MENU

Escrito por • 25/07/2011

informática: padrões & políticas

o texto no fim deste post foi publicado neste link em fevereiro de 2006, logo antes do carnaval. e volta à cena por causa deste outro, publicado anteriormente aqui no blog, sobre uma "nova" política de informática para o brasil, mais uma vez focada na substituição de importações.

comentários ao segundo texto, pedindo alternativas à constatação de que temos [ou teremos?…] uma política de substituição de importações me lembraram do velho artigo dos tempos em que estava para sair um "padrão" de TV digital por aqui.

lá em 2006, definimos um padrão de TV digital [não no carnaval, mas no são pedro] para um dos mercados mais importantes do planeta, o nosso. a corrida toda foi para "definir o padrão", como se diz, ao invés de se criar todo um ambiente, incluindo política industrial, mais investimentos estatais e privados, que pudesse tornar o brasil –um dos principais mercados, como já se disse- um dos principais atores do jogo econômico mundial para o setor.

na china, ao contrário daqui, o problema de padrões e políticas industriais vem sendo tratado, há décadas, de forma sistêmica. caso seja de seu interesse, leia the role of standards in national technology policy in china, de mu rongping e wu zhuoliang, standardized confusion? the political logic of chinas technology standards policy, de michael murphree e dan breznitz, china standard time: a study in strategic industrial policy, de greg linden e, por fim, china’s impact on the global economy: from china price to china standard, de david bach, abraham newman e steven weber.

e o meu texto lá de 2006 diz isso: enquanto estávamos definindo um "padrão" brasileiro, derivado de um padrão japonês que é minoritário no mercado mundial, a china estava definindo uma política inteira, baseada também num padrão, para dominar o mercado mundial de TV digital em seja lá que padrão for. o plano [desde 2000…] é ser o maior fornecedor mundial em 2015 e, depois disso, nas próximas gerações, forçar um padrão chinês. e passar parte da fabricação, que agrega muito pouco valor, para terceiros ou quartos, que tenham custos competitivos para o mercado global.

pois bem: lançamos o nosso "padrão". que se saiba, até agora, ele não criou ou alavancou qualquer indústria nacional. até porque a interatividade, que era só nossa, ficou de lado, esquecida pelas TVs. que sempre acharam que TV digital era só HDTV e essa coisa de interatividade era uma roubada [pra eles, emissoras de TV].

image

enquanto isso, lá vem a china, rápida e sempre, atrás dos mercados de todo mundo, incluindo o nosso. a foxconn, aliás, pedra de toque chinesa do novo estado de coisas, é um fabricador-de-qualquer-coisa, uma fábrica genérica que vai, muito provavelmente, fabricar TVD aqui, também. substituição de importações é isso aí: entramos com o mercado, agora, e entramos pelo cano, depois.

o texto de 2006 tinha a ver com isso e está replicado, na íntegra, abaixo. boa leitura.

Pelas alegorias que vinham sendo avistadas nos barracões e pelo batuque, acertos e evoluções na quadra,  até parecia, umas semanas atrás, que o G.L.R.C.C.M.TV.D. – Grêmio Lítero-Recreativo Cultural Carnavalesco Misto TV Digital – ia mesmo sair em tempo de Momo. Seria melhor desfilar um pouco depois, segundo quem não via enredo e evoluções prontas, quanto menos ensaiadas e havia uma certa confusão na torcida: sem tempo pra entender as alas do desfile, havia gente muito importante nas arquibancadas e camarotes ensaiando, por sua vez, uma estrondosa vaia bem no meio do desfile. Mas, segundo parte da diretoria, Carnaval é só uma vez por ano, vem aí, e não há tempo a perder, que depois é Cinzas.

Nas últimas poucas semanas, no entanto, algo parece estar mudando. A decisão sobre o sistema de TV digital a ser usado no país é a mais importante, em termos de impacto industrial e cultural, que será tomada pelo governo, em informática, na década. A outra, que não veremos nem tão cedo, seria uma política de inclusão digital, capaz de criar um mercado de muitos bilhões de reais para envolver algumas dezenas de milhões de pessoas a mais no grande desfile da internet. A chegada da TV digital, que de uma forma ou de outra aponta na passarela, vai mudar o país inteiro: mais de 9 em cada 10 famílias têm TV, há centenas de estações, repetidoras, estúdios, uma cadeia de valor complexa e sofisticada e muitas dezenas de bilhões de reais de negócios nas próximas décadas.

