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Escrito por • 21/03/2012

e a universidade, já era?

Paul graham está no negócio de financiar novos negócios inovadores de crescimento empreendedor há muito tempo, é "o" cara do Y combinator, um dos aceleradores de empresas mais famosos e mais bem sucedidos do mundo. graham vê milhares propostas de começar negócios inovadores por ano. e tem coisas que ele não vê de jeito nenhum. resultado? uma lista de negócios bilionários esperando quem faça, agora. o blog tratou o primeiro e segundo itens da lista, ["a próxima máquina de busca" e "o substituto do emeio"] e este post é sobre o terceiro, que lá no texto de graham tem o simples e objetivo título "substituir as universidades". como assim?

graham diz que as universidades não irão desaparecer de vez ou como um todo [como o livro de papel], mas já há –e haverá, cada vez mais- formas mais baratas e efetivas de gerar e adquirir conhecimento, o que ameaça o monopólio das universidades que poderíamos chamar de clássicas. é bom dizer que o modelo de universidade que conhecemos existe há quase um milênio em seu formato atual e boa parte de sua essência vem de mais de dois séculos, da academia de platão [fundada ali por 387AC]. não que a maioria dos professores e alunos de hoje sejam pares para o próprio platão e aristóteles, mas nem à época da academia era esse o caso.

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em 1993, com mais de dois milênios de evolução da academia e antes da internet aparecer, peter drucker observava que

That knowledge has become the resource, rather than a resource, is what makes our society “post-capitalist".

…conhecimento ter se tornado "o" recurso, ao invés de "um" recurso era o que tornava nossa sociedade "pós-capitalista". em março de 1997, drucker dizia que…

It took more than 200 years (1440 to the late 1600s) for the printed book to create the modern school. It won't take nearly that long for the big change.

Already we are beginning to deliver more lectures and classes off campus via satellite or two-way video at a fraction of the cost. The college won't survive as a residential institution. Today's buildings are hopelessly unsuited and totally unneeded.

High school graduates should work for at least five years before going on to college,… Then it will be more than a prolongation of adolescence.

I never predict. I just look out the window and see what's visible—but not yet seen...

resumo disso? a escola e universidade atuais foram criadas pelo livro, em 200 anos; mas levará muito menos do que isso para que TICs a desmontem. a universidade não vai sobreviver como instituição residencial [o que é muito comum nos EUA e UK], seus prédios são impróprios e desnecessários. e os formandos do ensino médio deveriam trabalhar pelo menos 5 anos antes de fazer a universidade e que… estas não são previsões… ele [drucker] só olha lá fora e vê o que é visível, mas ainda não visto [por todos].

noutra declaração à forbes, em junho de 1997, aquele que é considerado o maior pensador do mundo dos negócios sela a sorte das universidades:

"Universities won't survive. The future is outside the traditional campus, outside the traditional classroom. Distance learning is coming on fast."

as universidades não vão sobreviver: o futuro é fora do campus e e da sala de aula tradicionais. a educação à distância é o futuro. e olha que isso era 1997, a internet era um bebê, google só iria aparecer daí a um ano e o iphone em outros 10.

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de lá pra cá, o mundo mudou. mas a universidade, instituição conservadora [no mundo, não só aqui] sempre leva muito mais tempo para ser afetada por qualquer mudança, como se fosse atemporal. quer ver? os professores [aqui] são contratados para dar aula [não há concurso para pesquisador, mas para professor…] mas todos os incentivos da carreira são para fazer pesquisa ou, como diriam alguns, antes fossem, são mesmo é para publicar. resultado? o brasil progride célere no número de artigos publicados, sem que se note um impacto desta performance na economia.

nas universidades estatais, onde estão a maioria dos centros de excelência, as regras de trabalho são baseadas em tempo de dedicação [sintaxe…] e não em contribuição efetiva à instituição [semântica] e levam os professores a cumprir regimes que os separam da economia e sociedade. resultado? os engenheiros têm professores que nunca construíram um prédio, há muitos professores de programação que nunca fizeram um programa de porte e de administração que não fazem a menor ideia do que é rodar um carrinho de pipoca. e isso não ocorre por culpa dos professores, mas de um sistema arcaico que precisa ser mudado o mais rápido possível. estivesse no brasil, é provável que mudar a universidade não seria o terceiro item da lista de graham, mas o primeiro.

