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Escrito por • 30/08/2011

o estado do brasil digital: escola, casas e empresas

a pesquisa TIC educação 2010 que está sendo divulgada pelo comitê gestor da internet brasil, www.cgi.br, mostra que 69% dos professores com 30 anos ou menos já se conecta à internet a partir de suas casas todo dia ou quase. isso é muito bom. mas só 20% de todos os professores estão na rede a partir de suas escolas quase todos os dias. e isso é muito pouco.

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as escolas são um dos principais espaços de criação de oportunidades de aprendizado em qualquer lugar. e a rede é parte essencial do ambiente de busca, descoberta, análise, crítica, reflexão, síntese… que deveria estar associado aos processos educacionais. ótimo que os professores mais jovens estão na web em casa quase todos os dias. talvez seja este o grupo que vai fazer a rede funcionar na escola, em todas as escolas públicas de todos os lugares, trazendo a rede para o centro do processo educacional. e, com ela, quem sabe, coisas que os alunos estão acostumados a usar fora da escola, como redes sociais e jogos.

não sei se vocês já viram os garotos de 9, 10 anos jogando minecraft e o tipo de visualização e manipulação 3D que eles conseguem fazer e a rapidez e precisão que atingem. até por falta do ambiente tecnológico adequado, minha geração nunca chegou no nível de performance da garotada de hoje, a não ser os poucos que se tornaram especialistas em computação gráfica, lá na década de 90, usando estações de trabalho que custavam muitas dezenas de milhares de dólares para fazer o que a garotada faz, hoje, em laptops de mil reais.

estar na rede, claro, não significa saber usar a rede competentemente. quase a metade dos professores que usam a internet tem dificuldade em baixar e instalar um programa, como mostra o histograma abaixo, quase a mesma porcentagem que estaria com problemas se tivesse que postar um vídeo de [ou para] seus alunos na rede.

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mais da metade teria problemas sérios em manter um blog de seus cursos, mas bem mais gente consegue participar de fóruns de discussão e das redes sociais. menos mal.

bem, isso é o que os professores dizem. e os coordenadores pedagógicos, dizem o que das habilidades de seus professores? segundo eles…

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…os professores não estão tão bem assim e apenas 3% dos coordenadores acham que todos os seus professores conseguiriam manter um blog sem dificuldade, ao passo que 7% acha que todos seus professores fariam uma apresentação em powerpoint.

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só que a pesquisa é muito extensa e rica. são muitas páginas sobre o universo das TICs na escola, uma visão interessante e competente do que está acontecendo e do que falta acontecer. o histograma acima mostra que os professores estão se movendo, tentando fazer seu trabalho com a rede e na rede. se um quarto deles já usa a rede quase todos os dias para preparar aula e buscar material para a sala de aula [a taxa semanal sobe para perto de 2/3 de todos os professores], nem tudo está perdido.

a impressão que se tem é que os professores mais novos, que já nasceram mais perto dos tempos digitais e em rede [leia {ou ouça} um texto do blog sobre "tecnologia através das gerações"] vão influenciar todos os outros, serão parte do processo de aprendizado deles e, daqui a uma década, se nada de estrutural tiver sido feito para trazer todos os professores para a rede, boa parte deles, mesmo assim, estará em rede de uma forma muito melhor do que hoje.

mas esta não é a única pesquisa saindo do forno do comitê gestor. uma outra, a TIC domicílios e empresas 2010, também está na rua. e o gráfico abaixo, na página 157, mostra o que os brasileiros acham que sabem fazer com um computador. cem por cento sabem usar um mouse, 50% sabem usar uma planilha [entre os professores, 54% têm dificuldade ou muita dificuldade em fazer o mesmo] e, surpreendentemente, 18% afirmam saber programar [de alguma forma] um computador.

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se for verdade, pense numa boa notícia, nem que seja em estado bruto. com pouco mais de 40% da população usando computadores [segundo a mesma pesquisa] e perto de 20% desta galera "programando", seriam 8% da nossa população tentando escrever software, alguma coisa perto de 15 milhões de "programadores".

como tudo é software e há sinais evidentes de que vai ser cada vez mais, em todas as vertentes da economia e cultura [sabia que o carro elétrico da GM, o VOLT, é 40% eletrônica e tem 10 milhões de linhas de código, cerca de 1/5 do tamanho de windows 7?…], 15 milhões de programadores em potencial é uma riqueza natural que poucos países, mesmo os mais populosos, têm.

taí uma oportunidade –se a gente conseguisse fazer uma política pra isso e implementá-la apropriada e rapidamente- de aprendizado, trabalho, renda e, quem sabe, empreendedorismo de classe mundial. tomara que seja verdade.

