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Escrito por • 28/06/2008

japão: celular vira banco

a humanidade se constituiu através de virtuais, segundo pierre lévy. na opinião do filósofo, os três virtuais fundamentais seriam a linguagem, que virtualiza o presente, criando o futuro e o passado e, consequentemente, o tempo; as técnicas abstraem as ações, estendendo o alcance do corpo humano; finalmente, os contratos abstraem a violência, criando as sociedades.

estamos cercados por virtuais, alguns muito antigos, como dinheiro [parte dos contratos], que é um virtual de poder de compra: ao invés de levar uma vaca para a loja e trocar por um celular, levamos papéis que representam nosso poder aquisitivo [resultado, talvez, da venda da vaca…]. mais comumente, pagamos com um plástico que é, em si, um virtual do dinheiro, ou seja, um virtual de segunda ordem.

o dinheiro, na forma de papel e moedas, está com os dias contados, pois é passível de todo tipo de risco físico e, como se não bastasse, é anti-ecológico. e já não era sem tempo: moedas e notas datam de 2500 e 1000 anos atrás, respectivamente. e os cartões de débito e crédito vão pelo mesmo caminho. quer ver como?…

kddi.gif

a operadora japonesa KDDI, segunda maior do país, já recebeu autorização do banco central de lá para abrir um banco comercial cujos serviços serão oferecidos através dos celulares operados pela companhia. dinheiro e cartão embutidos nos celulares. tudo digital, identificado e assinado. celular transferindo e recebendo dinheiro e pagando todo tipo de conta, de pedágio a trem e ônibus, restaurantes, lojas e conta de luz. fazendo investimentos na bolsa e tudo o mais que pode ser feito numa conta e num banco. vai ser sua conta de comunicação embutida no mesmo pacote de suas transações bancárias. e vice-versa.

a KDDI não é a primeira operadora a oferecer serviços financeiros no celular [vide o exemplo do oi paggo, aqui mesmo no brasil]; o título parece pertencer duas companhias das filipinas [que começaram serviços iguais ao paggo em 2005, segundo o guardian]. o que pode levar a KDDI à frente das noutras é a convergência financeiro-digital completa, com todos os serviços do seu banco sendo oferecidos aos usuários de seus celulares, algo não só inédito, mas inovador e potencialmente revolucionário.

e banco é só parte do que pode acontecer no celular. depois de se tornarem relógio, despertador, gravador, máquina fotográfica, câmera de vídeo, tv, media player, localizador, computador e banco, celulares devem se tornar identidade [de todos os tipos, de passaporte a carteira de motorista], chave, ………, ………, ……… [preencha os pontilhados com suas escolhas] e tudo mais o que puder ser virtualizado no hardware e software do dispositivo e/ou provido a ele por sistemas de informação do lado de cá da rede.

não vai levar muito tempo para que os celulares sejam o ponto de encontro da verdadeira convergência digital, que nada tem a ver com as tecnologias de suporte: a convergência será de aplicações, sobre a infra-estrutura e serviços digitais móveis habilitados nos celulares. e nem vamos precisar esperar muito pra ver isso acontecer; são só mais uma ou duas décadas de caminho. quem viver, verá.

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0 Responses to japão: celular vira banco

  1. Cada dia fica mais claro que as aplicações realmente serão as donas do futuro.

    Isso é confirmado também por aquela pesquisa que você brilhantemente garimpou e exibiu no artigo anterior, que trata das necessidades atuais dos celulares sentidas pelos japoneses. As duas necessidades mais sentidas são instalação de aplicativos e melhora no uso/acesso à internet.

  2. Cada dia fica mais claro que as aplicações realmente serão as donas do futuro.

    Isso é confirmado também por aquela pesquisa que você brilhantemente garimpou e exibiu no artigo anterior, que trata das necessidades atuais dos celulares sentidas pelos japoneses. As duas necessidades mais sentidas são instalação de aplicativos e melhora no uso/acesso à internet.

  3. Eu costumo dizer que ainda quero estar vivo quando eu tiver que andar somente com uma geringonça no bolso, que resolva tudo: abrir portas, ligar o carro, operações bancárias, identificação, me permitindo largar em casa um monte de chaves, celular, carteira, dinheiro, moedas, etc. Claro que os riscos mudam de lugar, aparecem outros não tão visiveis, mas é o preço que temos que pagar para ter mais conforto. Sobre riscos e o impacto do inesperado no cotidiano, estou lendo um livro muito interessante que recomendo, The Black Swan (Nassim Nicholas Taleb).

  4. Eu costumo dizer que ainda quero estar vivo quando eu tiver que andar somente com uma geringonça no bolso, que resolva tudo: abrir portas, ligar o carro, operações bancárias, identificação, me permitindo largar em casa um monte de chaves, celular, carteira, dinheiro, moedas, etc. Claro que os riscos mudam de lugar, aparecem outros não tão visiveis, mas é o preço que temos que pagar para ter mais conforto. Sobre riscos e o impacto do inesperado no cotidiano, estou lendo um livro muito interessante que recomendo, The Black Swan (Nassim Nicholas Taleb).

  5. Ricardo Renne disse:

    Existe no Brasil um produto chamado payfone, que será lançado ate o final do ano em parceria com uma grande operadora de telefonia que tem, o objetivo claro de fazer frente as grande bandeiras de crédito.
    Espero que essa tecnologia, consiga levar segurança e comodidade para todos usuarios do sistema financeiro.

  6. Ricardo Renne disse:

    Existe no Brasil um produto chamado payfone, que será lançado ate o final do ano em parceria com uma grande operadora de telefonia que tem, o objetivo claro de fazer frente as grande bandeiras de crédito.
    Espero que essa tecnologia, consiga levar segurança e comodidade para todos usuarios do sistema financeiro.

  7. rodnei disse:

    Estou no japao, e essas novidades irão para o mundo todo é uma tendencia todo mundo tera celular e estarao integrados a internet e outros serviços, podendo inclusive fazer coisas inimaginaveis em outras epocas.A modernidade e a tecnologia não tem fim… espermos o proximo passo.

  8. rodnei disse:

    Estou no japao, e essas novidades irão para o mundo todo é uma tendencia todo mundo tera celular e estarao integrados a internet e outros serviços, podendo inclusive fazer coisas inimaginaveis em outras epocas.A modernidade e a tecnologia não tem fim… espermos o proximo passo.