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Escrito por • 05/07/2011

notícias em rede: sociais e interligadas, quando?

há dois anos e meio, o blog perguntava: dá pra salvar o bom jornalismo? a pergunta faz mais sentido ainda quando se pergunta se vale a pena "salvar os jornais", e quais…

desde 2005, a internet começou a apontar como principal fonte de notícias no planeta, passando os jornais em 2008 e, claramente, "indo atrás da TV" daí por diante. este, aliás, é o tema de uma análise no the atlantic de janeiro deste ano, de onde vem a imagem abaixo, dos estudos da PEW sobre a internet e a vida americana.

image

se você tem menos de 29 anos, desde 2008 a internet é sua principal fonte de informação, passando TV por muito; se tem entre 30 e 49, o mesmo vai acontecer nos próximos dois ou tres anos; entre os que têm de 50 a 64 anos, a internet vai passar os jornais neste 2011 e vai atrás da TV num pique impressionante. rádio, por causa de carros e engarrafamentos, tem hoje a mesma importância que tinha há dez anos. estamos falando dos EUA, claro, mas coisa parecida se aplica ao brasil, quase uma economia-espelho [bem mais pobre…] do que o país do norte.

logo, o problema não é –e nunca foi- salvar os "jornais", ou a "TV" no sentido de manter, a qualquer custo, a dominância dos suportes físicos associados às infraestruturas industriais de produção e distribuição de notícias que têm [ou tinham…] por base rotativas e bancas de jornais ou redações e redes de TV.

o problema a ser tratado e, tomara, resolvido, é como salvar a capacidade de investigar, reportar, libertar a informação para a comunidade, diminuindo a assimetria de informação entre os que decidem [e detêm o poder] e os que serão alvo [quase sempre literalmente] dos resultados de suas decisões.

estamos num estágio intermediário entre rádio, jornais e TV e um rico, complexo e poderoso ambiente social de notícias em rede. os sinais são muitos. o guardian e o observer, por exemplo, deixarão de publicar sua edição internacional em papel, para concentrar esforços na editoria e entrega em rede. papel está terminado como meio de transmissão de informação, papel que exerceu por séculos a fio, para o mundo todo.

newspress

acima, uma "double octuple newspaper press" de 1911, que podia imprimir, dobrar e contar 96.000 jornais de 16 páginas por hora. o papel que esta prensa exercia migrou para a rede nos últimos anos mas a mudança que vimos, até agora, é só o começo.

o livro e o jornal lineares e estáticos como os impressos na maravilha mecânica da imagem ainda estão sendo transpostos para a rede quase ipsis litteris, como se tudo a fazer em um jornal ou revista na rede fosse publicar o mesmo material na web, na mesma forma em que se fazia no tempo de comunicação para disseminação de informação. aqui mesmo no blog, há um número de leitores que ainda não entende que isso aqui é um link, uma ligação para um conteúdo noutra página, na maioria das vezes fora do TERRA

tudo bem, só faz 15 anos [apesar do conceito e seus primeiros protótipos terem quase 50…] que a noção de hipertexto começou a se disseminar; ninguém é obrigado a saber que existe e a saber usar, muito menos [no caso dos sites dos jornais na web e nos livros digitais] a saber escrever de forma hipertextual. mas assim é a web: nós, conteúdo e links, um grafo.

no lançamento de um livro em recife na sexta passada, combinei uma palestra sobre literatura na era digital. vai ser num lugar de livros e literatos e propus que o título da conversa seja… "o fim do livro". ao ouvir tamanha afronta, uma senhora perguntou: o fim do livro? onde foi que você leu isso? claro que a resposta esperada era… num livro; e a que eu dei foi "na web, claro". web –ou rede hipertextual- como a definida por ted nelson em xanadu, na década de 60… [veja este link, a partir da pág. 123]

"Well, by ‘hypertext’ I mean non-sequential writing – text that branches and allows choices to the reader, best read at an interactive screen. As popularly conceived, this is a series of text chunks connected by links which offer the reader different pathways."

…coisa que todos, ainda, vamos aprender a fazer e usar, em tudo que vai substituir as noções de jornal, livro, TV e rádio no médio e longo prazos. não é possível que eu não vá poder "clicar" em qualquer rádio [ou melhor, no fluxo que ela está transmitindo] pra ver onde mesmo é que fica a cidade onde estão dizendo que houve um terremoto, furacão ou algo assim.

afinal de contas

“Digital textuality opens an infinite field to expand literary expression. The difference between print and digital texts can be put simply: print text is static, digital text is dynamic.”

