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Escrito por • 14/04/2010

internet: articulação e coordenação, ao invés de regulamentação

a internet, no mundo e no brasil, vem sendo regulada por um acordo de cavalheiros. dito desta forma, pode parecer que a rede precisa de mais ordem e mais estrutura; não, nada disso. é exatamente este acordo de cavalheiros, montado sobre a rede de conhecimento, relacionamento e articulações de um sem-número de comitês, grupos e competências, em todo o planeta, que faz com que a rede seja um instrumento essencial para a economia e a sociedade e, ao mesmo tempo, continue a manter, década e meia depois de se tornar comercial, sua vertiginosa velocidade de inovação.

a quantidade, diversidade e qualidade da inovação é o que tem nos dado, nos últimos 15 anos de rede comercial, a clara sensação de que estamos sempre “correndo atrás” para ficar no mesmo lugar, ou seja, capazes de usar o que a economia criativa da rede nos apresenta todo dia. ou, melhor ainda, o que o ambiente de inovação e empreendedorismo globais, dependente da rede, permite que criemos e ofereçamos ao mundo, todo dia.

vez por outra –como não poderia deixar de ser num acordo de cavalheiros- as coisas chegam perto de um ponto de ruptura. exemplo bem recente é, na semana passada, a FCC perdendo uma disputa sobre NEUTRALIDADE de rede para COMCAST e fazendo alguns começarem a acreditar que o regulador americano de telecom poderia, de repente, estar pensando em reclassificar ACESSO e PROVISÃO de serviço de internet como TELECOM. não falta quem queira, por muitas razões, fazer exatamente isso.

Kirk wants to take away your rights on the internet

nas últimas semanas e meses, este é o mais importante e complexo problema que rodeia o acordo de cavalheiros que rege a rede [nos EUA], pelo menos pra quem que está na rede e preocupado com seu futuro. a COMCAST, nos EUA, é um provedor de acesso que faz traffic shaping, o processo de priorizar uns pacotes, em sua rede, em detrimento de outros. em particular, a COMCAST só deixa passar pacotes do tipo torrent [muito usados para download de música e vídeo] quando “dá”. e o problema é que este “dá” pode ser quase nunca. pois bem: a FCC tentou obrigar a empresa a tratar todos os pacotes da mesma forma [neutralidade de rede, de forma simplificada, é isso] e, na justiça, perdeu.

as consequências podem ser imensas e mundiais. uma delas, a mais radical, seria  transformar acesso e provisão [em outras palavras, banda, larga] em telecom, trazendo junto com isso toda complexidade, parálise e, porque não dizer, bolor que permeia a regulação e o setor de telecom em todo mundo. não falta quem queira controlar algo do porte e valor de mercado da internet; sabemos todos, por outro lado, quais seriam as consequências do ponto de vista da velocidade de evolução se, por exemplo, a assembléia da UIT [e seus convolucionados processos decisórios] tivessem que regular, digamos, a porta 25.

falando nisso, taí um bom exemplo, a gestão porta 25: segundo o cert.br, gerência de porta 25 é o nome dado ao conjunto de políticas e tecnologias, implantadas em redes de usuários finais ou de caráter residencial, que procura separar as funcionalidades de submissão de mensagens daquelas de transporte de mensagens entre servidores. certo. e… se a porta 25 não for devidamente gerenciada? bem, 80% do spam que chega na sua caixa postal pode ser relacionado diretamente a portas 25 “abertas” nos provedores, como você pode ver no gráfico abaixo [linha azul].

imagecomo é que o problema está sendo tratado no brasil? como um belo exemplo de convivência entre o regulador [de fato e direito] de telecom e o articulador da internet.BR, o comitê gestor da internet brasil criado [tá lá na página do cgi.br]… pela Portaria Interministerial nº 147, de 31 de maio de 1995 e alterada pelo Decreto Presidencial nº 4.829, de 3 de setembro de 2003, para coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados.

ou seja: o cgi.BR, legalmente, não manda na internet.BR; ao invés, coordena e integra as iniciativas de internet no país. e tem funcionado muito, muito bem, com o cgi.BR “recomendando” procedimentos aos agentes da rede, no brasil, ao invés de “determinando” que se faça, peremptoriamente, isso ou aquilo.

