MENU

Escrito por • 15/03/2009

mulheres & informática: por que elas não estão lá?…

a proporção de mulheres trabalhando em ciências, matemáticas e engenharias, incluindo informática, é muito menor do que a proporção de mulheres na sociedade. e isso não tem nada a ver com uma maior capacidade dos homens para tais assuntos. mas o fato é que não é incomum, em conferências da área de informática, a audiência ser composta por 70, 80 e até 90% de homens.

um estudo que acaba de ser publicado, analisando os últimos 35 anos de pesquisas sobre o assunto, revela que as diferenças de sexo [cérebro, hormônios…] e institucionais [como discriminação e preconceito] não são fatores primários para explicar porque há muito menos mulheres nas engenharias e ciências exatas do que sua porcentagem na população.

uma das autoras do estudo, susan barnett, diz que as mulheres deveriam representar perto de um terço dos professores sênior de matemática, nos EUA, se fosse levado em conta, para chegar lá, a porcentagem de mulheres que estão entre os 1% melhores em matemática na população como um todo. mas as mulheres em posições de senioridade nos departamentos de matemática dos EUA são menos de 10%…

segundo o professor stephen j. ceci, que liderou o estudo, "A major reason explaining why women are underrepresented not only in math-intensive fields but also in senior leadership positions in most fields is that many women choose to have children, and the timing of child rearing coincides with the most demanding periods of their career, such as trying to get tenure or working exorbitant hours to get promoted"… ou seja,  a principal explicação para poucas mulheres em ciências, engenharia e, em geral, cargos de liderança, é que a maior parte das mulheres decide ter filhos, e a época em que isto acontece coincide com os períodos de maior demanda em suas carreiras; aí, os filhos ocupam as horas em que elas deveriam estar trabalhando feito loucas [como os homens o fazem] para se candidatar às promoções e espaços nas universidades e corporações.

tem mais: os autores concluem que não adianta, simplesmente, "atrair" mais mulheres para carreiras de ciências, matemáticas e engenharias; é preciso criar alternativas práticas de carreira para as mulheres, incluindo degraus de progressão, no trabalho, que levem em conta a maternidade e a possibilidade, durante a primeira fase de crescimento dos filhos, de trabalho em casa. coisas a se pensar quando se fala em "oportunidades iguais" no mercado de trabalho e se leva em conta que [pelo menos por enquanto] as mulheres precisam mesmo ter filhos… senão a humanidade não tem futuro.

o artigo, Women’s Underrepresentation in Science: Sociocultural and Biological Considerations, de stephen j. ceci, wendy m. williams e susan m. barnett, publicado no psychological bulletin, uma das revistas mais importantes do mundo na área, está disponível neste link. boa leitura.

Artigos relacionados

0 Responses to mulheres & informática: por que elas não estão lá?…

  1. Camila disse:

    Muito bom esse tópico. Particularmente oportuno pra mim, que estou terminando Economia e pretendo realizar um sonho antigo: estudar computação.
    Vamos torcer que essas alternativas sejam criadas e sejamos um pouco mais consideradas, afinal de contas ser mulher em tempos modernos “é barra”…

    Saudações e parabéns pelo blog.

  2. Tayane disse:

    Eu faço parte da minoria. Estudo Sistemas de Informação.
    As mulheres devem ingressar mais nessa área, pois como exemplo, infelizmente na minha sala da faculdade há 5 mulheres entre 50 homens.

    Parabéns pelo blog!!

  3. Yuan disse:

    “degraus de progressão, no trabalho, que levem em conta a maternidade e a possibilidade, durante a primeira fase de crescimento dos filhos, de trabalho em casa.”

    Sou homem, meu filho nasceu há sete meses. Minha espusa e eu dividimos tanto quanto pudemos todas as dificuldades. Há algumas coisas que apenas a mulher pode fazer, mas é necessário dizer também, que parte dessa carga (que é, sim, enorme) poderia ser dividida pelo casal. Ficar sem dormir, ter que trabalhar *muito* menos (na verdade deixei de fazer coisas importantes e abri m de muitas oportunidades), fazer sacrifícios… Tudo isso é algo que a mulher faz, “porque é natural”, e o homem na maioria das vezes não considera fazer.