um dos exemplos mais marcantes do status da inovação organizacional, de meios e métodos na universidade [e na escola em geral, e no mundo todo] é achar que a khan academy é revolucionária. não conhece? trata-se de uma coleção de vídeos, no youTube e com voz em off, explicando conceitos em um "quadro negro", com "giz colorido"… lembra disso? vá ver… pra crer.

como druker –há década e meia- e muita gente, hoje, graham diz que a universidade como conhecemos já era. até aí, nada de novo. o problema é… o que vai substituí-la? na era do conhecimento, o que importa –nada mais óbvio- é informação e conhecimento sobre pessoas, coisas e instituições [e animais, plantas, ambiente… tudo].

vamos viver nos fluxos de informação entre estas entidades e teremos que estudá-las, entendê-las, gerar e disseminar conhecimento sobre o mundo e continuar fazendo isso por muito tempo e de forma sustentada. se não é na universidade [que no brasil chegou bem atrasada e que, para muitos e em muitos lugares, ainda não chegou], onde é?… o que é?…

grafico

o blog perguntou ao professor josé palazzo oliveira, titular do instituto de informática da UFRGS, o seguinte: qual a possibilidade deste substituto das universidades vir do brasil, de três pontos de vista: 1. científico, 2. técnico e 3. de empreendedorismo e investimento? e palazzo responde:

As Universidades vão desaparecer? A pergunta parece revolucionária ou anarquista, mas realmente não é. Uma coisa que tem me preocupado ultimamente é o papel da Universidade na sociedade. Será que é preciso mudar ou substituir a Universidade no Brasil? Eu acredito que em alguns aspectos sim. Minha visão de Universidade é completamente diferente do utilitarismo atual. A Universidade (olhem o pronome “A”) deveria ser um lugar onde houvesse conhecimento Universal, mas atualmente nem conhecimento de boa qualidade existe: uma aluna de Letras achava que Vitor Hugo era o nome de uma bolsa, e depois de uma palestra do Pedro Bial sobre desvios de personalidade um ouvinte perguntou “mas quem era mesmo este Napoleão?”. Que horror!

A visão utilitarista é que a Universidade deve formar mão de obra para o mercado e não conhecimento. A ideia que a Universidade tenha um reconhecimento por ser Universidade é uma mentira, o pior é a visão geral que alguém vai obter sucesso por ter um canudo comprado a baixo preço. O canudo é a forma bacharelesca de aceitar uma credencial inata à Universidade. Então acho que as Universidades que não sejam centros de pensamento, cultura, contestação devem desaparecer. Mas a solução não é fácil.

Vejamos o assunto por três pontos de vista: i) científico, ii) técnico e iii) empreendedorismo e investimento.

Do lado científico não acredito nesta possibilidade em curto prazo, pois não vejo disposição dos empresários brasileiros assumirem a real pesquisa. Aqui não vejo nenhuma IBM com vários prêmios Nobel (Harry Markowitz, J. Georg Bednorz e K. Alex Müller, Gerd K. Binnig e Heinrich Rohrer, Leo Esaki). Aqui temos empresários que ganharam minas de ferro do pai e ficam famosos. Há alternativa científica para substituir as Universidades? Não enquanto não tivermos empresas do porte e com a mentalidade de competidores mundiais em conhecimento, não em tonelagem de minério ou de grãos vendida! Precisamos de 20.000 toneladas de soja para comprar uma tonelada de chips! Deixem as Universidades pensarem e serem criativas ou, então, mudem as empresas brasileiras.

A coisa muda de figura no segundo item: o técnico. O famoso utilitarismo quer que as Universidades produzam mão de obra, tecnologias prontas e produtos. Este não é o perfil das Universidades. Agora a mudança está sendo feita com os Institutos Federais de Ciência e Tecnologia com uma visão orientada para a tecnologia. Outra mudança que está sendo feita são as aventuras como o Porto Digital em Recife. Se uma Universidade vai tentar fazer produtos deixa de ser uma Universidade e se torna em um polo tecnológico incompetente. Os critérios de seleção de quem vai trabalhar são diferentes para cada caso.

No terceiro ponto é que deve rolar uma mudança radical. A Universidade deve incentivar seus alunos a serem inovadores. É preciso que criem conhecimento fora da Universidade e que este conhecimento possa ser reconhecido e formalizado na Universidade. Ações como o “Y Combinator” oferecendo pequenos valores para inúmeras startups é uma saída. Mas é preciso saber como reconhecer as competências adquiridas, só ter ganho dinheiro não é a métrica adequada para avaliar a inovação. Na Europa estão tentando dar pontos por atividades extra-universidade, mas a fraude nos relatos dos alunos é enorme.

