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Escrito por • 30/05/2010

informática: nas nuvens? quando?

continuando uma conversa que começamos no texto passado, gabriel dudziak me perguntou… Cloud computing já tem tudo para virar regra e deixar de ser exceção e tecnologia opcional?…

cloud computing logical diabram

primeiro, pra quem não sabe o que vem a ser cloud computing, uma definição simples é a de infraestrutura de computação, comunicação e controle servida a partir da rede, de forma compartilhada e escalável, juntamente com o software básico [sistemas operacionais, bancos de dados, servidores web…], provida sob demanda e bilhetada como “utility”: você paga o que você usa. ou seja, cloud computing é uma forma de prover informática como se fosse eletricidade, ou informaticidade, coisa que o blog já discutiu antes, falando da instalação de data centers cada vez maiores aqui mesmo no brasil:

os computadores e seu uso nos negócios foram inovações radicais do século XX, mudando o mundo e criando possibilidades que, processando dados à mão, eram impensáveis. mas toda inovação é incompleta, imperfeita e impermanente, e sempre chega, de novo, a hora de inovar. não que informática tenha se tornado commodity e qualquer um, em qualquer lugar, possa provê-la. mas, lá atrás, energia se tornou eletricidade, disponível na tomada, e não queremos saber como nos chega. usamos, pagamos e pronto.

da mesma forma, processamento de informação vira informaticidade: interfaces especificadas e entendidas, escondendo funções e procedimentos que queremos, sim, saber o que fazem. suas propriedades são mais complexas do que os fluxos de corrente [da “energia elétrica”] que produzem calor, luz e movimento.  mas, uma vez a par dos significados por trás das interfaces e tendo acesso remoto, confiável, de alta performance e barato, não precisamos, para usar tal informaticidade, de departamentos de tecnologia do lado de cá da rede.

e isso é uma boa notícia para todos. primeiro, para o pessoal “de tecnologia”, que vai trabalhar onde os problemas “tecnológicos” estão, e onde é mais interessante e divertido estar: lugares como amazon AWS[armazenamento online], netvibes.com [ecologia de informação] e salesforce.com [cadeia de valor de processos de automação de negócios]. todos são exemplos de informaticidade, atrás do conector, sem que o usuário pense em segurança, performance, updates, backup… problemas lá do pessoal “de tecnologia”.

em cima dessa base de informaticidade, as empresas [e pessoas] escrevem –ou vão escrever- e vão rodar as aplicações que implementam seus processos de negócio. mas e a pergunta de gabriel… Cloud computing já tem tudo para virar regra e deixar de ser exceção e tecnologia opcional?

minha resposta é…

Mais do que tecnológica, esta é uma questão cultural. A tecnologia vem sendo desenvolvida há muito tempo; o que hoje é "cloud" já foi só SaaS e, antes, "grid". O mercado e as empresas de informática são muito ricas em buzzwords, estas novas palavras que aparecem de repente como se fossem a coisa mais natural do mundo.

Mas digamos que cloud computing é algo que deveria ser absolutamente a norma para quem está muito bem conectado à nuvem da internet, a preços baixos e com várias alternativas de qualidade… mas que não é nada normal para um supermercado em Taperoá, no interior da Paraíba, porque lá a rede é só uma, o preço não é tão bom como deveria ser… e aí o carinha do caixa não pode correr o risco de ficar duas, três horas fora do ar no dia de feira.

A oferta de cloud computing vem melhorando muito nos últimos anos e deve se tornar o padrão e não a exceção à medida em que a infraestrutura de rede funcione como a eletricidade: "nearly always on", com um apagão de maior ou menor porte bem espalhados no tempo, a ponto de só os mais significativos virarem notícia. Estamos chegando lá, e rápido.

No C.E.S.A.R, estamos desenvolvendo serviços na e para a nuvem, o que não significa apenas que estas coisas vão para lugares padrão mas para nuvens privadas de empresas, o que não só é possível ser feito mas resolve um monte de problemas de forma interessante, como o de escalabilidade de servidores…

pra quem quiser ver um pouco mais sobre o assunto, há uma apresentação minha num seminário para alunos de graduação e pósgraduação em informática neste link. divirtam-se…

cloud-computing-simply-explained-cartoon

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0 Responses to informática: nas nuvens? quando?

