MENU

Escrito por • 11/08/2009

hologramas + ultrassom = 3D virtual, tátil

tem dias que a gente acorda em um lugar qualquer do planeta [recife, por exemplo], sai disparado de casa pra um aeroporto, pega um avião e voa algumas horas, chega em algum outro aeroporto [como guarulhos], atravessa uma cidade já engarrafada, só pra estar numa reunião. de poucas horas. ao fim do dia, faz o caminho de volta, tanto ou mais apressado, atrasado e engarrafado. e estressado. muito.

vez por outra, e nunca de livre e espontânea vontade, tal conjunto de eventos desaba sobre minha já complicada existência. em tempo corrido, é acordar em recife às quatro e meia da manhã, ir e voltar a são paulo e chegar em casa, de volta, perto ou depois da meia noite, coisa de 20 horas de correria. muitas vezes, por causa de duas, três horas de reunião.

do ponto de vista pessoal, estamos falando de pelo menos um dia de ressaca depois. ambientalmente, é insustentabilidade pura. mover um corpo de ida e volta entre dois lugares distantes tem uma pegada monstruosa. só quando é impossível evitar o movimento é que, no meu caso, aceito tal tipo de viagem. e, tanto quanto posso, ando plantando minhas árvores, muitas, pra compensar minhas andanças.

só que o mundo inteiro funciona assim. uma boa parte da população dos aviões, em qualquer lugar, é de executivos em viagens curtas, tipo bateu-voltou. a pergunta é: há alternativas, agora? a resposta é: de qualidade, não. sabemos do estado da arte [ou do desastre] que é a nossa infraestutura de rede. garantir conectividade, de boa qualidade, numa reunião de gente de vários cantos do país e do planeta… é uma temeridade. isso usando as interfaces que temos hoje, bidimensionais, todo mundo embutido na tela.

mas e no médio prazo? bom, algum dia a rede vai ser resolvida. a internet parece, hoje, com a eletricidade em taperoá-PB, na década de 50, provida pelo que se chamava de um “motor”, na verdade um gerador. agora como na época da “luz e força” de taperoá, a rede tá quase sempre ligada. se podemos ou não usá-la como queremos –ou melhor, como nos é vendida e pela qual pagamos- é outra história.

mas uma coisa é certa: a rede será ubíqua [presente em todos os lugares e o tempo inteiro] e de qualidade. é só uma questão de tempo. foi assim com eletricidade, vai ser assim com a internet. porque tudo o que fazemos, hoje e daqui pra frente, depende destas duas redes funcionarem devidamente. e isso significa que elas irão funcionar.

resolvido [!] este detalhe nem tão pequeno assim, o problema se desloca para as interfaces: será que vamos usar, pra sempre, os modelos e sistemas de interação bidimensionais e limitados que temos hoje? ou evoluções deles?

a resposta é não. quer imaginar por que? clique no vídeo abaixo [vindo deste link], demonstração de um sistema experimental da universidade de tóquio, denominado airborne ultrasound tactile display, um tipo de interface que combina um holograma [projeção em terceira dimensão] e um fenômeno de ultrassom [ultrasound acoustic radiation pressure] capaz de criar uma sensação de pressão no usuário sem diminuição da qualidade do holograma. observe, perto do fim do vídeo, os pingos de chuva virtual “batendo” na mão do observador… muito legal.

 

resultado em potencial? no caso das nossas reuniões de trabalho [ou aulas e o que mais precisar juntar gente no mesmo lugar] cada um fica em sua cidade, cada um é projetado no lugar onde cada outro está, todos e cada um são simulações tridimensionais com grau de verossimilhança muito alto e… poderíamos, por exemplo, apertar as mãos uns dos outros, a distâncias quaisquer. e aí, de fato, teríamos encontros verdadeiramente virtuais e de boa qualidade, sem ir, de verdade, pra lugar nenhum.

isso sem falar nos outros tipos de aplicações óbvias para tais interfaces, como jogos. imagine seu game predileto, de hoje, holográfico, reativo e tátil, dentro de alguns anos. tomara que não seja preciso esperar muito.

vai acontecer? deste jeito? ninguém sabe, claro. ainda estamos bem no começo da pesquisa e do desenvolvimento científico e tecnológico nesse campo. mas a pressão ambiental vai exigir soluções sustentáveis para os encontros de negócios e, mais cedo ou mais tarde, além de reuniões, haverá férias e passeios virtuais. é só uma questão de tempo.

e ninguém precisa se apavorar [como sempre é o caso] e achar que o mundo vai ficar mais frio, que as pessoas irão se isolar cada vez mais quando tais sistemas e serviços estiverem disponíveis. não. mas que ia ser muito legal, a um pequeno custo adicional, dar uma voltinha de alguns minutos, sempre que desse na telha, por londres, lisboa, san francisco, paris e taperoá, sem sair de casa, isso ia.

sem falar, no mais longo prazo [ponha muitas décadas ou séculos na conta], de sistemas com esta inspiração [muito mais capazes e sofisticados] virem a ser a única forma de mortais comuns, como eu e você, leitor, darmos uma voltinha em marte, vênus ou algum planeta em beta canum venaticorum. mesmo porque, numa lata de sardinha espacial, eu não tô muito afim de ir nem um pouco perto disso.