Minha conclusão é: aceitemos que o Brasil terá apenas umas poucas Universidades Acadêmicas de qualidade, desistamos de Universidades (?) que concedem diplomas a R$ 99,99 por mês e tenhamos coragem em aceitar que diploma não serve para nada, talvez para por na parede. O que vale é a Competência Acadêmica com a produção associada para uns, as aptidões empresariais e inovadoras para outros, a capacidade de desenvolver produtos de alta tecnologia para outros mais.

O mais difícil será aceitar que cada uma destas linhas tem o mesmo valor e descobrir maneiras de avaliar e certificar os conhecimentos e competências adquiridos na Universidade e fora dela.

O modelo velho está morto mas o novo ainda não nasceu!

isso mesmo, este é o chamado de graham: cadê a nova universidade? será recriada pelo estado, como bem público? e há condições e meios para tal? senão, é ou será um mercado multibilionário, com um negócio que você vai criar bem no centro dele?… pense. e, talvez, faça!

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[PS: as tirinhas do texto, e muitas outras de rodrigo chaves e cláudio patto, estão no link contratempos modernos. vá ver.]

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0 Responses to e a universidade, já era?

  1. Marcus disse:

    Arautos do apocalipse… Esse texto lembrou-me das Super-interessantes dos anos 80/90.

  2. A academia ou universidade não é uma instituição necessariamente falida. Ela está mal como está hoje em boa parte por culpa da deformação criada por “incentivos governamentais” como bolsas, faculdades públicas, etc, que elevam os custos e fazem pesquisas serem feitas em coisas que não são prioridades e pesquisas boas que ainda assim são feitas não serem tão boas quanto poderiam ser em um livre mercado.

    http://www.youtube.com/watch?v=yTHQDeiDaJI é um vídeo que eu traduzi falando sobre a educação norte-americana, mas que com adaptações no que falei acima poderia falar sobre a educação superior brasileira.

    Eu no momento não tenho diploma (matrícula trancada) e me sinto aprendendo 100x mais sozinho do que se estivesse matriculado estudando de acordo com uma “cartilha escolar”. Como já consegui provar que não vou passar fome, estou preferindo o “alto risco” (na cabeça de alguns) de não ter um papel dizendo que sei algo e ao invés disso estudar realmente o que me interessa, fazer networking, ir para conferências excelentes quando bem entender (e o dinheiro permitir), etc.

  3. Marcos Cardoso disse:

    Há tempos que precisamos mudar o paradigma da educação. Como um professor de Empreendedorismo pode apenas se basear nos Dornelas da vida? (com todo respeito ao autor, muito bom por sinal).

    Como um gerente de projetos pode simplesmente repassar o que há no PMBOK?

    Sou professor de uma Universidade pública e tenho essa mesma sensação: a máquina está engessada. E a grande maioria dos contribuem com esse paradigma.

    É precisar revirar a educação de cabeça pra baixo. Bottom-up mesmo. A relação aluno-aluno deve ser intensificada. A mera repetição de livros deve ser descartada com urgência!

    A seleção de professores DEVERIA seguir essa ordem em suas avaliações:
    1) Experiência Profissional
    2) Prova didática
    3) Prova de títulos

    Ficar na Universidade (graduação-mestrado-doutorado-ensino) e permanecer nela é cômodo demais. Prejudica a saúde dos alunos e contribui com o engessamento comentado lá em cima.

    A tecnologia está aí para mudar paradigmas. Não para transpor o que acontece exatamente nas salas presenciais. Há 200 anos.

    Let’s think and do it!

  4. Elaine disse:

    Perfeito esse artigo, aliás toda a série que envolve os assuntos “Novos negócios inovadores”

  5. George disse:

    Conhecimento teórico aliado à prática é fundamental.De que adianta encher a cabeça de informação inútil que logo em seguida esqueceremos? As universidades lucram com algo que antes da internet pretendiam ter a primazia.Contudo, a transmissão de informações via meio eletrônico somente reduzirá a necessidade de infraestrutura física e de educadores sem mudar fundamentalmente o modelo “enche-linguiça” já conhecido. Observação:Convem primar pela nossa língua falada e escrita, pois corremos o risco de cair na “novilíngua” citada por Orwell em pensamentos sequer eram possíveis por não existir palavra para designá-lo.

