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Escrito por • 31/10/2011

internet e emburrecimento

Reportagem recente da revista época pergunta se a "internet faz mal ao cérebro" e cita um número de estudiosos que aponta, entre os efeitos da rede, um aumento da distração, dispersão e um emburrecimento da população. entre os proponentes de tal avaliação do estado de coisas em rede está mark bauerlein, da emory university, autor de The Dumbest Generation: How the Digital Age Stupefies Young Americans and Jeopardizes Our Future (Or, Don't Trust Anyone Under 30), publicado em 2008.

talvez o argumento central do livro seja que, apesar das oportunidades de educação, aprendizado, ação política e atividade cultural nunca terem sido tão grandes como agora, exatamente por causa da rede, os candidatos a aprendiz [os mais jovens, na perspectiva do autor e do texto] se conectam apenas entre si, para uma espécie de "socialização da imaturidade", ao invés se servirem do ambiente da web para conexão com pais, professores e outros adultos relevantes. segundo bauerlein, o resultado é que

…instead of using the Web to learn about the wide world, young people instead mostly use it to gossip about each other and follow pop culture, relentlessly keeping up with the ever-shifting lingua franca of being cool in school.

ao invés de usar a web para aprender sobre o grande mundo ao redor, os jovens usam a rede para fofocar uns sobre os outros e seguir a cultura pop, a todo tempo se mantendo atualizados com a sempre mutante língua franca que os torna "legais" na escola.

sei não. mas imagine que bauerlein esteja certo e os jovens estejam mesmo "emburrecendo" por causa da web e das redes sociais. bauerlein concorda que nunca se leu e escreveu tanto quanto hoje. segundo ele, o "problema" é que eles estão lendo e escrevendo as "coisas erradas": lá nos EUA a rede deveria estar sendo usada para ler mais shakespeare, milton, a grande literatura americana e discutir os problemas da sociedade e economia. mutatis mutandis, o adolescente local em rede deveria, ao fim do ensino médio –e só porque está na web, ter terminado grande sertão: veredas, de guimarães rosa, o romance d'a pedra do reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta, de ariano suassuna e a história da matemática de carl boyer. de preferência, claro, em inglês.

tal expectativa é completamente infundada. não só para a web, mas para qualquer outra "tecnologia". imagine prover telas, pincéis e tintas a seja lá que grande grupo for e espere pra ver se acontece algum picasso ou léger em poucas semanas ou mesmo alguns anos. mesmo que haja um processo de educação e aculturação, de mudança de comportamento, um conjunto de movimentos que possa levar a graus de interesse e desenvolvimento de competências capazes de fazer nascer um chagall, isso nem sempre –ou quase nunca- acontece.

como se não bastasse, como os mais jovens se conectariam aos mais velhos –para aprender, ou aprender mais, se estes demoraram muito a chegar na rede? será que eles [adultos a quem os jovens deveriam prestar atenção] perderam o ponto de entrada [faceBook, tecnologia feita por jovens para jovens, era só para estudantes no princípio] e, por conseguinte, a linguagem?

eons, a rede social para idosos, não é exatamente quem está ditando as regras e padrões de comportamento agora [nota de 07/2013: eons.com, a rede social para idosos, faliu]. e as empresas e escolas, instituições em geral, assustadas com a democracia das redes sociais, uma espécie de 1968 online, resolveram se esconder do "problema" e o fizeram por muito tempo. e estão muito atrasadas no aprendizado da nova "linguagem".

resultado? os jovens saíram na frente e estão à frente, onde vão continuar por muito tempo. e isso é muito bom, sejam quais forem as consequências.

no processo de introdução de novas tecnologias de amplo impacto social, há uma mudança radical no espaço-tempo, na forma, conteúdo, significado e entendimento do que é feito e criado, do que acontece ou deixa de. e leva anos, muitos talvez, para que o equivalente [na web ou nas redes sociais] à pintura acima ser reconhecido como a expressão de um gênio, mesmo que apenas no novo contexto cultural induzido pelas novas tecnologias. e ainda mais tempo para que seja, de fato, uma obra prima em qualquer contexto.

