro impresso, como citou o Sony. Muito menos a arte da capa. Esse charme, que só ele carrega, não vende o suficiente para manter uma gráfica girando suas bobinas.
    Complicado mesmo, vai ser conter a pirataria, que já afeta indústria do cinema e música.
    Quanto á Britannica, creio que está bem atrasada. O Brasil, que chegou atrasado na info, abriu seu mercado há 20 anos, então imagina lá. Só agora enxergaram que existe a Wikipédia?

  9. wagnerpoabrasil disse:

    Não acredito que seja o fim dos livros. impressos. Há sempre quem prefira imprimir, tatear, sentir o cheiro das folhas. Além disso, a técnologia digital não oferece completa segurança em seus dados. Poucos vão querer arriscar perder todos os seus livros em um ebook;

  10. Christian disse:

    até concordo com o Alex, mas acho que talvez agora as coisas mudam mais depressa no ramo das publicações.
    porque na boa, a Wikipedia é uma merda para pesquisas mais sérias.

  11. Marko disse:

    Lá se vai parte da história, a mais antiga e respeitada obra no mundo, criada em 1768. A Encyclopaedia Britannica Inc, começou no Brasil em 1951, como uma simples importadora do seu material em inglês, mas logo percebeu que vendia mais em terras tupiniquins do que no Canadá. Com isso levou a estruturação da Enciclopédia Britannica do Brasil, para criação de uma obra em português, nasce então a mais famosa e aclamada enciclopédia do país, Barsa, sinônimo de status entre a população culta brasileira, sob a direção de Antônio Callado, sob a supervisão dos editores da encyclopaedia Britannica; vendida também em toda América Latina em espanhol. Assim foi em 1975 com o surgimento da Enciclopédia Mirador Internacional, que fez muito sucesso entre os estudantes, intelectuais e tantas outras obras importantes… A partir de 2000, a holding brasileira passou a integrar o Grupo Planeta, conglomerado de comunicação que ocupa uma posição de liderança na produção de conteúdos para os mercados de língua espanhola e portuguesa. Acredito que dentro em breve o papel se tornará algo obsoleto, mas com certeza deixará saúdades, não só pelo lado lúdico, inspirador e poético, mas por uma bandeira que foi cravada na história do mundo, assim como fez a Encyclopaedia Britannica, que agora adormece em paz.!

  12. Liliana disse:

    A edição virtual é mutável e a qq momento pode-se alterar , ganha-se mas tb perde-se , nada mais será como antes.
    A gente acha isto estranho mas as novas gerações acharão normal.
    Na Enciclopédia escrita, tudo estava sempre a mão independe de internet, luz, tecnologia e em geral o estudante prende-se a um ítem e vai no foco. O folhar a enciclopédia tem toda uma magia inerente ao ato, nós conhecemos e podemos viver todas estas fases. Que geração esta nossa, foi hippie na juventude, moderna na terceira idade, realmente é ela que mudou a juventude e agora vai transformando a terceira idade. Liliana

  13. Sem dúvida alguma, a enciclopédia de papel já caiu em desuso há anos. O que a Britannica faz é apenas se adequar a nova realidade do planeta. Pra falar a verdade, não sei como essa publicação pôde ser impressa até 2010… Não vejo mais espaço pra isso!

  14. Zé Funha disse:

    Hahaha! Esse é apenas mais um modismo. Assim como a Internet isso não vai pegar. Essa coisa de Internet e tablet é moda por que aparecem nas novelas da Rede GLobo. Assim que acabar a novela ninguém vai querer saber mais disso.

  15. ELIANA TORRES disse:

    Imaginem, eu herdei do meu pai a coleção com certificado e tudo comprada no dia 17 de maio de 1954, comprador 2140. Há fotos lindíssimas. Mas considero que atualmente ela realmente perdeu seu sentido já que a dinâmica de pesquisa pela internet é muito mais ágil com maior diversidade de conteúdo. Eu, entretanto, ainda adoro sentar em uma biblioteca e ter muitos livros abertos, fazer várias leituras sobe o mesmo assunto.

