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Escrito por • 22/08/2010

neutralidade em cheque

desde o começo da internet, um dos princípios fundamentais da rede tem sido o de tratar todo tipo de tráfego do mesmo jeito, com a mesma prioridade. além de garantir que todos os usuários, a qualquer tempo e sem ter que pagar mais por isso, podem [realmente] usar a rede para o que quiserem e entenderem, desde transmitir o gato dormindo na sala até compartilhar seus sistemas de arquivos usando protocolos p2p.

lá na ponta da tecnologia, neutralidade de rede significa que os pacotes de dados que fazem parte de uma transferência de arquivo qualquer teriam que ser processados pelos múltiplos pontos de rede entre a origem e o destino da mesma forma que pacotes que correspondam, por exemplo, a uma video conferência ou a uma transmissão de rádio pela rede.

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o conflito é óbvio: tem um monte de gente querendo ver vídeo [51% do tráfego da rede, hoje] outro tanto querendo “trabalhar”, provedores de conteúdo que são provedores, também, de infraestrutura… e que em alguns casos podem ser tentados a dar prioridade a “seu” conteúdo na “sua” infra, sem falar nas empresas de conectividade móvel [as antigas “teles móveis”…] que dizem a torto e direito, para quem quiser ouvir, que a infraestrutura de conexões móveis “não pode” ser usada da mesma forma que a fixa, porque não foi pensada para isso… e tal e coisa.

só que, no brasil, mais da metade de todos os acessos a banda larga é… móvel, segundo dados da consultoria teleco. e isso em tempos que google, antigo bastião da neutralidade, começa a defender a ideia de “serviços diferenciados” na rede móvel, que nada mais são do que fazer mais e melhor para quem paga mais e melhor rentabiliza os serviços do provedor.

e não só: sob demanda de seus usuários, certos provedores começam a oferecer serviços diferenciados e muito bem aceitos pelo seu público. veja o caso de DEMON, provedor de acesso inglês que resolveu prover um acesso a banda larga que prioriza… jogos. por £3 a mais por mês, DEMON diz que… "What we’re doing is putting gamers into a business grade network… Looking at the usage of gamers, it’s actually more akin to a small business." segundo o provedor, o padrão de uso de quem joga online parece o de um pequeno negócio e o que eles vão fazer é garantir a melhor banda e a menor latência [tempo entre requisição e início de uma transação] para quem estiver disposto a pagar os tais £3 a mais por mês, aí por uns R$10.

pense: se fosse aqui no brasil, você teria assinado um contrato de 20 megabit por segundo e o seu provedor diria mais ou menos que… “se você me pagar R$10 a mais, por mês, eu cumpro o contrato”. é isso que DEMON está, na prática, oferecendo na inglaterra e que, se a tal história dos “serviços diferenciados” colar… vai virar a próxima praga da internet. que pode acabar levando a uma rede básica, que funciona quando der e puder, para quem estiver pagando a assinatura básica e, do lado dela, uma outra, tão boa quanto for possível, para quem puder pagar adicionais de todos os tipos e montantes. mais ou menos como se quem pagasse mais IPVA pudesse andar no corredor de ônibus, levando os gestores do corredor a tomar mais pistas do trânsito normal porque há mais gente querendo “pagar mais”… até o ponto em que os normais, que pagam o acesso normal, estariam todos espremidos numa pistinha bem estreita e esburacada à qual ninguém presta muita atenção.

desde o começo da internet comercial, no meio da década de 90, as teles estão imaginando e fazendo planos para voltar a cobrar por tempo de uso, por prioridade, por distância, por todo tipo de coisa que cobravam na era analógica das comunicações por tempo e que perderam na idade das redes, digital e de pacotes, onde passamos simplesmente a nos conectar. conexões locais iguais, de alcance global, sem restrições e limites. este é o espírito da internet. se não nos entendermos sobre o assunto, e rápido, entre usuários, governos, reguladores e provedores, o resultado será a balcanização da internet entre redes virtuais de serviços “especiais”… em prejuízo de todos.

a quase certeza de que tais serviços “especiais” levariam a um aumento de receita e melhoria de resultados das teles no curto prazo não compensa, no médio e longo prazos, a quebra do princípio de neutralidade de rede que nos trouxe até aqui, conectando tudo e todos em escala global. em última análise, neutralidade em cheque é a mais séria ameaça à internet em todo mundo, no momento, e vai ser preciso bem mais do que palavras para tratar do assunto.

na quinta feira 26, às 15h, o CDES vai promover um colóquio sobre acesso à banda larga no brasil; este blog vai estar na mesa e colocar este assunto na pauta. a discussão sobre o PNBL e o espaço regulatório da rede, no brasil, não pode passar ao largo dos princípios da neutralidade e seu cumprimento, o que requer não só regulamentação, mas fiscalização pernanente. o blog vai levar em conta, no debate, os comentários a este texto.

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78 Responses to neutralidade em cheque

  1. noedir disse:

    Porque você começa todas as frases com letra minúscula? Brigou com o CAPS LOCK?

  2. noedir disse:

    Porque você começa todas as frases com letra minúscula? Brigou com o CAPS LOCK?

  3. Marco disse:

    Este é o mundo que vivemos..
    – Vc paga o SUS e paga o convênio… (Sobra o SUS para os menos favorecidos, sem voz ativa para reclamar)
    – Vc compra uma TV e paga assinatura… (sobrou novamente.. Massa doente, sem voz ativa e agora manipulada)
    – Seus impostos constroem estradas e hidrelétricas e vc paga o uso.. (Doente, calado, zumbi e sem um tostão!)

    O sucateamento é manobra comum no país. Estamos “acostumados” e,sim, isso vai acontecer na Internet.
    Enquanto as pessoas que tiverem “um pouco a mais” não se conscientizarem que, mesmo se o dinheiro não fizer falta, não é certo pagar a mais pelo serviço já prometido.
    Existe também a necessidade de ser algo “diferenciado”, VIP ou especial. Pessoas trocam de celular a cada 4 meses, gastam fortuna em carros, roupas, bolsas, relógios etc.

    Junte a vontade de vender com a vontade de comprar e pronto. Esta ai o mercado mais lucrativo do Brasil, o de serviço diferenciado baseado no sucateamento. (Acrescente uma pitada de políticos corruptos e uma porção de propinas e faça uma festa!)

  4. Marco disse:

    Este é o mundo que vivemos..
    – Vc paga o SUS e paga o convênio… (Sobra o SUS para os menos favorecidos, sem voz ativa para reclamar)
    – Vc compra uma TV e paga assinatura… (sobrou novamente.. Massa doente, sem voz ativa e agora manipulada)
    – Seus impostos constroem estradas e hidrelétricas e vc paga o uso.. (Doente, calado, zumbi e sem um tostão!)

    O sucateamento é manobra comum no país. Estamos “acostumados” e,sim, isso vai acontecer na Internet.
    Enquanto as pessoas que tiverem “um pouco a mais” não se conscientizarem que, mesmo se o dinheiro não fizer falta, não é certo pagar a mais pelo serviço já prometido.
    Existe também a necessidade de ser algo “diferenciado”, VIP ou especial. Pessoas trocam de celular a cada 4 meses, gastam fortuna em carros, roupas, bolsas, relógios etc.

    Junte a vontade de vender com a vontade de comprar e pronto. Esta ai o mercado mais lucrativo do Brasil, o de serviço diferenciado baseado no sucateamento. (Acrescente uma pitada de políticos corruptos e uma porção de propinas e faça uma festa!)

  5. clovis disse:

    Ótimo debate, Silvio. A Princípio, a priorização de alguns serviços é justificável, se não são prejudicados os outros usuários.
    Na prática, não se justifica. Por que cobrar mais por algum tipo de tráfego, se já cobram mais por velocidades maiores de conexão?
    Não conheço as razões técnicas, mas acho difícil que alguma justifique cobrar mais pelo tipo de dados transmitidos.

