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Escrito por • 04/08/2009

na inglaterra, um big brother em 20.000 casas

o governo inglês decidiu que tem que fazer alguma coisa sobre as 20.000 famílias mais problemáticas do país, algumas das quais parecem fazer parte de quadros sobre adolescentes difíceis na TV do mundo inteiro.

e esta “alguma coisa” pode ser um dos projetos mais polêmicos de todos os tempos na ilha e no mundo: o governo anunciou um esquema para instalar CFTV [circuito fechado de TV] nas casas das tais 20.000 famílias-problema e mantê-las sob supervisão 24h por dia. o custo por casa vai de £5.000 a £20.000 [entre quinze e sessenta mil reais] pelos próximos dois anos, o que custaria aos cofres de sua majestade a bagatela de um bilhão e duzentos milhões de reais.

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a inglaterra deve ser o país mais vigiado do mundo. consta que tem o maior número de câmeras de segurança por habitante do planeta. sempre que estou por lá, tenho a estranha sensação de há alguém me olhando o tempo todo. na praça [acima, CFTV em trafalgar sq.], rua, restaurante, hotel, estrada… todo lugar. sem falar em lugares que eles consideram de alguma “segurança”, como prédios públicos, universidades, aeroportos, estações de trem e lugares de concentração popular. nas escolas da ilha, a novidade são câmeras nas salas de aula, para supervisionar alunos e professores. coisa de louco.

a novidade neste projeto de vigiar as pessoas dentro de casa é a escala da operação, pois cerca de 2.000 famílias já são vigiadas desta forma, numa tentativa de fazer com que os pais tomem conta de seus filhos, afastando-os dos “caminhos do mal”. um dos papéis das câmeras [e das pessoas que, por trás delas, vigiam as famílias], imagine, é observar se a garotada está fazendo a tarefa da escola…

há algo ao mesmo tempo novo e bizarro nesta forma de controle social, que tomara não se espalhe pelo resto do planeta. o novo é um governo achar que pode realmente sequestrar a privacidade das famílias e indivíduos para, em troca, livrá-los de um “mal maior”, como a cadeia para seus filhos. o bizarro é as pessoas aceitarem, qual cordeiros, serem tangidas qual manada, por funcionários públicos que lhes dão conselhos e ordens pela rede, em função do que vêem ou deixam de ver em áudio e vídeo, em tempo real.

tempos atrás, neste blog, dizíamos que… uma das principais defesas da sociedade é justamente o direito à privacidade. revoluções inteiras têm sido feitas por sua causa. e talvez seja bom lembrar que regimes totalitários têm, como habitual primeiro ato, a suspensão dos direitos e garantias individuais, começando pela privacidade.

mas algo me diz que uma série de argumentos pode ser usada a favor de esquemas de supervisão da população, como o proposto pelo governo inglês, na linha do “quem não deve não teme”. sobre este assunto, já dissemos queum dos argumentos mais falaciosos, usado por muita gente, segue a linha do… "não tenho nada a esconder", para acusar quem defende a privacidade, na rede, de estar fazendo alguma coisa imoral ou ilegal. não tem nada a esconder? então porque não deixa o vizinho tirar fotos suas tomando banho ou na cama, com a mulher, numa daquelas noites quentes, e publicar na internet? imagine o milhar de outras situações que não queremos ver disseminadas, na rede ou em qualquer outro meio. de repente, temos tudo a esconder. simples assim.

de resto, é sempre bom reler pelo menos um resumo de 1984, clássico de george orwell [inglês, sabia do que estava falando] que tem passagens como

The telescreen received and transmitted simultaneously. Any sound that Winston made, above the level of a very low whisper, would be picked up by it, moreover, so long as he remained within the field of vision which the metal plaque commanded, he could be seen as well as heard. There was of course no way of knowing whether you were being watched at any given moment. How often, or on what system, the Thought Police plugged in on any individual wire was guesswork. It was even conceivable that they watched everybody all the time. But at any rate they could plug in your wire whenever they wanted to. You had to live — did live, from habit that became instinct — in the assumption that every sound you made was overheard, and, except in darkness, every movement scrutinized.