Para uns, a decisão chega atrasada, pois deveria ter sido tomada no fim do último governo. Para outros, é açodada, pois os sistemas existentes estão a ponto de ter sua segunda, mais avançada, versão em pouco tempo. Isso poderia levar o Brasil, caso tivéssemos a competência negocial para articular com os vários modelos existentes, a ser o primeiro onde uma fusão de modelos – um padrão mundial de próxima geração – entrasse em operação, com óbvias vantagens para todos os envolvidos no padrão local. Aliás, mundial. Por outro lado, poderíamos pender para um lado e, escolhendo a próxima geração de um certo padrão, alavancarmos a capacidade nacional de participar nos destinos de um possível padrão dominante nas próximas décadas…

Enquanto isso, a China, que como nós está à busca de um padrão, manda avisar que não acha que padrões farão qualquer diferença. O divisor de águas, segundo os práticos planejadores chineses, será a política industrial associada ao novo modo de ver e interagir com TV. Por isso mesmo, a China não vai anunciar, em 2006, um padrão, e sim uma política industrial para TV digital.  A China fará isso porque entende não ter a massa crítica de conhecimento e capital humano para atacar um padrão como um todo e vai incentivar – ou ordenar – suas empresas a fazer parcerias com os grandes fornecedores internacionais de tecnologia. O resultado é previsível: dentro de poucos anos, televisores chineses de todos os padrões em qualquer lugar do mundo…

Nas quadras de Brasília, o ensaio que se ouvia, uníssono, até a poucos dias, era o oposto de Beijing: tudo indicava que íamos anunciar um padrão e “convocar” a indústria para atendê-lo. Como quase não há indústria nacional na área, talvez a decisão fizesse sentido. Ou não: a definição de padrões é sempre uma oportunidade de criar mercados e indústrias, no mais das vezes exportadoras. Mas as indústrias e investidores nacionais pareciam estar, se muito, nas arquibancadas. E ensaiando a tal vaia. Ocorre que forças outras entraram no desenvolvimento do enredo e na arrumação do pagode, na rua, e parece que está começando a haver – antes tarde do que nunca – uma discussão baseada em conhecimento real do negócio de TV e TV digital, quando antes parecia que escolher um modelo de TV digital para o Brasil era apenas uma questão de definir a camada, digamos, "aérea", do sistema inteiro. Se for pra confiar nos boatos desta semana, não só parece que estamos discutindo tecnologia e modelos de negócio e investimentos, além de contrapartidas para a eventual adoção de um modelo já estabelecido… mas também qual a participação do país, pela via de sua capacidade de pesquisa, desenvolvimento e inovação, na evolução de um tal sistema.

Santa Clara, padroeira da televisão, vai ver, está entrando no samba e no Carnaval. Até pelas sábias palavras de Caetano, que parecia saber que um dia a gente até poderia usá-las num debate sobre escolhas, na TV digital: "Santa Clara, padroeira da televisão/ Que o menino de olho esperto saiba ver tudo/ Entender certo o sinal certo se perto do encoberto/ Falar certo desse perto e do distante porto aberto/ Mas calar/ Saber lançar-se num claro instante…".

Tomara. Tomara que ainda dê tempo pra pensar profundamente – antes do tal anúncio – os negócios de TV digital, sem o que a alegoria nacional de política de tecnologia, industrial e comércio exterior não impressionará muito a comissão julgadora. E a favorita pro nosso Carnaval Digital, talvez, passe a ser a Unidos de Beijing, desfilando o tema Festival da Primavera Industrial na TV Digital do Brasil

Artigos relacionados

0 Responses to informática: padrões & políticas

  1. Buraco disse:

    Silvinho,

    Vai fundo…. tem robalheira ai tambem.

  2. JUARES disse:

    EU COMO TODO BRASILEIRO, ESTAMOS CALEJADOS, NÃO TEMOS OPINIÃO , NOSSA DEMOCRACIA E FICTICIA.