    • srlm disse:

      clovis, sem um conjunto de infraestruturas de MAIS capacidade que a demanda, não dá para priorizar nada sem afetar outras coisas. veja o comentário de victor; há evidências informais e muitas de que provedores brasileiros estão fazendo traffic shaping, dando preferência a páginas web “normais” e vindas de “certos endereços” ao invés de dar a mesma prioridade a vídeos e games, por exemplo. e isso parece estar acontecendo agora… logo o problema é IMEDIATO…

  6. clovis disse:

    Ótimo debate, Silvio. A Princípio, a priorização de alguns serviços é justificável, se não são prejudicados os outros usuários.
    Na prática, não se justifica. Por que cobrar mais por algum tipo de tráfego, se já cobram mais por velocidades maiores de conexão?
    Não conheço as razões técnicas, mas acho difícil que alguma justifique cobrar mais pelo tipo de dados transmitidos.

    • srlm disse:

      clovis, sem um conjunto de infraestruturas de MAIS capacidade que a demanda, não dá para priorizar nada sem afetar outras coisas. veja o comentário de victor; há evidências informais e muitas de que provedores brasileiros estão fazendo traffic shaping, dando preferência a páginas web “normais” e vindas de “certos endereços” ao invés de dar a mesma prioridade a vídeos e games, por exemplo. e isso parece estar acontecendo agora… logo o problema é IMEDIATO…

  7. Carlos Eduardo Valente disse:

    Concordo plenamente como Marco acima. É uma barbaridade isso! E sempre tem aqueles que dizem: fazer o quê? se é assim que a coisa funciona. As pessoas são muito egoísas e pensam somente em si e não no todo. Acho realmente um absurdo essa questão levantada pelo Google (e com certeza outrs empresas virão). No fundo, lá no final, ficará tudo num gargalo estreito e outros serviços terão de ser pagos para que se possa continuar navegando naquela velocidade normal que se contratou no início. Mas o importante é furar a fila agora, neste instante. Realmente patético. E, volto a dizer, o Marco tem toda a razão no que escreveu.

  8. Carlos Eduardo Valente disse:

    Concordo plenamente como Marco acima. É uma barbaridade isso! E sempre tem aqueles que dizem: fazer o quê? se é assim que a coisa funciona. As pessoas são muito egoísas e pensam somente em si e não no todo. Acho realmente um absurdo essa questão levantada pelo Google (e com certeza outrs empresas virão). No fundo, lá no final, ficará tudo num gargalo estreito e outros serviços terão de ser pagos para que se possa continuar navegando naquela velocidade normal que se contratou no início. Mas o importante é furar a fila agora, neste instante. Realmente patético. E, volto a dizer, o Marco tem toda a razão no que escreveu.

  9. Victor Rodrigues disse:

    O oligopólio eletrônico já existe.

    Trabalho em uma empresa que contrata uma banda de 400mbps+ com um provedor conhecido em São Paulo. É comum nossos gráficos mostrarem indícios muito fortes de traffic shaping.

    Embora não haja provas cabais – o que demandaria uma investigação do que ocorre do outro lado -, temos essa desconfiança constante, motivada por muitos fatos. A falta de fiscalização, transparência nos provedores e legislação adequada nos deixa nesta situação de impotência diante de um mercado paralelo de prioridades na rede.

    • srlm disse:

      victor, isso certamente merece um estudo aprofundado e, porque não, um conjunto de regras e medidas para garantir que elas sejam implementadas na prática. vou levar seu ponto à discussão.

  10. Victor Rodrigues disse:

    O oligopólio eletrônico já existe.

    Trabalho em uma empresa que contrata uma banda de 400mbps+ com um provedor conhecido em São Paulo. É comum nossos gráficos mostrarem indícios muito fortes de traffic shaping.

    Embora não haja provas cabais – o que demandaria uma investigação do que ocorre do outro lado -, temos essa desconfiança constante, motivada por muitos fatos. A falta de fiscalização, transparência nos provedores e legislação adequada nos deixa nesta situação de impotência diante de um mercado paralelo de prioridades na rede.

    • srlm disse:

      victor, isso certamente merece um estudo aprofundado e, porque não, um conjunto de regras e medidas para garantir que elas sejam implementadas na prática. vou levar seu ponto à discussão.

  11. Raphael disse:

    Bom dia. O que temos de nos preocupar é na abrangência da rede. Por quê no interior (sem ser SP e outras áreas metropolitanas) temos um acesso tão caro.

    Ora, ou falta concorrência ou o preço se torna inviável a aplicar a um “cliente” que pode pagar relativamente “bem” por uma conexão regular.

    Fora isso, tem ainda a questão do provedor. Ora, se a informação é um bem público, ainda que por concessão no Brasil, por quê seu acesso (através do “bendito” provedor) é tão caro.

    Paga-se nos mais “providos” provedores (IG, TERRA, GLOBO) preços após promoção de 12 reais ao mês após promoções de autenticação de provedor.

    Se a autenticação fosse um serviço público, era digno que as pessoas pagassem apenas pelo conteúdo. Se você assina uma revista, vc não paga uma taxa para a editora para compra do serviço (nem estou citando o caso de ela vir inclusa). Se você paga o gás, você não paga mais mais a distribuidora (apenas o entregador por comodidade) para entregar o butijão.

    E aí, se não acabar o mundo em 2012, com ficamos em 2014?

  12. Raphael disse:

    Bom dia. O que temos de nos preocupar é na abrangência da rede. Por quê no interior (sem ser SP e outras áreas metropolitanas) temos um acesso tão caro.

    Ora, ou falta concorrência ou o preço se torna inviável a aplicar a um “cliente” que pode pagar relativamente “bem” por uma conexão regular.

    Fora isso, tem ainda a questão do provedor. Ora, se a informação é um bem público, ainda que por concessão no Brasil, por quê seu acesso (através do “bendito” provedor) é tão caro.

    Paga-se nos mais “providos” provedores (IG, TERRA, GLOBO) preços após promoção de 12 reais ao mês após promoções de autenticação de provedor.

    Se a autenticação fosse um serviço público, era digno que as pessoas pagassem apenas pelo conteúdo. Se você assina uma revista, vc não paga uma taxa para a editora para compra do serviço (nem estou citando o caso de ela vir inclusa). Se você paga o gás, você não paga mais mais a distribuidora (apenas o entregador por comodidade) para entregar o butijão.

    E aí, se não acabar o mundo em 2012, com ficamos em 2014?

  13. flavio jose disse:

    Esse silvio meira pode até ser inteligente na área de ciência exata. Porem quando parte para área HUMANA, coitado, faz pena. Não consegue esconder seu caráter nazista. Tudo para os donos do poder. Onde está o direito de igualdade, o acesso as informações fica limitado para quem? Este preconceito é coisa de mente doentia.

    • srlm disse:

      meu caro, parece que estamos em universos discursivos infinitamente separados pela sua incompreensão básica, elementar, do meu texto. que tal ler de novo?… o texto defende a NEUTRALIDADE da rede, uma rede IGUAL para todos, sem DIFERENCIAÇÃO de prioridades… seu entendimento de que isso é um certo “caráter nazista” é… hilário…

  14. flavio jose disse:

    Esse silvio meira pode até ser inteligente na área de ciência exata. Porem quando parte para área HUMANA, coitado, faz pena. Não consegue esconder seu caráter nazista. Tudo para os donos do poder. Onde está o direito de igualdade, o acesso as informações fica limitado para quem? Este preconceito é coisa de mente doentia.