no caso da porta 25, o cgi.BR [CGI.br/RES/2009/001/P] emitiu uma recomendação técnica sobre o assunto há um ano, depois saiu pra convencer um monte de gente: iG e UOL, por exemplo, já migraram todos os seus usuários para os termos da recomendação e o TERRA está migrando agora. mais recentemente, como a recomendação envolve controle de acesso [autenticação de mensagens, no provedor] e restrição de tráfego [na operadora], o CGI.br negociou com a ANATEL uma carta do ministro sardenberg [da ANATEL] ao secretário augusto gadelha, do MCT e coordenador do cgi.BR, apoiando a recomendação explicitada pela resolução 2009/001 e sua implementação pelas operadoras.

as operadoras, que já são, e há tempos, os maiores provedores de acesso do país e estão no olho de qualquer furacão relacionado à internet, passam a se sentir seguras de que, ao implementar a CGI.br/RES/2009/001/P com o “apoio” da ANATEL, estão melhor escudadas contra eventuais reclamações [judiciais, inclusive] de spammers que venham a se sentir atingidos pelos impactos da “recomendação” do cgi.BR

tudo muito articulado, leve e digno das melhores cozinhas diplomáticas do planeta, como não poderia deixar de ser quando se leva em conta as instituições, tradições e personagens envolvidos. pra todos nós, é bom que seja assim e, mais ainda, que continue a ser assim no futuro. a rede e nós todos só temos a ganhar.

a pergunta que fica, sobre um episódio do passado recente e que pode muito bem se repetir em breve… é: será que a intervenção da ANATEL no caso speedy/telefônica não foi bem mais do que a agência deveria, ou melhor, poderia –inclusive legalmente- ter feito? afinal de contas, apesar de provido por uma operadora, speedy é um SVA, serviço de valor adicionado [veja o artigo 61 da LGT] e, por isso, não deveria ser regulado pela ANATEL. verdade que internet via ADSL está na regulamentação do SCM… mas que isso foi uma forçada de barra, foi.

e você diria: sim, mas se a ANATEL “não nos defender”, quem haveria de?… que tal os órgãos de defesa do consumidor? ou o CADE, que tem o papel de fiscalizar, prevenir e apurar abusos de poder econômico, dado que a maioria dos provedores de internet fixa detém algo muito perto de um monopólio em suas áreas geográficas? mas no brasil é sempre mais fácil pedir mais regras, mais burocracia, mais controle, ao invés de se exigir mais eficácia e eficiência dos mecanismos existentes.

até este blog, que defende, o tempo todo, menos buro- e burrocracia e complexidade, mais articulação e coordenação e menos regulação na sociedade, chegou bem perto de pedir que a ANATEL, lá no mesmo 2009, tratasse de intervir no seu provedor de ADSL. tudo bem que a situação por aqui era caótica; mas nada justificava ter pensado que a intervenção da ANATEL, neste tipo de caso, deveria ser algo corriqueiro.

não era. não é. e se for, algum dia, estaremos correndo o sério risco de ter trazido para a internet as amarras estruturais e conjunturais que atrasam e impedem, em muitos casos, inovação em telecom. abrir a porta pra regulação da pesada, na rede, é trazer o cartoon abaixo pra bem perto de casa… perto demais pra gente, sequer, querer contemplar o assunto. pra rede, vale o ditado latino: mutantur omnia nos et mutamur in illis. tudo muda e nós mudamos com o todo…we must fight the corporations and government to keep our internet freedoms

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0 Responses to internet: articulação e coordenação, ao invés de regulamentação

  1. Paulo disse:

    Cade a formatação desse texto? Letras maiúsculas, parágrafos, vírgulas. Terrível ler algo assim.

  2. Paulo disse:

    Cade a formatação desse texto? Letras maiúsculas, parágrafos, vírgulas. Terrível ler algo assim.

  3. Stelio disse:

    perfeito na informaçao e posiçao,… melhor do que Silvio fez nesse dia a dia impossivel, parabens….

  4. Stelio disse:

    perfeito na informaçao e posiçao,… melhor do que Silvio fez nesse dia a dia impossivel, parabens….

  5. Rodney disse:

    Faço do comentário de cima o meu.
    Letras maiúsculas, parágrafos é o minimo que o autor deveria de preucupar para o texto ficar legível.
    Não sei como o terra deixa isto ser postado.