  3. Wesley Soares de Abreu disse:

    Texto confuso esse seu ein! falou falou e falou e só enrolou.
    Não concordo com você o padrão brasileiro é bom, vide várias especificações técnicas… a única falha foi que o governo não conseguiu ainda formular uma politica industrial em cima dele (nisso eu concordo). Mas o problema não é o padrão é o governo reavalie seu texto.

  4. Rogerio disse:

    Simples… O brasileiro nao adotou o padrão digital e nao esta nem ai para ele por que nao quer trocar seu aparelho de TV… alem do mais com a porcaria de programação que temos na TV aberta ainda nao se justifica….

  5. Andre disse:

    O Blogueiro não sabe o que diz. O padrao escolhido é o melhor existente no mundo.
    E olha que sou anti-petralha hein….

  6. Aff disse:

    Que moral alguém tem pra falar de padrões se nem utiliza maiúsculas no início das frases?

  7. Miguel Carvalho disse:

    Voce está falando abobrinhas e sobre duas coisas que não entende, Politica Industrial e TV Digital.

  8. Helio Silva disse:

    O que o Brasil consegui foi que todos os conversores (set top box) disponiveis no mercado são made in China e as TV’s tambem, não gerou um só emprego aqui, só conversa, afirmo isto porque trabalho nesta área, o STB virou uma caixa chinesa como o DVD, com o dolar no valor que está não há empresa brasileira que aguente.

  9. Adilson - Curitiba disse:

    Moral da História !!

    Que não sabiamos fazer, isso todo o mundo já sabe !
    Mas agora ficou claro que não sabemos escolher nem o que já está pronto !!

  10. Papakion disse:

    Sim, e qual é a solução? o que foi sugerido? teve audiências públicas sobre o tema. Alguém participou? Só reclamar e dizer que tá ruim é muito fácil. Temos que parar de reclamar e tentar ajudar.

  11. Luciano disse:

    Certamente você não entende da técnica mesmo. O padrão que o Brasil adotou é mais moderno que o europeu o que o americano, e até mesmo avançado comparado ao que os próprios japoneses usam.

    • srlm disse:

      ninguém NEM discutiu técnica aqui… mas o que é que padrões têm a ver cm política industrial. temos o padrão. pode ser tão bom quanto se queira. não temos uma política industrial pra ele. resultado? a coisa entrou do lado ERRADO da balança comercial. solução? tentarão consertar à força, tardiamente, algo que poderia ter sido feito, corretamente, lá no começo…

  12. Luis disse:

    Que moral alguém tem pra falar de padrões se nem utiliza maiúsculas no início das frases? [2]

  13. TOTAL ALIEN disse:

    A implantação da tv digital no brasil, veio tardiamente pois aqui já existe tv a cabo.
    Ou seja a tv digital vai ficar OBSOLETA !

  14. Fernando disse:

    Muita besteira neste texto. Parece mais um manifesto de rebeldia sem causa.

  15. Helio Silva disse:

    esta escolha só gerou expectativas que não foram realizadas, visto que hoje todos os Set Top Box distribuidos no Brasil são caixas chinesas, não gerando nenhum emprego na industria nacional, mesmo as placas de conversores para TV são desenvolvidas por lá, trabaho nesta área e a digitalização só gerou prejuizos para os empresarios brasileiros que acreditaram, ficando só os “importadores” operando no mercado.

  16. ivan teixeira disse:

    Atenção críticos da oportunidade. Vocês sabiam que o Silvio é mestre em Engenharia de Softwares pela UFPE ? Um craque reconhecido in
    ternacionalmente em comunicação, telecomunicação e plataforma em
    WEB ? Ouçam, leiam e creiam . Na ociosidade leiam pela editora
    WWW Norton “”The big switch “””” de Nicolas Kerr

  17. daniel disse:

    Que moral alguém tem pra falar de padrões se nem utiliza maiúsculas no início das frases? [2

    • srlm disse:

      daniel… isso é um padrão, por acaso que seja. vê o bauhaus. e procura um blog “bem escrito” pra ler…

  18. Eduardo disse:

    Uma forma de avaliar o caráter “técnico” da escolha do padrão digital foi a briga entre os então ministros Gilberto Gil e Hélio Costa, cada um defendendo um padrão de TV digital. Não me lembro de qualquer um dos dois ter apresentado pareceres técnicos para respaldar tanto empenho. Po$$ivelmente o respaldo vinha de outra fonte.

