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Escrito por • 04/07/2009

entrevista: daniela braun

image daniela braun é uma das mais bem informadas, conectadas e ouvidas jornalistas que cobrem o setor de TICs no brasil. este blog resolveu passar dani pro lado de lá e fazer algumas perguntas pra nossa entrevistada de hoje. a concisão da jornalista começa pela resposta à primeira:

quem é daniela braun, em dois parágrafos? a resposta veio em apenas um: Daniela Louise Braun é editora executiva do IDG Now!, o maior site de tecnologia da informação do País. Jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero em 1995, especializou-se na área de tecnologia há dez anos e ingressou no Now! Digital Business em 2000, como repórter do jornal Computerworld. Em agosto de 2005 estreou no quadro diário CBN Tecnologia da Informação, com Carlos Alberto Sardenberg, na rádio CBN.

a seguir, a entrevista, que dani respondeu por emeio:

SM: desde que você começou a reportar tecnologias da informação e comunicação, no brasil, mudou o que? do que você sente falta, do que passou, e do que ainda não chegou?

DB: Na verdade eu já comecei a trabalhar como repórter de tecnologia na onda da internet. No meu primeiro dia de trabalho como repórter do Computerworld, em 2000, foi apurar algumas notícias para o site, já que a equipe estava pautada para o jornal (para o “papel” como costumávamos dizer). A agilidade do online e os desafios de trabalhar com um assunto diferente a cada hora, de correr contra o tempo para entregar uma informação com qualidade ao leitor me conquistaram e isso não mudou.

O que mudou muito e ainda veremos evoluir é a quebra das barreiras tecnológicas. Antes você tinha o telefone – hoje você tem dispositivos móveis conectados em banda larga – embora o serviço não seja 100% ainda – que acabam com diversas limitações de trabalho.

Me lembro da primeira coletiva de imprensa que fui cobrir quando vi os jornalistas com os press release nas mãos sacando seus celulares e indo para os cantos passar as informações prévias à redação. Levei um susto e logo liguei para o meu chefe.

Hoje o jornalista pode descobrir uma informação, apurar, pesquisar, escrever e publicar a notícia de um bom smartphone, de onde estiver, a qualquer hora.  A questão é a relevância e o senso de urgência sobre determinado conteúdo. O veículo e o jornalista devem decidir como tratar a informação que o leitor deseja.  Devo esperar e escrever com mais calma como recomendou meu chefe naquela primeira coletiva, ligar e passar uma prévia do anúncio, ou interromper o happy hour com os amigos para escrever uma notícia que acabei de ver no iPhone?  Você é o limite.

A limitação de hoje é ficar sem acesso à internet. Panes em serviços de banda larga mostram o quanto eles são essenciais e merecem ser tratados de tal forma. Hoje, quando uso um buscador para entender um assunto ou localizar uma fonte, ou quando jogamos uma pergunta diretamente ao leitor no Twitter e em 30 minutos tenho centenas de depoimentos relevantes para uma matéria, me recordo, com pouca saudade, de como era difícil fazer tudo isso só com o telefone, com o gravador na rua ou em arquivos e bibliotecas. Hoje, um jornalista desconectado é capaz de congelar na cadeira, como se faltasse energia na redação.

SM: quais são as suas principais fontes de informação? no que você acha que elas diferem do jornalismo "do passado"?…

DB: No dia-a-dia navego muito por sites (internacionais e locais) de tecnologia, de jornais de grande circulação, agências, institutos de pesquisas e órgãos do governo, além de blogs e do Twitter, que já foi fonte de informação para muitas notícias. Do “passado” para hoje houve uma enorme pulverização do conteúdo – o que chamamos de ‘ronda’ atrás de informações não se limita a uma dúzia de sites ou aos jornais do dia. Este é outro desafio do trabalho jornalístico: encontrar a informação, agora descentralizada, em blogs, redes sociais e agora em microblogs e, sobretudo, checar. Na minha avaliação, as principais fontes serão sempre pessoas, não páginas de textos. Isso faz diferença.

