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Escrito por • 03/11/2014

FBI: a nova polícia digital, global?

como parte de um processo de aumento constante de seus poderes de investigação no universo digital global, os EUA agora estão considerando dar ao FBI poderes para invadir qualquer tipo de sistema de informação -seu tablet, smartphone, PC, emeio… sua conta bancária- em qualquer lugar do mundo, em nome não mais da segurança nacional [de lá], mas da investigação de crimes federais de toda sorte. a notícia está no Guardian e a audiência sobre o assunto vai acontecer nesta quarta feira, num obscuro comitê que trata do processo criminal nos estados unidos.

a obsessão americana por segurança, investigação e informação, esteja onde estiver, obtida por que meios for, veio ao mundo em grande estilo com as denúncias de edward snowden, agente de outrora hipersecreta NSA. se o FBI conseguir autorização para investigação digital global, tudo o que a NSA estava fazendo para [pelo menos em tese] proteger o país estará ao alcance dos federais americanos para investigar qualquer coisa. e esse “tudo” inclui de criação e instalação de vírus onde a agência achar necessário até o sequestro de dados digitais, onde estiverem, dado que haja autorização judicial [americana] para tal. 

na prática, e em função da digitalização da economia e sociedade global, o que está sendo discutido nos EUA parece muito com uma agenda de criação de uma polícia federal global. Se houvesse uma, deveria ser da ONU. talvez devesse ser a interPol. mas não é. e, como ninguém é… e tampouco há uma articulação [global] para que haja uma… e como não há espaço político [ou policial] vazio, o FBI está a caminho de ser, caso suas demandas sejam aprovadas pela justiça americana, a polícia digital global. à minha, à sua, à nossa revelia.

US-Intelligence-Community-members-MCS

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4 Responses to FBI: a nova polícia digital, global?

  1. É aquela velha história do espaço que ninguém ocupa, mas existe, tá lá e ninguém toma atitude (por vários motivos, inclusive negligência), até que dê repente, o ‘grandão’ vai lá e faz do seu jeito, aí todo mundo começa a reclamar. Os Americanos (até no tratamento eles se consideram a América toda), são campeões em fazer isso e vão fazer sempre, pelo simples motivo de serem a maior potência, por enquanto, deste nosso planetinha azul acinzentado. Esta errado? É claro. Mas não são só eles.

  2. Lucas Coelho disse:

    Me parece nada mais que a regulamentação do que eles já vinham fazendo…Como você mesmo disse, “quando veio ao mundo em grande estilo com as denúncias de edward snowden”… Foi um “choque” diplomático, mas me pareceu mais um choque o vazamento do que eles vaziam, mais do que o eles realmente faziam. Talvez por que os outros países, ou parte deles, também o fazem (o desejam fazer). Abcs!

  3. FBIdigital disse:

    Claro. E de quebra ganhar umas eleições aqui e ali em torno do globo…

    “Tuesday 4 November 2014 17.45 GMT
    The GCHQ boss is wrong. We can have both security and privacy

    Robert Hannigan’s attack on tech firms is a worrying sign that the intelligence services still don’t understand the need for transparency and accountability.
    http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/nov/04/gchq-security-privacy-robert-hannigan-tech

  4. Espetacular e, ao mesmo tempo, amedrontador. As tecnologias podem nos ajudar a resolver muitos intrincados problemas que afligem nossas vidas, particularmente nas grandes cidades. Por outro lado, a expectativa da restrição da privacidade é algo para o que a sociedade deveria olhar com muita atenção. Preocupa-me ainda mais essa potencial quebra de respeito à soberania dos países, agora de forma virtual. Há que se refletir muito sobre isso e sobre o que pode acontecer.