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Escrito por • 04/06/2010

o futuro nunca se engana

a conversa com gariel dudziak, já rendeu um texto, aqui, sobre a transição da internet “quando possível” para “comigo o tempo todo”, outro sobre cloud computing se tornando o padrão de informatização dos negócios mais um sobre o uso da internet nas eleições de 2010… e ainda outro sobre alcance das mídias sociais e nossa privacidade, nelas.

gabriel também tinha uma pergunta sobre propriedade intelectual, assunto que este blog já tratou em muitas outras ocasiões e para o que, face à chegada de –literalmente- montanhas de leitores digitais no mercado, devêssemos chamar atenção de um texto específico, de mais de um ano atrás, sobre pirataria na literatura. vá ler.

era exatamente sobre isso que gabriel queria conversar: Brevemente, qual é a sua visão sobre a difícil questão dos direitos autorais e livre acesso a informações e conteúdos na internet?

eu não mudei de opinião em relação a textos anteriores deste blog; clique neste link, da tag “pirataria”, para ter acesso a vários deles. aliás, não há, no cenário, nenhuma novidade que exija qualquer mudança de opinião no momento… e a minha é que…

…Estamos num período de transição, onde a base tecnológica do suporte ao conteúdo ainda está mudando; o impacto sobre os livros, por exemplo, mal começou.

Em tempos como este, não podemos simplesmente querer proteger o passado a qualquer custo, pois tal sempre se mostrou impossível.

Seria como se ainda ouvíssemos música em grafonolas (introduzidas no mercado em 1907) porque seus fabricantes teriam conseguido impedir a chegada dos discos de 78RPM… do LP… do CD… e depois do MP3.

Dado que ciência e tecnologia são -digamos assim- formas de expressão humana e, como tal, livres, cada um pode propor o que quiser, é exatamente isso que vai rolar.

Meu chute é que passaremos de um modelo de propriedade física do container da expressão cultural (o livro, o CD, o DVD, o mp3…) para assinantes de um serviço que provê tais conteúdos no tempo e espaço, em modelos variados de catálogo, qualidade, disponibilidade… mas ainda há um longo caminho até lá.

As viúvas do "disco" e, em breve, as do "livro", assim como as do "vídeo", ainda vão lutar muito -e com toda a razão- para preservar suas preciosas fontes de receita.

Mas é uma questão de tempo.
Como dizia Machado de Assis, o futuro sempre chega, e ele nunca se engana
.

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0 Responses to o futuro nunca se engana

  1. Bruno Bezerra disse:

    O futuro vai moldar tais mudanças, mas é bom lembrar, como você mesmo citou no texto [ainda há um longo caminho até lá] e nesse longo caminho, pode [e deve] haver a mudança da mudança [ou da direção do chute]. Coisas da evolução tecnológica, que por vezes uma língua morta explica: mutatis mutandis

  2. Anselmo Lacerda disse:

    É faz parte da evolução tecnológica. Mas, quais os modelos de negócios que estão surgindo e que vão surgir?! O esquema de segurança e de copyright?

    Como dito em uma parte deste texto, @SRLM diz: “Meu chute é que passaremos de um modelo de propriedade física do container da expressão cultural (o livro, o CD, o DVD, o mp3…) para assinantes de um serviço que provê tais conteúdos no tempo e espaço, em modelos variados de catálogo, qualidade, disponibilidade… mas ainda há um longo caminho até lá.”

    Como seria o processo de sharing? A cobrança seria por tempo de uso destes produtos culturais?! Por itens ou objetos? De que maneira seria o controle de cópias? DRM está dando certo? Já viu o que estão querendo fazer no Reino Unido? Até comentei com você sobre este assunto que tem causando grande discussão.

    Digital Economy Act: This means war
    http://www.guardian.co.uk/technology/2010/apr/16/digital-economy-act-cory-doctorow

  3. Ranieri Marinho de Souza disse:

    Muito bom o seu artigo, bastante simples e eficaz

    Abraços,
    Ranieri Marinho de Souza
    http://blog.segr.com.br

  4. Elaine g.m de Figueiredo disse:

    Vender cultura? Fazer dela um serviço? Bem para mim a cultura é algo que deveria estar disponível a todos, mas enfim, desde que o mundo é mundo ela é sim vendida de uma forma ou outra, caso contrário (quem sabe) a ignorância seria algo insignificante, não sei, mas acho que tudo isso serviria para aumentar uma exclusão cultura e um “gap” intelectual; mas também vejo que quem cria algo deve sim deter o mérito e ganhar (R$) por aquilo, então para que todos saiam ganhando é melhor medir o que se vai cobrar, sem exageros, e como irá ser cobrado e também disponibilizado (meios, computacionais ou não).

    Parabéns pelos textos curtos, leitura mais rápida e comentários mais rápidos 😉