…o impresso [e o rádio e a TV atuais] são estáticos, e o digital, hipertextual, é dinâmico. mas’isso não é tudo: à dinâmica do digital vamos associar as conexões e as possibilidades do grafo social da web. e aí, quem sabe, está o futuro não só da literatura que costumava ser embutida no livro mas de todos os tipos de conteúdos, incluindo o que hoje chamamos de notícia.

imageo processo de digitalização da literatura está adiantado: a coréia, um dos lugares onde o digital, conectado e móvel está quase sempre à frente do resto do mundo, decidiu digitalizar todos os livros escolares até 2015 e vai substituir as mochilas dos alunos [que andam cada vez mais pesadas e há muito são um dos riscos à saúde dos estudantes] por tablets. a idéia é simples…

…the Ministry of Education, Science and Technology announced [that] it will invest US$2.2 billion by 2015 to create an environment where students can study using better and more interactive content anytime and anywhere… develop[ing] digital textbooks for all subjects and all schools;… digital textbooks will contain the contents of ordinary textbooks and various reference resources such as multimedia and FAQs to help students understand the materials better. …[all the material will be available over] a cloud computing system…, so that users can access a database of all digital textbooks and choose what they want from their tablet PCs…

…e os coreanos têm uma esquisita mania, raramente vista por aqui, de fazer o que planejam, e mais ou menos no prazo, no longo prazo.

começando por lá [e nós depois, mais uma vez, usando só como clientes…] e pelos alunos, que serão educados sobre plataformas digitais, conectadas, sociais, não há qualquer chance de que o analógico, na forma de livros, jornais ou rádio e TV clássicas, vá ser mais do que uma curiosidade no futuro.

por isso que está quase passando da hora, agora, de testar os formatos e modelos de negócio para conteúdo digital, interativo e social [e isso inclui, veja só, a bíblia].

image

essa é, talvez, a grande notícia destes tempos. o resultado vai ter a forma de paper.li, flipboard ou vai haver um guardian digital, universal, pra ser lido no kindle, nook e web? pouco importa: a hora ainda é de experimentação, se bem que há quem esteja ganhando dinheiro, hoje, sem fazer ideia de quais são e como vão estar os formatos e conteúdos daqui a dez anos.

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0 Responses to notícias em rede: sociais e interligadas, quando?

  1. Samuel disse:

    Otima pesquisa que indica ainda a necessidade humana por entretenimento, afinal grande parte dos “conectados” estão navegando em midia social ou algo que “passem o tempo”, quer dizer a tendencia é a banalização da informação ainda mais do que é visto hoje, no sentido de conteudo importante e renovador.

  2. Samuel disse:

    Otima pesquisa que indica ainda a necessidade humana por entretenimento, afinal grande parte dos “conectados” estão navegando em midia social ou algo que “passem o tempo”, quer dizer a tendencia é a banalização da informação ainda mais do que é visto hoje, no sentido de conteudo importante e renovador.

  3. marko disse:

    discordo, principalmente do jornal, se assim fosse revistas ja estariam extintas pelo lançamento do e-book!

    Rádio ainda é usado muito , principalmente em paises de 3º mundo e pobreza extrema, televisão é um mal e esse mal se tranferiu para internet, é uma evolução fantástica mas sem jornal, radio e tv a internet viraria uma tecnologia falsa onde ninguém saberia o que é verdade e o que e mentira. Por isso vou contra este cientista

  4. marko disse:

    discordo, principalmente do jornal, se assim fosse revistas ja estariam extintas pelo lançamento do e-book!

    Rádio ainda é usado muito , principalmente em paises de 3º mundo e pobreza extrema, televisão é um mal e esse mal se tranferiu para internet, é uma evolução fantástica mas sem jornal, radio e tv a internet viraria uma tecnologia falsa onde ninguém saberia o que é verdade e o que e mentira. Por isso vou contra este cientista

  5. ZéLão Guassu disse:

    O que você quer que eu faça. Assim não dá. Deixe o burro pular e vamos ver o que rola.
    Não esquentem a cabeça,

  6. ZéLão Guassu disse:

    O que você quer que eu faça. Assim não dá. Deixe o burro pular e vamos ver o que rola.
    Não esquentem a cabeça,

  7. Mariano Moralez disse:

    Essa pesquisa é tendenciosa para valorização das futilidades publicadas na Internet. Nunca o Rádio, Jornal ou Televisão vão ser preteridos e a profissão de Jornalista vai sempre ser necessário para divulgação da bôa notícia. Na Internet qualquer babaca divulga alguma coisa, mesmo que seja a futilidade da notícia.