    Algo a se pensar…

  4. Claudia disse:

    Eu não acreditava, mas aconteceu comigo… Aos 39 anos, me vi com dois filhos, 5 e 2 anos, ocupando um cargo de gerência de um portifólio de projetos e representante senior da empresa na cidade onde moro. Comecei a achar que não estava conseguindo o tal balanço ideal e a invejar amigas da área de saude, por exemplo, que tinham mais facilidade de diminuir a carga horária, com menos plantões ou diminuindo suas clinicas.

    Procurei o diretor da empresa, disposta a tirar um sabático de 2 anos e me dedicar a familia em busca do tal equilibrio. Para minha surpresa, ele não concordou e chegamos a um meio termo, onde redesenhei minha função para ter menos viagens e trabalhar meio período somente. Está funcionando bem.

    Conclusão: há como criar essas tais alternativas, sim. Há sempre um preço a pagar, pela empresa e pela profissional, mas o mercado não pode prescindir de talentos de todo um genero (a estatistica mostra tb que as mulheres são 51% dos alunos de curso superior).

  5. Arthur disse:

    Dada a premissa (há poucas mulheres trabalhando em ciências) a conclusão não me parecem razoável (isso ocorre devido à necessidade/desejo/opção de maternidade). Talvez justifique a presença de poucas mulheres em cargos de gerência nas áreas de ciências (como citado marginalmente no artigo referenciado), mas a maternidade (que em boa parte dos países ocidentais costuma ocorrer somente após os 20 anos de idade) não é justificativa para a opção por uma faculdade fora da área de ciências (opção que é feita antes dos 20 anos de idade).

  6. Aleardo disse:

    As conclusões do artigo tratam apenas de metade da moeda. De fato
    a maternidade pode atrapalhar a chegada aos cargos mais altos da
    carreira, mas dificilmente explica o fato dessas carreiras atraírem menos
    mulheres a cada ano. Se hoje trabalhamos com turmas de alunos em
    que 80 a 90% são homens, 15 anos atrás esse número não era
    muito maior que 50%. Isso é até fácil de ver olhando-se a proporção
    de professoras em nossas universidades, que é bem maior que a
    de alunas.

    A atração de novas mulheres para a computação pode envolver
    mudanças nas formas de progressão, mas deve também envolver
    mudanças no que se entende como o perfil de quem atua na
    profissão. Uma garota de 17 anos dificilmente escolhe um curso
    de nível superior pensando se terá como conciliar maternidade e
    profissão. Ela escolhe procurando identificar se terá bons salários
    e prazer em cumprir seu ofício.

    Aleardo

  7. zymboo disse:

    Olá, boa tarde!
    Meu nome é Patrícia e represento a empresa Zymboo.com.
    Gostamos muito do seu blog e gostaríamos de convidá-lo a publicar seus textos em nosso Espaço Literário.
    Com isso, você poderá aumentar as visualizações de seu blog e ter seus textos publicados em um grande portal da Internet (www.zymboo.com).
    Basta que nos envie seus textos e os publicaremos na Zymboo juntamente com seu nome e a URL do seu blog.
    Escreva-nos: espacoliterario@zymboo-inc.com 
     

  8. Cinara disse:

    Olá, como mulher que atua na área de computação e tem filho, acredito que a principal diferença entre o antes e o depois da maternidade é o fato de eu estar sempre com a cabeça “ocupada” com o cotidiano do meu filho, mesmo no horário de trabalho, como ele está, será que está precisando de algo? me sentindo culpada. Acho que isto é cultural e não precisa ser deste jeito (o difícil é conseguir) afinal acredito que muitos homens não pensem nisto durante seu horário de trabalho. Outro fator é que meu trabalho (pesquisa) exige concentração e inspiração e às vezes ela chega na hora que tenho compromisso. Aí bate a frustação de estar com a sensação que não está fazendo nada bem feito. Enfim, acho que precisamos repensar a forma como tratamos com nossa relação de maternidade. Como? Eu gostaria de saber..

  9. Claudia disse:

    Maternidade x Paternidade
    Não era assim no passado, mas na minha geração (nascidos nos 60-70), creio que a paternidade também tem impacto, sim, na carreira. Meu marido abriu mão de hobby e atividades profissionais no segundo horario para ter mais contato com as crianças. Ele eventualmente falta ou chega atrasado para atender um médico ou evento na escola. E nós fizemos uma operação dupla no ano passado para conciliar as agendas de viagens do casal profissional. Mesmo assim, no geral, chamam ele de super pai e a mim, que meio obrigação.