estamos vivendo uma reinvenção do contemporâneo. em modo beta.

a reportagem da época e os argumentos de bauerlein e outros precisam levar em conta uma mudança como a que estamos vivendo na rede tem impactos muito maiores do que percebemos de dentro do espaço-tempo da mudança. pela própria natureza da coisa, não conseguimos entender o que está acontecendo antes de chegarmos em alguns arranjos mais estáveis dentro do processo. ao mesmo tempo, tendemos a superestimar o impacto das tecnologias no curto prazo e subestimar o mesmo efeito no longo, aforismo conhecido como a lei de amara.

em um outro texto, bauerlein dá conta de uma outra mudança induzida por tecnologia que já começou a grassar nos estados unidos e que, em breve, vai rolar pelo resto do mundo: as escolas de indiana, entre outros estados, vão deixar de insistir na escrita cursiva [caligrafia já dançou há tempos] e partir para o teclado e o toque. bauerlein cita estudos que parecem garantir que construir as letras à mão [o cursivo] ajuda no processo de leitura e escrita. pode ser. mas como insistir que as crianças aprendam a ler e escrever de forma cursiva se, logo depois, esta "tecnologia" é descartada?

estamos numa encruzilhada. os velhos métodos já não funcionam mais, pois o mundo aqui fora da da escola "passou" por ela. ao mesmo tempo, ainda não conseguimos entender o suficiente do presente para formatar os métodos e processos, juntamente com as tecnologias, que vão servir de base para aprender, no presente, o que vai ser essencial para o futuro.

talvez não reste nenhuma outra alternativa a não ser tentar, errar e aprender. agora, enquanto o futuro ainda é recente. caso contrário, é olhar para o que o futuro parecia ser, no passado. a imagem abaixo, de 1910, tentava prever o que seriam as salas de aula do futuro, no ano 2000. vai ver que elas não são nem isso. e aí não é de assustar que os alunos, os "jovens", prefiram redes sociais e games. aqui pra nós, se eu fosse eles, estaria lá também. e estou.

image

PS: lá em 1968, nelson rodrigues [um dos mais competentes e deliciosos reacionários de todos os tempos] escrevia uma crônica [em maio… "eis o fato novo na vida brasileira: –o culto da imaturidade"] onde desancava o "novo" teatro, os "jovens" diretores da época [como zé celso] e sua visão de mundo e da encenação, botava a plateia no rolo e dizia que, naqueles tempos, o tempo exigia das pessoas plena imaturidade, que "neste final de século, a imaturidade é a musa perfeita, sereníssima, universal" e que, por fim "a inteligência está liquidando o teatro brasileiro". vai ver, o grande recifense teria razão hoje: a inteligência [juvenil] está liquidando a internet…

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39 Responses to internet e emburrecimento

  1. diego disse:

    O objetivo desses artigos é sempre o mesmo: desprestigiar um médio que está alterando seriamente o modelo de negócio das revistas e TVs.

    Época, Veja e companhia têm que proteger seus interesses, ainda que seja escrevendo matérias como a que você referenciou no seu artigo.

    Enquanto algumas empresas estão pagando 2000 reais por um anúncio em jornal no final de semana, outras descobriram que a publicidade na Internet é mais barata e com maior ROI, esse tipo de verdade acabará sendo conhecida em todos os círculos e precisam de conteúdo para poder contestar con frasses do tipo “Sim, mas na Internet só tem burro lendo, no nosso jornal tem povo culto”.

  2. diego disse:

    O objetivo desses artigos é sempre o mesmo: desprestigiar um médio que está alterando seriamente o modelo de negócio das revistas e TVs.

    Época, Veja e companhia têm que proteger seus interesses, ainda que seja escrevendo matérias como a que você referenciou no seu artigo.

