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Escrito por • 10/07/2009

nelson motta: estrelinhas, constelações e galáxias

nelson motta não nasceu ontem, nem viveu pouco. uma parte muito significativa da música brasileira contemporânea [e de sua história] passa por nelsinho, seus companheiros, colegas, parceiros, intérpretes e amigos. não é nem preciso a gente tentar uma biografia aqui, pois a vida de nelsinho está online aqui. de resto, se você não sabia dele, provavelmente ainda não nasceu e não sabe. pois vá saber.

nelsinho escreveu um texto primoroso sobre o fim da era dos popstars planetários, ao tempo do desaparecimento de michael jackson; com sua licença, taí, abaixo, a crônica, na íntegra. leia. e imagine o que ainda está por vir. os grifos são nossos.

A morte de Michael Jackson é um dos signos mais evidentes e dolorosos do fim da era dos popstars planetários. Até os anos 90, o poder de comunicação e difusão estava nas mãos das grandes gravadoras multinacionais. Só elas tinham o dinheiro, a tecnologia e a organização para divulgar, promover e vender seus artistas no mundo inteiro. Estratégia vitoriosa: as filiais internacionais dividiam os custos, e multiplicavam os lucros. Tão vitoriosa que logo os orçamentos de promoção e marketing superavam de longe os de produção e desenvolvimento.

Na era da internet, da tecnologia da informação, da democratização dos meios de comunicação, o efeito é a multiplicação de estrelas locais, regionais, nacionais, e cada vez menos popstars globais como Michael Jackson, Madonna ou os Rolling Stones. Esses, são história viva.

Hoje, os pretendentes ao estrelato mundial competem com todos os anônimos, ou quase, com todas as pequenas e médias estrelas em ascensão em todos os cantos do mundo, que cantam na língua que as pessoas entendem, que falam de coisas que eles sentem, que têm redes de fãs na internet. Produzir é fácil, difícil é chamar a atenção do público. Está dura a vida de popstar hoje em dia.

Nos anos 70 e 80, não só da ditadura, mas do nacionalismo e do protecionismo, a música angloamericana dominava os grandes mercados e os periféricos, inclusive o Brasil, apesar de nossa fabulosa produção musical da época. Com a globalização e a internet, as previsões nacionalistas e antiimperialistas eram de que a música angloamericana, o som do Império, tomaria conta do mundo de vez, era tudo uma conspiração tecnológica para dominar o planeta. 

Pura paranóia do perfeito idiota latinoamericano. Na era da informação globalizada, o jogo virou: as músicas nacionais passaram a dominar as vendas de discos. No Brasil, mais de 75% do mercado são de produto nacional, bruto ou fino. E também na China, na Índia, na Espanha, no Japão, os artistas nacionais dominam o mercado. A internet pulverizou a informação e transformou um céu de poucas estrelas muito brilhantes em novas constelações e galáxias.

falou e disse. grande nelsinho.

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0 Responses to nelson motta: estrelinhas, constelações e galáxias

  1. Paulo Nasc disse:

    Quando S.M. e N.M. juntam-se foram uma liga mais nobre que o Ouro. Estamos falando de inteligência, claro.
    Porém, e sempre têm um porém, é preciso uma meia trava quando o assunto é o mercado, da música, e seus operadores.
    Qualidade nunca foi e acho que nunca será um critério viável no momento de alavancar carreiras de talentos locais.
    Estão aí as duplas horrorosas, Fitãozinhos&Trololós, ZezéDikangalha e Numseiquem despejandos suas porcarias nos nossos ouvidos, uma lástima. Se esse é o destino a que estamos condenados que saudades dos astros globais.

  2. Caramba. Grande Nelson Motta, não haveria texto mais primoroso para descrever o atual cenário da indústria fonográfica.

  3. Silvio,

    Precisava ver a entrevista que Nelson Mota fez com Roberto Carlos e Caetano Veloso, num vídeo que foi ao ar ontem na Globo New, em homenagem aos 50 anos de vida artística do Rei! Uma aula magna de história da música brasileira (emocionante). Estas 3 feras fizeram um programa que não via há muito tempo.
    Logo, o tal do NM merece o destaque que tem!
    JCC