  6. Volnei Meller disse:

    Esta “estória” do fim da história só tem mostrado o limite reduzido destas proposições teóricas de simplificação de tudo, por conta de uma realidade virtual. A “realidade virtual” em que se baseia o presuposto da questão de superação da Universidade tem uma limitação: a realidade cotidiana do dia a dia em que aquilo que é substantivo se faz necessário e os problemas precisam ser encarados e resolvidos. Neste momento as ideologias são instrumentos inuteis. A atual crise econômica é um destes momentos reais e, neste momento é o famigerado e desprestigiado estado é o instrumento eficaz para superação do problema. Com as Universidades não será diferente.

  7. Silvio, essa é uma questão que me chama atenção faz algum tempo. O que você acha sobre isso na prática? O que pode ser feito desde já para começar a substituir a universidade ou pelo menos a exigência da formação superior “clássica”? Qual seria o primeiro passo? Por onde começar?

  8. aluizio disse:

    gostei, aluizio

  9. Olá! Caros Comentaristas! E, Silvio Meira!
    Interessante o TEMA!
    Acredito que investir em EDUCAÇÃO nas primeiras séries até o nível médio, englobando noções de filosofia, política, psicologia e ciências sociais. Ainda, um forte incremento em pesquisa desde o jardim da infância. Desenvolver atitudes instigantes, criativas, inventivas. Novo formato CURRICULAR. Refiro-me aos ciclos até o nível MÉDIO. Essa me parece a grande sacada. O que chamarei de balcão de negócios educacionais ou forte acervo de estudos REPETITIVOS – SEM qualquer criatividade – ou – RELAÇÃO com nossas necessidades são atributos atuais, INFELIZMENTE, desenvolvidos nas faculdades e universidades. Não há estudo de PONTA. Há estudo por repetição do já conhecido. Pouca é a literatura brasileira disponível, DE PONTA! Há muita CÓPIA sem aprofundamento. Isso gera seres PSEUDO-CULTOS e zerados em inventividade. Nosso atraso escolar na grande população estudantil é de cinqüenta anos. Maneiras de pensar o daqui a pouco. FALTA ATREVIMENTO INTELECTUAL DE CONTESTAÇÃO! Todos muito conformados e repetitivos. Isso não constrói oportunidades e não aprecia possibilidades.
    O que há são PONTUAIS instituições privadas e públicas com grande vocação para a EDUCAÇÃO e para o incentivo à PESQUISA. Lamentavelmente, o grosso é BALCÃO de papel.
    Essa degradação é geral. Digo planetária. Atribuo essa degradação ao desleixo com que são tratados os estudantes desde o jardim de infância. Precisamos melhorar isso! Ensino integrado com práticas desde os 06 (seis) anos até o final do ensino médio. Com consistência e praticidade. Conseguido isso, o EAD, Ensino não presencial universitário poderá se transformar em Maior representante percentual dos estudantes. Os que escolherem a carreira NÃO acadêmica, poderão ofertar mais produtividade ao meio social e se integrarão melhor. Os demais optantes pela idéia de academia, seguirão seus estudos PRESENCIAIS.
    Não haverá nesses termos nenhum prejuízo ao grupo não presencial, pois, poderá migrar ao presencial sempre que quiser e com qualidade competitiva atualizada. E os presenciais vão enveredar pela pesquisa e aprofundamento em estudos e pesquisas científicas mais acuradas.
    Afinal, nem todos desejam TITULAÇÃO universitária. Entretanto, um ensino aprendizagem integrado de qualidade desde o jardim de infância sinalizará o ambiente universitário aos que desejarem e com margem segura de conquista. Onde o papel, diploma será nesse contexto segundo plano.
    Atualmente a coisa tá, INVERTIDA!
    OPINIÃO de cidadão comum!

  10. Fabio Almeida disse:

    Olha concordo plenamente com o que foi dito,haja visto que:posso não possuir diploma universitário,porém sou dono do meu próprio negócio,pois atualmente eu administro uma produtora de eventos junto com 4 amigos,comercializo jóias de prata e ouro e comercializo chocolate junto com uma outra sócia e ainda trabalho em um call-center no setor de controladoria e fraude,isso tudo com o ensino médio completo.
    Meu primo formado em matemática na UFRJ dá aula em 3 colégios diferentes e mais um cursinho pré-vestibular aos sábados….ou seja,ele trabalha cerca de 12 à 14 horas por dia se levármos em consideração o tempo perdido no deslocamento do trajeto casa – trabalho – casa.