    Enquanto algumas empresas estão pagando 2000 reais por um anúncio em jornal no final de semana, outras descobriram que a publicidade na Internet é mais barata e com maior ROI, esse tipo de verdade acabará sendo conhecida em todos os círculos e precisam de conteúdo para poder contestar con frasses do tipo “Sim, mas na Internet só tem burro lendo, no nosso jornal tem povo culto”.

  3. diego disse:

    O objetivo desses artigos é sempre o mesmo: desprestigiar um médio que está alterando seriamente o modelo de negócio das revistas e TVs.

    Época, Veja e companhia têm que proteger seus interesses, ainda que seja escrevendo matérias como a que você referenciou no seu artigo.

    Enquanto algumas empresas estão pagando 2000 reais por um anúncio em jornal no final de semana, outras descobriram que a publicidade na Internet é mais barata e com maior ROI, esse tipo de verdade acabará sendo conhecida em todos os círculos e precisam de conteúdo para poder contestar con frasses do tipo “Sim, mas na Internet só tem burro lendo, no nosso jornal tem povo culto”.

  4. Mais uma vez os senhores do bom gosto do século passado, faturando, querendo ‘deslegitimar’ o que NINGUÉM pode, ainda, saber DE FATO, sobre o mundo que estamos aprendendo a entender. Eu percebo o medo e o senso de oportunidade porca, desses senhores. Até rezo por suas almas analógicas que não tem a velocidade de processamento necessária para compreender que as coisas estão ‘NATURALMENTE’, sofrendo atualizações, que vão permitir o acesso a este mundo, cada vez mais novo, às pessoas que melhor se ajustarem (como sempre foi). Realmente, o tempo é implacável, principalmente à aqueles que não querem dar lugar.

    http://www.scarpini.zip.net

  5. Mais uma vez os senhores do bom gosto do século passado, faturando, querendo ‘deslegitimar’ o que NINGUÉM pode, ainda, saber DE FATO, sobre o mundo que estamos aprendendo a entender. Eu percebo o medo e o senso de oportunidade porca, desses senhores. Até rezo por suas almas analógicas que não tem a velocidade de processamento necessária para compreender que as coisas estão ‘NATURALMENTE’, sofrendo atualizações, que vão permitir o acesso a este mundo, cada vez mais novo, às pessoas que melhor se ajustarem (como sempre foi). Realmente, o tempo é implacável, principalmente à aqueles que não querem dar lugar.

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  6. Mais uma vez os senhores do bom gosto do século passado, faturando, querendo ‘deslegitimar’ o que NINGUÉM pode, ainda, saber DE FATO, sobre o mundo que estamos aprendendo a entender. Eu percebo o medo e o senso de oportunidade porca, desses senhores. Até rezo por suas almas analógicas que não tem a velocidade de processamento necessária para compreender que as coisas estão ‘NATURALMENTE’, sofrendo atualizações, que vão permitir o acesso a este mundo, cada vez mais novo, às pessoas que melhor se ajustarem (como sempre foi). Realmente, o tempo é implacável, principalmente à aqueles que não querem dar lugar.

    http://www.scarpini.zip.net

  7. Luiz Gustavo disse:

    e “liquidando a internet” no sentido de transformá-la em algo incapturável ao entendimento, à interpretação instantânea, às definições, aos dogmas…
    para quem está no comando do relato, eu, você, anyone, literalmente, as reticências serão um guia. eu quero, eu vou, já voltei…dando certo ou não a questão é: experimentar!
    agora eu quero ver quem se habilita!

  8. Luiz Gustavo disse:

    e “liquidando a internet” no sentido de transformá-la em algo incapturável ao entendimento, à interpretação instantânea, às definições, aos dogmas…
    para quem está no comando do relato, eu, você, anyone, literalmente, as reticências serão um guia. eu quero, eu vou, já voltei…dando certo ou não a questão é: experimentar!
    agora eu quero ver quem se habilita!

  9. Luiz Gustavo disse:

    e “liquidando a internet” no sentido de transformá-la em algo incapturável ao entendimento, à interpretação instantânea, às definições, aos dogmas…
    para quem está no comando do relato, eu, você, anyone, literalmente, as reticências serão um guia. eu quero, eu vou, já voltei…dando certo ou não a questão é: experimentar!
    agora eu quero ver quem se habilita!