  6. Rodney disse:

    Faço do comentário de cima o meu.
    Letras maiúsculas, parágrafos é o minimo que o autor deveria de preucupar para o texto ficar legível.
    Não sei como o terra deixa isto ser postado.

  7. Helena Silva disse:

    É impressionante o quanto o Brasil e alguns “colegas” gostam de regular. Quem seriam os colegas? nem precisa dizer. São os mesmos que acreditam que o povo nao sabe o que fazer da liberdade; que esse território “livre”, ao invés de continuar desterritorializado, precisa de “pousar”para ser normatizado. Imagine, como não obter lucro desse “espaço”? Como não enquadrá-lo em normas jurídicas? como nao obter lucro através de tributos? A loucura é tanta que nao se contêm de ansiedade. Os mesmos que apregoavam a liberdade nao se conformam com ela, “nao a concedem”. Como diriam os entrevistados habituais de certas emissoras: “nao tenho palavras”.

  8. Helena Silva disse:

    É impressionante o quanto o Brasil e alguns “colegas” gostam de regular. Quem seriam os colegas? nem precisa dizer. São os mesmos que acreditam que o povo nao sabe o que fazer da liberdade; que esse território “livre”, ao invés de continuar desterritorializado, precisa de “pousar”para ser normatizado. Imagine, como não obter lucro desse “espaço”? Como não enquadrá-lo em normas jurídicas? como nao obter lucro através de tributos? A loucura é tanta que nao se contêm de ansiedade. Os mesmos que apregoavam a liberdade nao se conformam com ela, “nao a concedem”. Como diriam os entrevistados habituais de certas emissoras: “nao tenho palavras”.

  9. Aqui em nossa empresa usamos um software nacional, o LanEmpresa, um belo exemplo do que, mais que procedimentos, regulamentação, coordenação, um simples programa de gestão, virtualização, monitoramento, inventário e gerenciamento remoto resolve a discutida questão do uso da internet. Bloqueamos alguns acessos, filtramos conteúdo, alguns programas e jogos não rodam, bloqueamos sites indesejáveis, capturamos teclas digitadas, bate-papos, fotos, imagens, arquivos, emails em uma eventual auditoria, controlamos remotamente mais de 500 PCs, notebooks e Macs em rede e tudo isso em uma console única,; visualizando tudo com monitoramento em tempo real de todas as atividades dos usuários de um note ou um LCD, simples e fácil, sem segredos ou complicações, só quem já experimentou a visualização/virtualização (são menos de 05 minutos, não tem nada difícil) comprovará como resolve mesmo!

  10. Aqui em nossa empresa usamos um software nacional, o LanEmpresa, um belo exemplo do que, mais que procedimentos, regulamentação, coordenação, um simples programa de gestão, virtualização, monitoramento, inventário e gerenciamento remoto resolve a discutida questão do uso da internet. Bloqueamos alguns acessos, filtramos conteúdo, alguns programas e jogos não rodam, bloqueamos sites indesejáveis, capturamos teclas digitadas, bate-papos, fotos, imagens, arquivos, emails em uma eventual auditoria, controlamos remotamente mais de 500 PCs, notebooks e Macs em rede e tudo isso em uma console única,; visualizando tudo com monitoramento em tempo real de todas as atividades dos usuários de um note ou um LCD, simples e fácil, sem segredos ou complicações, só quem já experimentou a visualização/virtualização (são menos de 05 minutos, não tem nada difícil) comprovará como resolve mesmo!

  11. Silvio,

    Posso estar equivocado, mas Joaquim Falcão, em livro coordenado por Ronaldo Lemos e Ivo Waisberg, parece discordar de sua nota, no que se relaciona às competências do CGI.br (v. “Globalização e Judiciário: a internalização das normas de nomes de domínio” in “Conflito sobre Nomes de Domínio e Outras Questões Jurídicas da Internet”).

    Eu concordo com você, em parte. Concordo sobre a informalidade e sobre a desburocratização — a propósito, discussões interessantes no Art. 20 do Anteprojeto de Marco Civil da Internet, a respeito do assunto. Estou também plenamente de acordo com as competências técnicas do CGI.br, conquanto estas se relacionem a assuntos puramente técnicos.

