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Escrito por • 11/03/2013

o futuro da intuição: menos humano?

Imagine que você toca um time de fórmula 1 e seu problema é definir a estratégia de corrida. isso não é um problema estático, coisa que se discute antes dos motores dispararem e, na hora, se põe em operação. mudanças durante a corrida desmontam qualquer estratégia a priori e você e seu time têm que mudar tudo enquanto o tal do tudo acontece.

este é  um dos cenários descritos em humans and machines: the role of people in technology driven organizations, relatório da EIU sobre as mudanças no papel de humanos em empresas que são muito intensivas em tecnologia [da informação]. o estudo analisa as interações homem-tecnologia em saúde, finanças, indústria e educação, além de considerar tomada de decisão em múltiplos setores. o estudo entrevistou mais de 400 dirigentes de empresas e foi levada em conta a opinião de um largo número de especialistas.

os resultados são instigantes. quer ver? olhe o gráfico abaixo, sobre os desafios enfrentados pelas empresas ao tratar tecnologiaimage

…onde se vê que, para quase metade das empresas, tecnologia evolui mais rápido do que processos [45% dos executivos acredita nisso], mas que os sistemas ainda não estão conectados como deveriam [38%; imagina quando estiverem…]; 20% já entende que se gasta mais tempo com tecnologia do que com gente e 15% acha que a intensidade de tecnologia cria informação demais. tecnologia, tanto na imagem como no texto, que dizer tecnologias da informação e comunicação, ou TICs.

e este negócio ainda nem começou: como este blog escreveu há algum tempo, 1.8 zettabytes de informação foram criados só em 2011 e, em 2020, será criado um volume de informação 50 vezes maior do que no começo da década. estamos vivendo num dilúvio de dados, impossível de ser analisado no que se chamava, no passado, de olho nu. TICs geram montanhas de dados, que só podem ser tratados por mais TICs, que geram outras montanhas de dados e informação, que…

é aí onde entra o título deste texto. na temporada de 2012, um time de fórmula 1 usou tudo o que podia capturar de dados, entre os que vieram do seu carro, pista, previsões de tempo, transmissões [da corrida, ao vivo] na TV para criar cenários, em tempo real, que serviriam para modificar sua estratégia de corrida. resultado? a previsão de parada nos boxes melhorou em 25%. numa competição em que uns poucos décimos de segundo são importantes, imagine quão críticos são os 25%…

em todo tipo de produto, serviço ou negócio, dos freios ABS do seu carro à bolsa de valores, TICs estão tomando decisões. entre 50 a 70% de todos os negócios das bolsas americanas é feita por software, a ponto de se começar a discutir até que ponto os algoritmos destruíram a bolsa para os investidores humanos.

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tecnologias da informação e comunicação e seu uso nas empresas e negócios criam soluções e problemas de todos os tipos: privacidade dos dados e das pessoas, ética e responsabilização [de pessoas e instituições pela ação de sistemas], mudanças no arcabouço do trabalho e a consequente eliminação [rápida] de emprego e a criação de outros [para os quais não há competências…]… erros e falhas que chegam a por em risco a vida de pessoas e continuidade dos negócios são algumas das vertentes que têm que ser tratadas o tempo todo para manter TICs na linha.

aí, você poderia dizer: chega, vamos detonar TICs e tornar nosso mundo muito mais simples. não vai rolar. sabe por que? ao fim e ao cabo, levadas em contas as considerações mais diversas, TICs ajudam muito mais do que atrapalham: para 90% dos educadores, tecnologia não tolhe a imaginação e criatividade no trabalho [veja a última imagem, fim do texto]; para 72%, TICs não complicam a interação entre humanos e, para 60%, não prejudicam o debate aberto nas organizações educacionais.

como a educação vai, quase certamente, aumentar a intensidade de TICs em seus processos, novas gerações serão muito mais competentes em e favoráveis a TICs do que qualquer outro grupo anterior. nossa galera, que está aqui há mais tempo, é que não se acostumou e não aprendeu a usar direito, ainda, o que não está pronto e que nunca vai estar: um mundo está em modo beta para sempre.

desde que a funcionalidade se tornou fluida [e a realidade, líquida], uma nova e rápida dinâmica muda, continuamente, o ambiente para pessoas e empresas. assim que a gente se acomodar no mundo programável, e quando [quase] todos forem programadores, estas preocupações desaparecerão. aprenda a programar. ah, sim: falando em intuição, aprenda a usar dados aos montes e TICs, da melhor que você achar, para ajudar sua tomada de decisão. porque é exatamente isso que a competição está fazendo. usando seus dados, inclusive, se der…

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