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Escrito por • 26/05/2008

games: contra a proibição

o fantástico de ontem discutiu a proibição, no brasil, de jogos considerados violentos. eu e bruno feijó, da puc-rio, entre outros, estivemos do lado contra a proibição e a favor de alguma [auto-]regulação que passe a designar jogos como apropriados [ou não] para determinadas faixas de idade.

muito do que a gente grava pra uma aparição no fantástico acaba não aparecendo na telinha, por razões óbvias de tempo e edição. entre outras coisas, eu disse que o maior problema dos jogos é quase o mesmo da escola: há, ainda, uma instituição muito antiga, na sociedade, que certas horas é relegada bem pra longe, e seu nome é família. não conheço uma família bem estruturada e consciente do papel do grupo familiar para os mais jovens onde as crianças fiquem dez horas por dia num console jogando counter strike ou, da mesma forma, vendo televisão no quarto. muito menos abandonadas aos desígnios da escola, por melhor que seja.

a família continua sendo importante no processo de crescimento articulado das crianças e não há, até agora, substituto à vista. eu acho que reclamar do jogo descontrolado dos adolescentes é quase a mesma coisa que terceirizar completamente a educação para as escolas e depois reclamar de filhos com problemas.

a escola não vai resolver todos os problemas de seus filhos, da mesma forma que os jogos, de qualquer tipo, não vão piorá-los significativamente. todos os estudos sérios realizados no mundo, até agora, não mostram nenhuma conexão relevante entre jogos violentos e um comportamento socialmente violento. ao contrário, games parecem favorecer a criatividade dos jogadores

pra ver o que rolou no programa, clique aqui. pra saber o resumo do que pensa este blog, não precisa ir até lá, pois tá dito acima e sintetizado na seguinte frase, tirada do programa: “o problema não é se o jogo é violento ou não. o problema é se você consegue separar que o jogo é um jogo e a vida a ser vivida aqui fora, neste mundo de carne e osso, é parte daquilo ou não”.

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0 Responses to games: contra a proibição

  1. Rafael disse:

    Ficou bom vc falando no fantástico 🙂 Realmente se a familia fosse tao valorizada os problemas dos jovens seriam menores, n seria um jogo que iria influenciar a vida de ninguem!

  2. Bruno Bezerra disse:

    Esse é um bom debate, eu penso que a simulação de um jogo não tem todo esse poder que alguns imaginam. A família sim, a família tem um poder extraordinário que infelizmente tem sido esquecido com o passar dos anos.

    Nos jogos qualquer um pode ser mocinho ou bandido, pode ser ainda mocinho e bandido… ele é feito pra se criar e inverter situações mil. Já a família não deve jamais inverter valores básicos como o respeito e a dignidade por exemplo. Mas é justamente isso que tem acontecido, a fragilidade da família como alicerce cria questões como essas dos jogos.

    Lembro que no passado brincávamos de polícia e ladrão; de artista e bandido ou mocinho e bandido, tudo com armas de plástico ou madeira e simulações de tiroteio, brigas, caçadas, fugas, prisões etc. Isso não transformou ninguém em pessoas agressivas ou qualquer outra coisa do gênero. Assim como uma partida de futebol, uma pelada, tem algo mais quente do que uma boa pelada? não… o que rola de palavrão, xingamento, empurrão, cotovelada, briga e tudo mais não é brincadeira.

    Tem um ditado popular que diz: diga-me com quem andas, que eu saberei quem és. O problema não é o jogo ou a brincadeira, mas com quem se joga, o ambiente que se joga.

    E digo mais, especialmente aos pais, a preocupação deve existir, o cuidado deve existir com quem as crianças e os adolescentes se relacionam no Orkut ou nas salas de bate-papo como o MSN, pois aí sim, como na vida real, se a companhia não for boa, é bem provável que não produza coisas boas.

  3. Valdner disse:

    O que está acontecendo na sociedade é justamente a tentativa de jogar a culpa e a responsabilidades de nossos atos em terceiros. O que venho observando com relação aos jogos é justamente o que acontece com o cigarro (nem vou falar de drogas e álcool), todo mundo sabe que faz mal à saúde, mas continua fumando. O pior nisso é ver a sociedade (isso inclui até parte da mídia) responsabilizam o vício e os casos de câncer de pulmão às propagandas da TV que levam as pessoas à fumar. Não estou querendo dizer que video game e cigarro são duas coisas similares e viciantes, estou dizendo que a responsabilidade de cuidarmos da nossa saúde e de nossas crianças são exclusimente nossa. Se acabamos com a nossa saúde por que fumamos ou porque nossos filhos se tornaram marginais, a responsabilidade é nossa, cabe à todos um pouco mais de bom senso.

  4. Andréa Ilha disse:

    Excelente texto! Apresenta um ponto-de-vista consciente, bem pensado, sem alardes, de uma forma bem clara e objetiva. Gostei muito. Além de ter gostado de ler o texto, concordo com a tua opinião. É tão simplista delegar a outros as responsabilidades que cabem tão-somente a nós!…

  5. Marcio Girão disse:

    É preferível conviver com a pornografia, jogos violentos etc. do que conviver com a censura. Aliás, a justificativa para a censura é o reconhecimento da completa falência do processo educacional. Quem não educa, censura!

  6. Fabricio de Curitiba disse:

    um dia ainda vou processar a sony e o mcdonald’s por tornar meu filho um garoto obeso, violento e mal-educado…