    Eu discordo, contudo, em relação a uma visão mais ampla do que o Comitê Gestor pode se arvorar a fazer. O problema da ausência de um marco jurídico é precisamente o de que o Comitê Gestor pode invocar atribuições próprias de órgãos reguladores e emitir posicionamentos normativos em áreas que nada têm a ver com suas próprias atribuições. Por exemplo, questões éticas, políticas, culturais. Pode o Comitê Gestor ordenar os Provedores de Conexão em relação a essas?

    Ora, é precisamente o que o Comitê faz na Resolução CGI.br/RES/2009/003/P, que estabelece Princípios para a Governança da Internet no Brasil. Dentre esses princípios, está o próprio (malsinado) princípio da Neutralidade da Rede, sobre o qual, nos EUA, a FCC foi impedida de regular. Diz o Comitê Gestor: “Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais, ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento”.

    Deixemos de lado a idéia de o político não ser ético, que para mim é uma filosofia, no mínimo, original. Vejamos tão somente que excluir o político, o religioso, o cultural é precisamente regular as possibilidades dos provedores de conexão em relação ao político, ao religioso, ao cultural. Essa, aliás, foi a crítica que, dentre outros, William Galston, em seu “Liberal Purposes”, fez à suposta neutralidade John Rawls. Rawls pretendeu excluir certas “concepções do bem” (por exemplo, sobre cultura, sobre conhecimento) daquilo que chamou “a posição original de igualdade” — aquela em que as pessoas desenvolverão uma teoria da justiça fundada na ideia de equidade. A crítica de Galston é precisamente a de que a exclusão dessas concepções da posição original implica um posicionamento sobre elas — ou seja, neutralidade não há.

    Vale dizer, ao excluir concepções políticas, religiosas, culturais do âmbito de atuação dos Provedores de Conexão o Comitê Gestor culmina por trazer aos Provedores obrigações relacionadas a tais conceitos. E obrigações, vale dizer, *impossíveis*. Veja-se que mesmo nas RFCs da IETF nós nos deparamos com conceitos ético-políticos, como a idéia de justiça. A RTF 2026, com efeito, dispõe que os padrões definidos por aquela organização devem ser “desenhados para ajudar a facilitar boas práticas em termos de [inter alia] *justiça*”.

    Eu concordo com você, então, em parte. Quando questões estritamente técnicas estiverem em jogo, faz sentido que o Comitê Gestor invoque uma atribuição extra-legal, informal para regulá-las. O (invencível) problema, contudo, como pensadores diversos, de Heidegger a Langdon Winner, já nos lebraram, é o de que artefatos tem política.

    Penso que para solucionar questões como essa o marco jurídico hoje existente deveria ser aprimorado para conferir atribuições jurídicas mais claras ao Comitê Gestor, mesmo que o fizesse de forma muito ampla, adotando um modelo de regulação para a auto-regulação. Atualmente, de forma um pouco precária, nós podemos ancorar as atribuições do Comitê Gestor na Lei 7232/84, que estabelece a Política Nacional de Informática.

    Eu já vi com tons mais fortes esse amparo e mesmo emiti posicionamento a respeito. Hoje, porém, com o passar dos anos e a crescente penetração da Internet em tantos setores da vida em sociedade que vão certamente além do universo tecnológico, tenho dúvidas. O pensar sobre as discussões relativas à neutralidade abre os nossos olhos, precisamente, para o quanto as atribuições do Comitê Gestor são, na verdade, além de técnicas, políticas.

    Mas esse não é um problema que iremos solucionar sozinhos. Um marco jurídico internacional é necessário. A informalidade — e aqui você está completamente certo — é uma grande tendência do mundo contemporâneo, pós-moderno. Até que ponto ela engolirá nossas instituições sociais, até que ponto nossas instituições se fundirão com as promulgações da técnica será o grande problema do Século XXI; o problema de nossa sociedade tecnológica. E viva a Singularidade.

    Cordiais saudações,

    — Marcelo Thompson

  12. Silvio,

    Posso estar equivocado, mas Joaquim Falcão, em livro coordenado por Ronaldo Lemos e Ivo Waisberg, parece discordar de sua nota, no que se relaciona às competências do CGI.br (v. “Globalização e Judiciário: a internalização das normas de nomes de domínio” in “Conflito sobre Nomes de Domínio e Outras Questões Jurídicas da Internet”).