    • srlm disse:

      meu caro, parece que estamos em universos discursivos infinitamente separados pela sua incompreensão básica, elementar, do meu texto. que tal ler de novo?… o texto defende a NEUTRALIDADE da rede, uma rede IGUAL para todos, sem DIFERENCIAÇÃO de prioridades… seu entendimento de que isso é um certo “caráter nazista” é… hilário…

  15. Matheus Santana disse:

    Sílvio que nos defenda deste retrocesso! Se bem que, ao passo em que a banda larga anda (a mim, ao menos, parece tão estável e inabalável), é cabível a discussão deste tema? Pelo sim, pelo não, creio que os usuários de banda larga no Brasil não permitirão uma afronta dessas. O cerceamento de serviço tal que, em algum país, já é direito legitimado pelo legislativo. Eis um tema que merece mais atenção: ratificar o acesso à banda larga em todo o Brasil (não só nas capitais), bem como uma “inclusão digital total”. Um abraço, Sílvio. Que bons ventos o guiem.

    • srlm disse:

      matheus, neste assunto aqui, o preço da neutralidade é a ETERNA VIGILÂNCIA; veja o comentário de victor rodrigues, acima; já há muito que se diz que provedores [brasileiros, inclusive, e muitos] fazem “traffic shaping”, isto é, dão prioridade ao tráfego de rede ao seu bel prazer [e interesses]. será que não está na hora de fazer um estudo sério sobre isso e, porque não, tentar garantir que isso não seja feito… o que é certamente em detrimento dos usuários?…

  16. Matheus Santana disse:

    Sílvio que nos defenda deste retrocesso! Se bem que, ao passo em que a banda larga anda (a mim, ao menos, parece tão estável e inabalável), é cabível a discussão deste tema? Pelo sim, pelo não, creio que os usuários de banda larga no Brasil não permitirão uma afronta dessas. O cerceamento de serviço tal que, em algum país, já é direito legitimado pelo legislativo. Eis um tema que merece mais atenção: ratificar o acesso à banda larga em todo o Brasil (não só nas capitais), bem como uma “inclusão digital total”. Um abraço, Sílvio. Que bons ventos o guiem.

    • srlm disse:

      matheus, neste assunto aqui, o preço da neutralidade é a ETERNA VIGILÂNCIA; veja o comentário de victor rodrigues, acima; já há muito que se diz que provedores [brasileiros, inclusive, e muitos] fazem “traffic shaping”, isto é, dão prioridade ao tráfego de rede ao seu bel prazer [e interesses]. será que não está na hora de fazer um estudo sério sobre isso e, porque não, tentar garantir que isso não seja feito… o que é certamente em detrimento dos usuários?…

  17. Cristina disse:

    O tema é debatido pelo excelente Lawrence Lessig em seu livro The Future of Ideas. O tema é complexo, importante e tem implicações que devem ser analisadas.

  18. Cristina disse:

    O tema é debatido pelo excelente Lawrence Lessig em seu livro The Future of Ideas. O tema é complexo, importante e tem implicações que devem ser analisadas.

  19. fabio maia disse:

    Sílvio,

    Esse é, certamente, um assunto que merece debate. Tenho simpatia pelo argumento da neutralidade, mas não creio que seja tão simples como está sendo colocado. Preços são uma forma indireta (mesmo que imperfeita, como qualquer criação humana) de alocar recursos de forma eficiente. Lembre-se da Tragédia dos Comuns…

    • srlm disse:

      ninguém está dizendo que é simples, fábio; mas que não podemos evitar este debate e que é chegada a hora, especialmente porque as evidências de traffic shaping são muitas… não podemos deixar que a rede se *favelize* ou se balcanize… sem nem seuqer um bom debate sobre isso… pelo menos para que todos saibam o que está ocorrendo e para ocorrer no futuro próximo

  20. fabio maia disse:

    Sílvio,

    Esse é, certamente, um assunto que merece debate. Tenho simpatia pelo argumento da neutralidade, mas não creio que seja tão simples como está sendo colocado. Preços são uma forma indireta (mesmo que imperfeita, como qualquer criação humana) de alocar recursos de forma eficiente. Lembre-se da Tragédia dos Comuns…

    • srlm disse:

      ninguém está dizendo que é simples, fábio; mas que não podemos evitar este debate e que é chegada a hora, especialmente porque as evidências de traffic shaping são muitas… não podemos deixar que a rede se *favelize* ou se balcanize… sem nem seuqer um bom debate sobre isso… pelo menos para que todos saibam o que está ocorrendo e para ocorrer no futuro próximo

  21. Elaine G.M de Figueiredo disse:

    Eu também já trabalhei em empresa que foi vítima de “traffic shaping”, houve uma discussão entre o diretor da mesma e o provedor, o que provocou uma ruptura do contrato, muitos serviços foram prejudicados, principalmente o trafego de dados VoIP, acho que isso é mais normal que se pensa, as grandes empresas negam até o fim, mas muitas admitem que atrasam a transmissão de dados para manter a qualidade do serviço, e ai, isso não é mesma coisa? Enquanto isso empresas e pessoas comuns pagam caro por uma internet cada vez mais desqualificada.

  22. Elaine G.M de Figueiredo disse:

    Eu também já trabalhei em empresa que foi vítima de “traffic shaping”, houve uma discussão entre o diretor da mesma e o provedor, o que provocou uma ruptura do contrato, muitos serviços foram prejudicados, principalmente o trafego de dados VoIP, acho que isso é mais normal que se pensa, as grandes empresas negam até o fim, mas muitas admitem que atrasam a transmissão de dados para manter a qualidade do serviço, e ai, isso não é mesma coisa? Enquanto isso empresas e pessoas comuns pagam caro por uma internet cada vez mais desqualificada.

  23. João Henrique disse:

    Silvio,

    Discussão interessante esta.

    Primeiro, precisamos entender o que estamos pagando quando compramos acesso a internet. O que o provedor pode garantir hoje na prática é a banda entre a casa do assinante e o backbone do provedor, mesmo que em contrato tenha a obrigação de entregar no mínimo 10% do contratado. Não há como o provedor garantir banda fora do seu backbone.

    As operadoras estão descobrindo um nincho, podendo cobrar mais por um serviço diferenciado. Acho que até ai é normal, não ficaria muito preocupado com isso. O papel das empresas é este mesmo, sempre em busca de rentabilidade e novos negócios. Isto provavelmente ocorre devido a migração de serviços de telefonia convencional para VOIP e afins.

    O que o governo e agências reguladoras precisam garantir é a livre concorrência e a quebra de monopólios. O resto o mercado se regula. Há espaço para vários grupos e perfis de acesso. A tecnologia vai evoluindo para permitir maior tráfego de informações.

    O que tenho medo é que o discursso da internet grátis do governo federal. O governo não tem eficiência para prestar este tipo de serviço. No fim vai virar mais cabide de emprego, dinheiro público desperdiçado e desviado, corrupção…

  24. João Henrique disse:

    Silvio,

    Discussão interessante esta.

    Primeiro, precisamos entender o que estamos pagando quando compramos acesso a internet. O que o provedor pode garantir hoje na prática é a banda entre a casa do assinante e o backbone do provedor, mesmo que em contrato tenha a obrigação de entregar no mínimo 10% do contratado. Não há como o provedor garantir banda fora do seu backbone.

    As operadoras estão descobrindo um nincho, podendo cobrar mais por um serviço diferenciado. Acho que até ai é normal, não ficaria muito preocupado com isso. O papel das empresas é este mesmo, sempre em busca de rentabilidade e novos negócios. Isto provavelmente ocorre devido a migração de serviços de telefonia convencional para VOIP e afins.

    O que o governo e agências reguladoras precisam garantir é a livre concorrência e a quebra de monopólios. O resto o mercado se regula. Há espaço para vários grupos e perfis de acesso. A tecnologia vai evoluindo para permitir maior tráfego de informações.