…e se indignar, logo e alto, que haja alguém em qualquer governo, com poder e recursos suficientes, para pensar e propor tais esquemas. mesmo que seja bem longe de nossas casas. porque não falta quem esteja atrás de “boas práticas” pra transplantar, sem pensar, de um pra outro lugar.

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0 Responses to na inglaterra, um big brother em 20.000 casas

  1. Lucas Arruda disse:

    Infelizmente, o ser humano é igual bicho. Se não vigiar, ele se destrói. Sem leis viveríamos um caos sem tamanho. Vejo isso muito claramente no filme/livro Ensaio Sobre a Cegueira, que é fantástico ao retratar que o ser humano numa situação fantástica aonde as pessoas ficam cegos por uma doença repentina, como eles começam a se explorar e abusar o quanto podem pois não há ordem e a coisa vira um completo caos.

  2. Bizarro ver a ficção se tornar realidade dessa maneira. Esse exemplo não tardará a ser seguido por outros países, a não ser que a reação da população seja, de fato, muito enérgica, coisa que sabemos não ocorrer no brasil. Mas, pelo menos, por aqui, não há dinheiro suficiente para esse tipo de programa, pelo menos, por enquanto.
    “…eu finalmente amava o Grande Irmão…”

  3. Flávia disse:

    Não obstante a invasão de privacidade, há outro problema: transferir para o Estado uma obrigação que é essencialmente dos pais – a educação dos filhos (nesse caso, dos filhos ditos “problemáticos”).

    O cidadão permite – e por que não, deseja – que haja um paternalismo simbiótico entre ele e o Estado. O indivíduo está sempre a espera de que o Estado faça por ele, decida por ele.. e agora, que “tome conta” dos filhos que estão fora do “padrão desejável”. O Estado vigia, em nome da moral e dos bons costumes, enquanto toda a sociedade ganha noites de sono tranquilas.
    Nessa simbiose a troca não me parece tão justa. Será que o cidadão ganha mesmo alguma coisa com isso?!
    Não sei se é comodismo aceitar esse paternalismo todo ou se, como você falou, quem não deve não teme né.

    excelente post

  4. Rodrigo disse:

    Infelismente , tudo isso já esta fazendo parte da professia que esta se cumprindo , vizivelmente em nosso dia a dia, todas as pessoas da terra não vão passar desapercebidos sem ser notadas e controladas por pessoas com intereçe proprio, isso é mais um sinal do apocalipce e as professias se cumprindo. Logo veremos o Homem sendo controlados por Micro CHIpS para ir e voltar comprar o que é que seja, Prestem a ATENÇÂO pq tudo esta se cumprindo.

  5. Alexandre disse:

    Eu não vou aceitar isso. Estou pronto para matar e morrer em nome da minha liberdade.

  6. Lucas disse:

    Sílvio,

    Ns câmeras de CCTV / CFTV nas ruas, lojas, equipamento públicos como estações de metrô e etc. fazem parte de uma ampla política de segurança pública, que já tem décadas! E têm funcionado muito bem: intimidando criminosos (que não querem ser pegos no flagra), ajudando a identificá-los e capturá-los quando filmados, e reduzindo a sensação de insegurança da população.

    Pra você ter uma ideia, todas as regionais de polícia na Inglaterra têm arquitetos urbanistas (principalmente) e especialistas diversos criando e implementando essas ações de segurança. Cuidado com as críticas puramente ideológicas e sem fundamento prático, pois você que mora em Recife (cidade apenas um pouco violenta) sofre com a falta de ações desse tipo.

    Claro que entendo seu argumento. Por exemplo, mesmo em espaços públicos, nos EUA as câmeras são combatidas, com fundamento nessa idéia de privacidade e etc (muito arragaida por lá).

    Já os ingleses, especialistas no double-speaking, não tem essa frescura e falam que vão defender a liberdade restringindo ela! Assim, na cara de pau mesmo.

