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Escrito por • 28/02/2010

militares mais liberais do que civis?

pense no ambiente militar: cada coisa em seu lugar, cada um com sua função, tudo ordenado [literalmente] de cima pra baixo… e você acaba pensando, também, que o ambiente de trabalho, por lá, não deve ser muito liberal.

liberal, por uma das definições do dicionário, quer dizer… “que ou o que preza a liberdade de opinião e de ação; que ou quem mantém o espírito aberto, tolerante…” e, olhando de longe, os tais comandos militares certamente poderiam ser definidos através dos antônimos de tudo isso.

mas não é que o departamento de defesa americano decidiu liberar o uso de redes sociais para combatentes? e a partir, inclusive, dos computadores das bases e missões militares? a notícia está bem aqui, no defense.gov, e é comentada neste artigo da bbc. não só liberaram youTube, twitter, facebook e as redes sociais como um todo, mas a idéia é aproveitar o “fenômeno da web 2.0”, segundo david wennergren, que cuida de TICs no departamento de defesa americano. ouça a ordem do dia, lá, sobre militares e redes sociais:

“The world of Web 2.0 and the Internet provides these amazing opportunities to collaborate. It not only promotes information sharing across organizational boundaries and with mission partners, but also enables deployed troops to maintain contact with their loved ones at home”…

…o mundo da internet e web 2.0 nos oferece amplas oportunidades de colaboração, promovendo não só o compartilhamento de informação entre limites organizacionais e com parceiros na missão, mas também permite que os soldados no campo mantenham contato com seus entes queridos em casa. muito, muito interessante, não é?

no topo disso, já dá para ver coisas como esta: o almirante mike mullen, chefe do estado maior das forças armadas americanas, está no twitter, onde tem quase 17 mil seguidores [clique na imagem e você vai direto à página dele].

image

o almirante mullen também está no flickr, facebook e youTube, assim como, a partir de agora, qualquer um de seus subordinados, desde que tal participação não ofereça riscos à missão sendo desempenhada.

pense nas implicações disso tudo… e compare com o último texto publicado neste blog, que dava conta do grau de restrição ao uso de redes sociais nas corporações brasileiras:

…aparecemos também em primeiro lugar em uma outra competição, a dos países onde mais se controla o uso de redes sociais no ambiente de trabalho. estudo da manPower com 34 mil empregados em 35 países mostra que 55% das empresas brasileiras têm alguma política para restringir o uso de redes sociais pelos seus colaboradores, contra uma média de 20% no mundo. na argentina, peru, japão e estados unidos, este número é perto de 25%; na europa, a média é 11%, sendo que na alemanha e suíça só 6% das empresas têm restrições ao uso de mídias sociais, número que cai para ínfimos 2% na frança.

e aí? no embate entre o centro querendo controlar e as bordas querendo se expressar [e se relacionar], pra quem torcemos? para a liberalidade dos militares ou para o controle, censura, acanhamento e sovinice informacional das empresas?…

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0 Responses to militares mais liberais do que civis?

  1. João Sérgio disse:

    É o efeito nocivo dos matutos digitais, que ainda têm aquela visão retratada no filme “Tempos Modernos”

  2. João Sérgio disse:

    É o efeito nocivo dos matutos digitais, que ainda têm aquela visão retratada no filme “Tempos Modernos”

  3. Lucas disse:

    Tenho um parente que mora na Europa (Inglaterra), e onde ele trabalha os chefes querem que ele esteja presente nas mais diversas redes sociais! No Brasil, empresas restríngem o uso da internet para isso!

  4. Lucas disse:

    Tenho um parente que mora na Europa (Inglaterra), e onde ele trabalha os chefes querem que ele esteja presente nas mais diversas redes sociais! No Brasil, empresas restríngem o uso da internet para isso!

  5. Marcelo Pita disse:

    Questões culturais têm que ser analisadas. Além disso, no “continente” Brasil as diferenças são grandes, e a média não revela muita coisa. Exige a análise de cada contexto.

    Eu penso que há um sentido sim quando empresas pensam em restringir acesso a possíveis fontes de distração na Internet, mesmo que sejam valiosas fontes de informação.

    Acho que quando os ganhos com informação útil forem *visivelmente* maiores do que os riscos de distração com informação fútil, a coisa muda. Acho, portanto, que a generalidade das grandes redes sociais obscurecem seus benefícios.

    Uma solução intermediária para esse problema da utilidade vs. futilidade talvez seja a criação e incentivo de participação em redes sociais de contexto específico, como já existem por aí, aumentando a segurança de alguns empresários.

  6. Marcelo Pita disse:

    Questões culturais têm que ser analisadas. Além disso, no “continente” Brasil as diferenças são grandes, e a média não revela muita coisa. Exige a análise de cada contexto.

    Eu penso que há um sentido sim quando empresas pensam em restringir acesso a possíveis fontes de distração na Internet, mesmo que sejam valiosas fontes de informação.

    Acho que quando os ganhos com informação útil forem *visivelmente* maiores do que os riscos de distração com informação fútil, a coisa muda. Acho, portanto, que a generalidade das grandes redes sociais obscurecem seus benefícios.

    Uma solução intermediária para esse problema da utilidade vs. futilidade talvez seja a criação e incentivo de participação em redes sociais de contexto específico, como já existem por aí, aumentando a segurança de alguns empresários.

  7. roberta disse:

    Acho que se a empresa não pode confiar no bom senso e na responsabilidade de seu funcionário – de forma a liberar o acesso às redes sociais – deveria trocar de funcionário. É uma bobagem ficar se preocupando com as “distrações” que as redes sociais oferecem. Se a liberdade tem um impacto negativo na produtividade do funcionário, o problema está no funcionário e não nas políticas de acesso à internet.

  8. roberta disse:

    Acho que se a empresa não pode confiar no bom senso e na responsabilidade de seu funcionário – de forma a liberar o acesso às redes sociais – deveria trocar de funcionário. É uma bobagem ficar se preocupando com as “distrações” que as redes sociais oferecem. Se a liberdade tem um impacto negativo na produtividade do funcionário, o problema está no funcionário e não nas políticas de acesso à internet.

  9. Marcelo Pita disse:

    Interessante mecanismo para detectar funcionários pouco produtivos, Roberta! 😉

    Está certo o que fala, mas falo da percepção de quem emprega aqui no Brasil. A insegurança tem esse argumento, especialmente porque há um custo envolvido em demitir e admitir empregados. E se a coisa não é bem definida, ou definida subjetivamente, se perde a gerência sobre a mesma.

  10. Marcelo Pita disse:

    Interessante mecanismo para detectar funcionários pouco produtivos, Roberta! 😉

    Está certo o que fala, mas falo da percepção de quem emprega aqui no Brasil. A insegurança tem esse argumento, especialmente porque há um custo envolvido em demitir e admitir empregados. E se a coisa não é bem definida, ou definida subjetivamente, se perde a gerência sobre a mesma.