  10. Acredito na internet como uma ferramenta, claro, muito mais democrática e dinâmica, porém, ainda uma ferramenta. Os resultados não dependem, necessariamente, dela, mas do uso que fazemos dela.
    Temos conteúdos riquíssimo, ao mesmo tempo em que outros muito pobres, todos disponíveis da mesma forma. Agora, se seu uso está gerando mais ou menos educação, mais ou menos cultura, isso depende de uma visão sem julgamentos.
    Na minha opinião, a internet está gerando educação e cultura, porém, muito diferentes do que foi criado até hoje. A pergunta é: essa nova educação, cultura e forma de pensar serão a resposta para os novos e futuros desafios dessa (e das próximas) geração!?
    Temos de pensar com menos julgamento e vaidades, colocando a frente o propósito de criar, JUNTOS, mais soluções!

  11. Acredito na internet como uma ferramenta, claro, muito mais democrática e dinâmica, porém, ainda uma ferramenta. Os resultados não dependem, necessariamente, dela, mas do uso que fazemos dela.
    Temos conteúdos riquíssimo, ao mesmo tempo em que outros muito pobres, todos disponíveis da mesma forma. Agora, se seu uso está gerando mais ou menos educação, mais ou menos cultura, isso depende de uma visão sem julgamentos.
    Na minha opinião, a internet está gerando educação e cultura, porém, muito diferentes do que foi criado até hoje. A pergunta é: essa nova educação, cultura e forma de pensar serão a resposta para os novos e futuros desafios dessa (e das próximas) geração!?
    Temos de pensar com menos julgamento e vaidades, colocando a frente o propósito de criar, JUNTOS, mais soluções!

  12. PAULO NASC disse:

    Olá professor Meira. Tema esplosivo esse da burrice desintegrando o potencial da internet. Faz lembrar uma antiga tese de que o comunismo totalitário só prosperou em paises de tradição católica. Por aí chego a conclusão que tem a ver com o uso que nós estamos fazendo da web: um meio para cultuar a indigência. Indigência artística, indigência cultural. A cobertura desproporcional a essa dupla cebosa e gosmenta no Teatro Guaíra destilando seus venenos intestinos pegou mau como sintoma de decadência e do que vêm por aí. Nelson Rodrígues certamente teria algo a dizer sobre o assunto na sua coluna A Vida Como Ela É.

  13. Maurício Alves disse:

    Concordo, Paulo. O uso que tem sido feito da web, calcado unicamente no consumo de conteúdo via mobile, privilegiando o que eu chamo de resumo do lead, a foto e quando muito a infografia de qualidade mediana ou duvidosa não pode gerar nada que seja muito diferente do emburrecimento 2.0. Isso não diz nada a respeito da web em si, e nisso eu me alinho com Sílvio Meira: a internet é rica a não mais poder em informação e potencial, mas de pouco adianta toda essa informação, todos esses séculos de cultura armazenados em bits e bytes se, no momento de alguém visitar o site da biblioteca do Vaticano o fizer por meio de um smartphone, por exemplo. Ainda que essa pessoa seja um dos jovens inquietos citados no texto, a perda causada pelo simples fato de uma plataforma desenhada para o consumo rápido de conteúdo e o e-commerce terá sido descomunal. Na rede as coisas são um pouco mais complexas do que parecem. Inclusive o emburrecimento.