Artigos relacionados

0 Responses to hologramas + ultrassom = 3D virtual, tátil

  1. Dr. Fróid disse:

    Sim amigos, de fato poderemos ter I.A. imbutida nos hologramas e então ter humanóides meramente holográficos para desempenhar tarefas do quotidiano. Robôs como conhecemos hoje são coisa do passado. Também haverá um salto sem volta na forma em que faremos sexo virtual, uma coisa muito gozada nas interfaces tácteis. Uma sala vazia poderá se tornar um ambiente qualquer de uma casa como conhecemos hoje, ao soar de um comando vocal, economizando espaço. Ulalá.

  2. Dr. Fróid disse:

    Sim amigos, de fato poderemos ter I.A. imbutida nos hologramas e então ter humanóides meramente holográficos para desempenhar tarefas do quotidiano. Robôs como conhecemos hoje são coisa do passado. Também haverá um salto sem volta na forma em que faremos sexo virtual, uma coisa muito gozada nas interfaces tácteis. Uma sala vazia poderá se tornar um ambiente qualquer de uma casa como conhecemos hoje, ao soar de um comando vocal, economizando espaço. Ulalá.

  3. André Faure disse:

    Silvio, no ultimo blockbuster G.I. Joe, tem um merchandising da Cisco muito interessante exatamente sobre o tema de telepresença com holografias. Vale a pena dar uma olhada (ou esperar o filme sair no DVD, porque, em si, é uma bomba)
    abs

  4. André Faure disse:

    Silvio, no ultimo blockbuster G.I. Joe, tem um merchandising da Cisco muito interessante exatamente sobre o tema de telepresença com holografias. Vale a pena dar uma olhada (ou esperar o filme sair no DVD, porque, em si, é uma bomba)
    abs

  5. Acredito que vamos entrar pra valer na interação homem x máquina a partir do momento que pudermos interagir em bases sensoriais normais (nossos sentidos e percepções de hoje). Essa experiência é um passo importante porque não exigirá aprendizagem diferenciada dos humanos. Caminho sem volta. Quem viver, verá!

  6. Acredito que vamos entrar pra valer na interação homem x máquina a partir do momento que pudermos interagir em bases sensoriais normais (nossos sentidos e percepções de hoje). Essa experiência é um passo importante porque não exigirá aprendizagem diferenciada dos humanos. Caminho sem volta. Quem viver, verá!

  7. pastor disse:

    E Deus? Onde Ele fica nisso tudo? Seus patifes.

  8. pastor disse:

    E Deus? Onde Ele fica nisso tudo? Seus patifes.

  9. Fabio Moraes disse:

    Incrível, mas além da possibilidade que a tecnologia nos proporcionará imagine como seria hoje uma palestra como a que vc fez ontem no WTC em SP utilizando-se de recursos hográficos como este. Isto é, corre-se, num primeiro instante,o risco de os efeitos chamarem mais atenção que o conteúdo da comunicação, mas daí entra a condição humana de se adaptar ao novo veículo.
    Aproveito para elogiar sua palestra de ontem e se teria algum vídeo para que eu possa repassar a minha equipe. Caso contrário, alguma que vc considere para tratarmos do estímulo a inovação.
    Obrigado desde já e parabéns pela palestra!

  10. Fabio Moraes disse:

    Incrível, mas além da possibilidade que a tecnologia nos proporcionará imagine como seria hoje uma palestra como a que vc fez ontem no WTC em SP utilizando-se de recursos hográficos como este. Isto é, corre-se, num primeiro instante,o risco de os efeitos chamarem mais atenção que o conteúdo da comunicação, mas daí entra a condição humana de se adaptar ao novo veículo.
    Aproveito para elogiar sua palestra de ontem e se teria algum vídeo para que eu possa repassar a minha equipe. Caso contrário, alguma que vc considere para tratarmos do estímulo a inovação.
    Obrigado desde já e parabéns pela palestra!

  11. Caolho disse:

    Seu blog continua horrível. Está na hora de ser substituído ou cancelado de vez.

  12. Caolho disse:

    Seu blog continua horrível. Está na hora de ser substituído ou cancelado de vez.

  13. Popeye disse:

    Camarões me mordam!

  14. Popeye disse:

    Camarões me mordam!

  15. fifetinha disse:

    onde foram parar as maiúsculas?

  16. fifetinha disse:

    onde foram parar as maiúsculas?

  17. Ladyce disse:

    Silvio, não é preciso que a gente já conheça a sensação, digamos de pingos de chuva no corpo, para que o cérebro os reconheça como tal? Ou a sensação de um aperto de mão para que a gente venha a sentir que houve um aperto de mão? Essas experiências físicas já não teriam que ser conhecidas pelo nosso cérebro para que pudéssemos reconhecê-las como tal? Um abraço, sempre interessante passar por aqui, Ladyce

  18. Ladyce disse:

    Silvio, não é preciso que a gente já conheça a sensação, digamos de pingos de chuva no corpo, para que o cérebro os reconheça como tal? Ou a sensação de um aperto de mão para que a gente venha a sentir que houve um aperto de mão? Essas experiências físicas já não teriam que ser conhecidas pelo nosso cérebro para que pudéssemos reconhecê-las como tal? Um abraço, sempre interessante passar por aqui, Ladyce

  19. Mandman disse:

    Não entendi p. nenhuma.

  20. Mandman disse:

    Não entendi p. nenhuma.

  21. Marcelo V Silva disse:

    Eu me sinto passeando por San Francisco ou varias outras cidades do mundo quando uso o street view no Google Maps ! Vale a pena !

  22. Marcelo V Silva disse:

    Eu me sinto passeando por San Francisco ou varias outras cidades do mundo quando uso o street view no Google Maps ! Vale a pena !