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Escrito por • 22/11/2010

educação: distância afeta qualidade e resultado?

semana passada rolou um evento muito legal na @unibh em belzonte, mediado por marcelo tas e com mozart neves ramos, paulo barone e eu mesmo na conversa. para ver o debate na íntegra, gravado ao vivo, sem cortes, é só clicar aqui. a coisa tem quase duas horas e aborda uma gama de temas e problemas educacionais, especialmente os que afetam a performance e a qualidade da escola e do ensino nacionais.

alguma hora a discussão passou pelas novas mediações tecnológicas para o processo educacional; digo novas porque educação é um processo histórico, amplo e social que sempre foi mediado por tecnologias de muitos tipos. sala de aula é tecnologia; "giz-e-cuspe" é tecnologia e linguagem, escrita e livros são tecnologia. foi aí que EAD [educação à distância] entrou no debate e discutimos o que a internet tem [ou não] a ver com a melhoria [ou não] do processo de criação de oportunidades de aprendizado [de forma contínua] que, como vocês poderão ver logo no começo do vídeo, é a minha posição sobre o que educação, se fosse bem feita, deveria ser.

deve-se dizer que não está claro, para muitos ou para quase todos os educadores, qual é o impacto de EAD [que deveria ser educação em rede, ou E2R] na vida dos aprendizes e de sua performance na escola e depois.

a minha tese é que todos os jovens [interprete "jovem" como gente que tem 25 anos ou menos, ou seja, nascidos de 1985 pra cá] já nasceram em rede. talvez sofram de um déficit de conectividade por razões várias, mas são conectados por definição e querem, ainda por cima, estar mais e muito melhor conectados. para esta galera, a rede, a web, as redes sociais, são ambientes naturais para fazer qualquer coisa, desde "ir ao banco" a "criar relacionamentos", passando por "aprender" ou, como dissemos anteriormente, "participar de processos educacionais".

pois bem: um estudo feito pela university of nebraska-lincoln acaba de descobrir que…

…college students participating in a new study on online courses said they felt less connected and had a smaller sense of classroom community than those who took the same classes in person — but that didnt keep online students from performing just as well as their in-person counterparts…

…os estudantes que fazem cursos [só] online se sentem menos conectados e têm um menor sentido comunitário do que seus colegas que fazem os mesmos cursos presencialmente; mas isso não significa que tenham níveis de performance acadêmica menor que a dos colegas de sala de aula.

diga-se de passagem, a vasta maioria dos atuais mecanismos de EAD não faz nenhum esforço para conectar os alunos através, por exemplo, de redes sociais [educacionais ou não]; tais ambientes quase sempre são salas de aulas virtuais e remotas, com pouca ou nenhuma possibilidade de interação extra-aula como parte do processo de aprendizado [e socialização], o que sem nenhuma dúvida leva os alunos "remotos" a uma percepção bastante real isolamento.

o problema a resolver não é o de como levar os estudantes de volta para a sala de aula, até porque os processos de aprendizado dos quais todos vamos ter que participar são, para sempre, contínuos… é como se jamais, daqui pra frente, fôssemos sair da escola. ocorre que a escola não está preparada para tal, nem mesmo [na quase totalidade] a que tem os tais cursos de EAD.

porque o que é preciso mesmo é implementar conjuntos de estratégias, processos, práticas e ambientes de E2R, a verdadeira educação em rede, que levem a processos continuados, conectados, interligados, esteja o aluno dentro ou fora da escola, seja durante ou depois de seu tempo de curso, que possam proporcionar oportunidades contextualizadas de aprendizado, desaprendizado e reaprendizado, de socialização e formação de comunidades, que é o que todos temos e teremos que fazer, o tempo todo, para continuar gerando o valor que nos mantém não só nos níveis de competência e performance de nós exigidos pela sociedade e economia mas, em última análise… sãos.

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10 Responses to educação: distância afeta qualidade e resultado?

  1. Marquito disse:

    silvio,

    mesmo com todos os eventos e as verbas astronômicas direcionadas para a tal EAD, parece que o assunto é amplamente subdiscutido. especialmente sobre as plataformas, nós do nic estamos em um esforço para chegar a algo que esteja próximo de uma multi-mediação em rede do que de uma ferramenta de armazenamento de conteúdo.

    em dezembro vamos discutir um pouco disso aqui em vitória, no ES > http://www.nicvix.com/simpav/

    abraço!

  2. Marquito disse:

    silvio,

    mesmo com todos os eventos e as verbas astronômicas direcionadas para a tal EAD, parece que o assunto é amplamente subdiscutido. especialmente sobre as plataformas, nós do nic estamos em um esforço para chegar a algo que esteja próximo de uma multi-mediação em rede do que de uma ferramenta de armazenamento de conteúdo.

    em dezembro vamos discutir um pouco disso aqui em vitória, no ES > http://www.nicvix.com/simpav/

    abraço!