SM: pra onde você acha que a mídia [toda ela, de jornais a twitter] tá indo? nesse futuro, qual será o papel dos jornalismo e dos jornalistas profissionais, agora que diploma -e a formação universitária de jornalismo- não é requerido para exercer a profissão?

DB: [Como cientista eu sou boa jornalista então prever o futuro é com as fontes]. Acredito que nunca houve um meio que disseminasse nossas idéias e opiniões de forma tão rápida e ampla como o que temos hoje na internet  – mesmo com toda pressão na China e no Irã. O fato de um cidadão ser repórter ou de blogs darem furos de reportagem, por exemplo, balançou a ‘grande mídia’ e deve ser encarado de forma positiva, na minha visão. Somando estes fatores ao fim da necessidade de um registro e de um diploma, é hora de sair da zona de conforto, sem dúvida. Aqui cito dois artigos interessantes sobre a avaliação de blogs e dos modelos de negócios do jornalismo online.

Minha conclusão é que a diferença está no conteúdo – e não na ‘cara de conteúdo’. De nada adianta o diploma se você não arregaçar as mangas para entender o que o seu leitor quer, para pesquisar o que é buffer overflow e explicar para ele, ou ainda para interagir com este leitor em uma rede social ou para permitir que ele escolha se quer ler, ouvir ou ver o seu conteúdo.

Aqui falamos de tecnologia, mas como você mesmo disse após o podcast que gravamos recentemente para o IDG Now!, a tecnologia é um meio não um fim. Pois há dez anos eu trabalho neste assunto – tenho um blog sobre gastronomia há três como hobby – e sou da turma que acredita que jornalistas escrevem sobre qualquer tema, desde que se envolvam, se aprofundem e contem uma boa história. A tecnologia, é claro, tem ajudado bastante!

Sobre este tema recomendo três artigos rápidos aos leitores: "The rebirth of news" da The Economist; Blogging vs. print: Some journalists don’t get it –CNET onde se lê…

“But the news business is not about print, it’s about information. It doesn’t really matter whether you read the news on paper, on a computer screen, on a mobile phone, on a Kindle, or on an as-yet unavailable technology. However the news is consumed, what’s important is that there remains a cadre of talented, honest, and enterprising journalists to dig up facts, dispel myths, and keep powerful people in check.”

e "Making Old Media New Again" –The Wall Street Journal.

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0 Responses to entrevista: daniela braun

  1. note que Sílvio Meira, o entrevistador, não tem diploma de jornalista, enquanto a entrevistada tem

    fechou bem a série de artigos sobre jornalistas e diplomas

    😉

  2. note que Sílvio Meira, o entrevistador, não tem diploma de jornalista, enquanto a entrevistada tem

    fechou bem a série de artigos sobre jornalistas e diplomas

    😉

  3. Joao Marinho disse:

    Sou a favor da obrigatoriedade de diploma – ou não, desde que, em seu lugar, houvesse algo que atestasse a capacidade da pessoa para a profissão. Como não há, resulta o jornalismo numa profissão praticamente desregulamentada. Uma pena. Não vejo muito no futuro, a não ser queda na qualidade e nos salários (evidentemente, importantes, pois ninguém vive sem ele)

  4. Joao Marinho disse:

    Sou a favor da obrigatoriedade de diploma – ou não, desde que, em seu lugar, houvesse algo que atestasse a capacidade da pessoa para a profissão. Como não há, resulta o jornalismo numa profissão praticamente desregulamentada. Uma pena. Não vejo muito no futuro, a não ser queda na qualidade e nos salários (evidentemente, importantes, pois ninguém vive sem ele)

  5. ana cristina disse:

    Antigamente jornalista não tinha diploma e isso não foi há tanto tempo assim. Hoje, temos diversos curso de jornalismo pelo país e nos deparamos com um grande número de profissionais superficiais, desconhecedores da própria língua e muitas vezes exercitando um jornalismo vendido aos interesses dos poderosos.
    Comparo a profissão de jornalista à de ator: precisa de talento. Não é o curso que forma um jornalista nem um ator, ele já tem uma inclinação natural. Pode ser necessário no máximo um polimento, que o profissional pode buscar em cursos livres.
    Mas se acaba a exigência do famigerado diploma, o que faremos com tantas faculdades??? Precisamos de jornalistas diplomados pra manter essa estrutura funcionando, né… mesmo que ela seja absolutamente dispensável.

  6. ana cristina disse:

    Antigamente jornalista não tinha diploma e isso não foi há tanto tempo assim. Hoje, temos diversos curso de jornalismo pelo país e nos deparamos com um grande número de profissionais superficiais, desconhecedores da própria língua e muitas vezes exercitando um jornalismo vendido aos interesses dos poderosos.
    Comparo a profissão de jornalista à de ator: precisa de talento. Não é o curso que forma um jornalista nem um ator, ele já tem uma inclinação natural. Pode ser necessário no máximo um polimento, que o profissional pode buscar em cursos livres.
    Mas se acaba a exigência do famigerado diploma, o que faremos com tantas faculdades??? Precisamos de jornalistas diplomados pra manter essa estrutura funcionando, né… mesmo que ela seja absolutamente dispensável.

  7. Camila disse:

    Segue abiaxo uma parte da matéria acima.

    “a seguir, a entrevista, que dani respondeu por EMEIO:”

    por onde?????

  8. Camila disse:

    Segue abiaxo uma parte da matéria acima.

    “a seguir, a entrevista, que dani respondeu por EMEIO:”

    por onde?????

  9. É desconcertante ver que uma jornalista não dê a menor importância para o golpe que a profissão acabou de sofrer e que ameaça se estender a diversas outras, principalmente quando é notório que por trás destas medidas existem interesses inconfessáveis dos patrões no que diz respeito às relações trabalhistas, além de tratar o ato de comunicar apenas pelo caráter pragmático e imediatista da informação, sem se levar em conta o necessário componente ético e cultural da atividade.
    Ainda teremos a lastimar muito mais, diante da enorme dívida que o Brasil tem com o seu povo! Que País é este?

  10. Dirval Cruz disse:

    É inacreditável que depois da leitura de tão boa entrevista, tanto por parte do entrevistador, Silvio Meira, quanto pelas respostas claras e inteligentes da Daniela Braun, alguns ainda se atenham a essa excrescência brasileira que era (ufa!) a obrigatoriedade do diploma específico em jornalismo. Até quando esse chororô inútil? Em todos os países civilizados não há essa obrigatoriedade mas é assegurado o direito de cursar uma faculdade de jornalismo a todos que assim o queiram. Vamos pensar com nossa próprias cabeças e acabar com essa ridícula choradeira? Quem quiser cursar jornalismo é livre para isso. Aliás, é desejável que muitos os façam pois precisamos de teóricos, como em todo o mundo. O que não precisamos é de chorões alienados. Agora podem xingar.

  11. Robson Cunha disse:

    Interessante como muita gente do jornalismo fica nessa lenga-lenga sindicalista do diploma. A Daniela Braun é uma excelente jornalista e, pra mim, pouco importa que diploma ela tenha, assim como qualquer outro jornalista. Vejo alguns jornalistas escrevendo obviedades estúpidas, que mostram o seu próprio ponto de vista. Isso não é jornalismo, é apenas uma forma de comunicação, assim como outras. Assim como os empresários buscam executivos que tragam lucro (praticamente todos têm no mínimo o diploma de administrador), as empresas de comunicação continuarão buscando os melhores talentos para o seu jornalismo, e pelo menos 95% terão o curso de jornalismo. Mas este é a penas o primeiro passo, porque o que importa mesmo é a capacidade de fazer o leitor (ou ouvinte, ou telespectador) pensar, com informações de qualidade.