    Eu concordo com você, em parte. Concordo sobre a informalidade e sobre a desburocratização — a propósito, discussões interessantes no Art. 20 do Anteprojeto de Marco Civil da Internet, a respeito do assunto. Estou também plenamente de acordo com as competências técnicas do CGI.br, conquanto estas se relacionem a assuntos puramente técnicos.

    Eu discordo, contudo, em relação a uma visão mais ampla do que o Comitê Gestor pode se arvorar a fazer. O problema da ausência de um marco jurídico é precisamente o de que o Comitê Gestor pode invocar atribuições próprias de órgãos reguladores e emitir posicionamentos normativos em áreas que nada têm a ver com suas próprias atribuições. Por exemplo, questões éticas, políticas, culturais. Pode o Comitê Gestor ordenar os Provedores de Conexão em relação a essas?

    Ora, é precisamente o que o Comitê faz na Resolução CGI.br/RES/2009/003/P, que estabelece Princípios para a Governança da Internet no Brasil. Dentre esses princípios, está o próprio (malsinado) princípio da Neutralidade da Rede, sobre o qual, nos EUA, a FCC foi impedida de regular. Diz o Comitê Gestor: “Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais, ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento”.

    Deixemos de lado a idéia de o político não ser ético, que para mim é uma filosofia, no mínimo, original. Vejamos tão somente que excluir o político, o religioso, o cultural é precisamente regular as possibilidades dos provedores de conexão em relação ao político, ao religioso, ao cultural. Essa, aliás, foi a crítica que, dentre outros, William Galston, em seu “Liberal Purposes”, fez à suposta neutralidade John Rawls. Rawls pretendeu excluir certas “concepções do bem” (por exemplo, sobre cultura, sobre conhecimento) daquilo que chamou “a posição original de igualdade” — aquela em que as pessoas desenvolverão uma teoria da justiça fundada na ideia de equidade. A crítica de Galston é precisamente a de que a exclusão dessas concepções da posição original implica um posicionamento sobre elas — ou seja, neutralidade não há.

    Vale dizer, ao excluir concepções políticas, religiosas, culturais do âmbito de atuação dos Provedores de Conexão o Comitê Gestor culmina por trazer aos Provedores obrigações relacionadas a tais conceitos. E obrigações, vale dizer, *impossíveis*. Veja-se que mesmo nas RFCs da IETF nós nos deparamos com conceitos ético-políticos, como a idéia de justiça. A RTF 2026, com efeito, dispõe que os padrões definidos por aquela organização devem ser “desenhados para ajudar a facilitar boas práticas em termos de [inter alia] *justiça*”.

    Eu concordo com você, então, em parte. Quando questões estritamente técnicas estiverem em jogo, faz sentido que o Comitê Gestor invoque uma atribuição extra-legal, informal para regulá-las. O (invencível) problema, contudo, como pensadores diversos, de Heidegger a Langdon Winner, já nos lebraram, é o de que artefatos tem política.

    Penso que para solucionar questões como essa o marco jurídico hoje existente deveria ser aprimorado para conferir atribuições jurídicas mais claras ao Comitê Gestor, mesmo que o fizesse de forma muito ampla, adotando um modelo de regulação para a auto-regulação. Atualmente, de forma um pouco precária, nós podemos ancorar as atribuições do Comitê Gestor na Lei 7232/84, que estabelece a Política Nacional de Informática.

    Eu já vi com tons mais fortes esse amparo e mesmo emiti posicionamento a respeito. Hoje, porém, com o passar dos anos e a crescente penetração da Internet em tantos setores da vida em sociedade que vão certamente além do universo tecnológico, tenho dúvidas. O pensar sobre as discussões relativas à neutralidade abre os nossos olhos, precisamente, para o quanto as atribuições do Comitê Gestor são, na verdade, além de técnicas, políticas.

    Mas esse não é um problema que iremos solucionar sozinhos. Um marco jurídico internacional é necessário. A informalidade — e aqui você está completamente certo — é uma grande tendência do mundo contemporâneo, pós-moderno. Até que ponto ela engolirá nossas instituições sociais, até que ponto nossas instituições se fundirão com as promulgações da técnica será o grande problema do Século XXI; o problema de nossa sociedade tecnológica. E viva a Singularidade.