    O que tenho medo é que o discursso da internet grátis do governo federal. O governo não tem eficiência para prestar este tipo de serviço. No fim vai virar mais cabide de emprego, dinheiro público desperdiçado e desviado, corrupção…

  25. Victor Rodrigues disse:

    @João Henrique

    Realmente, alguns dos indícios de traffic shaping que surgem nas empresas coincidem com o horário de fim de expediente, momento em que sempre aumenta a demanda da rede VOIP.

    ( Um breve parênteses: “O mercado se regula” é uma sentença que finalmente foi rebaixada a status de falácia há quase dois anos, em 15 de setembro de 2008, quando uns 20 anos depois caiu um pedaço do muro da Wall Street. A sociedade se regula, se quiser, já o Deus-mercado não tem juizo não, rapaz.. http://goo.gl/PDE9 )

  26. Victor Rodrigues disse:

    @João Henrique

    Realmente, alguns dos indícios de traffic shaping que surgem nas empresas coincidem com o horário de fim de expediente, momento em que sempre aumenta a demanda da rede VOIP.

    ( Um breve parênteses: “O mercado se regula” é uma sentença que finalmente foi rebaixada a status de falácia há quase dois anos, em 15 de setembro de 2008, quando uns 20 anos depois caiu um pedaço do muro da Wall Street. A sociedade se regula, se quiser, já o Deus-mercado não tem juizo não, rapaz.. http://goo.gl/PDE9 )

  27. Marcelo disse:

    Concordo plenamente com Silvio. No momento que os provedores comecarem a determinar taxas diferentes e fazer acordo com algumas companhias e sites, toda a transparencia da internet vai ser jogada no lixo. Isso tem um efeito ainda maior na area onde eu trabalho: engenhos de buscas, como o Bing ou o Google. Eh sabido que a latencia nessas areas eh um fator critico que pode significar milhoes de usarios dentro ou fora do seu servico. No momento em que provedores comecarem a dar preferencia (menor latencia) para alguns sites, isso vai gerar uma vantagem tecnologica imensa, e todo a pesquisa que fazemos para ganhas 50ms aqui e ali sera em vao. Existe alguma regulamentacao, no Brasil ou aqui nos EUA, que possa legalizar a democratrizacao da rede?

  28. Marcelo disse:

    Concordo plenamente com Silvio. No momento que os provedores comecarem a determinar taxas diferentes e fazer acordo com algumas companhias e sites, toda a transparencia da internet vai ser jogada no lixo. Isso tem um efeito ainda maior na area onde eu trabalho: engenhos de buscas, como o Bing ou o Google. Eh sabido que a latencia nessas areas eh um fator critico que pode significar milhoes de usarios dentro ou fora do seu servico. No momento em que provedores comecarem a dar preferencia (menor latencia) para alguns sites, isso vai gerar uma vantagem tecnologica imensa, e todo a pesquisa que fazemos para ganhas 50ms aqui e ali sera em vao. Existe alguma regulamentacao, no Brasil ou aqui nos EUA, que possa legalizar a democratrizacao da rede?

  29. No Brasil já temos know-how nesse tipo de ABSURDO, basta observar que pagamos INSS (compulsório) para SAÚDE, mas de tão RUIM o SERVIÇO, temos que pagar também um plano de saúde que é só MENOS RUIM. O mesmo acontece com as estradas, onde TAMBÉM PAGAMOS IMPOSTO, para supostamente ter direito a algo decente, mas temos que engolir um RIDÍCULO PEDÁGIO para conseguir o que já pagamos, e todos concordam calados, fora outros exemplos que tomariam muito tempo.

    Será que a internet quer se transformar num Brasil? Alguém tem que contar e CONVENCER o resto do MUNDO, que esse tipo de CAPITALISMO é EXTREMAMENTE BURRO, e não precisa ser muito ESPERTO para entender isso.

    SENHORES ‘DONOS’ DA INTERNET, TENHAM BOM SENSO.

  30. No Brasil já temos know-how nesse tipo de ABSURDO, basta observar que pagamos INSS (compulsório) para SAÚDE, mas de tão RUIM o SERVIÇO, temos que pagar também um plano de saúde que é só MENOS RUIM. O mesmo acontece com as estradas, onde TAMBÉM PAGAMOS IMPOSTO, para supostamente ter direito a algo decente, mas temos que engolir um RIDÍCULO PEDÁGIO para conseguir o que já pagamos, e todos concordam calados, fora outros exemplos que tomariam muito tempo.

    Será que a internet quer se transformar num Brasil? Alguém tem que contar e CONVENCER o resto do MUNDO, que esse tipo de CAPITALISMO é EXTREMAMENTE BURRO, e não precisa ser muito ESPERTO para entender isso.

    SENHORES ‘DONOS’ DA INTERNET, TENHAM BOM SENSO.

  31. Julio disse:

    Silvio, o problema tb é que a internet é uma rede de redes, então não dá simplesmente para priorizar determinado tipo de trafego durante todo o percurso. O que da pra fazer é limitar o trafego “indesejado” em determindada rede (traffic shaping). Então, na pratica, se cada rede prioriza um tipo de conteúdo diferente (vídeo, jogos, voip, etc), o resultado não será o bem de quem pode pagar mais e sim o colapso de toda a internet.

  32. Julio disse:

    Silvio, o problema tb é que a internet é uma rede de redes, então não dá simplesmente para priorizar determinado tipo de trafego durante todo o percurso. O que da pra fazer é limitar o trafego “indesejado” em determindada rede (traffic shaping). Então, na pratica, se cada rede prioriza um tipo de conteúdo diferente (vídeo, jogos, voip, etc), o resultado não será o bem de quem pode pagar mais e sim o colapso de toda a internet.

  33. Fred Barros disse:

    Sim…e depois para usar Skype, por exemplo, você vai precisar pagar R$ X de assinatura para usar o “pacote voip”, que vai deixar suas ligações muito mais claras e vai dar para usar até vídeo!

    Na “rede grátis” as ligações com Skype passarão a ser horríveis.

    Dessa vez não! Não vamos retroceder…

  34. Fred Barros disse:

    Sim…e depois para usar Skype, por exemplo, você vai precisar pagar R$ X de assinatura para usar o “pacote voip”, que vai deixar suas ligações muito mais claras e vai dar para usar até vídeo!

    Na “rede grátis” as ligações com Skype passarão a ser horríveis.

    Dessa vez não! Não vamos retroceder…

  35. continha disse:

    nem precisa ir muito longe para ver onde isso vai nos levar: uma passagem de ida-e-volta entre nova iorque em paris custa 834 dólares na classe econômica e 2334 na primeira classe. dado que cada assento na primeira classe ocupa em termos de espaço (fora o serviço) o equivalente a 4 assentos na classe econômica, seria de se estranhar que uma passagem na primeira classe não custasse pelo menos 4 vezes mais do que a econômica, certo (isso sem contar com o serviço diferenciado). faça a conta e verá que 2334/834 dá menos de 2.8, ou seja, viajar na primeira classe custa 30% mais barato do que deveria custar. como a empresa aérea não vai querer ficar com esse prejuízo, adivinha quem está pagando por 30% da passagem dos passageiros na primeira classe…

  36. continha disse:

    nem precisa ir muito longe para ver onde isso vai nos levar: uma passagem de ida-e-volta entre nova iorque em paris custa 834 dólares na classe econômica e 2334 na primeira classe. dado que cada assento na primeira classe ocupa em termos de espaço (fora o serviço) o equivalente a 4 assentos na classe econômica, seria de se estranhar que uma passagem na primeira classe não custasse pelo menos 4 vezes mais do que a econômica, certo (isso sem contar com o serviço diferenciado). faça a conta e verá que 2334/834 dá menos de 2.8, ou seja, viajar na primeira classe custa 30% mais barato do que deveria custar. como a empresa aérea não vai querer ficar com esse prejuízo, adivinha quem está pagando por 30% da passagem dos passageiros na primeira classe…

  37. Romano disse:

    Muito bom o artigo! Quer dizer que agora temos um “scheduler” na Internet. Que dirá da “cloud computing” (se vier à tona). Como disse anteriormente (muito tempo atrás), os velhos problemas da época dos “Mainframes” parecem invadir a Internet. Lembra-me Lulu Santos: “é como uma onda no mar”. Bem, de qualquer forma, é um absurdo, mas que há recursos tecnológicos para isso (de ambos os lados, bom e mau) há. Bronca neles S.[]s

  38. Romano disse:

    Muito bom o artigo! Quer dizer que agora temos um “scheduler” na Internet. Que dirá da “cloud computing” (se vier à tona). Como disse anteriormente (muito tempo atrás), os velhos problemas da época dos “Mainframes” parecem invadir a Internet. Lembra-me Lulu Santos: “é como uma onda no mar”. Bem, de qualquer forma, é um absurdo, mas que há recursos tecnológicos para isso (de ambos os lados, bom e mau) há. Bronca neles S.[]s

  39. Romano disse:

    S, se é para contribuir, vamos lá.