    Se os Ingleses vão instalar câmeras dentro da casas das pessoas, acredite, é porque funciona mesmo e é a única alternativa que encontraram – provavelmente já tentaram de tudo antes e não funcionou.

    Dentro das casas das pessoas, eu também acho um absurdo, mas adoraria ver câmeras espalhadas pela cidade (pelo Recife em particular).

  7. justo disse:

    fuck you reino unido

  8. paulo cesar froes disse:

    isso não vai adianta nada vai só piora a situação as pessoas
    não precisão ser vigiadas elas precisam de amor o mundo só
    vai piora não espere que alguma coisa mude, o mundo já es do
    maliguino, JESUS ESTA VOLTANDO SE LIGA BEIJO NO CORAÇÃO
    DE TODOS .

  9. maira disse:

    quem eh que pode monitorar a vida de outro,isso eh coisa para ingles ver,familias estão consentindo que governos tomem iniciativa naquilo que eh dever delas,cuidem de seus filhos e esse big brother indiscreto não vai ser preciso estar na sua casa,não deixem que isso aconteça,pois quem vai monitorar pode não ser a pessoa certa,e voce pai ou mãe assuma seu papel,o filho eh seu

  10. Lucas disse:

    RONALDOOOOOOOOOOOOOOOO

  11. Luiz Carlos Souza disse:

    A muitos anos atraz tive um professor que falou em sala de aula, que num futuro próximo teríamos o diabo invadindo todos os lares, escritórios, empresas, enfim, simplismente todos os locais, vigiando a todos vinte e quatro hors por dia,pensei comigo: este camarada está maluco, de que forma?. Pois é, aí está, temos televisão, internet, celular, câmeras ocultas, enfim uma parafernalha imaginável, não é que êle acertou mesmo?
    Parabéns sábio professor.

  12. PAULO disse:

    oS SELVICOLAS VIVEM EM HARMONIA E NÃO SE DESTROEM, SOMENTE QUANDO OS BRANCOS INTEFEREM NA SUA CULTURA É QUE VIRA BAGUNÇA.

  13. Sérgio Wolfrann disse:

    Parabéns sr. Luiz Carlos Souza, muito sábia o seu comentário.

  14. Nando disse:

    Lucas, voce esta romantizando o controle que esses paises especialmente a inglaterra ja faz pelo medo. Se voce ver os programas da Sky inglesa vai se assustar (ate propagandas) com o que a policia faz com o cidadao comum. Na verdade, nao existe no mundo ditadura maior do que la, onde voce le no onibus ou metro que deve informar a policia qualquer ato suspeito (se voce for ingles, claro). No dia que um ingles nao for com a sua cara e disser a policia que voce falou em explodir um predio publico (talvez pq voce nao quis ceder o lugar no metro), voce vai ver o quanto eh bom…por isso nao piso mais la.

  15. Felipe disse:

    Pois é, só de ler a manchete já me lembrei das Teletelas…

  16. Witman disse:

    Será o filme V de vingança (baseado nos quadrinhos de mesmo nome) alguma visão futuristica e despretenciosa do autor ? como se aquela situação relatasse realmente o mundo no futuro. A principio de uma forma “tola” estamos caminhando para o mesmo lado. Toques de recolher,monitoramento 24 horas…. qual será o proximo passo… ?controlar o que as pessoas assistem, censurar oque não é de agrado dos mais ” poderosos”?. pensem.

  17. maria disse:

    E fácil entender porque todos por lá aceitam tais decisões, eles são suditos da rainha. O povo inglês vive sob o regime da monarquia. Não são cidadãos livres. Enquanto os povos lutaram deram suas vidas, empunharam a badeira da liberdade, do direito individual, lutaram, morreram,. foram torturados, perseguidos…os ingleses ficaram ali, felizes…suditos é o que êles são. Veja bem o que os ingleses que foram para a América fizeram. Uma declaração de libedade!!!!!!!sabe porque? porque eles queriam ser homens livres, donos dos seus destinos. Não é lindo falar sua magestade? então….sua magestade vive na opulencia, casa com plebleus, veja, lá tem plebeus….pobres plebeus…. suditos de sua magestade….pague o preço e que sirva de exemplo para nós todos, porque o unico bem verdadeiramente nosso é o direito de viver, pensar e falar, é a unica coisa que nos diferencia dos demais animais. e isso é so o começo de uma sociedade controlada e cada vez pior….