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10 Responses to o estado do brasil digital: escola, casas e empresas

  1. idevan disse:

    Aliás, pq não ensinar logo a programar na escola??? A molecada iraria de letra e não faltariam aplicações diretas para outras disciplinas (como matemática, química, física)…

  2. idevan disse:

    Aliás, pq não ensinar logo a programar na escola??? A molecada iraria de letra e não faltariam aplicações diretas para outras disciplinas (como matemática, química, física)…

  3. programador disse:

    Seria mto bom programacao na escola, o problema eh q os professores sao contra tu fazer um programa q faça algo por ti, “assim nao aprende” …. fora os que dizem “q a internet nao serve pra pesquisar” (ja ouvi na minha faculdade, de SIST. INFORMACAO aqui em porto alegre) …..
    hahahha tem q rir pra nao chorar.

  4. programador disse:

    Seria mto bom programacao na escola, o problema eh q os professores sao contra tu fazer um programa q faça algo por ti, “assim nao aprende” …. fora os que dizem “q a internet nao serve pra pesquisar” (ja ouvi na minha faculdade, de SIST. INFORMACAO aqui em porto alegre) …..
    hahahha tem q rir pra nao chorar.

  5. lilana lima disse:

    Sou professora da rede pública na Bahia e internet na escola é pura piada. Até que os laboratórios existem, porém quando não estão trancados a sete chaves, os computadores ou estão quebrados ou não possuem conexão ou esta é tão lenta que enche o saco. Em resumo, para estatística, o governo tem dados. Já fiz um blog em que os meus alunos deveriam participar de atividades. O resultado foi muito ruim já que não houve boa vontade da parte deles para o sucesso da proposta. Alegavam mil coisas, desde não ter computador até não possuírem dinheiro para irem a uma lan postar um comentário. Foi decepcionante. Perdi o estímulo e hoje só uso o computador para preparar minhas aulas, fazer atividades e para minhas buscas pessoais. Mas a minha esperança é que o Tablet possa vir a substituir o livro didático. Resta saber se teremos alunos alfabetizados para isso.

  6. Há falta de programas de capacitação de professores por parte do governo, mas também há falta de interesse dos mesmos por açambarcar o conhecimento tecnológico.
    Os professores precisam descobrir o que é “Software Livre” (pesquise na Wikipedia por GNU) e aprender a utilizar ferramentas livres.
    Criar e manter um portal com fóruns, bloqs e redes sociais é fácil para a garotada, usando Joomla, wordpress, yammer ou mesmo com o moodle.
    Aprender a usar termos como Editor de Texto, Apresentação de Slides ou Planilha eletrônica já é um avanço, ao invés de referir-se a estes elementos usando nomes de softwares proprietários de uma empresa multi-nacional.

  7. Eunice Silva disse:

    Estou dando algumas oficinas para professores sobre Linux Educacional na Rede Municipal de Estância Turística de Salto. Nada muito complicado. Apenas mostro algumas vantagens educacionais dos aplicativos que ele contém. Em um primeiro momento os professores apresentam-se resistentes ao Linux, porém, após uma desmistificação sobre o SO e o contato prático com o mesmo, os professores começam a se sentir a vontade em fazer perguntas sobre ele. Ao final da oficina muitos comentam que gostaram e visualizam várias atividades com seus alunos, muitos perguntam se podem instalar em sua máquina de casa e outros até comentam que compraram uma máquina Linux e acabaram formatando para utilizar o Windows porque não sabiam que poderiam utilizar os dois na mesma máquina. Não defendo o uso de um ou outro S.O, pois vejo vantagens e desvantagens em ambos. Precisamos saber o objetivo que queremos atingir e saber escolher o aplicativo correto para que o objetivo seja alcançado. A falta de informação e de esclarecimentos sobre assuntos básicos de informática levam a falta de criticidade e de opinião sobre o assunto e os professores acabam não utilizando as tecnologias por não conhecerem e não se sentirem a vontade em discutir sobre isso. Sou técnica e vejo que há realmente carência de profissionais para suprir as necessidades desses professores.

  8. Domingos José de Souza disse:

    Triste fim de quase Policarpo… Em Minas a situação na rede estadual é uma Bahaus e não o caos…

  9. Domingos José de Souza disse:

    Triste fim de quase Policarpo… Em Minas a situação na rede estadual é uma Bahaus e não o caos…

  10. Ainda que alarmante, como o próprio artigo traz, há uma luz no fim do túnel: os professores que já se utilizam das TICs e acessam a Rede a partir da escola onde lecionam, sendo ainda, capazes de realizar programas nos computadores e elaborar uma aula em “power point”. Infelizmente, são os mais jovens e, entre os mais velhos, a resistência ainda permanece, mas, gradualmente, vão se adaptando à realidade atual.
    Não é uma tarefa fácil, e as redes escolares ainda carecem dos equipamentos básicos, todavia, multiplicam-se os cursos de capacitação docente nesta área, dependendo de mais organização por parte dos investimentos públicos na área e do interesse e reconhecimento dos docentes em relação ao tema.