    Reli os comentários, e o seu: “clovis, sem um conjunto de infraestruturas de MAIS capacidade que a demanda”, levanta uma questâo: desde o início da Intenet com as conexôes discadas, até agora com a banda larga, o que observamos é que a demanda cresce com a velocidade oferecida. Isto é natural, pois cada vez mais serviços antes inviáveis tornam-se possíveis. Por exemplo, o número de transações bancárias via Intenet já ultrapassou em mais de 50% às, digamos, “in loco”.

    Que eu saiba, a Coréia do Sul tem a maior rede de fibra ótica instalada e utilizada pela população. Já é possível ver filmes, etc. Duvido que isto esteja acontecendo por lá.

    O ponto é o seguinte: quanto mais banda mais demanda. Isto é inevitável. No caso das fibras óticas 600 canais de TV podem transmitir simultaneamente. Uma determinada emissora poderá oferecer mais “qualidade” se você contratar “mais prioridade”. E por aí vai.

    Resumindo, banda maior que a demanda não resolverá o problema. Sempre haverá mais e mais serviços a oferecer. Imagina na Internet móvel, cujo meio de transmissão não oferece esta banda. No fim caímos no mesmo problema: priorizar não dá!

    Se for o caso, que contratem um canal privado com as teles e montem sua própria rede. E paguem o que o mercado pedir. A Internet virou um grande meio de conexão e todos querem tirar o máximo proveito dela. Sobra sempre para o lado mais fraco. Aí entra o Estado, regulamentando, fiscalizando e tudo o mais que é o seu papel.

  40. Romano disse:

    S, se é para contribuir, vamos lá.

    Reli os comentários, e o seu: “clovis, sem um conjunto de infraestruturas de MAIS capacidade que a demanda”, levanta uma questâo: desde o início da Intenet com as conexôes discadas, até agora com a banda larga, o que observamos é que a demanda cresce com a velocidade oferecida. Isto é natural, pois cada vez mais serviços antes inviáveis tornam-se possíveis. Por exemplo, o número de transações bancárias via Intenet já ultrapassou em mais de 50% às, digamos, “in loco”.

    Que eu saiba, a Coréia do Sul tem a maior rede de fibra ótica instalada e utilizada pela população. Já é possível ver filmes, etc. Duvido que isto esteja acontecendo por lá.

    O ponto é o seguinte: quanto mais banda mais demanda. Isto é inevitável. No caso das fibras óticas 600 canais de TV podem transmitir simultaneamente. Uma determinada emissora poderá oferecer mais “qualidade” se você contratar “mais prioridade”. E por aí vai.

    Resumindo, banda maior que a demanda não resolverá o problema. Sempre haverá mais e mais serviços a oferecer. Imagina na Internet móvel, cujo meio de transmissão não oferece esta banda. No fim caímos no mesmo problema: priorizar não dá!

    Se for o caso, que contratem um canal privado com as teles e montem sua própria rede. E paguem o que o mercado pedir. A Internet virou um grande meio de conexão e todos querem tirar o máximo proveito dela. Sobra sempre para o lado mais fraco. Aí entra o Estado, regulamentando, fiscalizando e tudo o mais que é o seu papel.

  41. Romano disse:

    Quem quiser ler um bom debate e definição de termos sobre o assunto veja o link abaixo. Em especial, o que chama a atenção é:

    ” Law in Chile

    On 13 June 2010 the National Congress of Chile, after an intensive campaign in blogs, twitter and other social networks, approved a law in order to preserve network neutrality. It is the only precedent of legal preservation of neutrality.”

    http://en.wikipedia.org/wiki/Network_neutrality#Law_elsewhere_in_the_world

  42. Romano disse:

    Quem quiser ler um bom debate e definição de termos sobre o assunto veja o link abaixo. Em especial, o que chama a atenção é:

    ” Law in Chile

    On 13 June 2010 the National Congress of Chile, after an intensive campaign in blogs, twitter and other social networks, approved a law in order to preserve network neutrality. It is the only precedent of legal preservation of neutrality.”

    http://en.wikipedia.org/wiki/Network_neutrality#Law_elsewhere_in_the_world

  43. Wilkens Lenon disse:

    A Internet não é uma rede proprietária. Nunca foi. O desenvolvimento compartilhado da rede está na base da sua origem fundante, a cultura hacker. O princípio da neutralidade da rede inicia justamente com o desenvolvimento dos seus protocolos de comunicação como a pilha TCP/IP, por exemplo. O compartilhamento desses códigos, livres e abertos, fazem a rede funcionar com um controle que está nas mãos de qualquer um que domine o código, portanto é um poder compartilhado que cria abertura e, efetivamente, possibilita a diversidade cultural na e em rede. É disso que têm pavor as megas corporações da indústria do copyright e das patentes que farão tudo o que puderem para neutralizar a livre troca de conhecimento da sociedade em rede. Ou alguém aqui pensa mesmo que a imprensa conservadora brasileira, por exemplo, está feliz com o “Cala Boca Galvão” e com o surpreendente crescimento opinativo e formador de opinião da blogosfera?

    O impacto das redes sociais é um fenômeno mundial sem precedentes na história em termos de liberdade de expressão, de opinião, de construção de um espaço público e democrático apesar dos constantes ataques às liberdades da rede como foi o caso do AI5 Digital que tentaram aprovar no Congresso Nacional que, por sua vez, tentava criminalizar o uso da rede e, ao mesmo tempo estabelecer a vigilância ao internauta. Esse absurdo só não vingou por conta da mobilização realizada através da rede.

    Gente boa,o buraco é mais embaixo! Essa história de que só teremos mais e melhor Internet se o mercado regular é conversa para boi dormir porque na verdade a mercado é uma ameba gigante com apenas um sentido, o do lucro…dane-se a sociedade, dane-se o desenvolvimento de uma tecnologia nacional, dane-se a inteligência coletiva, dane-se a liberdade, dane-se a diversidade cultural, dane-se a liberdade de expressão, dane-se o direito ao contraditório, dane-se o direito à informação sem deformação, dane-se o direito de resposta, dane-se o direito ao anonimato quando direitos civis estiverem em risco como nos regimes de ditadura ou de perseguições políticas. F..-se., digo, Dane-se o desenvolvimento compartilhado de códigos. Pra que isso se existem grupos de Jênios que podem nos dar tudo pronto? Para que desenvolver em pares? Para que participar do ciclo evolutivo de uma tecnologia se podemos pegar o software que quisermos na prateleira dos shopping center virtuais do conhecimento.

    Fica uma sugestão: Que se leve para essa reunião a necessidade de se criar ainda mais liberdade em rede com largura de banda decente. Que se limite o poder das telecoms e de grupos privados que tentam filtrar os fluxos em rede. Que se criem dispositivos legais para proteger as ações P2P e os institutos do tipo Creative Commons. Essa é a essência da Internet. É assim que precisa permanecer.