  16. Ricardo Pereira disse:

    Não acredito que o livro irá deixar de existir, apenas irá mudar de público. É inegável que o livro como instrumento didático para a população de forma geral já não tenha sentido. O ganho em escala do meio digital é absurdo. O custo da impressão destes livros é inviável no mercado atual. Agora que sempre haverá mercado para os apreciadores de uma boa leitura 3D isto sempre haverá.

  17. Adilson Proc disse:

    A leitura sempre existiu e sempre existirá, o que pode e continua mudando é a forma ou a “mídia” de leitura! O livro ainda continuará existindo, pois existem os saudosos e sempre existirão, pq a experiência de ter e ler um livro é totalmente diferente de se ter e ler em um tablet ou qualquer meio digital. Mesmo em escala mínima, ainda será possível se ter livros, talvez com preços maiores ou não, talvez e somente para colecionadores ou não. É possível ser extinto? É, mas quando? Não sabemos! Mas a experiências de se ter os dois meios de leitura, por enquanto ainda vivem em relativa harmonia.

  18. Orf disse:

    mestre silvio,

    li aqui antes mas fui ler na folha o seu artigo e vi pequeno detalhe,minimo até, mas que de tão repetido brasil afora vai ficando cansativo de ver:
    ‘Gutemberg.’; regrinha basica lembrar que em alemão não se tem a obrigatoriedade de colocar m antes do b, assim o correto é gutenberg. deve ter sido o revisor automatico ligado no portugues.

    e sobre o assunto: nos estados unidos existe um revival de gente aprendendo a fazer papel, imprimir e criar pequenas tiragens de livros, coisa de 200-300 exemplares, muitas vezes para presentear etc.
    daí imagino que esse modismo vai chegar aqui depois.
    hoje eu mesmo com a facilidade de ler no kindle e ipad(com os indispensaveis: conta na amazon – muitas vezes para ler samples, quando o $ tá curto – istant paper, read it later, kindle it e símiles) continuo comprando muito livro em papel, mais até que antes, principalmente por poder ler antes as samples nos digitais e ver se realmente me interessam.
    outra coisa: desde 95-96, quando morava no interior e viajava semanalmemte aa capital que sonhava com um aparelho que imaginava minimo, uma ‘prancheta’ que lesse pdf, para me poupar de imprimir centenas de folhas das coisas que salvava para ler durante a semana sem conexão. seria uma coisa assim tão dificil? apenas uma coisa para ler pdfs? por não ser da area não concebia como não inventavam algo que julgava tão simples.
    eita, releve aí o comentario imenso, é que o matuto se empolgou, aliás coisa que sempre ocorre quando leio bons artigos seus e note que consegui lhe imitar: não usei nem uma maisculosa, para chatear os eternos reclamões das minusculosas,

  19. Eduardo Moraes disse:

    Silvio, te parabenizo mais um post muito bem escrito e atual. Na minha adolescência esta enciclopédia foi uma grande fonte de conhecimento e creio que as futuras gerações não saberão o real valor da mesma. Ou entrar uma biblioteca e passar um bom tempo procurando o seu livro desejado e se debruçar nele durante horas para encontrar o que busca. Como será o futuro das bibliotecas e como associar este ente à evolução digital ?
    O ministro Aluízio Mercadante está prometendo entregar um tablet a todos os professores do ensino fundamental e está iniciando seu uso para estudantes de ensino médio de determinadas cidades do Brasil.

    Essa será uma mudança (livros impressos/digitais) que não tem mais volta, o que afetará com certeza o processo de ensino/aprendizagem e será que os mestres estão preparados para este novo tempo?

  20. bernardo disse:

    Que maravilha começar a ler um texto sobre o fim das enciclopédias em papel e terminar com a mágica da linguagem de clarice lispector.