    E, que eu saiba, o padrão digital “pegou” tão bem quanto campanhas anti-corrupção no Congresso.

  19. Politico disse:

    Tv digital??? Interatividade??? Isso faz aparecer no noticiario?Mas que pedido de CPI(Comissão Para Indice) ??? Se ter com certeza haverá muitos interressados em Brasilia!!
    – Há tem pensar muito???
    – Tô fora!!!

  20. Val disse:

    a tv midia não queria competir com america e europa escolheram padrão difienciado alegando melhor,mais os interesses eram outros, nossos parceiros sempre foram America e Europa o japão nunca foi a pricipal economia nem o padrão .

  21. Cesar disse:

    “Atenção críticos da oportunidade. Vocês sabiam que o Silvio é mestre em Engenharia de Softwares pela UFPE”

    Eu respondo: E?

    Falácia do Apelo à Autoridade detected.

  22. luiz carlos de oliveira disse:

    Caros , o padrão de TV DIGITAL tem uma qualidade incrivel , poe no lixo quaquer tv a cabo existente , o que falta é a sua popularização e melhorar a programação das TVs Abertas , mas a qualidade dos programas produzidos em full HD é simplesmente fantastica e tenho assistido a TV DIGITAL e devo dizer que a imagem é linda , os televisores feitos a partir de 2011 já vem com conversor integrado e é lógico que não se joga fora uma base analógica de TVs instaladas no lixo de uma hora para outra , mas a TV digital no Brasil deve ser fortemente impulsionada na copa de 2014 , afinal assistir futebol em FULL HD é uma experiençia inesquecivel ,

    • srlm disse:

      ninguém está discutindo isso aqui; mas qual influência padrões podem ter em políticas industriais, emprego, renda… o que, no caso do SBTVD, é perto de zero, no brasil.

  23. Roberto disse:

    Leio na reportagem:

    Nas quadras de Brasília, o ensaio que se ouvia, uníssono, até a poucos dias, era o oposto de Beijing:

    Oras…. que credibilidade devo dar a uma opinião escrita por alguém que nem sabe conjugar o verbo haver, no passado ?????
    “até há poucos dias….” né ??
    Pelo amor de Deus… dêem uma revisada nas matérias antes de divulgar. Será que a preguiça é tamanha ????

  24. naldera disse:

    alguem aqui ja entendeu algum texto que esse Sr ja postou??? meu amigo.. que texto confuso da porra!! sai dai meuuu.. ta aposentado vai pro bar ficar bebendo..nao sei como o terra tem coragem de postar essas merdas!!! Dá lugar pra um recem formado que é bem melhor!!!

  25. Miguel Arinque disse:

    “Vocês sabiam que o Silvio é mestre em Engenharia de Softwares pela UFPE”. Eu digo “Big Deal”! Sou doutor em Engenharia de Computação pela UnB e digo: o M.Sc. Sílvio em Questão confunde qualidade operacional com eficiência comercial. Na verdade, o IPTV vai sobrepujar todos os formatos de transmissão terrestre. Em um espaço curto de tempo o padrão brasileiro é muito bom. Ele integra toda a América Latina, conforme demonstra o gráfico acima. Para longo prazo todos os padrões converterão-se para IPTV.

  26. Moi disse:

    Grande Silvio,

    Lembro destas imensas discussões (e de tantas outras relativas à uma quem sabe um dia política de alguma coisa de inovação) e a verdade é tão simples quanto ridícula: Nossos padrões tecnológicos são tão obtusos quanto sejam os lucros gerados para uma maioria X.

    Para as críticas construtivas, o teor do texto é sobre POLÍTICAS e não sobre padrões. Betamax sempre foi melhor que o VHS, mas uma estratégia de mercado fez o segundo ser o padrão de fato. E é nisso que a China vem jogando com maestria (é só ler os estudos linkados).

    E a todos os outros idiotas que não medem palavras para crititcar o blog, paciência, para jumentos qualquer coisa é campim…