    Termino minha provocação com as palavras do Ministro Aires Brito do STF: “A liberdade da Internet é maior do que a liberdade de imprensa….” Ele sabia o que estava dizendo.

  44. Wilkens Lenon disse:

    A Internet não é uma rede proprietária. Nunca foi. O desenvolvimento compartilhado da rede está na base da sua origem fundante, a cultura hacker. O princípio da neutralidade da rede inicia justamente com o desenvolvimento dos seus protocolos de comunicação como a pilha TCP/IP, por exemplo. O compartilhamento desses códigos, livres e abertos, fazem a rede funcionar com um controle que está nas mãos de qualquer um que domine o código, portanto é um poder compartilhado que cria abertura e, efetivamente, possibilita a diversidade cultural na e em rede. É disso que têm pavor as megas corporações da indústria do copyright e das patentes que farão tudo o que puderem para neutralizar a livre troca de conhecimento da sociedade em rede. Ou alguém aqui pensa mesmo que a imprensa conservadora brasileira, por exemplo, está feliz com o “Cala Boca Galvão” e com o surpreendente crescimento opinativo e formador de opinião da blogosfera?

    O impacto das redes sociais é um fenômeno mundial sem precedentes na história em termos de liberdade de expressão, de opinião, de construção de um espaço público e democrático apesar dos constantes ataques às liberdades da rede como foi o caso do AI5 Digital que tentaram aprovar no Congresso Nacional que, por sua vez, tentava criminalizar o uso da rede e, ao mesmo tempo estabelecer a vigilância ao internauta. Esse absurdo só não vingou por conta da mobilização realizada através da rede.

    Gente boa,o buraco é mais embaixo! Essa história de que só teremos mais e melhor Internet se o mercado regular é conversa para boi dormir porque na verdade a mercado é uma ameba gigante com apenas um sentido, o do lucro…dane-se a sociedade, dane-se o desenvolvimento de uma tecnologia nacional, dane-se a inteligência coletiva, dane-se a liberdade, dane-se a diversidade cultural, dane-se a liberdade de expressão, dane-se o direito ao contraditório, dane-se o direito à informação sem deformação, dane-se o direito de resposta, dane-se o direito ao anonimato quando direitos civis estiverem em risco como nos regimes de ditadura ou de perseguições políticas. F..-se., digo, Dane-se o desenvolvimento compartilhado de códigos. Pra que isso se existem grupos de Jênios que podem nos dar tudo pronto? Para que desenvolver em pares? Para que participar do ciclo evolutivo de uma tecnologia se podemos pegar o software que quisermos na prateleira dos shopping center virtuais do conhecimento.

    Fica uma sugestão: Que se leve para essa reunião a necessidade de se criar ainda mais liberdade em rede com largura de banda decente. Que se limite o poder das telecoms e de grupos privados que tentam filtrar os fluxos em rede. Que se criem dispositivos legais para proteger as ações P2P e os institutos do tipo Creative Commons. Essa é a essência da Internet. É assim que precisa permanecer.

    Termino minha provocação com as palavras do Ministro Aires Brito do STF: “A liberdade da Internet é maior do que a liberdade de imprensa….” Ele sabia o que estava dizendo.

  45. imcampos disse:

    silvio,
    sobre o pnbl

    o que precisa ficar claro para todos eh o modelo de governanca que se pretende implementar.

    o pais tem uma agencia reguladora e criou o FUST exatamente para universalizar o acesso, agora redefinido como acesso aa internet.

    assim, acho que vale a pena propor que se tornem claros os papeis da petrobras, da eletronet, da telebras, da anatel, do minicom, do mpog, e dos recursos do FUST, para citar os stakeholders mais relevantes.

    do outro lado da mesa, os defensores da chamada “concorrencia de mercado” (e, a bem da verdade, a anatel) precisam ser questionados sobre a insustentavel situacao de quase duopolio do sistema brasileiro de telecomunicacoes, com o completo sucateamento da capacidade de inovacao das incumbentes atuais.

    sobre a neutralidade da rede

    sem querer soar otimista prematuramente, acho que haverá consenso no brasil sobre apoiar a principio da neutralidade da rede.

    o problema eh o que fazer com esse consenso, isto eh, como avancar no sentido de obter consenso mundial.

    o principal protagonista dessa peca é o governo americano, mais precisamente a FCC – federal communications commission.

    em segundo lugar, o office of the federal cio, chefiado por vivek kundra.

    ouso dizer que tanto na FCC quanto na equipe de vivek kundra, há clima favoravel aa manutencao da neutralidade da rede, mesmo porque a proposta da verizon + google tende a retirar poder da FCC.

    se tudo se encaminhar nesse sentido nos debates, os proximos passos seriam de articulacao internacional, com envolvimento do governo federal, que deveria colocar o assunto em sua pauta de negociacoes, a comecar pelos estados unidos.

    se os estados unidos nao adotarem o principio da neutralidade da rede, nao adianta nos, isolados, declararmos aderencia ao principio.

    a trabalho comeca, por conseguinte, na articulacao com o governo americano.

    eles podem eventualmente ter a agradavel surpresa de receber apoio brasileiro nessa iniciativa.

  46. imcampos disse:

    silvio,
    sobre o pnbl

    o que precisa ficar claro para todos eh o modelo de governanca que se pretende implementar.

    o pais tem uma agencia reguladora e criou o FUST exatamente para universalizar o acesso, agora redefinido como acesso aa internet.

    assim, acho que vale a pena propor que se tornem claros os papeis da petrobras, da eletronet, da telebras, da anatel, do minicom, do mpog, e dos recursos do FUST, para citar os stakeholders mais relevantes.

    do outro lado da mesa, os defensores da chamada “concorrencia de mercado” (e, a bem da verdade, a anatel) precisam ser questionados sobre a insustentavel situacao de quase duopolio do sistema brasileiro de telecomunicacoes, com o completo sucateamento da capacidade de inovacao das incumbentes atuais.

    sobre a neutralidade da rede

    sem querer soar otimista prematuramente, acho que haverá consenso no brasil sobre apoiar a principio da neutralidade da rede.

    o problema eh o que fazer com esse consenso, isto eh, como avancar no sentido de obter consenso mundial.

    o principal protagonista dessa peca é o governo americano, mais precisamente a FCC – federal communications commission.

    em segundo lugar, o office of the federal cio, chefiado por vivek kundra.

    ouso dizer que tanto na FCC quanto na equipe de vivek kundra, há clima favoravel aa manutencao da neutralidade da rede, mesmo porque a proposta da verizon + google tende a retirar poder da FCC.

    se tudo se encaminhar nesse sentido nos debates, os proximos passos seriam de articulacao internacional, com envolvimento do governo federal, que deveria colocar o assunto em sua pauta de negociacoes, a comecar pelos estados unidos.

    se os estados unidos nao adotarem o principio da neutralidade da rede, nao adianta nos, isolados, declararmos aderencia ao principio.

    a trabalho comeca, por conseguinte, na articulacao com o governo americano.

    eles podem eventualmente ter a agradavel surpresa de receber apoio brasileiro nessa iniciativa.

  47. Suruagy disse:

    Sílvio,

    A questão certamente não é simples: há diversos significados para o que significa neutralidade da rede. Eu não tenho lido a fundo todas as questões envolvidas, mas no meu entender, a neutralidade mais importante refere-se a não deixar que os provedores decidam por conta própria o que irão transportar com maior ou menor prioridade, por exemplo favorecendo um provedor de conteúdo parceiro em detrimento de outros, ou limitando o tráfego voip para não concorrer com o serviço telefônico tradicional provido pela empresa parceira, etc.

    Em relação ao suporte ao tráfego interativo (voz, videoconferência, jogos) pode sim ser necessário, e desejável pelos usuários, que os provedores o priorizem em detrimento de tráfego menos urgente. A alternativa a esta priorização seria termos banda suficiente de modo que mesmo sem priorização todos os serviços, inclusive os interativos tivessem seus requisitos de desempenho atendidos. Esta última alternativa é o que na prática é chamada de overprovisioning.

