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Escrito por • 14/05/2012

irã: cada vez mais radical e fechado

no irã, homossexualidade é "uma doença", segundo ninguém menos do que o secretário-geral do alto conselho iraniano para direitos humanos, mohammad javad larijani, em declaração de janeiro passado. no irã, aliás, sua opção e ação sexual podem resultar em pena de morte. olhando para o resto do mundo, o irã está cada vez mais isolado da onda de liberdade que assola o planeta.

isolamento –filosófico, religioso, econômico, social- é a palavra de ordem na terra dos aiatolás. e isso depende –diretamente- do controle da rede que costumava ser a internet, no irã, e é cada vez mais uma intranet, uma rede que usa os protocolos da internet global mas é desconectada do resto do mundo. pra que? pra aumentar o controle que as polícias dos costumes têm sobre a população como um todo e, mais radicalmente, sobre um ou outro ativista que ainda resistem.

desde outubro passado, usar software que passa "ao redor" dos filtros da intranet iraniana é um crime. o mesmo vale para VPNs, as redes privadas virtuais. como a de um banco, lá mesmo do irã, que precisa disso pra se comunicar agências fora do país. há pouco, o assunto chegou ao aiatolá khamenei, líder religioso supremo, que reafirmou a proibição. mas a fala de khamenei, ao mencionar o assunto "antifiltragem" [software ou método para evitar os filtros], foi ela mesma filtrada, causando o maior auê. é dura a vida dos censores das ditaduras, especialmente quando, ao invés de um birô com um ser humano, que no brasil era [ou se deixava ser] enganado por um certo julinho de adelaide, estão em pauta as tabelas e regras de um software de filtragem de conteúdo.

o esforço do irã para repatriar "sua" internet [aliás, como já se disse, intranet] está andando a passos largos: depois de ordenar que entidades governamentais e seus agentes só podem usar endereços de emeio terminados em .gov.ir, .ac.ir e .ir, o que é muito razoável, o governo foi além e determinou que bancos, seguradoras e companhias telefônicas não devem usar provedores de emeio fora do domínio [físico e lógico] .ir e que não podem mais manter correspondência com clientes que usem provedores "inimigos" como hotmail, yahoo e gmail. para cumprir a regra à risca, qualquer pessoa que queria fazer qualquer transação, de qualquer tipo, com qualquer tipo de entidade iraniana tem que ter um emeio no irã, .ir.

aqui, também pesa a guerra fria [e de informação, e das softwar e netwar] em que se engajam o irã e o [genérico] ocidente, com o país oriental reclamando que serviços internacionais de emeio tiveram problemas recentes de continuidade. só que, em novembro de 1390 [ano passado, no calendário iraniano], o provedor nacional de emeio do irã saiu do ar por um bom tempo e ninguém disse porque, o que aliás deve ser a norma, lá, em tais casos. os usuários queriam o que? que ditaduras tivessem um número 0800 para reclamações?…

enquanto o problema, no mundo, é chegar a um estado de coisas, na rede, onde haja cada vez mais e melhores conexões entre cada vez mais pessoas, instituições e coisas, no irã e em ditaduras similares trata-se de restringir e controlar, de todas as formas que se puder, o acesso de pessoas à rede, fixa e móvel, a não ser para bater palmas para o poder estabelecido. até que o poder, de repente, troca de sicários e bajuladores, como nos prova a história. ou, como também está escrito, quando o poder cai de podre, derrubado pelo povo que não consegue mais controlar.

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