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Escrito por • 02/05/2009

fontes de informação: você acredita num blog?…

a tns saiu perguntando, pelo mundo afora [e excluiu o brasil, parte de RoW, rest of the world], em quem você confia quando o assunto é informação. e-marketer reporta a boa notícia: fontes online, amigos, jornais e TV estão na mesma classe de equivalência, com cerca de 40% dos pesquisados achando que os quatro são fontes igualmente confiáveis. 

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o “fontes online” exclui os blogs pessoais, como se vê na tabela acima, que tem os dados dos EUA e canadá. menos de 1/4 de quem da fé ao noticiário online dá crédito, no mesmo grau, aos blogs pessoais. talvez não seja nenhuma surpresa, já que qualquer um, do nada e a custo zero, pode criar um blog, e danar-se a dizer tanta besteira quanto for seu tempo “livre”. o que implica em um certo custo de transação para que se estabeleça em quem, e porque, vale a pena confiar no universo dos blogs.

tempos atrás, este blog visitou este assunto em um texto [quem matou a blogsfera], e o resultado [nos comentários] foi um monte de blogueiros apopléticos, reclamando que não estavam mortos, que seu tráfego era isso-e-aquilo e coisa e tal. não estávamos sós, o blog ecoava nick carr, uma das fontes mais confiáveis e inteligentes da web:

mas… a blogosfera morreu e o artigo de nick carr começa… [Blogging seems to have entered its midlife crisis, with much existential gnashing-of-teeth about the state and fate of a literary form that once seemed new and fresh and now seems familiar and tired…] dizendo que os blogs, outrora inovadoras plataformas de expressão, estão enfrentando uma crise de meia-idade… e acaba dizendo que [Who killed the blogosphere? No one did. Its death was natural, and foretold] a blogosfera morreu de morte morrida; seu fim [como forma inovadora, revolucionária, massiva, de mídia] foi natural e previsível. e eu concordo.

a "mídia" [como o terraMagazine] entendeu o recado, descobriu que é bom [e dá audiência] ter textos soltos, leves, irresponsáveis até, em letras minúsculas, na hora em que querem entrar e sobre o que querem falar, sem editor, com a participação dos leitores, reclamando das minúsculas inclusive, dando opinião sobre tudo e todos, fora do contexto muitas vezes. a "mídia" demorou mas absorveu parte da anarquia da periferia e, ao trazê-la pra dentro de casa e reprocessá-la, continou sendo, em boa medida, o mesmo centro que sempre foi. esta é a "morte" da blogosfera a que carr se refere. quer ver ou fazer algo de novo? vá ver meu twitter [e crie um pra você, talvez].

no fundo, como os dados da TNS mostram, nick carr está coberto de razão. blogs pessoais se tornam referência só e somente quando conseguem se estabelecer como fontes críticas – no sentido de crítica e auto-crítica- do universo informacional de que tratam. os blogs “familiares” ou de “amigos”, feitos para uns poucos interessados, ou os “sectários”, que são de interesse de pequenos “imbecis-coletivos”, grupos de pessoas com inteligência, cultura e atividade acima da média, que se reúnem e cooperam para se imbecilizarem mutuamente… não chegam, nunca, muito longe. fora de seu círculo, nunca terão credibilidade. simples assim. ficarão fechados nos seus pequenos universos de crença e interesse e sobreviver, neste caso, já será um ótimo resultado.

há exceções? sim: a TNS descobriu que, na china e na coréia do sul, os blogs pessoais têm duas vezes e meia mais relevância do que na média no resto do mundo.