  3. Concordo plenamente Silvio, atualmente quando visualizo a carreira de professor não penso mais no tipo de professor que tive quando estava na escola. Video aulas como as de física de Walter Lewin, de computação de Abelson e Sussman, de computação quântica de David Deutsch ou de Saul Kahn, mudam completamente o jogo. Não faz sentido eu ficar dando a mesma aula sempre. Além do mais por esse meio é possível você fazer super produções de aulas, tentando optimizar cada aspecto da transferência de conhecimento. Professores podiam ficar mais para responder dúvidas, mas sites de perguntas e respostas como os da sériestack exchange optimizam o tempos das pessoas eliminando as perguntas repetidas. Ainda estou tentando desenvolver qual é o novo papel do professor, aparentemente ele talvez seja apenas um filtro de qual conteúdos são os melhores, ou produtores de video aulas, criadores de software de educação ou autores de conteúdo como o Wikipedia e Stack Exchange.

  4. Muito interessante suas reflexões. Concordo que no ensino presencial, semipresencial e a distância a implementação de “conjuntos de estratégias, processos, práticas e ambientes de E2R, a verdadeira educação em rede, que levem a processos continuados, conectados, interligados, esteja o aluno dentro ou fora da escola, seja durante ou depois de seu tempo de curso, que possam proporcionar oportunidades contextualizadas de aprendizado, desaprendizado e reaprendizado, de socialização e formação de comunidades” é muito importante. Não podemos esquecer que o professor com competências e habilidades para mediar essas atividades, virtualizadas ou não, terá um papel fundamental e deve ser valorizado, atualizado e motivado para não deixar o aluno isolado.

    P.S. Pesquiso inovação e EaD na UBC http://mestrado.brazcubas.br/?page_id=16 e gostaria de manter e ampliar essa discussão, abs.

  5. Marcos Lacerda disse:

    Silvio, acabo de ouvir seu comentário na rádio CBN enquanto estava no trânsito indo para casa, e acabei procurando seu blog para ver mais sobre o assunto. Sou aluno de um curso de MBA à distância da FGV e se por um lado estou satisfeito com a forma como o curso está projetado, pois se adequa às minhas limitações de horário e as complicações de trânsito em São Paulo, por outro lado fico com a impressão que estou usando ferramentas online já arcáicas, como fórum, chat e videozinhos em flash que estão na Internet há pelo menos 10 anos. Falta dar o “next step” e abraçar a Web 2.0, partir para a exploração de toda a interatividade e colaboração que ferramentas sociais disponibilizam. Em resumo: poderia ser muito melhor!

  6. Fernanda disse:

    Uma iniciativa muito interessante tem sido feita pelo neurocurso.com que é uma empresa que promove cursos EAD na área de neurociencias e neurologia. Eles tem integrada à EAD uma rede social bastante legal chamda Neurorede que se aproxima um pouco do que foi falado nesse artigo. Vale a pena conferir quem tem interesse no assunsto.

    Neurocurso – http://neurocurso.com
    Neurorede – http://neurorede.com

  7. Fernanda disse:

    Uma iniciativa muito interessante tem sido feita pelo neurocurso.com que é uma empresa que promove cursos EAD na área de neurociencias e neurologia. Eles tem integrada à EAD uma rede social bastante legal chamda Neurorede que se aproxima um pouco do que foi falado nesse artigo. Vale a pena conferir quem tem interesse no assunsto.

    Neurocurso – http://neurocurso.com
    Neurorede – http://neurorede.com

  8. Nágela Maromba disse:

    Caro Sílvio, gostaria de ouvir a sua entrevista do programa da CBN da Fabíola Sideral (Noite Total) sobre este mesmo assunto. Meu marido ouviu e gostou muito, tem como você me enviar um link com a gravação? Ou um arquivo de áudio? Obrigada.

  9. Peter disse:

    Talvez tenha seu espaço em alguns casos, mas nada substitui o contato pessoal com o professor e seus colegas em aula presencial. Como exemplo, os mais renomados MBAs são presenciais, pois a rede de relacionamentos que se faz é tão importante quanto a aquisição de novos conhecimentos. Trocas de experiências, às vezes confidenciais, etc.
    Será que o Silvio vai deixar de dar palestras presenciais para só fazê-las remotamente?
    Então por que as reuniões empresariais ainda acontecem pessoalmente e os aviões vivem lotados?
    Não acredito e não gosto, mas tem quem goste e acredite…
    Se fosse assim, compraríamos o curso todo em qualquer mídia e só íamos fazer provas, coisa que o passado já mostrou que não funciona. É a desumanização das relações. É bom? Avaliem e veremos o resultado!

  10. Peter disse:

    Só um adendo: quem nunca teve a oportunidade de cursar uma disciplina com o Silvio, não sabe o que está perdendo. Ele é um excelente professor e um grande incentivador para os alunos. Entretanto, prepare-se, que ele não alivia não, mas se você corresponder, vai aprender muito e muitas idéias vão surgir na sua cabeça. É por isso que prefiro aula presencial. Os “efeitos colaterais”, neste caso, são benéficos!