    Quanto à priorização do tráfego, ela tem sido estudada há um bom tempo com o nome genérico de “qualidade de serviço”. Os correios têm diversos tipos de produtos: sedex, sedex-10, sedex-mesmo dia, cartas simples, impressos, etc. Se todos os serviços tivessem o mesmo custo e dependessem apenas da consciência do usuário em classificar a sua correspondência de acordo com a urgência, certamente não iria funcionar! O mesmo vale se precisarmos de alguma forma priorizar o tráfego, deveria ter mesmo custos diferenciados. Poderiam ser criados planos de acesso com diferentes percentuais (e custos) para o tráfego a ser transportado de acordo com a sua classe de serviço.

    A dificuldade na implementação de um esquema como descrito acima, é que ao usuário interessa o transporte fim-a-fim que exigiria a sua implementação em todos os roteadores da rede o que é uma tarefa quase impossível, dada a independência de cada sistema autônomo que compõe a internet global.

    Por outro lado, se houver limitações de banda, como é o caso hoje das redes sem fio, pode ser interessante priorizar o tráfego gerado pelos nossos dispositivos móveis, pelo menos no seu acesso à internet cabeada, com recursos suficientes, providos por redes de fibra óptica. Inclusive a chamada rede 4G terá todos os serviços, inclusive o de voz, sobre a internet e não funcionará adequadamente se não houver banda alocada mesmo se de forma compartilhada para o seu atendimento.

    O que está faltando no universo da internet é uma definição clara do que é permitido ou não fazer e o controle desta política pelos orgãos reguladores e fiscalizadores. A Google tem sido uma defensora de que os provedores de acesso cabeado não devem regular o tráfego dos seus usuários e é uma das organizações fundadores do M-Lab cujo principal objetivo é o de disponibilizar ferramentas para que os usuários testem o desempenho de seus acessos e possam identificar se o seu tráfego está sendo de algum modo “moldado” pelo seu provedor.

    Mas, no caso das redes sem fio, dada à limitação de banda, deve-se mesmo discutir se, e em caso afirmativo, como deve ser priorizado o tráfego gerado. O que a Google está fazendo agora junto com a Verizon é uma proposta para provocar justamente esta discussão e que se encontre a melhor solução e também uma regulação clara também para a rede cabeada, o que praticamente não existe hoje.

    Em relação à universalização do acesso à banda larga e neste caso através do acesso sem fio, é um fato de que esta é uma tecnologia de mais fácil implantação, por não requerer a instalação de cabos (pelo menos não no acesso do usuário) e os locais menos favorecidos por cabos são justamente os de menor poder aquisitivo. Mas, para que o beneficio desejado seja alcançado, é necessário também que os usuários disponham de terminais/computadores de baixo custo que façam acesso à internet através destas redes.

    Portanto, apesar de discordar de que não possa haver um tratamento diferenciado para o tráfego das redes sem fio, concordo contigo de que é preciso regulação e fiscalização para que não haja abusos.

    • srlm disse:

      suruagy, grato pela contribuição; concordo: o cenário móvel vai dar mais trabalho pra equacionar, mas pelo menos precisamos relfetir muito sobre o todo e ele em especial.

  48. Suruagy disse:

    Sílvio,

    A questão certamente não é simples: há diversos significados para o que significa neutralidade da rede. Eu não tenho lido a fundo todas as questões envolvidas, mas no meu entender, a neutralidade mais importante refere-se a não deixar que os provedores decidam por conta própria o que irão transportar com maior ou menor prioridade, por exemplo favorecendo um provedor de conteúdo parceiro em detrimento de outros, ou limitando o tráfego voip para não concorrer com o serviço telefônico tradicional provido pela empresa parceira, etc.

    Em relação ao suporte ao tráfego interativo (voz, videoconferência, jogos) pode sim ser necessário, e desejável pelos usuários, que os provedores o priorizem em detrimento de tráfego menos urgente. A alternativa a esta priorização seria termos banda suficiente de modo que mesmo sem priorização todos os serviços, inclusive os interativos tivessem seus requisitos de desempenho atendidos. Esta última alternativa é o que na prática é chamada de overprovisioning.

    Quanto à priorização do tráfego, ela tem sido estudada há um bom tempo com o nome genérico de “qualidade de serviço”. Os correios têm diversos tipos de produtos: sedex, sedex-10, sedex-mesmo dia, cartas simples, impressos, etc. Se todos os serviços tivessem o mesmo custo e dependessem apenas da consciência do usuário em classificar a sua correspondência de acordo com a urgência, certamente não iria funcionar! O mesmo vale se precisarmos de alguma forma priorizar o tráfego, deveria ter mesmo custos diferenciados. Poderiam ser criados planos de acesso com diferentes percentuais (e custos) para o tráfego a ser transportado de acordo com a sua classe de serviço.

    A dificuldade na implementação de um esquema como descrito acima, é que ao usuário interessa o transporte fim-a-fim que exigiria a sua implementação em todos os roteadores da rede o que é uma tarefa quase impossível, dada a independência de cada sistema autônomo que compõe a internet global.

    Por outro lado, se houver limitações de banda, como é o caso hoje das redes sem fio, pode ser interessante priorizar o tráfego gerado pelos nossos dispositivos móveis, pelo menos no seu acesso à internet cabeada, com recursos suficientes, providos por redes de fibra óptica. Inclusive a chamada rede 4G terá todos os serviços, inclusive o de voz, sobre a internet e não funcionará adequadamente se não houver banda alocada mesmo se de forma compartilhada para o seu atendimento.

    O que está faltando no universo da internet é uma definição clara do que é permitido ou não fazer e o controle desta política pelos orgãos reguladores e fiscalizadores. A Google tem sido uma defensora de que os provedores de acesso cabeado não devem regular o tráfego dos seus usuários e é uma das organizações fundadores do M-Lab cujo principal objetivo é o de disponibilizar ferramentas para que os usuários testem o desempenho de seus acessos e possam identificar se o seu tráfego está sendo de algum modo “moldado” pelo seu provedor.

    Mas, no caso das redes sem fio, dada à limitação de banda, deve-se mesmo discutir se, e em caso afirmativo, como deve ser priorizado o tráfego gerado. O que a Google está fazendo agora junto com a Verizon é uma proposta para provocar justamente esta discussão e que se encontre a melhor solução e também uma regulação clara também para a rede cabeada, o que praticamente não existe hoje.

    Em relação à universalização do acesso à banda larga e neste caso através do acesso sem fio, é um fato de que esta é uma tecnologia de mais fácil implantação, por não requerer a instalação de cabos (pelo menos não no acesso do usuário) e os locais menos favorecidos por cabos são justamente os de menor poder aquisitivo. Mas, para que o beneficio desejado seja alcançado, é necessário também que os usuários disponham de terminais/computadores de baixo custo que façam acesso à internet através destas redes.

    Portanto, apesar de discordar de que não possa haver um tratamento diferenciado para o tráfego das redes sem fio, concordo contigo de que é preciso regulação e fiscalização para que não haja abusos.

    • srlm disse:

      suruagy, grato pela contribuição; concordo: o cenário móvel vai dar mais trabalho pra equacionar, mas pelo menos precisamos relfetir muito sobre o todo e ele em especial.

  49. Romano disse:

    Suruagy,

    Seus comentários são claros e pertinentes. A questão claramente não é só técnica, mas de modelo de negócios de todos os “players”.

    Um exemplo: tecnicamente, a propria Ethernet não serviria para tempo-real, pela questão inerente de acesso ao meio e possibilidade de colisão. Mas se a largura de banda tiver uma ordem de grandeza elevada em relação ao tráfego, pode ser usada sem problemas.