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como a pesquisa não é qualitativa, não se sabe ao certo porque estes dois países dão tanta reputação aos blogs pessoais. mas se pode imaginar que o caso da china deve ter alguma correlação com o fato do país ter uma das imprensas mais estatais e controladas [para dizer o mínimo] do planeta. qualquer arzinho, no ar, por lá, é um furacão e terá tanta audiência quanto. vai ver que a mesma coisa deve ser verdade em cuba, irã, arábia saudita e quetais. mas estes países também são RoW e a TNS não passou por lá.

quanto à coréia do sul, o resultado pode ter a ver com OhMyNews, site de jornalismo cidadão criado em 2000 por oh yeon-ho, pra combater a imprensa extremamente conservadora e controlada do país. OhMyNews tem dezenas de milhares de colaboradores, com auxílio de profissionais de primeira linha, e não tá pra brincadeira: a primeira entrevista do então presidente-eleito roh moo hyunin foi para OhMyNews e não pra “rede globo” de lá. na coréia do sul, OhMyNews tem status de blog coletivo… e isso faz com que o país, por causa dele e de um número de outros, tenha blogs em conta bem mais alta do que no resto do mundo civilizado.

e no brasil, o que você acha que acontece? para suas observações e críticas, estão abertos os espaços dos nossos comentários. vá lá e crie sua tese, ou deixe –e demonstre- suas evidências.

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0 Responses to fontes de informação: você acredita num blog?…

  1. Emerson disse:

    resumo da minha experiência com a mídia “tradicional” desde que comecei a ter acesso à Internet em 1996: primeiro parei de ler mídia impressa substituindo pelos seus equivalentes online. em seguida troquei a mídia tradicional pelos grandes portais. hoje em dia cada dia abro menos a página principal dos grandes portais, mas ainda abro as páginas dos portais regionais, seja da cidade em que nasci (www.uai.com.br) sejam os da cidade em q estou morando hoje (www.orm.com.br e http://www.diariodopara.com.br). mas, meu movimento mais importante foi virar meu próprio editor assinando RSSs de blogues que acho interessantes e relevantes. agora, há duas semanas, comecei a assinar outros editores via twitter: você, Tim O’Reilly, John Battelle, Pedro Dória… a mídia “tradicional” está ficando, a cada dia, mais irrelevante pra mim.

  2. Prezado professor, acho que cada vez mais a confiança será depositada em quem a gente confia (óbvio do óbvio hehe). Blogs como o seu, twitters de gente séria são ótimas fontes de aprendizado. Muito superiores à mídia tradicional, trash.
    É a época da qualidade, e não da quantidade. Redes sociais baseadas em quantidade tem o fim decretado. Contatos superficiais não agregam nada. É somente questão de tempo para isso se adensar mundo afora.
    Hora de desconstruir…
    Um abraço!
    Creative Adviser

  3. Prezado professor, acho que cada vez mais a confiança será depositada em quem a gente confia (óbvio do óbvio hehe). Blogs como o seu, twitters de gente séria são ótimas fontes de aprendizado. Muito superiores à mídia tradicional, trash.
    É a época da qualidade, e não da quantidade. Redes sociais baseadas em quantidade tem o fim decretado. Contatos superficiais não agregam nada. É somente questão de tempo para isso se adensar mundo afora.
    Hora de desconstruir…
    Um abraço!
    Creative Adviser

  4. MaiconMM disse:

    Eu acredito que não é tão simples, como comentado assim eu também mudei minhas principais fontes de noticia, e acredite ou não, minha principal e mais confiável fonte é o Google, sempre procuro mais de uma fonte pra confirmar um fato importante. O que vejo é uma pulverização das fontes, como se o mercado das grandes multinacionais estivesse sendo dividido e dominado por milhares (ou centenas, sei lá) de pequenas empresas.

  5. dafne disse:

    também venho, cada vez mais, lendo mais blogs que portais. mas acho que o ideal é encontrar um equilibrio entre blogs e portais, cruzando informações, costurando diversos pontos de vistas, participando.
    aliás, silvio, vi boa parte de sua entrevista na marilia gabriela. gosto muito do programa dela, mulher inteligente da porra, mas foi curioso vê-la tão senso comum, disparando chavões classe média sobre internet e quetais. no final já tava ficando nervoso no teu lugar… sim, mas isso tem na vida “real” também, marilia, não é coisa da internet… repetidas vezes.

  6. linda susan disse:

    Silvio Meira, assisti sua entrevista em Marília Gabriela e adorei!
    Vc abordou temas polêmicas de forma clara sem o engessamento dos professores/cientistas que desprezam os “conteúdos” da internet.
    Sou blogueira há pouco tempo e confesso que ainda estou deslumbrada com as possibilidades de informação e de relacionamento.
    O blog pessoal ou não ( escrevo para outros blogs) é para mim uma ferramenta de disseminação e troca de informações rápida e eficiente, e ainda de estabelecimento de relações profícuas.
    Linda Susan

    Gostei quando vc disse: carrego o meu mundo, quando viajo no meu laptop e celular e me relaciono com eles permanentemente via internet, estou sempre com eles.