  12. Francisco Lima disse:

    Como ficam aqueles que fizeram financiamento (FIES) e sem trabalho, por causa da comcorrência desleal ?

    Agora, sem a exigencia do diploma, qualquer um estrá regularizado, e as empresas não sofrerão mais autuação dos orgãos competentes, por usarem os não diplomados.
    Como diz Boris : ISTO É UMA VERGONHA

  13. Francisco Lima disse:

    Desculpe é Concorrência

  14. Joelson Stankel-Locutor disse:

    A minha opinião é a uma, muitos que estão reclamando é porquês pagaram ou estão pagando uma faculdade de JORNALISMO, mas isso não quer dizer que você é um bom jornalista até porquê têm muitos que se formaram e não conseguem exercer a profissão.
    A grande verdade é o seguinte não adianta diploma se falta o principal, o DOM , vontade é uma coisa dom é outra ,conheço muitos jornalistas profissionais que nunca fizeram uma faculdade, e outros que fizeram e é uma lastima,lógico que ñ estou generalizando concordo plenamente que para exercer a profissão você precise de um curso profissionalizante e não pagar uma fortuna aos longos quatros anos por um diploma inserto na parede e também pela própria falta de respeito com o profissional com pisos salariais tão injustos.

  15. Cacilda Camargo disse:

    Pela excelente entrevista (o entrevistador sem formação jornalista e a entrevistada sim) nota-se que não faz a mínima diferença ter ou não diploma de jornalista. A entrevista foi muito bem conduzida (denota grande conhecimento) e conheço diversas pessoas que não tem formação acadêmica (diploma de jornalista) e escrevem muito melhor que muitos diplomados…, enfim, acho que a exigência de diploma para o exercício do jornalismo já foi tarde…
    parabéns pela matéria.

  16. Ana Paula disse:

    Olá, estive na tua palestra no congresso da RCE… poderia enviar o seu site? gostaria de conhecer o OJE… abs

  17. Cesar Amaral disse:

    Como os brasileiros são “esquecidos!!!! há cerca de 8 meses a Suprema Corte votou FAVORÁVEl a uma representação da classe jornalista ,para que NÃO tivessem de estar,COMO QUALQUER profissão regulamentada,dentro de parâmetros subordinados a conselho de classe,tais como a OAB,CRM,CREA,etc e nem deveriam se sumketer a um código de ética…….ora ,se não querem estar sob uma regra inerente a TODAS as atividades específicas como agora querem estar com o monopólio da informação?A Suprema Corte foi coerente e quem quizer mande rasgar a Constituição e siga o exemplo de Honduras…….pregam que todos devem se sumeter as decisão da justiça mas agora ,se acham no direito de descumprir e o mais grave,estam a caça de como burlar o ditame da lei…..que coisa feia né !!!!!!!

  18. Cesar Amaral disse:

    Como os brasileiros são “esquecidos!!!! há cerca de 8 meses a Suprema Corte votou FAVORÁVEL a uma representação da classe jornalista ,para que NÃO tivessem de estar,COMO QUALQUER profissão regulamentada,dentro de parâmetros subordinados a conselho de classe,tais como a OAB,CRM,CREA,etc e nem deveriam se submeter a um código de ética…….ora ,se NÃO querem estar sob uma regra inerente a TODAS as atividades específicas como agora querem estar com o monopólio da informação?A Suprema Corte foi coerente e quem quizer mande rasgar a Constituição e siga o exemplo de Honduras…….Pregam que todos devem se submeter as decisão da justiça mas agora ,se acham no direito de descumprir e o mais grave,estão a caça de como burlar o ditame da lei…..que coisa feia né !!!!!!! ( re-envio por erros de impressão)