  8. Mariano Moralez disse:

    Essa pesquisa é tendenciosa para valorização das futilidades publicadas na Internet. Nunca o Rádio, Jornal ou Televisão vão ser preteridos e a profissão de Jornalista vai sempre ser necessário para divulgação da bôa notícia. Na Internet qualquer babaca divulga alguma coisa, mesmo que seja a futilidade da notícia.

  9. luiz celso machado disse:

    O Cientista tem razão. Basta ver o que aconteceu com o Jornal do Brasil JB

  10. luiz celso machado disse:

    O Cientista tem razão. Basta ver o que aconteceu com o Jornal do Brasil JB

  11. Marcos disse:

    O homem é mais uma mercadoria…… tem que dar lucro se não é execrado…… Eu não quero viver mais que 80 anos… olha sou novo ainda….. Acho que temos que encontrar o homem primeiro, cuidado com o colapso intelectual…… Homem objeto a diferença é a cultura… CUIDADO SENHORES DO PODER….

  12. Olá! Caros Comentaristas!
    Imaginem cérebros humanos se comunicando em rede, possibilidade de aprender em qualquer idioma, a limitação será opção sua, por vontade. As futuras ferramentas facilitadoras serão necessariamente comunicantes entre os objetos, coisas, e, pessoa, pessoas. Com certeza vamos conhecer um mundo bem diferente do de hoje.
    O Futuro dentro ou após 2050 será interessante.
    Acredito que existirá um sobrevivente, o RÁDIO! Só que talvez, conectado ao pulso ou cotovelo. Quem sabe!
    Essa possibilidade de mudanças que se avizinham é emocionante.
    Espero aproveitar, curtir e me divertir com elas. Que tal dar enter com um comando cerebral?
    OPINIÃO!

  13. O circo não acabou, o teatro resiste, o Radio [e redescoberto,o jornal perde a importancia e tv agora tem um concorrente que quebra o encanto e possibilita comparações e mostra falhas. Acabar não acaba, perde a importancia,desvaloriza.Quanto ao livro, sempre foi de poucos e continuará sendo.
    CHICO HISTÓRIA ;POETA CARNÍVORO.

  14. Poderia me explicar porque escrever com letra minúscula nome próprio no caso recife (Recife) e outras inovaçôes i no seu texto? Não dá nem para ler . Sugiro voltar ao curso secubdário e não pular já para jornalismo via web. Foi bom ti mandar esse recado fiz uma boa ação hoje.

  15. Olá! Caros Comentaristas!
    É isso Chico História – O Circo, O Theatro e o Rádio continuarão. Com certeza. Mudará apenas o seguinte: Circo, theatro e rádio serão produções, também, pessoais, ou seja, pessoas comuns criarão cenários circenses, teatrais e rediofônicos. Só que utilizando sua própria construção cerebral e compartilhando como se compartilham textos como este. Apenas pela ampliação das possibilidades ferramentais e em rede, serão apresentadas diretamente nos cérebros receptores autorizantes e conterão conteúdo, sonoro, de imagem e movimento, e, senso percepções diversas, todas captadas à distância. Imagino que será muito interessante.
    Imagino e alucino o seguinte: Ao invés de escrever uma carta – envio um pulso elétrico contendo a mensagem empacotada e que será desempacotada após entregue e aceita. Claro que são devaneios possíveis.
    OPINIÃO!

  16. jose g rodrigues disse:

    e o que eu vou fazer com minha tv?

    • srlm disse:

      conecta na internet; conecta num video game que tá conectado na internet; faz streaming pra ela a partir de seu smartphone que está conectado na internet… e por aí vai…

  17. Carlos Torres disse:

    A matéria esqueceu de dizer que a internet em si não cria (nem produz) notícias, só as divulga. As notícias continuam a ser criadas por jornalistas. Se as rádios vão migrar para a internet, isso não significa que deixarão de existir. O mesmo com os jornais, sejam eles escritos ou televisivos (ou mistos). Se a internet se transformará em veículo para as outras mídias…com certeza. Mas as mídias continuarão a existir. Da mesma forma que a literatura continua a atravessar os séculos, bem como o teatro, o jornalismo também não deixará de existir. Se o veículo será diferente – o que importa? Eu acho que a internet está sendo supervalorizada.
    Com relação ao texto acima: qual a graça de eliminar as maiúsculas?
    Como boa parte do que era banalizado na TV, passou a ser mais banalizado ainda na internet, não vejo grande futuro para esta mídia também.

