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Escrito por • 21/03/2010

o futuro do trabalho e o trabalho no futuro

adriana salles gomes, editora-executiva da HSM management, entrevistou o blog para a edição março/abril da revista, que já está nas bancas. o assunto foi o trabalho no futuro e o futuro do trabalho e como nós, no brasil, poderíamos nos sair muito melhor das crises e transformações pelas quais as organizações, o trabalho e a vida citadina [estão passando e] vão passar nas próximas décadas.

a entrevista, que tem por título os seis Cs do futuro do trabalho, ocupa oito páginas da versão impressa da revista e, até onde eu sei, não irá para a web. pra ler, procure a banca mais próxima…

a seguir, um pequeno trailer da abertura da entrevista, que fizemos num daqueles dias de janeiro passado em que são paulo quase se acaba. da conversa e o almoço, no spadaccino, vou lembrar por anos a fio. o temporal… melhor deixar pra lá.

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ASG: As conversas da hora do cafezinho nas empresas giram, na maioria, em torno do sonho de trabalhar de maneira diferente. Isso é utopia? Ou faz sentido?

SRLM: É e-topia, mas factível [risos]. Esse é o título de um livrinho brilhante do arquiteto William Mitchell, que todos os interessados no futuro do trabalho e das cidades deveriam ler. Eu tenho certeza de que vamos redesenhar o modus vivendi e o modus operandi. Precisamos viver e trabalhar de forma diferente. Não há como manter o jeito atual. O modo de trabalhar ainda tem a ver com uma época em que os meios de produção eram caros e escassos, e era preciso levar as pessoas até eles. Construíram- se cidades para juntar gente, primeiro para abastecer os workshops [oficinas], depois as fábricas, porque, sem massa crítica de trabalhadores, não fazia sentido o investimento na infraestrutura para produzir algo. Mas isso está mudando rapidamente. Em uma economia contemporânea típica, entre 80% e 85% das pessoas já trabalham em serviços, e apenas 15% a 20%, em produção agropecuária ou fabril. À medida que se automatizam as máquinas e que se pode controlá-las de longe, como vem acontecendo, há umadiminuição significativa do número de pessoas necessárias à produção fabril ou agropecuária. E os meios de produção, no caso dos serviços, intensivos em informação, não são nem caros nem escassos, o que faz com que eles possam ser “deslocalizados”, em vez de serem centralizadores –e ordenadores– do processo de produção.

ASG: O meio de produção vai às pessoas…

SRLM: Sim, tanto aos clientes como aos funcionários. Exemplo corrente são os restaurantes nos diversos bairros de uma cidade, contratando e servindo a quem está por perto. Tal tipo de “deslocalização”, além de mudar as cidades, modifica a essência de uma organização de negócios.

ASG: Como isso mudou? Tecnologia?

SRLM: A infraestrutura digital disponível em larga escala quase no mundo inteiro nos permite discutir de forma muito mais séria como reordenar o trabalho e as cidades que foram montadas nos últimos 150 anos. Temos de fazê-lo, porque o custo de transação para uma pessoa ir de onde mora aonde trabalha é astronômico, tanto em preço absoluto, por conta dos preços de estacionamento, combustível etc., como em preço de tempo.

ASG: O que vai acontecer?

SRLM: Provavelmente, em vez de 6 mil pessoas irem trabalhar em um megaprédio em um lugar, a empresa se dividirá em 12 espaços de trabalho espalhados pela cidade ou região, cada qual com capacidade para 500 pessoas, para o pessoal se movimentar menos… [continua na revista…]image

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0 Responses to o futuro do trabalho e o trabalho no futuro

  1. Ricardo Soares disse:

    Por favor, me inclua rapidamente nessa. Isso é só uma utopia mesmo por enquanto porque mesmo quando os meios já permitem produção assim ela não acontece. Sabem por quê? CULPA. Todo mundo tem culpa de “não ir”, não “estar”, de ser -e será- cobrado pela não presença física, mesmo que ela seja absolutamente não vital, não necessária. Os meios já existem, o que não muda é a cultura, as cabeças. Tenho dito.Alguém precisa ter coragem e não dar o primeiro passo.

  2. Fish disse:

    Mesmo os “trampos” que vc fica em casa fazendo(projetos web e etc..), ainda temos de mostrar muito serviço para satisfazer o cliente. A ferramenta que uso pra melhorar a cituacao e pisar o pe no freio e dizer ao sujeito:” Ei a carroagem anda diferente” senão seria ritmo de escravidao.

  3. Marcos Lima disse:

    Sou especialista de Siebel CRM. O meu trabalho é sempre remoto, por exemplo, um servidor de aplicação está na Europa, uma base de desenvolvimento está no Brasil e o cliente é americano, e o melhor, tudo funciona, tudo é entregue. Não importa se eu esteja em casa, num cyber café ou no escritório, o trabalho pode ser aplicado da mesma forma. Mas não acredito que irei ver um futuro totalmente remoto. Existe sempre a determinação por um trabalho mais produtivo e essa cobrança é feita mais efetivamente se for pessoal. Acredito sim, que a tendência é termos mais dias de home office. E equipes e reuniões pessoais ainda são essenciais para um bom projeto.

