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Escrito por • 14/10/2008

novos negócios para economias em crise

mashable é um blog colaborativo focado em redes sociais que tem uma audiência não-trivial e uma influência idem. no fim de semana que passou, mark hopkins botou no ar, lá, uma lista de negócios que podem ter uma chance muito boa de dar certo em economias onde, digamos, a escassez de meios é bem maior que o normal. a lista não é exaustiva, foi pensada em termos da economia de países desenvolvidos… mas algumas das sugestões podem muito bem dar certo por aqui. até porque, no brasil, do ponto de vista de investimento [capital empreendedor], a escassez de meios é sempre muito maior [que a do silicon valley, por exemplo]. vamos à lista

1. espaços compartilhados para trabalho: como as empresas podem ter maior dificuldade em ter espaço próprio [e as pessoas podem ter menos recursos para se mover…], um bom negócio pode ser criar espaços compartilhados para trabalho, mesmo que sejam pequenos como office nomads. ao invés de trabalhar em casa, você pode trabalhar perto de casa, junto a pessoas que podem até estar trabalhando para a mesma empresa que você, o que evita grandes viagens dentro do trânsito caótico de grandes cidades. ainda por cima, cria-se a possibilidade de trabalhar em escritórios que estarão praticamente em toda grande cidade onde você for.  o principal problema a resolver, aqui, é de mudança de hábitos, de costumes de trabalho.

2. "bootstrapping": esta não é bem uma idéia de negócios, mas uma sugestão de como começar um. bootstrapping, do ponto de vista de negócios, quer dizer uma empresa criada e sustentada a partir de seu próprio processo de crescimento, sem a contribuição de mashicon1.pnginvestimentos externos. normalmente leva mais tempo para chegar onde se quer e se rala muito mais, mas há a vantagem de se criar uma coisa com a sua cara, sem investidores metendo o bedelho em tudo. como no brasil não há muitos investidores mesmo, a maioria dos negócios de todos os tipos, aqui, já é criada por bootstrapping mesmo. e acho que temos muita coisa a ensinar aos americanos e ao mundo neste capítulo. por outro lado, a principal perda é que, se seu investidor fosse competente, dedicado e experiente, não tê-lo a seu lado será uma grande perda para o negócio…

3. ferramentas de colaboração: mais gente vai estar em modo remoto no trabalho, seja em home office ou em co-working. em qualquer caso, ferramentas de colaboração muito melhores do que temos hoje serão essenciais. o detalhe é que, enquanto na europa, eua e ásia rica a infra-estrutura está pronta para suportar o trabalho remoto e as ferramentas mais sofisticadas, aqui, se você escolher esta linha de negócios, tem que levar em conta que não temos banda larga, mas o que poderíamos chamar de NAO, ou nearly always on. aquela "linha" que deixou de ser discada mas não é larga mesmo e que, ainda por cima, funciona quando a operadora quer. a alternativa é fazer daqui pro mundo, o que dá muito mais trabalho mas é possível… com muita sorte, dedicação, perseverança e um conjunto de idéias inovadoras e muito bem implementadas. boa sorte.

4. mercado de idéias: este eu não acho uma boa alternativa. o problema dos processos de inovação ou criação de negócios não são as idéias, que todo mundo tem aos montes, mas gente que tenha capacidade de empreendê-las. o inovador de verdade não é o nerd que fica atrás de uma mesa pensando e tirando patentes, mas o empreendedor que vai à luta e faz as idéias funcionarem, na prática, no mercado. e estes caras normalmente têm um monte de idéias próprias e uma grande paixão por elas e suas conseqüências práticas. mark hopkins tava meio dormindo quando botou este item na lista.

5. mercados de trabalho [virtuais]: isso aqui pode dar muito mais resultado do que o item anterior, até porque já há um número de mercados de trabalho virtuais funcionando pelo mundo afora. a idéia pode ser implementada em [ou a partir de] qualquer lugar, criando ambientes em rede onde pessoas põe competências à disposição e outras, que delas precisam, formam times virtuais e distribuídos  para entregar uma encomenda e que debandam após sua realização. processos e mecanismos de alocação e gestão do trabalho distribuído, de certificação de competências, de geração e distribuição de receitas, de reputação de fornecedores e consumidores serão absolutamente essenciais. algo me diz que as comunidades de software aberto têm muito a dizer e fazer sobre isso pois, à parte a remuneração, realizam seu trabalho de forma distribuída, assíncrona e virtual há tempos.

neste último caso, o futuro do trabalho pode depender muito de como tais mercados são criados e absorvidos pelos sistemas legais dos espaços que ainda costumamos chamar de países. com o tempo médio de residência em cada emprego caindo o tempo todo, cada vez mais gente terá que empreender a si próprio, e por muito tempo, talvez por toda a vida, como uma parte dos chamados "profissionais liberais" já faz, hoje. uma semana, você estaria com russos e indianos trabalhando num projeto austríaco. na seguinte, de férias em noronha. na terceira, com brasileiros, italianos e noruegueses resolvendo um rolo na islândia. sem sair de perto de casa, com ferramentas de colaboração da próxima geração, e ganhando tanto quanto a sua rede de reputação diz que você vale. e se qualificando pra mais, se quiser. quer vida melhor do que esta? crise, que crise?…

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  1. Trabalho a distância e colaboração trazem produtividade e corte de custos, que do ponto de vista econômico e do trabalhador é muito bom. Quanto a banda meia larga daqui, realmente dificulta. Quanto a atuar na área de colaboração realmente é difícil de encarar players como Zoho, Google e outros, mas com nada que uma boa dose de inovação e esforço não resolva.