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Escrito por • 30/09/2011

livro vira serviço…

…e enciclopédia também. a imagem abaixo é do "app" da encyclopaedia britannica no iPad, que tamém vai rolar em breve para iPhone e android.

[PTECH]

transformada em app, a britannica custará dois dólares por mês, contra US$70 por ano da versão web e meros US$1400 do impresso, se você quiser ter um na sua estante. e isso se, num futuro próximo, sua casa ainda tiver uma estante.

a wikipedia, como se sabe, é grátis. e tem dezenas de apps pelas quais podemos interagir com seu conteúdo. em relação aos 144.000 artigos da britannica em inglês, a wikipedia na mesma língua tem quase 3,7 milhões de textos, e não há comparação quando o domínio é atualidades: a wikipedia ganha longe, apesar de ser criticada por imprecisão e polarização. nada que crowd curation não resolva. e, enquanto houver uma economia da boa vontade em que uns poucos financiem o que quase todo mundo usa, vai continuar grátis.

a imagem acima é de um "mapa de links", as conexões entre o artigo que você está lendo e todos os outros itens que têm a ver com ele. os links, é óbvio, são para outros textos da britannica. este blog tem dito que o futuro do "livro", ou da literatura, é digital, interativo, estendido, conectado, em rede, compartilhado, como serviço. no mundo real [ou seja, fora e além da britannica] os links de um app de leitura como mostrado acima seriam para todo tipo de fonte "confiável" e "estável" em toda a rede.

estamos vendo apenas as primeiras gerações de tal mudança. a transição papel-kindle deu conta, no começo, apenas da transposição do analógico para o digital. o @author, também da amazon, criou uma ponte interativa entre leitor e autor. de repente, a amazon [jeff bezos, atrasado] conectou 11.000 bibliotecas americanas ao kindle: se você é membro de uma delas, pode tomar um livro emprestado via kindle, sem sair de casa. de repente, também, as bibliotecas estão deixando de precisar de estantes.

sony e barns&noble chegaram às bibliotecas antes da amazon. mas é o peso do maior negócio de vendas online do mundo que deverá mudar tudo mais rápido. os livros que você toma emprestado vão para o kindle, ficam lá pelo tempo do empréstimo, "voltam" para a biblioteca… mas suas anotações "ficam" na sua conta da amazon [e não no seu kindle] e aparecem de volta quando o livro, comprado ou emprestado de novo, "voltar" ao kindle.

não tenho certeza de que chegamos ao modelo de suporte à literatura digital que vai durar séculos, como foi o caso de gutenberg para o analógico. na nova economia da literatura, quase tudo é altamente experimental, a menos da digitalização propriamente dita e da óbvia transformação do conteúdo em serviço sobre múltiplas interfaces. ainda há muito a fazer e estamos longe [veja aqui] das fundações, formatos, funcionalidades, flexibilidade e facilidades que vão definir o futuro de longo prazo do livro digital.

mas que não reste dúvida: o futuro é digital, interativo, estendido, conectado, em rede, compartilhado, como serviço. só estamos tentando, errando e aprendendo para decidir "como"… e não mais "se".

amazon_kindle_books.top.jpg

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0 Responses to livro vira serviço…

  1. C.S.Soares disse:

    Silvio, há uns dois anos escrevi em um artigo em que falava do ecossistema dos livros: “Se os livros, como gosto de enfatizar, devem ser vistos como serviços [pelo menos os livros em redes digitais], a própria literatura tende a ser, no futuro não muito distante, um web service: leremos o livro, extrairemos trechos, converteremos o texto em áudio [e imagens], interagiremos com dicionários e enciclopédias on-line e outros leitores [e escritores, por que não?] do mesmo livro, em um grande ecossistema ao redor do texto.”

    Em 2009, levei um romance para o Twitter. Nesta semana, em evento da prefeitura do Rio, falei sobre “Krapotkinware”, um projeto de “narrativa baseada em redes sociais” que estou realizando agora. (Aqui, a apresentação http://www.slideshare.net/obliq ).