  18. Fernando disse:

    Será que ainda há quem se engane com os ingleses? Nunca passaram de piratas e vagabundos arrogantes pretendendo dar licroes de moral ao mundo.

  19. Lucas disse:

    Nando,

    Concordo com você e também quero mais é que os ingleses se F.

    Porém, só estou apontando que as câmeras funcionam como política de segurança pública – nas ruas e espaços públicas. Daí tem que ver o custo-benefício. Ser filmado ou ser assaltado, assassinado, e etc?

    Note que Shoppings já tem circuito interno e as pessoas, que evitam as ruas e o centro da cidade, acham o Shopping “mais seguro”.

    Claro que o governo colocar câmera na casa dos outros já ridículo.

  20. Lalas disse:

    Cadê o chinelo??

  21. disse:

    isso nunca acontecerá em nenhum outro país do mundo porque todos no minimo sao vagamente democráticos e respeitam minimamente os direitos humanos, esse nao é o caso da inglaterra, liberdade nao existe, direitos humanos nao existe, privacidade nao existe, a inglaterra nao é um país é uma prisao.

  22. Felipe disse:

    Tu deve ser outro PTzao que quer a libertinagem e “democracia” do tudo pode, e nao toquem nos meus filhos!!!! Deves ser a favor de Chaves e Evo.
    QUERO A VOLTA DA DITADURA DE DIREITA E O FIM DESTA DITADURA DE ESQUERDA QUE TOMOU CONTA DA AMÉRICA DO SUL!!!!!

    Pelo menos com os militares as pessoas que nao estavam a fim de baderna (como a Dilma Roussef) podiam sair livres nas ruas sem medo de morrer assaltado por um filhote da libertinagem do PT, que acha que violência tem causa social.

  23. disse:

    quem defende esse tipo de politica de “segurança” que afasta o policial das ruas e o coloca em frente uma TV nao deve estar se inromando muito bem e baseando em suposicoes e teorias falhas e nao em fatos reais. Basta pegar os fatos na maior prisão do mundo, a Inglaterra, http://veja.abril.com.br/070404/p_060.html

    Cameras de vigilancia nunca irao diminuir a criminalidade principalmemnte no Brasil, elas só tem efeito nos primeiros meses e depois o bandido percebe que as coisas ficaram é mais fácil pois o policial da esquina tá lá assisindo big brother. Por aqui, como em todo lugar, nao funcionou. Dias atrás roubaram uma loja inteira, quebraram a vitrine e em um minuto colocaram tudo que podiam no carro, a policia, viu tudo pelas cameras de “segurança”, chegou ao local em 2 minutos e meio, os caras já estavam bem longe. E essa de identificar o ladrao na rua por camera de “segurança” é balela, papo de tirano que quer tirar nossa liberdade, pra identificar o tal ladrao teria que ter um zoom potente, e o operadores da camera irá adivinhar que irá ocorrer um crime em tal lugar e dar o zoom antes? e outra, o ladrao, sabendo das tais cameras, coloca um bone e evita que seu rosto seja visto, pois qualquer babaca sabendo a posicao delas sabe como nao ser visto por elas.Pra ter um minimo de eficiencia teriamos que ter uma camera a cada 500 metros, mas na inglaterra e assim e funciinou? Quantos crimes já vimos na TV que ocorrem em via publica onde nunca se conseguiu identificar o bandido porque as tais cameras nao conseguem dar o zoom a tempo. Quem defende essas cameras nao está pensando está deixando os ditadores pensarem por si. Policia nas ruas, Policia amiga do cidadão de bem, essa é a solucao. Assistir TV nunca trouxe nada de bom para a sociedade.