  7. Telmo Mota disse:

    Blogs também podem servir como prova de conhecimento e complementarem CVs. Venho mantendo o meu a pouco tempo (menos de 6 meses), mas não pretendo parar.
    O assunto é muito específico e acredito que por isso tenho poucas visitas (1 a 3 por dia) e nenhum comentário, mas me dá uma satisfação danada acompanhar o tráfego do site e ver que tem gente lendo ele lá na China.
    Tenho planos de criar outros blogs sobre áreas do conhecimento que domino e resumir meu CV – ou site mashup juntando tudo – a referenciar esses blogs.

  8. Milena Brasil disse:

    Sobre a credibilidade dos blogs. E os grandes jornais que mantém blogs nos seus portais?
    Aqui em Fortaleza (CE), nossos dois grandes jornais (temos apenas 3 impressos) colocaram seus jornalistas para manter blogs dentro dos portais institucionais. Eles usam a cara “pessoal” do blog para “dar uma forcinha” na credibilidade dos jornais impressos? Ou seria o contrário, os blogs (com pouco credibilidade) se aproveitam da confiança do jornal?

  9. Unidade Livre disse:

    Olá grande Meira!

    Fiquei seu fã desde a HSM e o vi no lançamento dos projetos do NGPD segunda passada.
    Sou leitor de blogs desde setembro e a cada dia me afasto mais da mídias tradicionais. Já tinha trocado o jornal off pelo online e na TV vejo pouquíssima coisa. Sou blogueiro há uns 2 meses e estou descobrindo a quantidade de pessoas de qualidade por trás desse mundo. Meu RSS não tem mais portais de nome e acompanho as principais notícias no Google news e nos blogs. O Blogblogs muito bom como portal de blogs e o Twitter também é um ótimo canal para se obter notícias e já acompanho o senhor como @unidadelivre.
    Parabéns pelo post!

  10. Victor disse:

    Embora tenha entendido o objetivo da pesquisa, considero meio equivocado medir a crença das pessoas em determinado meio tecnológico. Se me perguntam se acredito na tv, faz sentido isso? Credibilidade deve ser uma propriedade da informação que depende da organização/pessoa que está do outro lado transmitindo a informação e não do meio…

    Sobre o papel dos blogs aqui no país, pelo fato do Brasil ter a sua principal imprensa bastante comprometida com os “podres poderes”, corporação muito unida a propósito, acho que as pessoas podem através dos blogs exercer um papel importante na propagação de certas verdades factuais e opiniões que são divulgadas em veículos de menor alcance e completamente ignoradas pela imprensa maior. Mas não quer dizer que façam isso, e que devam ser mais críveis do que a imprensa marrom por serem blogs.

    O blog, enquanto meio, lança esse problema de credibilidade como consequência de um problema de identidade autoral. Credibilidade sempre depende do autor. Acho que ainda temos que criar alguma “plataforma de credibilidade” para os blogs, organizar em um ou mais serviços / requisitos os tipos de informação que precisamos para decidir sobre a confiança que vamos creditar a determinada informação.

    [off-topic] silvio, teu blog tá bugando no chrome. não dá para postar comentários a partir dele, dá dando bronca no reconhecimento do captcha.

  11. O contra disse:

    Essa arrogância paraibana/pernambucana de Silvio Meira chega a ser cômica. O cara se acha o dono da verdade, se acha a própria verdade. Silvio é o cara! É o cara que se acha acima do bem e abaixo do mal.

  12. marcos aurelio disse:

    Professro Meira, assiti a sua entrevista com a Marilia Gabriela e adorei seus comentarios….apenas pediria a voce caso vc tenha na integra a entrevista post com link apara que eu posso encaminhar aos meus pares bibliotecarios….vá pesquisei e nem no UTub se encontra. Grande abraço Marcos