    Os livros digitais serão cada vez menos parecidos com os livros que conhecemos. Os livros digitais precisam ter DNA da web. Precisamos pensar livros diferentes.

    Eu fui e-publisher de uma grande editora brasileira e me incomoda que nelas, nas editoras, ainda não haja espaço para se pensar o livro de uma forma diferente, separando conteúdo de forma (interface+lógica+banco de dados, como software). Livros digitais são software.

    Agora, pela OBLIQ, startup que estou criando, e através de Krapotkinware (uma narrativa que envolve blogs, twitter, facebook, flickr, youtube e um wiki http://dicionariokrapotkinware.com.br), pretendo mostrar que os livros não precisam mais ser limitados por duas capas. E isso é ótimo!

    Abs,
    Claudio Soares

  2. C.S.Soares disse:

    Silvio, há uns dois anos escrevi em um artigo em que falava do ecossistema dos livros: “Se os livros, como gosto de enfatizar, devem ser vistos como serviços [pelo menos os livros em redes digitais], a própria literatura tende a ser, no futuro não muito distante, um web service: leremos o livro, extrairemos trechos, converteremos o texto em áudio [e imagens], interagiremos com dicionários e enciclopédias on-line e outros leitores [e escritores, por que não?] do mesmo livro, em um grande ecossistema ao redor do texto.”

    Em 2009, levei um romance para o Twitter. Nesta semana, em evento da prefeitura do Rio, falei sobre “Krapotkinware”, um projeto de “narrativa baseada em redes sociais” que estou realizando agora. (Aqui, a apresentação http://www.slideshare.net/obliq ).

    Os livros digitais serão cada vez menos parecidos com os livros que conhecemos. Os livros digitais precisam ter DNA da web. Precisamos pensar livros diferentes.

    Eu fui e-publisher de uma grande editora brasileira e me incomoda que nelas, nas editoras, ainda não haja espaço para se pensar o livro de uma forma diferente, separando conteúdo de forma (interface+lógica+banco de dados, como software). Livros digitais são software.

    Agora, pela OBLIQ, startup que estou criando, e através de Krapotkinware (uma narrativa que envolve blogs, twitter, facebook, flickr, youtube e um wiki http://dicionariokrapotkinware.com.br), pretendo mostrar que os livros não precisam mais ser limitados por duas capas. E isso é ótimo!

    Abs,
    Claudio Soares

  3. Assim como o universo, que se expande em progressão geométrica, é o mercado de informática. Lí seu artigo na Folha de São Paulo (29SET) e achei pessimista em relação ao potencial empreendedor e inovador do desenvolvedor brasileiro.

    Lá vc cita que o mercado para folhas de pagamento e contas a pagar já acabou. E concordo. Mas esses serviços, tipo livro, geram uma nova enxurrada de demandas. E nós nem dependemos tanto das demandas explícitas. Hoje a oferta gera demanda.

    O desenvolvedor hoje se equipara ao músico, pois pode trabalhar diretamente para as pessoas. Quem faz download de música digital, agora também faz de aplicativos.

    Será que nossos empreendedores estão atentos?

  4. Assim como o universo, que se expande em progressão geométrica, é o mercado de informática. Lí seu artigo na Folha de São Paulo (29SET) e achei pessimista em relação ao potencial empreendedor e inovador do desenvolvedor brasileiro.

    Lá vc cita que o mercado para folhas de pagamento e contas a pagar já acabou. E concordo. Mas esses serviços, tipo livro, geram uma nova enxurrada de demandas. E nós nem dependemos tanto das demandas explícitas. Hoje a oferta gera demanda.

    O desenvolvedor hoje se equipara ao músico, pois pode trabalhar diretamente para as pessoas. Quem faz download de música digital, agora também faz de aplicativos.

    Será que nossos empreendedores estão atentos?