  18. Marcos Lima disse:

    com o tempo o jovem de 20 anos vai fazer 30, 50 e vai continuar a usar a internet como fonte de notícias.
    na minha opinião é uma questão de VIABILIDADE. Readers e Tablets ainda são muito caros (além do meio de acesso 3G ou wifi).
    mas fiquei intrigado com “the paper experience” e “reading on screen is boring” no topo.

  19. Norival A.de Oliveira disse:

    Vão à merda. Já escreví duas vezer e voces estão me zoando, cambada de sem vergonhas.

  20. Josue disse:

    Muito bom este artigo!!!!

  21. Pedro França disse:

    “mas assim é a web: nós, conteúdo e links, um grafo.”

    Fantástico texto, Silvio. Uma pena eu só ver agora que você esteve aqui por Recife e não pude estar presente no evento. Ficarei atento ao lançamento do próximo livro (ou não, não é mesmo?)!

  22. Diógenes disse:

    Prezados,
    Proponho à discussão: os filtros intelectuais que precisaremos ter, independente do veículo. Não é apenas a internet que tem muita besteira (verdade indiscutível); mas, nenhum meio, antes, possibilitou quantitativamente, o número de informações como a rede, daí, a necessidade de aprimoramento dos filtros (papel que deve ser desempenhado desde o início, por uma formação educacional decente: o verdadeiro problema).
    Estou entre a amostra de 30-49 e, a muito tempo, não escuto rádio (desconfio que o locutor não detem informações suficientes para saber que música eu quero ouvir, naquele momento específico); não leio jornal impresso (geralmente as notícias estão com um descompasso temporal de um dia ou mais); faz tempo que a TV aberta não me seduz (uma programação sofrível, com lampejos e insinuações de boa informação).
    Minhas fontes de informação, nos últimos dez anos, é a rede. Com o tempo, aprendi com alguns clic’s a separar o irrelavante, não perder tempo. Recebo Feed’s , acesso a rede, comento blogs, fóruns… direto no celular. Meu filho de oito anos, manda-me sms combinando horários para estarmos online… Não é questão de preferir uma coisa ou outra: o circo saltibanco na pracinha do interior x assitir o Soleil no youtube; ambos são formatos válidos, em cada contexto, em cada filtro. Emoções e possibilidades distintas. O ponto é a atratividade da informação, a democratização das opiniões e meios. Abraço a todos.

  23. JJJ disse:

    Muito interessante a matéria, mas o que dá preguiça na leitura digital é que sumiram os revisores. Temos que aguentar todos os erros de escrita. Por exemplo, nosso articulista começa as frases com letra minúscula… Viva o livro impresso e revisado !

  24. Olá! Caros Comentaristas!
    O interessante desse texto é a abertura que permite e sonhos possíveis de serem realizados em breve. O mais legal é que um dos prováveis candidatos ao Prêmio Nobel de Medicina é um brasileiro chamado Miguel Micolellis. É pessoal, um cientista brasileiro, está desenvolvendo nos EUA, essa tecnologia para ajudar deficientes em geral e pessoas com redução ou limitação em movimentos, para enxergar, falar etc…
    Já há algo de concreto nisso, segundo esse Cientista Brasileiro. Portanto, acredito questão de mais alguns anos e com esse trabalho do brasileiro e outros possamos dar uma resposta àqueles que possuem limitações profundas em várias áreas.
    Daí, PARABÉNS a esse Médico Brasileiro, pesquisador. Acho que o nome é esse mesmo. Miguel Micolellis ou Nicolellis. Salvo, engano.
    OPINIÃO!

  25. Alexandre Porfírio disse:

    É curioso ver como as pessoas ainda se apegam ao passado, não adianta, a regra é clara, quando surge algo melhor do que o anterior todos vão migrar para o novo melhor! Se não fosse assim todos nós estariamos andando de carroças…

  26. Bruno Bezerra disse:

    Pois é Silvio, o papel cumpriu bem seu papel no fomento da transmissão da informação por séculos. Contudo, quando o assunto é negócio, ganhar dinheiro é pra hoje, é pra já… a dinâmica empreendedora não perde tempo esperando a ‘definição’ (que é ilusória e sempre momentânea no mundo virtual) e/ou fazendo ideia de quais são e como vão estar os formatos e conteúdos daqui a cinco, dez ou 20 anos.

    Saudações empreendedoras… lembrando que passei são joão no cariri paraibano, vossa terrinha boa