    Enquanto eu trabalho também cerca de 12 à 14 horas por dia sendo que o meu rendimento financeiro é muito maior do que ele,eu consigo administrar um negócio próprio sem a necessidade de contratar algum matemático,administrador ou coisa parecida e consigo ter um rendimento maior do que o dele no fim do mês,isso tendo somente o ensino médio completo e apenas um curso técnico de marketing.

    E um outro porém,entendo muito mais de conhecimentos gerais e História do que ele pois sou um leitor assíduo e adoro devorar um bom livro que me dê conhecimento…

    conclusão A UNIVERSIDADE até lhe dá um diploma,porém não lhe garante conhecimento de forma geral e completa,ou seja conhecimento só adiquiri se o ser humano realmente quiser busca-lo independente de grau de escolaridade…

  11. Excelente reflexão sobre a relação entre a instituição universidade, pessoas, sociedade e empresas. Parabéns Silvio Meira pela brilhante contribuição à reflexão. COm certeza vai acelerar o desmonte!

  12. Alexandre disse:

    Porque “já era” quando é mais fácil à Universidade adicionar do que substituir? Visão limitada e de “mercado”, essa, mais apropriada a perguntar “Sapato plataforma, já era?”

    Aém disso, achei estranho a UFRGS chamar o Bial para falar de transtorno de personalidade. Não é à toa que os alunos estão confundindo os Victors. Só espero que o Faustão não dê palestra sobre políticas públicas.

  13. Felipe disse:

    “Porque “já era” quando é mais fácil à Universidade adicionar do que substituir?”: Pode até ser, mas, pelo menos no Brasil, em geral, as Universidades consideradas “de ponta” são instituições públicas. E tudo que envolve governo, novamente, pelo menos no Brasil, tem uma dificuldade inerente independente do problema.

  14. Felipe disse:

    Pode até ser mais fácil, mas, pelo menos no Brasil, em geral, as Universidades consideradas “de ponta” são instituições públicas. E tudo que envolve governo, novamente, pelo menos no Brasil, tem uma dificuldade inerente independente do problema.

  15. DE 1970 a 2010, quando me aposentei ao completar 70 anos como Professor Adjunto IV na UFBA, tempo parcial com joranada de 20 horas, exercendo paralelamente uma vida profissional intensa como consultor em Educação, Geologia, MIneração, Petróleo, Gás e Energia, procurei inovar, introduzindo, nos dez últimos anos da atividade acadêmica o ” Blending learning”, associando aulas teóricas com recursos audio-visuais, e práticas no recinto acadêmico com aulas práticas de campo bi-semanais, com a aprendizagem colaborativa assincrona através de Grupo na inyternet, criado a cada semestre com a participação de todos alunos das várias turmas que lecionava em cada semestre na qual podiam questionar, trocar informações. sobre todo e qualquer tema do curso, de qualquer natureza, tendo como referencia CD distribuido no primeiro dia de aula contendo 52 Diret´rosio, um para cada tema, nos quais alguns a dezenas de arquivos abordavam o tema, incluindo matérias divulgadas em josrnais, revistas técnicas e centíficas, noticiários atualizados de TV abordando problemas concretas enfrentados no dia a diua pela sociedade decorrentes do não uso adequado do conhecimento a respeito do tema, e masi de uma centena de clips atuais que incluiam, desde engenhosas criações computadorizadas, a documentários que permitissem visualizar de forma prática a fenomenologia objeto d aprendizagem e a aplicação do conhecimento para as atividades, projetos e obras de engenharia.
    UMa sínteza dos alunos sobre esta formatação do curso:
    Já cursei este disciplina e fui reprovado pois não encontrava nada qque me motivasse aprender para meu futuro exercício profissional. Agoraa, com este processo de aprendizagem parece que estou vivendo em poutro planeta, extremamente motivado para aprender o que realmente tem conexão com meu futuro exercício profissional.
    “Seria ótimo se os demais professores adotassem esta metodologia”, teríamos mais motivação e melhor aprendizagem, mais atualizada e menos anacrônica”
    Os alunos em equipe de 4 deviam apresentar seminários sobre temas selecionados, pesquisando o material disponizado no CD do curso ( cerca de 40.000 páginas de textos atualizados até as vespéra do início do curso) e pesquisas através da Internet. Ao final do curso so alunos faziam, individualmente uma avaliação do mesmo, da sua aprendizagem e do desempenho do professor, cuja observações e críticas sempre as utilizei para aprimorar o curso.
    O modelo acadêmico de Universidade está ultrapassado pela Infovia. pela aprendizagm colaborativa assíncrona via internet, expontânea, açeatória, ou dirigida, sistemática, metodológica via EAD. Petriba