  24. PAULO disse:

    E VERDADE A CADA VEZ QUE EU COLOCO MEU PE PARA FORA DE CASA EU SOU FILMADO MAIS DE 350 VEZES E PARA FALAR VERDADE ISTO NAO ME ENCOMODA PORQUE EU ME LEMBRO QUE ELAS ESTAO ALI TEM NA RUA NO PONTO DE ONIBUS DENTRO DO ONIBUS EM TODOS OS LUGARES E VOLTO A DIZER QUE NAO AS PERCEBO .
    TAMBEM VOCE NAO VE A POLICIA PARECE LOUCURA MAIS E VERDADE AO CONTRARIO QUANDO EU MORAVA EM CURITIBA AS VEZES CAMINHANDO NO CALCADAO DA XV BEM TRANQUILO E NAO FOI UMA OU DUAS VEZES TER ENCONTRADO A POLICIA COM TACTICO MOVEL PORTAS ABERTAS METRALHADORA ANDANDO BEM DEVAGAR OLHANDO PARA TODOS COMO SUSPEITO PARA QUE ?ME RESPONDA PENSADORES QUE ESCREVEM PARA O VENTO SEM FUNDAMENTO ELES ESTAO ALI TRABALHANDO DANDO A UMA FALSA SEGURANCA E NOS ALI FELIZES PORQUE TEM PATRULHAMENTO ACHANDO QUE ELES ESTAO DANDO A SEGURANCA QUE NOS DESEJAMOS PARA CIDADE.
    INGLESES SAO MAIS PRATICOS ELES JA PASSARAO POR GUERRAS POR PESTES INVENTARAO O MUNDO NOVO COM A REVOLUCAO INDUSTRIAL A 100 ANOS ATRAS INVENTARAM O METRO E O QUE FAZEM AS GRANDE CIDADES ANDAREM.
    LONDRES UMA CIDADE COM 7 MILHOES E UM FLUXO DE TURISTAS DE 1 MILHAO E UMA CIDADE SEGURA PORQUE .
    QUANTO ESSA HISTORIA DENTRO DE CASA E UMA OUTRA HISTORIA VCS NAO TEM IDEIA QUE SAO BAIRRO SOCIAL E COMO E FEITO O SOCIAL PARA QUEM PRECISA E OS MAIS VUNERAVEIS AS CRIANCAS OS VELHOS.E CLARO GOVERNO ESTA COLOCANDO DINHEIRO PUBLICO E VAI TER QUE TER RESULTADO AQUI TEM POBRE COM RENDA BAIXA E SEM RENDA NENHUMA MUITO SE PASSAM SEM RENDA MAIS NO FUNDO SAO VAGABUNDO PARA SE APROVEITAR DO BENEFICIO O GOVERNO TODOS TEM DIREITO AO BENEFICIO NAO E O MEU CASO SOU ESTRANGEIRO E PAGO 40% DE TAX IMPOSTO MAIS NAO LIGO TENHO TUDO DE VOLTA PARA MINHA FAMILIA.
    NAO ACREDITE NESTA ESTUPIDEZ QUE ESCREVEM NEM NA MINHA VOCE NAO TEM COMO INTENDER UMA CULTURA SE VOCE NAO FAZ PARTE DO DIA DIA DELA PORQUE ESTE QUE A INGLATERRA FAZ AQUI E O INICIO DA CIVILIZACAO MODERNA NO FUTURO PARA ESTE PAIS E EU TENHO QUASE CERTEZA E COMO MODELO PARA OUTROS GOSTEM OU NAO PARA VIVER EM UMA GRANDE CIDADE E ESTE O CAMINHO.

  25. Lucas disse:

    Zé,

    Quem bota essas câmeras É a polícia inglesa. Se eles achassem que não funciona, não perdiam tempo nem dinheiro com isso. Claro que não funciona 100%, é apenas 1 ação que tem que ser complementada por outras – como por exemplo polícia nas ruas.