  14. Maurício Alves disse:

    Concordo, Paulo. O uso que tem sido feito da web, calcado unicamente no consumo de conteúdo via mobile, privilegiando o que eu chamo de resumo do lead, a foto e quando muito a infografia de qualidade mediana ou duvidosa não pode gerar nada que seja muito diferente do emburrecimento 2.0. Isso não diz nada a respeito da web em si, e nisso eu me alinho com Sílvio Meira: a internet é rica a não mais poder em informação e potencial, mas de pouco adianta toda essa informação, todos esses séculos de cultura armazenados em bits e bytes se, no momento de alguém visitar o site da biblioteca do Vaticano o fizer por meio de um smartphone, por exemplo. Ainda que essa pessoa seja um dos jovens inquietos citados no texto, a perda causada pelo simples fato de uma plataforma desenhada para o consumo rápido de conteúdo e o e-commerce terá sido descomunal. Na rede as coisas são um pouco mais complexas do que parecem. Inclusive o emburrecimento.

  15. Maurício Alves disse:

    Concordo, Paulo. O uso que tem sido feito da web, calcado unicamente no consumo de conteúdo via mobile, privilegiando o que eu chamo de resumo do lead, a foto e quando muito a infografia de qualidade mediana ou duvidosa não pode gerar nada que seja muito diferente do emburrecimento 2.0. Isso não diz nada a respeito da web em si, e nisso eu me alinho com Sílvio Meira: a internet é rica a não mais poder em informação e potencial, mas de pouco adianta toda essa informação, todos esses séculos de cultura armazenados em bits e bytes se, no momento de alguém visitar o site da biblioteca do Vaticano o fizer por meio de um smartphone, por exemplo. Ainda que essa pessoa seja um dos jovens inquietos citados no texto, a perda causada pelo simples fato de uma plataforma desenhada para o consumo rápido de conteúdo e o e-commerce terá sido descomunal. Na rede as coisas são um pouco mais complexas do que parecem. Inclusive o emburrecimento.

  16. eu disse:

    o que emburrece é a televisão

  17. Flávia Pereira disse:

    Não concordo que esteja acontecendo um emburrecimento das pessoas por causa da internet. O problema principal é o mau uso não só da internet mas dos meios de comunicação de uma forma geral. Acredito que esteja acontecendo uma explosão de narcisismo, até mesmo de idiotização de algumas pessoas que querem espaço na mídia, serem vistas a todo custo – vide o episódio com a jornalista Monalisa Perrone hoje. Infelizmente a internet é a primeira a ser atacada por atingir cada vez mais rápido um grande número de pessoas… e algumas poucas imbecis não sabem fazer bom uso dela. Típico caso da laranja podre que estraga o cesto inteiro…
    Acho mais preocupante as pessoas que são originalmente imbecis e usam a internet como instrumento do mal.

  18. Paulo Cesar disse:

    “bauerlein cita estudos que parecem garantir que construir as letras à mão [o cursivo] ajuda no processo de leitura e escrita.”

    Ao mesmo tempo, existem estudos que indicam que hoje todos temos mão deformadas por começarmos a usar lápis e caneta cedo demais.. E aí, como fica?

  19. FALA SÉRIO disse:

    O PIOR DA “MARAVILHA”QUE É A INTERNET,É, SE COMEÇAREM A “INSISTIREM”NA “CENSURA”QUE ESSES SITE ESTÃO FAZENDO,ONDE QUEREM CALAR A BOCA DO POVO ,NOTICIAM E PRIVAM OS COMENTARISTAS DE DAREM SUA OPINIÃO.!!!

  20. Otávio Andrade disse:

    Acho que o senhor é um pouco deslumbrado com a internet, até por achar que as pessoas fazem mau uso dela. O que faz da internet ser algo é o uso que as pessoas fazem desse veículo e não o que o senhor considera que seria o ideal do seu uso. Por isso, eu acho a internet um instrumento limitado como qualquer outro veículo, só que um pouco mais confuso e sujeito a dispersão.

