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Escrito por • 14/04/2009

o futuro e a vitória dos “nômades”

image quando se olha para o futuro, pode-se estar certo de que uma coisa vai dar errado: as previsões de longo prazo. roy amara, durante muito tempo a inteligência por trás do instituto para o futuro [IFTF], criou uma [quase] lei sobre o assunto: em se tratando de tecnologia, tendemos a superestimar seus efeitos no curto prazo e subestimá-los no longo. basta olhar um flash gordon da década de 30 pra ver do que estamos falando.

jacques attali, fundador e primeiro presidente do european bank for reconstruction and development, previa, desde 2006, que os estados unidos iam entrar numa séria bancarrota. o que não faz do francês um adivinho, claro. mas pode ter sido parte do que o levou a escrever A Brief History of the Future: A Brave and Controversial Look at the Twenty-First Century, ou uma breve história do futuro: um bravo e discutível olhar sobre o séc. XXI. o livro está disponível em português como uma breve história do futuro, aqui e uma discussão, na TIME, pode ser encontrada aqui.

olhando para o passado e para o futuro, a partir do presente, podemos estar certos de uma coisa: tecnologia é a plataforma sobre a qual o futuro está sendo construído. no caso de tecnologias de informação e comunicação [TICs], não há nenhuma possibilidade de retorno: teremos mais e mais, e muito mais TICs, no curto, médio e longo prazo, como a infraestrutura essencial da vida na terra. se teremos instrumentos, ferramentas, produtos e serviços que terão menos impacto no ambiente… isso vai depender de nossa própria capacidade de antever o caos que nossa atual plataforma tecnológica, em sua maior parte, está gerando ao redor. se tivermos muita inteligência [ambiental, emocional, espiritual…], vamos acabar encontrando um equilíbrio e, quem sabe, [re]criando tecnologias que reconstruam boa parte da destruição que versões anteriores dos mesmos sistemas, serviços e produtos causaram.

neste contexto essencialmente tecnológico em que vivemos, uma das previsões de attali é queo motor da história não é [e nem será] a luta de classes ou entre os povos, mas o enfrentamento multimilenar entre nômades e sedentários, onde, historicamente, os nômades [ou o movimento] foram as fontes de progresso.

pra nos movermos, hoje, já não precisamos mais nos mover tanto; o mundo é, cada vez mais, um ponto; e já nem precisamos de tanta sincronia assim pra interagir, viver e trabalhar em conjunto, como mostram os times de desenvolvimento de software espalhados pelo globo. a internet e seus serviços, responsáveis por uma deslocalização e dessincronização de uma parcela cada vez maior da população do planeta, transforma-nos, a quase todos, em nômades locais de impacto global. estamos na rede, em todo lugar, a partir daqui, e aqui pode ser quase qualquer lugar.

o livro de attali está cheio de previsões difíceis de serem tornadas ainda mais extremas do que a visão do escritor. algumas são claramente apocalípticas. mas, no caso particular do conflito entre nômades e sedentários, certamente podemos radicalizá-la de uma forma bem simples: os nômades [digitais já] venceram.

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0 Responses to o futuro e a vitória dos “nômades”

  1. h.d.mabuse disse:

    Sobre futuro: lembro de uma entrevista de Isaac Asimov falando que sentia por ter achado que os robots fariam parte do nosso dia a dia ainda no sec.XX, e nunca imaginou que computadores seriam pessoais 🙂

  2. Andre Furtado disse:

    Interessante: em Armas, Germes e Aço, defende-se justamente o contrario: que as sociedades sedentarias foram capazes de vencer seus rivais caçadores e coletores porque podiam, justamente, dispor de mais tempo para desenvolver tecnologia.

    []s
    — AFurtado

  3. victor disse:

    Pelo menos já tem uma leva de gente de ti (e não só keynote people) no mood nômade:
    http://stackoverflow.com/questions/766935/what-do-i-need-to-do-in-order-to-be-a-programmer-out-at-sea

    Se essa moda pega…

    … vira indústria! Puxando pelo teu lado mais Asimov, Silvio, você acha que o mercado vai se movimentar para viabilizar esse modelo de trabalho mais mobile, para atrair para este estilo de vida gente tipicamente até então muito ligado ao escritório, como um programador? O que podemos esperar? Conectividade móvel de alta velocidade a preço justo…? Fábricas de software em trens na europa, em cruzeiros no litoral brasileiro …?