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Escrito por • 04/05/2011

era da informação: dados demais, filtros de menos?

há pouco mais de um ano, este blog publicou um texto sobre o "dilúvio informacional" dentro do qual tentamos navegar no imenso oceano de dados em rede do mundo contemporâneo, para entender um pouco da era da informação e do conhecimento. nosso ponto de partida foi um relatório especial da economist sobre como estamos gerando dados e vivendo cercados por eles, quase sem ter como escapar.

imageinclusive porque já estamos na situação em que a torrente de informação gerada por pessoas e sistemas, informatizados e conectados, já não tem nem mais onde ser guardada, como mostra o gráfico ao lado. e isso há tempos: desde 2007, se cria bem mais informação do que os sistemas de arquivos podem armazenar. mas não é só a criação que importa, é o fluxo de informação também: segundo a CISCO, o tráfego global na internet cresceu 45% em um ano [entre 2009 e 2010], chegando a 15 exabytes por mês. e os sinais são de que tal fluxo será quatro vezes maior em 2014, chegando a 767 exabytes no ano. leve em conta que um exabyte é um quintilhão de bytes, algo com nada menos que 18 zeros depois do 1… e pense no volume de dados indo de um ponto a outro na rede mundial.

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se você clicar no histograma acima, vai cair num sistema [simples, vá lá] que permite explorar os dados que a CISCO, um dos maiores provedores mundiais de sistemas para a internet, vem coletando há tempos sobre a rede. neste histograma, se você clicar uma das setas da linha de baixo, aparece…

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…lembrando que os últimos dados consolidados que a empresa tem são de 2009, 2010 estando para sair. mas pense: dados móveis, a parte roxa do histograma, que ficava escondida em 2009, será quase 40 vezes maior em meros cinco anos. isso tem a ver com você, eu e todo mundo que a gente conhece usando a rede de dados móveis ou querendo usá-la assim que pintar na sua localidade ou tiver como pagar por ela.

resultado ? uma pesquisa [limitada, é verdade] da magnify, especialista em "curadoria de informação", descobriu que…

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…quase 50% dos respondentes está na rede durante todo o tempo em que está acordado. não sei vocês, mas este é o meu caso; meu modo offline coincide com minhas [poucas] horas de sono. até porque, nos momentos em que não estou interagindo com os dispositivos que me conectam à rede, eles, por iniciativa própria [e configuração minha], sincronizam meu emeio, agenda, baixam atualizações e por aí vai. isso se, sem minha autorização explícita, alguma coisa que não deveria estiver vazando para alguém que não sei nem quem é.

qual é o impacto desta conectividade em larga escala no ambiente de trabalho? olhe o que diz a imagem abaixo: mais de 3/4 das pessoas diz que seu trabalho requer disponibilidade online, mais de 40% percebe que os clientes esperam poder contactá-los a qualquer hora e mais de 30% acha que seus colegas deveriam estar disponíveis para interação a qualquer tempo.

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por baixo, por baixo, é possível dizer que pelo menos 30% de todos os trabalhadores está online o tempo todo e pronto para colaborar na solução de problemas do seu negócio. colaboração é coisa de time. isso envolve conceitos [saber], capacidades [saber fazer] e conexões, ou acesso à rede que sabe o que você não sabe e faz o que você não consegue. e que tem chaves, senhas, autorizações e poderes que você não tem ou, se é você que tem, está onde você não está e faz coisas que você nem imagina fazer.

lembrando que o negócio da magnify é "curadoria de informação", processo que envolve seleção e edição de material relevante para fins específicos, uma das descobertas do estudo é que…

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…mais de 60% das pessoas consultadas manifestaram o desejo de filtrar seu fluxo de dados, certamente de forma mais efetiva do que fazem hoje.

taí um grande negócio, e não só para a magnify, claro. se você já usa a caixa de entrada prioritária do gmail, sabe do que estou falando. claro que está longe de ser um sistema ideal e mais claro ainda que filtra "só" emeio. mas já é uma grande ajuda. o conjunto de filtros [como esse] que uso no meu emeio descarta, sem minha intervenção, 99% de todas as mensagens que me são dirigidas.

imagine ter um conjunto de filtros, programáveis de forma simples e por qualquer um, que lhe desse um controle bem maior sobre os fluxos de informação dos quais você, queirando ou não, [tem que] participa[r]. taí uma das coisas que aumentaria, e de forma significativa, a qualidade de vida de quem, por obrigação ou não, tem que viver em rede, o tempo todo.