    Mais uma coisa: escrever do jeito “muderno” da internet não faz você um internauta ideal. Parece mais alguém forçando a barra.

    abraço

  21. Nos anos 2000, Michael Bloomberg já sentenciava que era preciso ter cuidado ao fazer a diferenciação entre o que a tecnologia pode nos oferecer e a forma como ela é efetivamente usada. A internet é uma ferramenta útil, mas é apenas uma extensão da comunicação eletrônica, baseada na antiga tecnologia do telefone, sem a qual nenhuma comunicação em rede é possível. Por suas características, ela é útil em alguns aspectos, mas não em todos. Se você quiser trocar informações com apenas uma pessoa, não deve usar a internet, porque ela é mais adequada para trocar dados em fluxo. A internet supera outros meios de comunicação eletrônica porque permite acesso ilimitado ao mundo todo. Mas nas empresas isso não substitui um dos processos básicos de gestão, como marketing, produção, contabilidade, administração… a WEB permite aperfeiçoar o produto, mas ela não substitui as pessoas, não muda os negócios fundamentais. Quando a TV surgiu foi apresentada como uma grande promessa que aumentaria a distância entre ricos e pobres, porque seu preço era muito alto. O aparelho daria acesso à cultura e treinamento, e as pessoas aprenderiam mais e teriam empregos melhores, mas os pobres não teriam acesso, ficariam à margem. Mas a história provou o inverso. Mais de 70 anos depois constatamos que a televisão foi a pior coisa que já aconteceu aos pobres, porque eles pararam de ler e se apegaram a ilusões irreais de mudança de vida. Ainda hoje, saber ler, escrever e calcular continua sendo importante. Mas qual tecnologia nós devemos adotar? Sobretudo aquela que agrega valor e que não percebemos que estamos adquirindo. É o caso dos games, por exemplo. Mesmo sem saber de seus benefícios, os jogadores tem sua inteligência elevada. E sobre a Lei de Amara de que “nós tendemos a superestimar o efeito de uma tecnologia em curto prazo e subestimar o efeito no longo prazo”, talvez a Metáfora das Palmas nos ajudem a entender complexidades. Se as pessoas não sabem o que dizer nas redes sociais agora, quem sabe o tempo de uso as faça melhorar qualidade de todo o conteúdo produzido em rede.

  22. Fabiane disse:

    Fiquei curiosa sobre a rede social dos velhinhos. Sou uma pessoa doséculo passado: amo revistas, livros e tenho uma relação superficial com a  internet. Quem sabe a solução para o meu problema não seja o  facebook dos antigo?. Vou correndo pesquisar no google. Uma coisa é certa: nenhuma tecnologia independe de quem a utiliza. 

  23. Eduardo Moraes disse:

    Mestre Silvio,

    muitos pensam que a internet é a soluçao para a educaçao dos nossos jovens. Porém sem o uso adequado concordo com o posicionamento do bauerlein que podemos estar criando jovens ainda mais burro. A maioria dos professores nao estão preparados para utilizar a Internet de forma correta e fazer dela a grande ferramenta de aprendizagem que revolucionou nossas vidas. Sem orientaçao adequada pode ser mais um disperdício de tempo e sem agregar conhecimento.

    Para se refletir.

  24. sasa disse:

    olha me desculpem, mas concordo com o colega bauerlein, realmente a internet anda emburrecendo, lógico que não apenas ela mas a tv também, não por não ter um bom conteudo mas as pessoas buscam apenas o que não vai servir para nada, e o que vamos encontrar de uma forma mais atraente em qualquer pag. são porcarias, bom as pessoas ja não conseguem mais se encarar, até mesmo sexo fazem pela net ( que ABSURDOOOO), é a tecnologia avançando, as pessoas se distanciando, alienados, depressivos cometendo suicidios, influenciados a achar que tudo isso é uma coisa normal são os novos tempos… que pena…

  25. diana disse:

    A internet ou tv não emburrece. O problema é que a maioria das pessoas não sabem aproveitar nada do que ela realmente tem a oferecer. As pessoas passam muitas horas conectadas sim, infelizmente só para acessarem bobagens, nada de cultura, nada que se aproveitem. Hoje com tanta Tecnologia, com tanta coisa moderna e ninguem ta nem ai pra melhorar culturalmente. Só usam pra nada, pra nada acrescentar. Vejo essa juventude de hoje tão sem noção de nada, sem cultura nenhuma, fico pasma com tanta burrice. Se nem os Pais orientam ou fazem por onde, como pode querer que a internet os eduque? Todos acham que podem tudo, que sabem tudo e não deve nada a ninguem ou obedecer regras, tentam de alguma maneira culpar a internet por tudo de ruim que acontece no mundo. Os únicos culpados são os seres humanos por não saber aproveitar o que tem de bom para ser uma pessoa melhor.

