MENU

Escrito por • 14/03/2010

o grande roubo de banco

phinshing id theft um grande banco internacional acaba de admitir formalmente que, há três anos, roubaram dados pessoais de 24.000 de seus clientes. o evento estaria longe de ser um dos roubos de bancos mais importantes da história, se não fossem os tais clientes de uma subsidiária de “private banking”’, que só atende grandes [e gigantescas] fortunas. e na suíça, como se não bastasse, país que está sob constante pressão da comunidade internacional por causa de suas estritas normas de sigilo bancário, usadas por muita gente do bem mas também por quem teria seríssimas dificuldades de passar pelo fundo de uma agulha, por mais larga que fosse.

mais complicado é que não se trata de ladrões de identidade invadindo o banco atrás de dados dos clientes para roubar seus caraminguás depois, mas de funcionário da instituição copiando os dados para, supostamente, vender a autoridades federais de outros países. confusão, como se vê, de grande porte.

pelo que se sabe, autoridades fiscais da alemanha, em decisão tomada pelo próprio ministros das finanças wolfgang schaeuble, compraram parte dos dados bancários roubados para ir atrás de supostos sonegadores, como se os fins justificassem quaisquer que fossem os meios. segundo quem está por dentro do assunto, US$3.5 milhões teriam sido pagos pelos dados de 1.500 contas, na esperança de recuperar US$135 milhões em impostos sonegados.

olhando só os números, o retorno do investimento é mais de 40 vezes e, por esta ótica, o negócio vale a pena. além do mais, o governo de angela merkel já havia comprado dados de outro roubo de identidade em liechtenstein, de onde conseguiu recuperar US$278 milhões em impostos sonegados. para os governos, tem sido um bom negócio. os governos da frança [3.000 contas, no caso suíço] e da inglaterra [número não revelado de contas, no caso de liechtenstein] também estão no negócio de comprar dados roubados.

em breve, se a moda pega, teremos o estado, no mundo inteiro, incentivando hackers a invadir os bancos de dados dos bancos para depois adquirir os resultados da pescaria [no mercado negro?…], como forma de burlar o constitucional e internacionalmente garantido sigilo bancário dos cidadãos. será?

o roubo de identidade é uma pandemia global. na maior parte dos países, não há estatísticas sobre o assunto. nos que há, os números assustam. nos EUA, só em 2009, foram comunicados mais de 264 mil casos de roubo de identidade [incluindo a do presidente do banco central de lá] e mais de 721 mil casos de fraude. no brasil, os casos são muitos e, se houvesse um registro oficial aberto, saberíamos de muitos mais.

quer ver? leia esta reportagem do correio do brasil, deste mês, sobre clonagem de cartões de crédito e as extensas ramificações da quadrilha envolvida, que ia desde vender dados dos cartões até fazer vestibular por terceiros, numa verdadeira operação de “falsidade ideológica como serviço”. os dados eram negociados por valores entre R$3 [quando havia poucas informações sobre o cliente] até R$150 por cartão [quando se sabia a validade, código de segurança, limite de crédito, CPF, endereço de cobrança…].

além dos milionários que têm contas numeradas na suíça, eu e você temos que nos preocupar com o assunto, que pode afetar todo e qualquer um que tem cartão de crédito ou conta bancária por aqui.

até porque uma das agendas [nem tão] escondidas que chegou a fazer parte da famigerada “lei azeredo” tinha por objetivo transferir pra nós, clientes e correntistas, a obrigação de provar [contra a advocacia dos bancos, imagine qual seria sua chance de ganhar] que dados usados para uma fraude qualquer haviam sido roubados e não, digamos assim, facilitados por nós próprios para o crime, organizado ou não. em 2008, quando este assunto estava quente, as estimativas eram de que, como resultado de fraude na rede, os bancos perdiam R$500 milhões de rais por ano.

se fraude na rede fosse mais uma categoria de “comércio eletrônico” e este “segmento do mercado” tivesse as mesmas taxas de crescimento do comércio eletrônico legal, que andam acima de 25% por ano de 2007 pra cá, os bancos devem estar perdendo perto de R$1 bilhão por ano, uns R$3 milhões por dia. minhas fontes do setor de segurança de informação dizem que este número é otimista e que o prejuízo pode estar sendo muito maior.