  1. Silvio,

    O Prof. Erik Brynjolfsson, do MIT, tem algumas restrições a esta comparação de cloud computing com eletricity a partir do modelo de utility: ver http://jccavalcanti.wordpress.com/2010/05/17/cloud-computing-and-electricitybeyond-the-utility-model/
    JCC

    • srlm disse:

      jcc:

      concordo e discordo de Brynjolfsson, Hofmann, Jordan, em Cloud Computing and Electricity: Beyond the Utility Model, referência que vc muito bem aponta para esta discussão.

      quando digo que INFORMATICIDADE é informática tão simples quando eletricidade, quero dizer que a BASE do “stack” de valor da cadeia de processos de negócio é uma utility.

      tal BASE compreende a infraestrutura de computação, comunicação e controle e o software básico [como já disse, SOs, BDs, etc]. isso ai vai ser provido como UTILITY, incluindo as preocupações de Brynjolfsson, Hofmann, Jordan com complementaridade, interoperabilidade [e lock-in], segurança, e o que mais for.

      a ideia de INFORMATICIDADE como utility INCLUI tratar tais problemas no proximo nível da cadeia de valor de informação, além de simplesmente cobrar por ciclos de CPU. amazon AWS garante [por exemplo] replicabilidade de conjuntos de dados sem que ninguém tenha que “se preocupar com isso”. faz parte.

      concordo com os autores do paper citado, mas, ao mesmo tempo, discordo: eles tem que atualizar a visão de utility que discutem rpa uma mais nova, mais contemporânea, de “information utility”.

  2. Vinicius Campos disse:

    Olá Silvio,
    Meu nome é Vinicius, nasci em BSB, formado em Computação pela UFPB há 10 anos e hoje moro aqui em Montreal, Canadá. Soube recentemente que você é de Taperoá, cidade de meu pai, hoje já falecido, que se chama Tarcisio Gomes da Silva Campos, que foi um engenheiro agronomo da Embrapa em BSB e Campina Grande. MInha tia, Silede, é cunhada de Manelito, seu esposo ja falecido, Roberto Dantas.
    Bom lhe acompanhar no twitter ! Bom saber que a gente sai de Taperoá mas Taperoá não sai da gente !

  3. Alberto Fabiano disse:

    Interessante ver que Fernando Corbató e projeto MULTICS não estavam tão errados quanto ao direcionamento conceitual da Informaticidade, porém muito a frente do seu tempo.

    Com os devidos acertos e direcionamentos tecnológicos, parece que questamos num looping tecnológico temporal onde neste novo ciclo finalmente esta tecnologia toma forma, tornando-se realidade e cai no mainstream…

    []s++;

    A.F.

  4. Acredito que para empresas mais avançadas, com conexões mais estáveis, já há condições de ser regra e não exceção.

    Na nossa empresa só não está na nuvem o que realmente não dá para estar, que no momento são os aplicativos gráficos.

    Textos, documentos, propostas, planilhas, comunicação, fluxo de caixa, está tudo lá. Por vezes até questiono a confiança cega nesses serviços, mas penso que em um servidor do Google um documento está tão (ou mais) protegido que no meu computador. Se não fosse dessa forma não teríamos como tocar a empresa em dias em que estou eu em Barcelona e meu sócio em Limoeiro, no interior.

    Para que seja regra para empresas menores, teria que ser trabalhada muito bem a questão da redundância. Ou seja, se a conexão cair, o Seu Manoel de Taperoá tem que ter condições de continuar a trabalhar no dia de feira e, quando a conexão voltar, os dados são sincronizados.

    Acho que é questão de (pouco) tempo para isso acontecer. E quando acontecer, muda tudo de novo.

  5. Anselmo Lacerda disse:

    Será que o sucesso da Cloud Computing se restringe somente a oferta de infra-estrutura e de banda larga!? Temos que pensar nas implicações e na mudança de cultura das instituições privadas e públicas para entrarem e permanecerem na Cloud Computing.

    Não é só dizer que está na Cloud por que é moda, mas principalmente se manter na Cloud Computing por ser vantajosa e produtiva para empresa reduzindo custos e dando uma visão mais abrangente e planejada para as estratégias de mercado destas empresas.

    Não basta entra na Cloud Computing por ser uma tendência atual, mas é preciso antes estudar os impactos em relação ao uso deste serviço por parte da empresa, e principalmente se a empresa entrar na Cloud e quiser sair, como será a migração de códigos? A padronização? Será que o serviço vai ter a mesma “performance” quando for executado em outra Cloud ou em servidores próprios da empresa? Quem garante que o valor de uso na Cloud pode ser compensador futuramente?! (já que todo mundo está migrando para Cloud Computing).

  6. Fish disse:

    “… informática como se fosse eletricidade …”
    Talvez nao precisemos de departamentos do lado de k. Mas com certesa precisamos adequar um modelo de negocio à “tomada”.
    Ai tem de chamar uma consultoria em TI(eletricista)?