  4. Fico em dúvida sobre se veremos o trabalho desta forma. Devemos lembrar que somos um país agro-exportador e por mais que não tenhamos necessidade intensiva de mão-de-obra, ainda haverá gente nas lavouras e também nas indústrias. Afinal,se não huver produção não há serviços. Desta forma, temos que equilibrar que o trabalho poderá assumir formas diversas, conforme a própria diversidade da natureza do trabalho. Entretanto, não é possível generalizar.

  5. Anselmo disse:

    Por mais que você tenha produtividade no desempenho das suas atividades em Home Office, a empresa não está satisfeita, e sempre pode procurar dificultar as coisas por que muitas vezes não sabe quando cobrar e na hora certa, não compreendo o processo.

    Portanto, pode ocorrer situações que você pode muitas vezes está trabalhando mais em casa do que presencialmente na empresa.

    As empresas precisam amadurecer essa idéia, visto que, são poucas empresas do setor que fazem isso, em especial, as empresas de T.I., para a nossa realidade, temos que ter condições melhores como infra-estrutura de internet, dentre outras funcionalidades para realizar plenamente as funções.

  6. José Victor disse:

    Professor,

    acho também que essa é a tendência lógica de acordo como as linhas de trabalho vem se desenhando.
    É cada vez menos eficiente ter vários funcionários que vão até a empresa (para bater o seu cartão) e fingem que estão trabalhando, num ambiente pouco produtivo e que proporciona quase que nenhum crescimento pessoal.
    A nova “onda” é mesmo ter um trabalho remoto, de forma que cada um possa dar o máximo de si (mesmo que não seja num horário sincronizado com os demais colegas de trabalho) e dessa formar obter-se um rendimento maior em quase todos os aspectos.
    Quando amigos nós não conhecemos rendem horas intensas de eficiência em plena madrugada?
    É lógico que, toda essa idéia bate de frente com a nossa cultura de “venham até nós e nos mostre serviço aqui” que regem a gigantesca maioria das áreas de trabalho, ainda!

  7. Fábio Franklin disse:

    Opa, Professor Sílvio.

    Entendo e admiro a forma de como esta tendência vem como nova forma de “ambiente de trabalho”…
    Mais seria interessante compararmos a forma tradicional de trabalho dentro de uma empresa e etc, com as métodologias tradicionais de desnv de software, onde se faz necessária a presença de um gestor determinando O que, Quando, Onde e Como deve ser feito, desta forma observamos que Isso ainda esta impregnado em nossa cutura, e isso acaba de uma forma ou de outra refletindo nas decisões das empresas em relação ao modo de se trabalhar ou de se adotar uma nova forma de trabalho como o home office.
    Comparando agora Home Office com metodologias ágeis, sería meio que considerar a mao-de-obra, como “trabalhadores alto gerenciáveis” supervisionados a distância , mais a duvida é… Será que a idéia de uma metodologia ágil consegue sobreviver sem uma cultura ágil?, ou pior, sem uma LEI ÁGIL????

    Os benefícios sao muitos, para o trabalhador e a empresa, acredito que isso está mudando a realidade dos postos de trabalho e com certeza ja é uma tendência nos grandes centros urbanos, no Brasil estima-se que 4 milhlões de pessoas ja estão trabalhando desta maneira, mais ainda levará algum tempo para isso se disseminar por completo…E se conciderarmos mais uma variável neste problema a “CLT”… Segundo o art. 6ª da CLT, não há distinção entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador e o executado no domicílio do empregado, “desde que seja caracterizada a relação de emprego”,
    Exemplo de parecer jurídico [http://vocesa.abril.com.br/blog/conversadecorredor/tag/home-office/].

    Ja existe um projeto de lei o 102/07 que pretende inserir o trabalho a distancia e tornál-lo protegido pela CLT, agora é esperar pelos congressistas 🙂

    Grande Abraço!

  8. Gustavo Lima disse:

    Há quatro a IBM havia implementado home office para vários de seus empregados, com o objetivo de conseguir contratar profissionais fora das grandes capitais e cidades. Ela conseguiu captar mais de 100 profissionais nessa modalidade, modalidade essa que funcionou bem durante 2 anos. Profissionais de Feira de Santa -BA, Acre, Manaus e assim vai, foram contratados, e alguns, mas poucos, continuam trabalhando desta forma. Devido a nossa cultura de controle dia a dia do trabalho, esse projeto home office foi cancelado, porém abriu precedente para outras empresas. Eu particularmente trabalho muito mais de casa do que no escritório, aja vista que não tenho nenhuma interferência ou pedido de cafezinhos. É claro que isso tem um preço, já que profissionais que estão trabalhando alocados nos escritórios conseguem mais promoções do que os profissionais home office.

  9. victor disse:

    vale a charge dos malvados sobre esses anos 10 que vivemos 😛

    http://www.malvados.com.br/index1369.html

  10. heyan disse:

    [url=http://www.ksd.com]ksd[/url]
    ksd ksd

  11. Sebastião Cartaxo disse:

    Cheguei ao blog pela revista HSM. Me interessei pela construção de Work Centers. E, pela primeira vez, me ví na Globo. Quer dizer, vc fala de uma mudança cultural em direção ao empreendedorismo, abrindo para o empreendedor a chance de remuneração nos moldes dos artistas de novela da Globo. Já seria um começo.