pra encurtar uma longa história, e daí, principalmente pra nós que pagamos os impostos e não temos o fisco a temer? por incrível que pareça, nossa posição perante o roubo de identidade é exatamente a mesma dos supostos sonegadores que têm conta na suíça: da mesma forma que ladrões não deveriam poder capturar nossos dados para usar nossos cartões de crédito, governos não podem, ou não deveriam poder, entrar em conluio com ladrões para adquirir dados que, de outra forma, não chegariam ter. ao invés, negociem e mudem as normas internacionais sobre bancos e impostos, por exemplo.

isso porque a manutenção das normas da civilização depende da observação, por todos, de um amplo conjunto de contratos sociais de âmbito local, nacional, regional e internacional. onde se vê todos, leia-se todos, entenda-se todos, e isso inclui governos. todos os governos.

se os governos, e principalmente de países supostamente civilizados [portanto, mantenedores e cumpridores das regras] como alemanha, frança e inglaterra estão dispostos a “tudo” para atingir certos objetivos… então é porque tudo pode acontecer. tudo mesmo, incluindo as ações e eventos fazem a civilização degenerar rapidamente para a barbárie, como tortura para obter confissões e prisioneiros políticos por “periculosidade”, sem culpa formada ou direito de defesa, sequestro e assassinato de supostos inimigos do estado em terra estrangeira e por aí vai.

é difícil, muito difícil, manter as bases da civilização funcionando. mas nós já sabemos, quando nos distanciarmos dela, quais são as consequências. principalmente quando enfrentamos estados totalitários. nos EUA, só 41% dos cidadãos acham que controlam a informação sobre si próprios e, no topo disso, mais de 71% não confiam no governo federal como guardião de seus dados. por alguma razão, por aqui, apesar de estarmos entre os povos mais preocupados do planeta em relação à segurança dos nossos dados, parecemos achar que eles estão seguros nos bancos de dados do governo federal, e isso quando o último levantamento sobre segurança de informação no .gov.br indicava que 64% das instituições federais não tinha qualquer política de segurança de informação.

o que me leva a pensar, considerando todos os fatores, que o grande roubo de banco na sociedade da informação sempre vai ser, na verdade, ao banco de dados…

Artigos relacionados

0 Responses to o grande roubo de banco

  1. Lincoln Costa Leite disse:

    Seria interessante que o Sr. Meira usasse nos seus bons comentários o português correto. Pelo menos començando as frases com letra maiúscula.

    Seus comentários são excelentes.

    Grato

  2. Lincoln Costa Leite disse:

    Seria interessante que o Sr. Meira usasse nos seus bons comentários o português correto. Pelo menos començando as frases com letra maiúscula.

    Seus comentários são excelentes.

    Grato

  3. Ana disse:

    Seria muito bom também ver internautas e leitores tornarem a ler os seus comentários, antes de enviá-los, para evitar erros datilográficos (os “typos”) em suas mensagens. Como o Sr. Leite que escreveu “començando”.

  4. jose disse:

    no jeitinho brasileiro o dinheiro vai de meia e cueca.

  5. Marcelo Avelar disse:

    Excelente comentário do Sr. Silvio Meira. Houve talvez um descuido, mas que em nada altera o conteúdo de seu texto. Ana, você está coberta de razão, ótima observação. Parabéns. Ao nosso amigo, resta-nos indicar á ele matricular-se em curso supletivo com urgência.

  6. José Lyra disse:

    Santa paciência para ler o texto acima com os erro grosseiros de português!!! Que o escritor seja re-enviando para a escola!!!

  7. José Lyra disse:

    Santa paciência para ler o texto acima com os erro grosseiros de português!!! Que o escritor seja re-enviando para a escola!!!

  8. José Lyra disse:

    Onde se lê “os erro grosseiros de português”, leia-se “os erros grosseiros de português”…

  9. Dacio Junior disse:

    Ótimo texto. Mas entendo que a pressa foi inimiga da perfeiçao quanto ao portugues.

    Nada que tire o brilho do conteúdo.

    O que me chama a atençao foi que, todos os que ficaram mais revoltados com tais erros (acredito eu foram causados por uma rapida formulaçao e nao por desconhecimento do autor) ao comentar erraram pior :

    ´´os erro“ – essa é boa
    ´´començando“ – essa é para rir

    sinto muito, mas esses sujeito tem sua revolta nao justificada.

  10. Jonni disse:

    O word corrigi esses erros

  11. Roberto disse:

    1. Na Sta Ifigenia em SP por algumas dezenas de reais compra-se o cadastro das Pessoas Físicas e Jurídicas que declararam Imposto de Renda… talvez com algo mais venha tb a declaração completa.