  16. 15 – DE 1970 a 2010, quando me aposentei ao completar 70 anos como Professor Adjunto IV na UFBA, tempo parcial com joranada de 20 horas, exercendo paralelamente uma vida profissional intensa como consultor em Educação, Geologia, MIneração, Petróleo, Gás e Energia, procurei inovar, introduzindo, nos dez últimos anos da atividade acadêmica o ” Blending learning”, associando aulas teóricas com recursos audio-visuais, e práticas no recinto acadêmico com aulas práticas de campo quinzenais , com a aprendizagem colaborativa assíncrona através de Grupo na internet, criado a cada semestre com a participação de todos alunos das várias turmas que lecionava em cada semestre na qual podiam questionar, trocar informações. sobre todo e qualquer tema do curso, de qualquer natureza, tendo como referencia CD distribuido no primeiro dia de aula contendo 52 Diretórios, um para cada tema, nos quais alguns a dezenas de arquivos abordavam o tema, incluindo matérias divulgadas em jornais, revistas técnicas e centíficas, noticiários atualizados de TV abordando problemas concretos enfrentados no dia a dia pela sociedade, decorrentes do não uso adequado do conhecimento a respeito do tema, e mais de uma centena de clips atuais que incluiam, desde engenhosas criações computadorizadas, a documentários que permitissem visualizar de forma prática a fenomenologia objeto d aprendizagem e a aplicação do conhecimento para as atividades, projetos e obras de engenharia.
    Uma síntese dos alunos sobre esta formatação do curso:
    Já cursei esta disciplina com outro professor, e fui reprovado, pois não encontrava nada que me motivasse aprender para meu futuro exercício profissional. Agora, com este processo de aprendizagem parece que estou vivendo em outro planeta, extremamente motivado para aprender o que realmente tem conexão com meu futuro exercício profissional,
    “Seria ótimo se os demais professores adotassem esta metodologia”, teríamos mais motivação e melhor aprendizagem, mais atualizada e menos anacrônica”
    Os alunos em equipe de 4 deviam apresentar seminários sobre temas selecionados, pesquisando o material disponizado no CD do curso ( cerca de 40.000 páginas de textos atualizados até as vespéra do início do curso) e pesquisas através da Internet. Ao final do curso os alunos faziam, individualmente uma avaliação do mesmo, da sua aprendizagem e do desempenho do professor, cuja observações e críticas sempre as utilizei para aprimorar o curso.
    O modelo acadêmico de Universidade está ultrapassado pela Infovia, pela aprendizagem colaborativa assíncrona via internet, expontânea, aleatória, ou dirigida, sistemática, metodológica via EAD. Petriba

  17. Laís Xavier disse:

    Polêmico, provocativo e extremamente coerente. Excelente texto Sílvio e a entrevista foi interessantíssima.

  18. Celso disse:

    Muito interessante o artigo! Venho batalhando pela educação empreendedora há um bom tempo.

    Sou de São Carlos/SP, uma cidade que se “orgulha” de ter o maior número de doutores por habitante. Também sou professor há catorze anos.

    Creio que não apenas as universidades têm um modelo de educação falido, mas as escolas, também. O foco das escolas, hoje, é apenas vestibular. Para ir para uma faculdade onde você verá teorias e professores que não possuem vivência prática na área, que irão te incentivar a fazer pesquisa para ficar vivendo às custas do governo. Por que não ensinar empreendedorismo?

    Tenho dois projetos de educação empreendedora para escolas de ensino médio. Procurei as cinco maiores escolas particulares aqui da cidade e nehuyma teve interesse, pois falavam que o foco era o vestibular e esse tipo de matéria iria desviar os alunos do caminho que os pais haviam traçado para os filhos.

    Fica a sugestão do meu blog: http://www.celsofdf.wordpress.com
    Lá eu tenho vários artigos sobre educação empreendedora.

    Mudanças na educação já!