  26. Em tempos de crise fica ainda mais difícil obter, via computador, a informação relevante, que realmente nos interessa… aquela que lhe tire do buraco que você mesmo se meteu, ou foi jogado por acreditar em alguém que não conhece bem. Afinal, nas redes sociais, ainda não fazemos amigos, apenas conexões… Em tempos de crise, muita gente quer manipular os dados ao bem-prazer. Embora a grande ameaça resida no fato de muito mais gente omitir a informação que realmente interessa. O problema é que as empresas não querem divulgar coisas ruins, apenas coisas boas. Mas o mundo é feito de coisas boas e ruins… é só olhar pela janela, gente! Os analistas de mercado não querem dizer que erram, ou erraram. Aliás, hoje em dia, ninguém parece errar mais… Ninguém quer falar sobre os problemas de verdade, nem quando você é a pessoa mais interessada. Caramba! A informação nos telejornais são maquiadas com rounge, mas você assiste TV todos os dias, religiosamente. E pior, o mesmo canal! Na internet, as pessoas imaginam um site gratuito, mas as boas informações não são oferecidas de graça. O processo é caro. Só no grupo Boomberg são cerca de 70 mil funcionários, que coletam dados todos os dias. Grande parte do trabalho informacional das empresas consiste em conversar em ‘volta do bebedouro’, salienta Boomberg, que ainda tem tempo para administrar a cidade de Nova York. Mandar e-mail é diferente de digitar mensagens no teclado ou falar ao telefone. Para obter a informação que interessa na bolsa de valores, os profissionais continuam usando o telefone diariamente, visitando os seus clientes, cumprimentando-os, olhando nos olhos… Todos os dias informações pipocam na tela do seu computador e você nunca parou para pensar de onde elas vem… Nesse sentido, nenhuma tecnologia, nem mesmo a internet, está melhorando a nossa forma de obter informações relevantes. Em função do behaviorismo instigado pelo design deixado por Steve Jobs, temos a tendência a ‘santificar’ em tudo que vemos na tela, a acreditar que os dados, em forma de ícones espaciais, tem mais valor que a própria realidade. Já parou para pensar que o iPhone e iPad não agregam nenhum valor ao seu talento que você mesmo não sabe que tem? Se a tecnologia não agregar valor à pessoa não serve! É perda de tempo e dinheiro. O celular agrega valor às pessoas não pelo seu design, mas pela sua função mobile, que permite as pessoas usarem fora de casa. Mas, seja como for o futuro, aquele beijo na boca ainda tem seu lugar e hora marcados…

  27. SARAIVA disse:

    Li 3 x e n intendi nda. Disisto, esse cara iscreve mto deficiu. Vo volta pro FAKELOOK e tc com meus amigos. Fui!

  28. SARAIVA disse:

    Li 3 x e n intendi nda. Disisto, esse cara iscreve mto deficiu. Vo volta pro facebook e tc com meus amigos. Fui!

  29. Lúcio José da Silva disse:

    Interessante! Em todas as mudanças da base tecnológica há os argumentos de resistência ao novo. E é natural as pessoas, primeiro argumentarem contra alguma coisa sem entenderem o contexto e segundo, pela dificuldade de sair da zona de conforto, de algo conhecido e dominado para outra situação ainda instável. As redes sociais não são a salvação da lavoura, mas ferramentas que podem ajudar a resolver problemas. Mas para isto, vamos viver momentos em que elas ajudam em alguns casos e prejudicam em outros. Ou seja, temos que aprender a usar as redes para o bem, mesmo sabendo que também será usada para o mal, como em tudo.

  30. Glauco disse:

    Desculpe não poder comentar mas não consigo sair da censura do Terra.