    2. Conversei com gente da Receita Federal sobre isto em off… o cidadão me contou que a cada declaração de IR que faz, ele altera alguma coisa… p.ex de ap. p/ apto e assim por diante…. desta maneira ele “controla” a fonte de onde e quando o dado foi surrupiado… Parece que ele sabe bem onde trabalha e si non é vero é bene trovatto

    Abc

    R.

  12. Fred disse:

    Entendo que o Sr. Meira esteja defendendo os safados.

    • srlm disse:

      longe disso; estou defendo a minha e a SUA privacidade. que está, por sinal, por uma peinha de nada. olhe a história universal que você vai descobrir porque…

  13. Fred disse:

    Entendo que o Sr. Meira esteja defendendo os safados.

  14. Marco disse:

    Acho um exagero essa preocupação com a forma, esse povo privilegia a aparencia, enquanto num texto o conteudo é o que vale.
    Erros em textos na internet são comuns e geralmente provocados pela pressa em redigi-los, os próprios criticos os cometem!
    Parabnes pelo ótimo artigo.

  15. tradição e língua disse:

    A grande questão do Sr. Meira foi sempre a forma de escrever. Quem acompanha esta coluna sabe que ele nunca se deu ao trabalho de usar maiúsculas. É o “internetês”.
    Vê-se em nossas casas nossos filhos e, muitas vezes, nós mesmos, escrevendo uma linguagem nova na comunicação do msn: Abreviações e conjuntos de letras para manifestar uma expressão de alegria, tristeza, ou seja o que for.
    Em breve, estaremos de novo nos comunicando como babuínos !

  16. tradição e língua disse:

    A grande questão do Sr. Meira foi sempre a forma de escrever. Quem acompanha esta coluna sabe que ele nunca se deu ao trabalho de usar maiúsculas. É o “internetês”.
    Vê-se em nossas casas nossos filhos e, muitas vezes, nós mesmos, escrevendo uma linguagem nova na comunicação do msn: Abreviações e conjuntos de letras para manifestar uma expressão de alegria, tristeza, ou seja o que for.
    Em breve, estaremos de novo nos comunicando como babuínos !

  17. Gustavo Lima disse:

    O texto está muito bom, tendo o seu objetivo alcançado, passar a informação quanto a segurança de nossos dados, que é falha, no mundo que estamos vivendo. Mundo esse que está sofrendo uma série de alterações, conceitos e padrões. Vejam o exemplo da língua portuguesa que vem sofrendo alongo destes 50 anos uma série de mudanças, sejam elas pela academia brasileira de letras ou pelo seus usuários.
    Eu acredito que objetivo da informação é que ela seja entendida. Erros e suas correções sempre são bem vindos no que diz respeito a língua portuguesa, mas não o erro do teor da informação, que não é o caso do Sílvio e nem de suas reportagens,

  18. Marcelo Pita disse:

    Nós ainda precisamos aprender a lidar com a questão da “identidade” dentro de um mundo cada vez mais virtualizado.

    Não vejo solução polinomial 🙂 para o problema da confiablidade em nossas representações sociais. Trata-se de uma dinâmica social aberta, portanto, de controle não centralizado. Espera-se que a humanidade COMO UM TODO se instrua a ponto de enxergar que somente as soluções altruístas são sustentáveis a longo prazo.

    Enquanto isso, sofremos com o abuso de poder dos nossos líderes… nós mesmos eleitos pelos motivos errados e postos em cargos de poder sem autoridade real!

  19. Marcelo Pita disse:

    Nós ainda precisamos aprender a lidar com a questão da “identidade” dentro de um mundo cada vez mais virtualizado.

    Não vejo solução polinomial 🙂 para o problema da confiablidade em nossas representações sociais. Trata-se de uma dinâmica social aberta, portanto, de controle não centralizado. Espera-se que a humanidade COMO UM TODO se instrua a ponto de enxergar que somente as soluções altruístas são sustentáveis a longo prazo.

    Enquanto isso, sofremos com o abuso de poder dos nossos líderes… nós mesmos eleitos pelos motivos errados e postos em cargos de poder sem autoridade real!