  19. Diego Andres Salcedo disse:

    O debate é rico, em certa medida urgente, e algumas colocações são pertinentes e válidas. Mas, prefiro a cautela que me permite um olhar ético e respeitoso do e sobre o problema, do que externar imatura ou irresponsavelmente léxicos simbólicos sem sentido algum. Uma tendência, pautada em análises de fatos (fenômenos, ocorrências) pretéritos, não garante a certeza de ocorrência de um fato futuro. Apenas indica um certa grau probabilístico de ocorrência, uma aproximação, mas jamais a certeza última e definitiva. E isso ganha um nível de complexificação quando a tendência analisada diz respeito ao homem, sua sobrevivência enquanto partícipe de relações sociais e as múltiplas e distintas instituições por ele criadas, recriadas e, por vezes, destruídas. Falo do homem que é educado, guiado ao labor remunerado, de visão de mundo, mas, também, da Escola, da Universidade, do valor simbólico de um papel (dinheiro ou diploma), da identidade adquirida e reelaborada, da escolha feita diante de valores internos e externos. Falo, também, de uma certa ética, utilizada de forma superficial para o lucro individual e para uma visibilidade global. O debate é urgente? Acredito que, em certa medida, sim. Mas, quem tem interesse em mudar aquilo que dura um milênio ou mais? De onde fala, de que espaço-tempo, de qual posição social vem a visão de que a mudança é, não apenas necessária, mas certa? A minha cautela em ver um problema e pensar a sua solução, antes passa pela minha ética e autonomia de escolher ver um problema. O que vejo é um pequeníssimo grupo de pessoas, na qual, alguns poucos defendem visões e ações de e sobre algo que nem conseguiram ver, ainda. O que vejo são “cegos vendo” (Saramago). Não concordo quando um professor fala de e sobre alunoS ou um aluno de e sobre professoreS, ou um leitor de e sobre livroS ou um desenvolvedor de e sobre softwareS de empresaS de TI. Toda generalização (por isso o S em maiúsculo) acarreta, necessariamente, uma falácia. Pergunto: como nós, em Recife, nesta realidade, seja ela real real ou real virtual podemos ver, pensar e agir para que a realidade possível seja modificada de forma que admita a participação positiva de todas as pessoas envolvidas? Como proceder diante de problemas que mal conseguimos delimitá-los em espaços conflituosos tangíveis, merecedores de nosso tempo de vida, se é que “tempo de vida” é algo que pode ser dito objetivamente? Por fim, de certo, nem Sílvio nem os demais, alguns colegas conhecidos, têm uma, a resposta. Talvez sejam várias. Mudar o homem, sua visão de mundo, ou as instituições e normas por ele criadas não é uma ação que advém das letras, mas, unicamente das ações. Me chamo Diego Salcedo, toco bateria a 20 anos, surfei o mesmo tempo, trabalhei desde os 17 anos de idade, escrevi dois livros (o terceiro está a caminho), meu emprego é ser professor na UFPE e sozinho não tenho com mudar tudo isso, mas, estou certo de que com cada pessoa que eu tenho algum tipo de relação intelectual ou afetiva, algo muda em mim e nessa pessoa. Mudar universidades, sistemas educacionais, valores morais, visões de mundo? Antes, todos nós temos que ser humildes e aprender a ver. Antes, temos que ter a consciência de que toda escolha acarreta, necessariamente uma ou mais consequências. Estamos prontos? O debate está na pauta e as ações? É isso.

  20. Romano disse:

    Negócio de trilhão (de dólares!) nos EUA. Está todo mundo enrolado com os empréstimos para educação por lá.

    “The Burden of Student Loans”
    March 22, 2012, 12:31 PM
    http://blogs.wsj.com/juggle/2012/03/22/the-burden-of-student-loans/

  21. Romano disse:

    Desculpem a falha. O artigo que queria “postar” é o abaixo embora o anterior trate do mesmo assunto:

    “Student-Loan Debt Tops $1 Trillion”
    By JOSH MITCHELL and MAYA JACKSON-RANDALL
    Updated March 22, 2012, 12:46 p.m. ET
    http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303812904577295930047604846.html?KEYWORDS=student+loans

  22. maria ap. disse:

    Quando assisto á entrevistas dadas por voce fico encantada com a maneira que expressas as idéias, quem dera tivessemos outros iguais a ti.Comecei a ler seus artigos recentemente e gosto muito, obrigada!

