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Escrito por • 28/09/2008

inovação [pela hora da morte?…]

inovação, nos ensina peter drucker, é a única fonte de aumento [sustentado] de produtividade e esta, por sua vez, é a única maneira de sobreviver numa economia competitiva. muitos milhares de páginas têm sido escritos sobre o assunto nas últimas décadas e milhões de horas são gastos nas empresas, no mundo inteiro, na busca das melhores práticas pra garantir que a empresa saia de onde está para um lugar mais competitivo em sua cadeia de valor. e inovar, quase a qualquer custo, se transformou num mantra corporativo no mundo inteiro.

nakamats_water-inventor.jpgse você pensa que não há um método garantido para "inovar", esqueça suas crenças pregressas e vá ao encontro do dr. yoshiro nakamatsu, [ou "dr. nakamats"] de quem o guinness book of records diz que é o recorde mundial de patentes, cerca de 3.200. nakamatsu san ganhou o igNobel de 2005, tem uma análise de todas as suas refeições dos últimos 34 anos e pretende viver pelos próximos 64, pelo menos, o que significa não morrer antes dos 144.

método do "dr.", para garantir idéias, patentes e inovação permanente: mergulhar sem nenhum auxílio até que a morte chegue bem perto, munido de um sistema, que ele mesmo inventou, pra tomar notas debaixo d’água [veja foto deste texto]. segundo o japonês com quem a ibm tem uma relação continuada, as melhores idéias rolam meio segundo antes da morte certa. aí ele tem um surto de imaginação e "cria" alguma coisa, logo antes de morrer afogado… e a satisfação de fazê-lo o traz de volta à superfície. usando tal processo, muito pouco usual e provavelmente suicida [para qualquer mortal comum. inclusive ele], o doutor pretende chegar às 6.000 patentes em seu [longo, se tudo der certo] tempo de vida. mas não tente imitá-lo, em casa ou no trabalho, sem supervisão de adultos sãos. até porque o "método" nada tem a ver com inovação.

por que? porque inovação tem muito pouco a ver com patentes ou mergulhos suicidas [de qualquer tipo…] para ter "idéias": inovação é a mudança de comportamento de agentes, no mercado, como consumidores e/ou fornecedores de qualquer coisa. e mudar o modo de ver, sentir e estar tem pouco a ver com idéias e sim com a execução, premeditada e ao mesmo tempo imperfeita, porque sempre aprendendo, de estratégias que consideram as necessidades dos consumidores, a [nova] forma de atendê-las, os benefícios e custos envolvidos e a atitude da competição em relação ao que você está tentando fazer.

você pode até ter uma "idéia" genial usando um método como o do dr. nakamats ou qualquer outro tão idiota quanto. mas inovação não tem nada a ver com este tipo de pirotecnia. e pode, muito bem, ser transformada em processo e realizada por mortais comuns, dentro dos ambientes mais insuspeitos. é só ter objetivos, metas e métricas, criar [no seu negócio] a energia para mudar e mantê-la no ar, com processos e incentivos apropriados, que os resultados não demoram a aparecer. e estão aparecendo em todos os lugares que estão fazendo justamente isso.

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0 Responses to inovação [pela hora da morte?…]

  1. É um metódo perigoso, ainda mais se o chefe estiver disposto a se livrar te todo o deparetamento de uma vez!!
    🙂

  2. Excelente texto Silvio, patentear uma idéia qualquer que não agrege nenhum valor a sociedade de que adianta? Quero ver o dr. nakamats bolar 3.200 inovações úteis 🙂
    Criar por criar ou mudar por mudar não necessariamente gera resultados, acho que as coisas acontecem quando o “cientista” começa a se preocupar com a aplicação de sua “invenção” ou “inovação” na sociedade. E para isso não se precisa de nenhuma inspiração divina ou experiência extracorpórea.

  3. Bruno Bezerra disse:

    Bem mais do que apenas criar, inovar pode (e deve) ser um simples MUDAR. Inovação verdadeiramente produtiva pra sociedade, pra uma organização, ou pra você mesmo, pode ser mais simples do que muita gente pensa, basta pensar a inovação também, e sobretudo como mudança de atitude.

  4. Flávio Pimentel disse:

    Excelente ponto de vista Silvio. E principalmente no Brasil, há a necessidade de desmistificar que Inovação para existir tem de ter P&D, ou que somente vem devido a este. Sem desmerecer a questão totalmente relevante do P&D, e olhando o mercado extremamente dinâmico e de curtíssimos ciclos que é o de TI, por exemplo, vemos que inovar está muito mais relacionado a relações colaborativas e de diferentes pessoas, do que propriamente a se passar de 12 a 24 meses desenvolvendo 1 projeto.

    Mas de novo, P&D é muito importante, o comment vai somente na linha de separar uma coisa da outra.

    []´s Flávio Pimentel.

  5. Alvaro disse:

    Tudo bem, o método do mergulho parece ser muito idiota mesmo, além de perigoso.
    Mas dando uma olhada rapida no curriculo do Dr. Nakamats… inventou o floppy disk qdo ainda estava na faculdade, depois o CD, e o DVD…
    Invenções nem um pouco despreziveis e inúteis, assim dizendo…