    A lógica por trás disso é dificultar a vida do criminoso (junto com outras ações) – Chama-se “target hardening”, i.e. endurecer/dificultar o alvo. Com câmera ele vai ter que pelo menos lembrar do boné, e pode não descobrir onde estão todas. Tanto funciona que uma das maiores críticas contra esse tipo de ação (camera + ações complementares) é que elas desviam os criminosos para outras áreas menos vigiadas.

    Agora claro que tem gente que considera a VEJA como uma fonte de informação confiável.

  26. Mateus Bastos disse:

    Olá, Silvio e demais comentadores,
    (desculpem, mas ficou um pouco longo)
    Tive a oportunidade de estudar na Inglaterra durante alguns anos, desde pouco antes da guerra no Iraque. Lá, nas bibliotecas de ciências humanas, descobri o tamanho da controvérsia da política de CCTV no país. Não se trata de “algo que funciona porque senão a polícia não usaria”, como argumentaram muitos comentadores. Há casos em que funciona e outros em que é ineficaz. Pode-se dizer que a Inglaterra é o país que mais TESTA este tipo de tecnologia, mas é preciso lembrar que há pelo menos 10 outras metrópoles que optaram por menos câmeras e são tão ou mais seguras que Londres.

    O problema que o Sr. aponta (que lembro ter ouvido 5 anos atrás de ninguém menos que Richard Sennett) e passou por alto nos comentários, é que chegamos ao ponto em que é economicamente viável colocar em prática estratégias de vigilância tão invasivas que colocam em xeque a segurança do próprio sistema de garantias. Uma coisa é investir em arquitetura de segurança nas ruas (iluminação, ruas amplas etc), outra coisa é fazer das casas panópticons…mas é difícil convencer um policial disso.

    Sobre este problema, vale lembrar que nunca acharam as gravações da morte de Jean Charles (assassinado no metrô mais vigiado do mundo) e estas mesmas câmeras não foram capazes de evitar os ataques terroristas na capital Inglesa.

  27. Andre disse:

    Mateus Bastos, eu moro na Inglaterra.

    Nem todos os trens no Metro tem CCTV.

    Jean Charles de Menezes foi visto sim entrando na estacao de Stockwell e foi o video que desmentiu o testemunho de varias pessoas alegando que o brasileiro pulou a catraca e correu em direcao ao trem.

    As cameras nao impediram os ataques, eh verdade, mas semanas depois, quando outros terroristas tentaram sem sucesso explodir mais bombas, todos eles foram filmados e sua identificacao foi facilitada.

    Trabalhava ali perto de Victoria St. e quando meu escritorio foi assaltado os ladroes foram identificados pelas cameras internas de seguranca.

    Toda semana a gente ve na televisao casos de crimes onde cameras de CCTV, se nao capturaram o momento do crime, ao menos deram para a policia uma ideia do que aconteceu nos momentos antes do crime ser cometido. (vide caso de Rhys Jones)

    Essa ideia de instalar cameras dentro das casas nunca vai decolar, em minha opiniao, mas CCTVs nao estao mais em fase de testes aqui na Inglaterra. Os resultados sao vistos todos os dias pela policia e, por causa disso, eu concordo com o Lucas quando ele diz que se a policia quer fazer isso eh porque o negocio deve funcionar mesmo.

    Abraco,
    Andre

  28. Mateus Bastos disse:

    Olá, André,

    Acho que falhas minhas suscitaram duas imprecisões e um mal entendido:

    1- Quando disse que a Inglaterra é o país onde mais se testa CCTV, não queria dizer que TODAS as CCTV estão em fase de teste… apenas que lá, por uma série de razões, há maior aceitação da técnica e, por isso, é onde se criam e testam novas estratégias (no ônibus, no metrô, dentro de casa)

    2- Não disse que hávia câmeras em todos os trens, mas que o sistema londrino é o mais vigiado por câmeras. No caso de Jean Charles (eu também estava aí), não foi o vídeo que desmentiu a versão da catraca, mas testemunhas. O vídeo da entrada foi a prova divulgada para a grande imprensa. Lembre-se, porém, que dentro da estação havia outras tantas câmeras e que as gravações – as provas mais importantes num eventual contraditório à versão policial – sumiram. Já no caso do terrorismo, o que eu queria mostrar é que elas são ineficazes para PREVENIR certos crimes, não todos. Você também já deve ter notado que elas não previnem atos de vandalismo em ônibus.