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0 Responses to era da informação: dados demais, filtros de menos?

  1. doleron disse:

    aff

    Não é que estamos gerando muita informação…

    É que estamos armazenando representações dela com um volume muito maior que antes… estamos gerando muitos dados…

    Informação sempre existiu ao nosso redor, em tudo.

    Para tratar de massas gigantes de dados: data mining, que não é nada de novo. Daí a colocar um picareta informacional debaixo do braço de cada pessoa, bem, ai já é outra coisa.

  2. Claro que estamos produzindo mais conteúdo…

    A revolução causada pelas mídias sociais, com o auxílio da mobilidade e facilidade de produção de conteúdo proporcionada pelos smartphones, culminam numa geração de conteúdo que cresce em proporção exponencial.

    Se você ver a quantidade de conteúdo produzida no Twitter e Facebook hoje em dia, e como era essa produção há alguns anos atrás, você iria ver que essa revolução que estamos presenciando não é só com relação ao armazenamento…

  3. gleibson disse:

    Não concordo plenamente com o post.
    Estamos sim “gerando” mais dados, mas não creio que o aumento seja tão expressivo como contam as pesquisas. O que está acontecendo é que hoje temos uma preocupação, louvável eu diria, de armazenar todo esse conteúdo. Preocupação antiga que não dispunha de meios para isso (pelo menos não tão baratos quanto hoje – http://ibxk.com.br/materias/9210/37684.jpg). Então, estamos sim ARMAZENANDO mais dados. Estamos “gerando” mais dados sim, mas será que o crescimento da “GERAÇÃO” é tão grande quanto aponta a curva da pesquisa? Creio que não.

    Estamos armazenando cada vez mais dados, e campos como mineração e integração de dados nunca foram tão relevantes. Lembrando… estamos ARMAZENANDO muito mais DADOS e não INFORMAÇÃO. A informação é o resultado de uma mineração, algo que faça sentido semântico (isso se meus conhecimentos da graduação estiverem em dia).

    Estamos pesquisando áreas que antes não pesquisávamos (pelo menos não tão a fundo), e OBTENDO novos dados para armazenar (acredito ser uma palavra mais aplicável do que gerando – http://pt.wikipedia.org/wiki/Conserva%C3%A7%C3%A3o_da_massa) . Mas, isso não quer dizer que esses dados não existiam, e que nós não os processávamos de alguma forma. Tudo sempre esteve por aí…. agente é que agora quer colocar tudo em um HD (ou IPOD pra quem for da turminha da maçã)

  4. Pedro Daltro disse:

    Enquanto a Índia é um celeiro de matemáticos que resolverão (espero eu) esse problema, o Brasil mais uma vez perde o bonde da história.

  5. Pedro Daltro disse:

    Enquanto a Índia é um celeiro de matemáticos que resolverão (espero eu) esse problema, o Brasil mais uma vez perde o bonde da história.

  6. Pedro Garcia disse:

    Para mim é claro que hoje se gera mais conteúdo que em 2009, por exemplo. Até se não houvesse revolução nenhuma deste ano para cá isso ocorreria. É natural.

    Mas também temos que ver o tipo de conteúdo produzido. Ao abrir o Twitter o Facebook, tidos como arautos da produção de conteúdo atual, você só vai encontrar uma avalanche absurda de besteirol, e quem sabe também uma informação interessante ali no cantinho de vez em quando.

    Outra coisa, que se percebe ao analisar os gráficos da Cisco, é que a maior parcela do tráfego de dados (a Cisco não analisa a informação, analisa os dados, os bites) é proveniente de vídeos, tipo de mídia que aumenta sua utilização a cada dia, mas que tem uma relação “tamanho/quantidade informacional” infinitamente inferior aos textos, por exemplo.

    Portanto esses são números interessantes, mas têm que ser analisados de uma ótica crítica, que não te permita entrar na ilusão de que a produção de ***conhecimento*** tenha dado um salto tão gigantesco assim.

    Em contrapartida, quem gosta de fazer aplicativos de entretenimento tá com a faca e o queijo na mão.