  20. Leandro disse:

    Excelente post prof. Silvio Meira, em sua forma e conteúdo, e sobre assunto tão pertinente nestes tempos de avatares e identidades virtuais espalhadas por tudo quanto é rede social, e com nossas vidas reais também cada vez mais permeadas (dependentes?) de transações e operações realizadas no “universo” digital. De fato estamos todos expostos ao phishing, bit a bit, desde o IR até o último dígito da nota fiscal da padaria da esquina. Mas o que mais me surpreende aqui é o fato de um assunto tão interessante, relevante, preocupador e, por isso mesmo, instigante, despertar mais comentários sobre gramática, erros de digitção e o uso ou não de maiúsculas ou minúsculas.

  21. Leandro disse:

    Excelente post prof. Silvio Meira, em sua forma e conteúdo, e sobre assunto tão pertinente nestes tempos de avatares e identidades virtuais espalhadas por tudo quanto é rede social, e com nossas vidas reais também cada vez mais permeadas (dependentes?) de transações e operações realizadas no “universo” digital. De fato estamos todos expostos ao phishing, bit a bit, desde o IR até o último dígito da nota fiscal da padaria da esquina. Mas o que mais me surpreende aqui é o fato de um assunto tão interessante, relevante, preocupador e, por isso mesmo, instigante, despertar mais comentários sobre gramática, erros de digitção e o uso ou não de maiúsculas ou minúsculas.

  22. Pedro Daltro disse:

    post muito bom, como de hábito.

    e sílvio, continue escrevendo sem maiúsculas! eu tb odeio essas letras desengonçadas.

  23. Leocadio disse:

    olá, paz e bem!

    ótimo post com a qualidade e discernimento habituais.

    quanto ao estilo só me faz falta as maiúsculas nos nomes próprios o que, ao meu ver, facilita localizar as referências. por exemplo: Meira.

    fora isto… APROVEITEM O CONTEÚDO.

    []s livres.

  24. Sergio Luiz disse:

    Seria tao simples se as administradoras de cartoes de credito usassem, o que muitos bancos ja utilizam, a mensagem via celular. Ou seja, qualquer operação feita com nosso cartao seria enviada uma msg automatica dizendo que seu cartao esta sendo utilizado naquele momento, se o mesmo for clonado, logo entrariamos em contato com a administradora. Só que, me parece, que as mesmas não se interessam por este tipo de seguranca. Grato

  25. Bruno Bezerra disse:

    Um dos melhores post do blog, já pensou se a moda pega aqui no Brasil, o governo legitimando e formentando o roubo desse tipo de informação, com a já tradicional arrogância tributária do fisco brasileiro… longe de nós isso, mas… como no mundo virtual não existe distância, essa realidade mora ao lado. Parabéns Silvio.

  26. Bruno Bezerra disse:

    Um dos melhores post do blog, já pensou se a moda pega aqui no Brasil, o governo legitimando e formentando o roubo desse tipo de informação, com a já tradicional arrogância tributária do fisco brasileiro… longe de nós isso, mas… como no mundo virtual não existe distância, essa realidade mora ao lado. Parabéns Silvio.

  27. Marcio disse:

    Caro Silvio, muito curioso é o fato de tanta gente ainda não estar incluída digitalmente, mesmo nas capitais e maiores centros do brasil. Muito mais grave são as milhares de empresas e “empresários” que bastam por exclamar “não entendo nada desse negócio de informática!”. Até quando? O fato ocorrido no banco internacional pode ser transferido para nossa realidade, guardada as devidas proporções, onde é dado pouca ou nenhuma importância as senhas de emails ou contas correntes enquanto an outra ponta já estamos falando de tokens e certificados digitais. Tem muita informação importante circulando por aí e pouquíssima atenção com a segurança dessas informações. Parabéns pelos comentários postados.

  28. Luiz Gustavo disse:

    Prezado Silvio, como sempre ótimos comentários! Antes de ser consultor na área, trabalhei em bancos e, tenha certeza: os bancos não se importam tanto com o prejuízo de 500 milhões – que cresce a cada ano – , pois lucram muito mais com a “ausência” de clientes na agência. Há algum tempo atrás, as despesas com fraudes não representavam 15% da lucratividade/rentabilidade dos sistemas web. Abs, Luiz Gustavo

  29. Luiz Gustavo disse:

    Prezado Silvio, como sempre ótimos comentários! Antes de ser consultor na área, trabalhei em bancos e, tenha certeza: os bancos não se importam tanto com o prejuízo de 500 milhões – que cresce a cada ano – , pois lucram muito mais com a “ausência” de clientes na agência. Há algum tempo atrás, as despesas com fraudes não representavam 15% da lucratividade/rentabilidade dos sistemas web. Abs, Luiz Gustavo