    Cordiais saudações,

    — Marcelo Thompson

  13. André Miranda disse:

    Oi, Silvio, aqui é André, do jornal O Globo. Eu precisava falar contigo, mas não estou encontrando seu e-mail. Deixei o meu no campo do e-mail.
    Abraço.

  14. André Miranda disse:

    Oi, Silvio, aqui é André, do jornal O Globo. Eu precisava falar contigo, mas não estou encontrando seu e-mail. Deixei o meu no campo do e-mail.
    Abraço.

  15. Eu disse:

    Oi SIlvio,

    Acho que no CESAR estamos aderentes a norma também.

  16. Eu disse:

    Oi SIlvio,

    Acho que no CESAR estamos aderentes a norma também.

  17. Hermano Perrelli disse:

    silvio, isso me lembra o caso de universidades americanas/inglesas na construção das calçadas dos seus campi: planta somente a grama e deixa as pessoas caminharem; quando os caminhos estiverem formados as calçadas serão feitas usando as trilhas deixadas pelas pessoas. essa, sem dúvida, é uma “filosofia” que funciona muito bem em muitos casos. abraço.

  18. Hermano Perrelli disse:

    silvio, isso me lembra o caso de universidades americanas/inglesas na construção das calçadas dos seus campi: planta somente a grama e deixa as pessoas caminharem; quando os caminhos estiverem formados as calçadas serão feitas usando as trilhas deixadas pelas pessoas. essa, sem dúvida, é uma “filosofia” que funciona muito bem em muitos casos. abraço.

  19. Marcos Lima disse:

    Oi Silvio. Antes de tudo, não concordo com as críticas contra a formatação do seu texto, acho até muito organizado com os hiperlinks e bem dividido em parágrafos, o que facilita a leitura numa tela de computador.
    Segundo, gostaria de uma opinião sua sobre direitos de transmissão em outros países. Moro na Alemanha e por exemplo não é possível ver os vídeos de notícias dos canais como g1.globo.com ou espn.com.br [já tentei em diferentes provedores e não é uma restrição de firewall].
    Não consigo entender o motivo desse tipo de bloqueio já que os únicos interessados em ver notícia em português seriam brasileiros. Isso não seria como um passo atrás no combate a pirataria [já que no final eu vou num site pirata e assisto da mesma forma]?
    Abraço.

  20. Marcos Lima disse:

    Oi Silvio. Antes de tudo, não concordo com as críticas contra a formatação do seu texto, acho até muito organizado com os hiperlinks e bem dividido em parágrafos, o que facilita a leitura numa tela de computador.
    Segundo, gostaria de uma opinião sua sobre direitos de transmissão em outros países. Moro na Alemanha e por exemplo não é possível ver os vídeos de notícias dos canais como g1.globo.com ou espn.com.br [já tentei em diferentes provedores e não é uma restrição de firewall].
    Não consigo entender o motivo desse tipo de bloqueio já que os únicos interessados em ver notícia em português seriam brasileiros. Isso não seria como um passo atrás no combate a pirataria [já que no final eu vou num site pirata e assisto da mesma forma]?
    Abraço.

  21. Silvio, sei que você não dá muita bola para as críticas sobre teu formato. Acho mais importante o conteúdo do que a forma. Em conteúdo…

  22. Silvio, sei que você não dá muita bola para as críticas sobre teu formato. Acho mais importante o conteúdo do que a forma. Em conteúdo…

  23. Deborah Dzierwa disse:

    Silvio
    Participei da sua palestra no curso Lider Mulher em Curitiba.
    Gostei do seu blog e informçoes.
    Conforme voce comentou em aula, o arquivo apresentado estaria a disposicao para download no seu bolg, mas nao encontrei.
    Voce pode me mandar. Estou querendo revisar esse assunto.
    Ate uma outra oportunidade.

    Deborah Dzierwa

  24. Deborah Dzierwa disse:

    Silvio
    Participei da sua palestra no curso Lider Mulher em Curitiba.
    Gostei do seu blog e informçoes.
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    Deborah Dzierwa

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