    Não tinha me dado conta da estatistica de entrada na universidade. Nesse caso, penso que tem a tal imagem de “nerd x loira burra”. Aos 17 anos, muitas meninas preferem o segundo. Sou voluntária num programa (nos EUA) de mentoring voltado a meninas de 12-16 anos que fazem uma extensão na área de computação (games) no colégio. Uma forma de faze-las se interessar pela área a tempo.

  10. Adolfo Neto disse:

    Sugiro a todos os interessados no tema a leitura de “Homens, Mulheres e Computadores”, de Valdemar W. Setzer em http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/Homens-Mulhs-Comps.html.

    Aqui vai um pequeno trecho:
    A Newsweek menciona que a primeira programadora foi Lady Ada Lovelace, assistente de Charles Babbage, e faz o seguinte comentário que, de acordo com as minhas observações acima, não poderia ser mais estúpido: “Se [Ada] tivesse se tornado um modelo, talvez centenas de milhares de garotas teriam passado suas adolescências trancadas em seus quartos olhando para a tela de um computador”. Felizmente, elas foram mais espertas e não fizeram isso!!! Continuando, a Newsweek cita Marcelline Barron, administradora da Academia de Ciências e Matemática de Illinois, uma escola mista com internato somente para estudantes excepcionalmente dotados (???). Barron lamenta que as garotas estejam “fazendo suas unhas ou preocupando-se com seus cabelos” e diz que “nós temos esse tipo de expectativa para garotas; elas devem ser limpas, devem ser quietas”. Talvez as garotas estejam preocupadas com suas unhas porque seus pais e a escola não lhes deram outros interesses mais substanciais, como formação artística e amor à leitura (ambos devem evidentemente também ser dados aos garotos). Mas o que me preocupa mais nesta afirmação é acreditar-se que as garotas comportam-se dessa forma por causa de influências culturais. Na minha opinião, nós estamos aqui vendo um desenvolvimento “natural”, e não cultural. Obviamente, o ambiente tem um papel importante, mas eu tentei mostrar que as características humanas profundas no uso e no interesse em computadores estão relacionadas às diferenças gerais entre sexos. Maridos e mulheres não devem ficar impacientes com seus cônjuges: felizmente, todos estão se comportando como deveriam com relação à sua natureza.

  11. Karen disse:

    Muito interessante este artigo e não tenho como discordar que a maternidade interfere na vida profissional da mulher de uma maneira um tanto injusta. Poderíamos sim ter tanta presença quanto os homens se concessões fossem feitas para isso.
    Curso engenharia e sou estagiária no setor de manutenção (onde a predominância é de homens) de uma das grandes empresas de varejo do Brasil. Por aqui, tudo o que vejo é mulheres ocupando cargos administrativos, pois o gerente diz que “mulheres engravidam, têm filhos, não podem fazer plantão, o trabalho é muito pesado para elas…”. O bebê chora de madrugada e quem levanta para acudi-lo? A mulher (na maioria das vezes)! E dessa questão já posso concluir (e creio que muitas mulheres vão concordar comigo) que esse é o plantão mais difícil!
    Fora isso, é triste chegar no quadro de estágios da faculdade e deparar com propostas ótimas mas com a seguinte descrição destacada: “Sexo: MASCULINO”. Daí pensamos temos basicamente duas alternativas: ou viramos solteironas sem família ou nos contentamos com serviços administrativos ou que não tenham tanta responsabilidade técnica.
    Parabéns àquelas que conseguiram atingir um cargo alto mesmo tendo famíla e filhos!

  12. romanoleo disse:

    meu pau no teu cu profesor de merta vai si fude]
    hahahahah!!!!!!

  13. Glaucia Andare disse:

    Sou uma das pouquisas mulheres que atuam nesta area, é o maior problema que encontro é o preconceito. Tenho mais estudo que meus colegas de trabalho, ganho menos, sempre resolvo o que eles não conseguem e mesmo assim não tenho oportunidade de crescimento.
    Na realidade o empresariado brasileiro mascara o preconceito com a disculpa que nos não nos interessamos por esta area. Na realidade as mulheres acabam optando por uma area onde elas sofreram menos com preconceito. Do que uma area com predominancia masculina e não por capacidade intelectual.