  31. brasileiro disse:

    Tô chegando de última hora, mas quanto à tv é o maior instrumento de cultura, pelo menos para mim, pois de tão ruim, fica desligada a maior parte do tempo e aí só me resta ler e outras coisas melhores. Quanto à internet, tem de tudo, desde o útil ao inútil, passando pelo ilegal. É só saber filtrar.

  32. João disse:

    Engraçado que o Silvio Meira faz apresentações como se estivesse com um quadro negro na sua frente, só mudou onde escreve: do quadro para o tablet. Mais gozado é que ele ADORA riscar, rabiscar e desenhar à mão livre. Ou seja, sua forma de expressão é rigorosamente a mesma há décadas, apenas ficou high-tech.

  33. José disse:

    Meira,

    Gostei do tema e das análises.
    Tenho esse problema em casa que diagnosticava como o tal professor/autor Bauerlein – a internet estava sendo mal usada e emburrecendo a moçada. Suas considerações me abriram novas fronteiras. Gostei.
    Arantão T77

  34. Rafael disse:

    Acho que internet deixa o cidadão burro mesmo! Vide o autor do texto que não usa letras maiúsculas!!

  35. carlos disse:

    a Internet fala a verdade e ninguém gosta de ouvir a verdade,na Internet nao tem baba ovo e nem cachorro vira lata..todos tem sua opinião própria,i nao fica ouvido ou lendo ela faz a bill diversidade dos internaltas…os jovens de hoje sao todos iguais,graças a Internet…o jornalismo caiu muito,muitos jornais,estão falindo,a TV..esta perdendo no ibobp.em fim ela veio para revolucionar o mundo,,i o mundo depois da Internet ja e outro mundo..todos sabem o seu direitos..desenvolve a mente,i acelera o conhecimento..quem nao gosta da internet sao gente de ma fé,que deve esta cheio de processo,nas costa,,todos nos somos jornalista,i temos nossa opinião..acabou,um grupo seleto,ganhando tubos de dinheiro i falando em nome do povo..muitos jornalistas ja perderam seu emprego.

  36. carlos disse:

    jornais estão fechando..ou na esquina da falecia..o radio,ja caiu 50% de ouvintes,lógico,que a Internet levou a maquina de escrever,na esquina da falecia…i vai levar muitos jornais revistas,para esquina da falecia..os doutor,do conhecimento,hoje eu vejo como são ridículos i covardes,mercenario,,que a mais de um século vem ludibriando o povo através de jornais i televisão i as revista..o mundo esta em sintonia,o povo do planeta terra,sabe em questão de minuto,o que se passa no estremo lugar,que nenhum ser humano,conseguiria chegar.a biomedicina,os cientistas,agradece a Internet,por armazenar,dados de pesquisa..interagir com outros cientistas em questão de segundo em qualquer parte do mundo…

  37. Marcos disse:

    A burrice da citada ré-vista se expos publicamente em veiculo já enfermo de credibilidade! Então não é o veiculo que emburrece, mas o próprio burro!!!

  38. Fernando disse:

    Acho que a maioria das pessoas utilizam a internet como diversão, da mesmo forma que assistem faustão, gugu, eliana e silvio santos no domingo. Isto acrescenta muita coisa ao seus cérebro ??? As redes sociais são locais que as pessoas ficam postando fotos, e coisas que só interessam a si mesmas, ninguem lé, mas da a sensação que estão integradas ao mundo. Mas cada vez mais cada um fechado no seu mundo se achando conectado ao mundo.

  39. Fernando disse:

    Acho que a maioria das pessoas utilizam a internet como diversão, da mesmo forma que assistem faustão, gugu, eliana e silvio santos no domingo. Isto acrescenta muita coisa ao seus cérebro ??? As redes sociais são locais que as pessoas ficam postando fotos, e coisas que só interessam a si mesmas, ninguem lé, mas da a sensação que estão integradas ao mundo. Mas cada vez mais cada um fechado no seu mundo se achando conectado ao mundo.