    Mas reconheço os outros tantos méritos da câmera, especialmente na identificação de suspeitos e proteção de estabelecimentos, como foi o caso que você citou.

    É preciso estar ciente, no entanto, que as imagens serão usadas em favor da polícia ou da empresa, mas dificilmente contra elas. Não consegui obter imagens num aeroporto (Stansted), que seriam de grande valia numa ação contra a Easyjet.

    3- Tive colegas que trabalharam com pesquisa em segurança pública no sudeste de Londres e vi o apoio que tiveram de alguns setores da polícia, mas também os muitos problemas com outros de alta patente que simplesmente ignoravam a necessidade de pesquisas. Há policiais que gostam mais de pegar ladrão do que de prevenir crime pelo tipo de louros que isto dá (e este é um grande problema quando se trata de relação entre segurança e mídia)
    A polícia, nem lá nem cá, é homogênea e totalmente idônea – porque nenhuma instituição o é – daí a necessidade de controles e limites contra um “police state” (e basta ler nos comentários o apoio que há ao tal police state). Não dá pra assumir que uma estratégia deve funcionar porque a polícia vai pôr em testes.

    Assumo que tanto o comentário anterior quanto este parecem levar à impressão de que minha posição é contra a instituição policial, mas não é o caso. Pelo contrário, tenho grande respeito pela polícia inglesa (conheci policiais nas marchas contra a Guerra e imagino a situação deles na defesa da cidade contra o terrorismo.) e por alguns setores da polícia brasileira também.

    Obrigado pelas “remarks”! Sorte por aí!

  29. Lucas disse:

    Mateu Bastos,

    Também morei na Inglaterra e confirmo o que André disse. O sistema de CCTV realmente faz (alguma) diferença.

    Lembre que Richard Sennet é americano, povo que, conforme apontei no meu primeiro comentário, rejeita culturalmente qualquer restrição à privacidade/liberdade.

    Na prática, isso é bobagem, os americanos são tão opressores e invasivos quantos os ingleses, vide o tal “Patriot Act”.

    Portanto, há uma grande distância entre o discurso ideológico e o resultado prático desse tipo de ação. Claro que CCTV não é a única alternativa, mas é uma que foi testada na prática na Inglaterra. Isso faz uma grande diferença – evidência empírica de que funciona ou não funciona, e em que contexto funciona.

  30. Mateus Bastos disse:

    Puxa, Lucas, eu concordo contigo sobre o uso da CCTV: de fato faz alguma diferença em determinados casos (e deveria ser melhor utilizado em nossas cidades que sequer têm uma estratégia multidisciplinar de segurança, com urbanistas etc. ).

    Tenho amigos que trabalharam num destes grupos e quase fui trabalhar com eles. Te digo exatamente o que você disse: as coisas não são como parecem. Uma coisa é o PR, outra coisa é a práxis. E não custa lembrar que diferentes subprefeituras podem adotar diferentes estratégias por lá. Não é uma coisa 100% integrada.

    Agora,cá para nós, todo o argumento sobre Richard Sennett ser americano e pensar assim é difícil de engolir. O livro mais conhecido do cara é justamente “O declínio do homem público” e metade de sua carreira foi forjada em Londres, na LSE. Recomendo que você leia o livro ou, pelo menos, o perfil do cara na Wikipédia (também há o CV dele na página da LSE.)

    Saudações,

  31. Josué Luiz disse:

    Lucas,

    Também morei na Inglaterra e confirmo o que Mateus disse. Mas acho que o assunto em questão entra em outro nível de discussão: o monitoramento de casas. Assim, o foco do problema é outro. Reflita sobre isso e voltaremos a discutir aqui.

    Abraço e evite pular catracas!
    Josué

  32. DENIS disse:

    O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM TODOS NÓS!!!!! AGORA JÁ É TARDE…