    A questão é que sabemos que a demanda cresce rápido e se a banda não se mantiver nas mesmas proporções, a Ethernet já não atenderá neste caso.

    Por exemplo uma rede de workstations em um centro de controle de usina nuclear. Foi só um exemplo de um microcosmo confinado.

    Portanto, nesta visão, a rede tem que entregar pacotes fim-a-fim com as necessidades de que cada serviço requeira, de duas formas: ou banda extremamente excedente para atender a todas as necessidades sem problemas de qualidade (como no exemplo acima) ou priorizar transmissão de pacotes de acordo com o seu conteúdo.

    O artigo abaixo tece considerações sobre o assunto. Se possível, dê sua opinião.

    “Originally published as the cover story of ACM Networker 2.1, February/March 1998, pp. 24-31.

    The Dawn of the Stupid Network
    By David S. Isenberg”

    http://www.isen.com/papers/Dawnstupid.html

  50. Romano disse:

    Suruagy,

    Seus comentários são claros e pertinentes. A questão claramente não é só técnica, mas de modelo de negócios de todos os “players”.

    Um exemplo: tecnicamente, a propria Ethernet não serviria para tempo-real, pela questão inerente de acesso ao meio e possibilidade de colisão. Mas se a largura de banda tiver uma ordem de grandeza elevada em relação ao tráfego, pode ser usada sem problemas.

    A questão é que sabemos que a demanda cresce rápido e se a banda não se mantiver nas mesmas proporções, a Ethernet já não atenderá neste caso.

    Por exemplo uma rede de workstations em um centro de controle de usina nuclear. Foi só um exemplo de um microcosmo confinado.

    Portanto, nesta visão, a rede tem que entregar pacotes fim-a-fim com as necessidades de que cada serviço requeira, de duas formas: ou banda extremamente excedente para atender a todas as necessidades sem problemas de qualidade (como no exemplo acima) ou priorizar transmissão de pacotes de acordo com o seu conteúdo.

    O artigo abaixo tece considerações sobre o assunto. Se possível, dê sua opinião.

    “Originally published as the cover story of ACM Networker 2.1, February/March 1998, pp. 24-31.

    The Dawn of the Stupid Network
    By David S. Isenberg”

    http://www.isen.com/papers/Dawnstupid.html

  51. Romano disse:

    Suruagy,

    Por um lapso, o ponto central da discussão foi omitida. Portanto,

    A questão central que o artigo aborda é que o usuário final é quem tem o controle sobre a rede, ou seja, nas palavras do autor, “os dados trafegados é quem controlam a rede e não o contrário”. É um mero meio de trafegar pacotes, não interessando o que seja. “The Data is the Boss. “… thanks to IP protocol”.

  52. Romano disse:

    Suruagy,

    Por um lapso, o ponto central da discussão foi omitida. Portanto,

    A questão central que o artigo aborda é que o usuário final é quem tem o controle sobre a rede, ou seja, nas palavras do autor, “os dados trafegados é quem controlam a rede e não o contrário”. É um mero meio de trafegar pacotes, não interessando o que seja. “The Data is the Boss. “… thanks to IP protocol”.

  53. Maisa Ferreira Bozzola disse:

    Acreditava que somente eu estava doida!
    Sempre imaginei (não entrei em pesquisas profundas) que alguém surrupiava minhas “conexões”. Ontem mesmo estava mais uma vez questionando nosso consultor da OI aqui em Goiania sobre este assunto. Por que pago tão caro em um link dedicado enquanto que com uma plaquinha 3G acesso melhor meus sistemas?

  54. Maisa Ferreira Bozzola disse:

    Acreditava que somente eu estava doida!
    Sempre imaginei (não entrei em pesquisas profundas) que alguém surrupiava minhas “conexões”. Ontem mesmo estava mais uma vez questionando nosso consultor da OI aqui em Goiania sobre este assunto. Por que pago tão caro em um link dedicado enquanto que com uma plaquinha 3G acesso melhor meus sistemas?

  55. Leandro disse:

    Silvio,
    relamente esta discussão é boa. Gostaria, apenas, de colocar luz sobre o outro lado. É claro que a neutralidade de rede , como conceito, é importante e defensável. Porém, não podemos esquecer que as operadoras que, atualmente, provêem os meios para o acesso a banda larga no Brasil precisam ter seus investimentos remunerados. O fato de haver a possibilidade do oferecimento de um serviço “premium” não inviabiliza a expansão da internet “comum”, muito pelo contrário, entendo que, empresas corretamente remuneradas terão como prioridade a expansão de “todo” seu backbone, benefinciando não só os usuários premiums como também os demais assinantes (futuros premiums).

  56. Leandro disse:

    Silvio,
    relamente esta discussão é boa. Gostaria, apenas, de colocar luz sobre o outro lado. É claro que a neutralidade de rede , como conceito, é importante e defensável. Porém, não podemos esquecer que as operadoras que, atualmente, provêem os meios para o acesso a banda larga no Brasil precisam ter seus investimentos remunerados. O fato de haver a possibilidade do oferecimento de um serviço “premium” não inviabiliza a expansão da internet “comum”, muito pelo contrário, entendo que, empresas corretamente remuneradas terão como prioridade a expansão de “todo” seu backbone, benefinciando não só os usuários premiums como também os demais assinantes (futuros premiums).

  57. Romano disse:

    Cara Maisa: não sei se é o seu caso, mas algumas operadoras desconectam a comunicação após um tempo de sua inatividade na rede, liberando assim mais banda para os que ainda estão conectados. Quando você tentar usar novamente a rede, há que se conectar novamente. Como as pessoas não estão continuamente trafegando informação, este esquema pode dar algum resultado para as operadoras. Simples, não? []

  58. Romano disse:

    Cara Maisa: não sei se é o seu caso, mas algumas operadoras desconectam a comunicação após um tempo de sua inatividade na rede, liberando assim mais banda para os que ainda estão conectados. Quando você tentar usar novamente a rede, há que se conectar novamente. Como as pessoas não estão continuamente trafegando informação, este esquema pode dar algum resultado para as operadoras. Simples, não? []

  59. Romano disse:

    Cara Maisa: o relato descrito anteriormente eu já presenciei várias vezes na Autorizada que mantém o meu automóvel. Como eles usam a rede basicamente para cobrança via cartão de crédito o seu tempo de inatividade é grande. Mas devo fazer uma ressalva, pois não verifiquei o sistema deles. Para não cometer uma leviandade com as operadoras, talvez o computador esteja programado para desligar (“power save management”) a placa após a inatividade ou o “driver” de comunicação da placa forneça esta opção de mantê-la sempre ligada ou desconectá-la após algum tempo de inatividade. Vou pesquisar. Portanto retiro o que disse no comentário anterior, pois há que se considerar estas possibilidades. É que de tanto presenciar esta situação, fui levado a crer nesta hipótese pela própria informação do usuário que tem uma empresa que presta consultoria para eles.
    Entretanto a possibilidade existe. []

  60. Romano disse:

    Cara Maisa: o relato descrito anteriormente eu já presenciei várias vezes na Autorizada que mantém o meu automóvel. Como eles usam a rede basicamente para cobrança via cartão de crédito o seu tempo de inatividade é grande. Mas devo fazer uma ressalva, pois não verifiquei o sistema deles. Para não cometer uma leviandade com as operadoras, talvez o computador esteja programado para desligar (“power save management”) a placa após a inatividade ou o “driver” de comunicação da placa forneça esta opção de mantê-la sempre ligada ou desconectá-la após algum tempo de inatividade. Vou pesquisar. Portanto retiro o que disse no comentário anterior, pois há que se considerar estas possibilidades. É que de tanto presenciar esta situação, fui levado a crer nesta hipótese pela própria informação do usuário que tem uma empresa que presta consultoria para eles.
    Entretanto a possibilidade existe. []