  23. Sandra Mariano disse:

    No contexto das transformações da Universidade não há dúvida que a educação a distância exerce papel central. Por todos os cantos das instituições de ensino brasileiras, especialmente as públicas, enfrentam-se conservadores e progressistas. Os primeiros investem suas energias na tentativa de frear as mudanças que decorrem da ubiquidade do uso das tecnologias de informação e comunicação na sociedade. A internet tornou-se uma infraestrutura, a digitalização do conhecimento é um fato e mais recentemente se discute, de forma estruturada, e o compartilhamento aberto dos conhecimentos. Vale a pena uma visita ao site da UNESCO http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/access-to-knowledge/open-educational-resources/.

  24. Lucas Vaz disse:

    Parabéns pelo post.
    Sou estudante da UFSJ e percebo muitas mudanças aqui na instituição. A tecnologia vem para somar com todas as outras mudanças que temos visto.
    Espero que em pouco tempo tenhamos ainda mais melhorias e formas de avaliar essas transformações.

  25. sergio disse:

    Acho que você está falando isso por que ainda não viu o site http://www.tvdigitalnopc.com.br

  26. Gelvison Macedo disse:

    Realmente o texto é interessante, entretanto vale lembrar que muitas coisas já vem sendo realizadas para mudar a realidade de nossas instituições de ensino. Acredito que a mudança já está chegando e vai cada vez mais envolver as instituições, basta olharmos para a Universidade Federal da Bahia, com o sucesso dos Bacharelados Interdisciplinares, mostrando a todos como se faz uma Universidade Nova. Igualmente a Universidade Federal do ABC que desde sua criação adotou um modelo diferenciado de formar cidadãos. Hoje, mais de 18 Universidades Federais já implantaram cursos de Bacharelados Interdisciplinares e outras estão com projetos para implantação, demonstrando que é possível inovar e atualizar nossas Instituições de modo a atender as atuais exigências da contemporaneidade.

  27. Yasmin disse:

    Por um acaso, o srº sabe o que são os Bacharelados Interdisciplinares e o IHAC?

  28. Daiane disse:

    Pode ser em um futuro bem distante? Acho essa história de EAD “uma furada” sem o auxilio de debates presenciais, seminários, trabalhos em grupo e coisa e tal. Se as pessoas já estão falsificando as coisas presencialmente imagina online.

  29. Olá! Caros Comentaristas! E, Sílvio Meira!
    Olá! Cara comentarista Daiane, como vai. Seu comentário é positivo, entretanto, a realidade é diferente. Vejamos: Teses são piratamente copiadas e coladas nos cursos PRESENCIAIS. Sua leitura sobre EAD não corresponde aos fatos. Note: No EAD o cidadão/cidadã é obrigado a fazer a PROVA escrita e dizer sobre o assunto. Há questões de fazer o “X”. Entretanto, tanto a prova escrita como a prova do “X”, são elaboradas e monitoradas, não há como fraudar. Exceto, se a faculdade ou a Universidade estiver CONIVENTE com esse ATO. Aí, estaremos diante de um CRIME.
    As faculdades e universidades RESPEITÁVEIS não se permitem essa irresponsabilidade, pois esta em jogo, seu PATRIMÔNIO, os alunos e sua credibilidade.
    Se fizermos uma pesquisa de MERCADO universitário, os que praticam o CRIME da cópia e cola encontram-se nos cursos PRESENCIAIS.
    Óbvio que desvios podem ocorrer em todos os casos. Porém, nas entidades sérias, podemos dizer que é quase IMPOSSÍVEL, tal ocorrência, nos casos de EAD.
    E quando ocorrem, são entidades DEVEDORAS das formalidades existentes no EAD. Faça uma pesquisa. Até será, positiva! OPINIÃO!

  30. Romano disse:

    Em “A Tecnologia não nos salvará (por enquanto)”, excelente artigo do economista Gustavo Ioschpe, publicado recentemente em revista de grande circulação nacional, cita-se o seguinte texto (que eu desconhecia), de outro empresário, e compartilho com todos, como abaixo:

    “Eu acreditava que a tecnologia podia salvar a educação. Mas tive de chegar à inevitável conclusão de que esse não é um problema que a tecnologia possa ter a esperança de resolver. O que há de errado com a educação não pode ser solucionado com tecnologia”. Assinado…
    Steve Jobs.

    Alguém duvida? Então vamos continuar refletindo…