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Escrito por • 10/10/2009

o que é mesmo um “game”?

fui ver, hoje, um debate entre giordano cabral e h. d. mabuse na torre malakoff, em recife, parte do projeto observa & toca, que tá rolando por aqui no feriado. a conversa era sobre arte & games e a influência de um em outro.

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por obra do apresentador ter desaparecido, acabei na mesa, como mediador de uma muito interessante conversa entre um dos maiores especialistas em música e games do brasil [giordano é doutor em computação, músico e sócio do startup do porto digital musigames que, óbvio, faz jogos musicais] e um dos mais instigantes designers nacionais [mabuse, diretor de design do c.e.s.a.r, tá sempre pensando de alguma forma ortogonal ao que todo mundo está fazendo]. o resultado da minha presença por lá é um conjunto de tweets da conversa dos dois [vá lá ver]. e este post aqui.

isso porque a conversa me lembrou de um debate de dois anos atrás, citado no meu “velho” blog

aleks krotoski [do guardian] aponta para ren reynolds [do terranova], numa animada e muito comentada discussão sobre o que, afinal, é um jogo "eletrônico" [ou computer game]. definição de reynolds…

A computer game is a game where at least some of the bounds of game-acts are essentially controlled by information technology.

não gostou? dê, então, a sua definição.

e a pergunta volta, hoje, ainda com mais força, quando estamos migrando de wii para jogos portáteis cada vez mais sofisticados, para interfaces como o projeto natal, para realidade aumentada… levando a jogos que vão parecer a vida. a vida real, claro.

lá, neste mundo imersivo que já estamos construindo agora, onde a separação entre a realidade e simulação é e será cada vez menor, o que vai ser mesmo, um “game”, um jogo computacional?…

porque jogo, natural, a vida já é.

ah, sim: se você não gostou da definição de reynolds [minha tradução: um jogo computacional é um jogo no qual pelo menos alguns dos processos e interações são realizados por meio de tecnologias da informação e comunicação], por que não dá uma definição, sua, nos comentários?…

clicando na figura abaixo, você vai para a página do throat detonator, um dos jogos da musigames… que tem uma versão grátis para o iPhone. bom jogo.

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0 Responses to o que é mesmo um “game”?

  1. Marcelo Pita disse:

    Jogos de computador são uma classe de simulações computacionais baseadas em modelos fictícios ou inspirados na “vida real”, com aspectos lúdicos ou não, idealmente habilitadas com boas interfaces homem-computador (componentes de hw e sw) e tempo simulado usualmente sincronizado com tempo real.

  2. Victor disse:

    melhor definição ever: “Rosebud”

    Altered Beast: Gaming’s Citizen Kane
    http://www.destructoid.com/altered-beast-gaming-s-citizen-kane-143324.phtml

  3. Victor Sarinho disse:

    Do ponto de vista de design de jogos, um jogo é um NESI, ou seja, uma combinação de características de Narrativa, de Entretenimento, de Simulação e de Interação, as quais proporcionam (na maioria das vezes) uma diversão única para seu(s) jogador(es).

  4. Interessante pq lembrei de uma entrevista da folha (acho) em que o Pierre Levy dizia que ele não achava a web tão interessante quanto as comunidades formadas por pessoas que jogavam em rede

    visionários são visionários 😉

  5. Marcelo Pita disse:

    Penso que jogos acontecem o tempo todo nas nossas mentes. Obviamente, há uma recompensa psicológica quando obtemos sucesso nas atividades para as quais fomos projetos para realizar (genética e culturalmente se falando). Isso inclui, acima de tudo, exploração das nossas capacidades de competição e cooperação, enquanto co-criadores de uma sociedade. Então acredito que o caráter lúdico dos jogos está ligado indireta e diretamente com este “sucesso biológico/cultural”. Do ponto de vista da Teoria (na verdade hipótese) dos Memes de Dawkins, um jogo é divertido se seus memes são de fácil replicação nas várias mentes, memes de sucesso…

    Não me parece nova a idéia de jogo como simulação da realidade, de forma que, sob um ponto de vista filosófico mais profundo, a própria realidade (i.e. o que estamos acostumados a chamar de realidade) é uma forma de jogo de simulação, uma representação espaço-temporal da realidade que está “lá fora”. Criamos continuamente mais níveis de abstrações sobre essa virtualização, naturalmente.

    Então, não é espantoso que os jogos de computador estejam cada vez mais próximos da realidade, não apenas do tradicional ponto de vista de computação gráfica, mas também do comportamento (inteligente) de seus objetos. Como o risco de execução de uma simulação é muito menor que o risco da “realidade real”, podemos imaginar um futuro (se a humanidade ainda existir) onde esta realidade (felizmente ou infelizmente) é substituída por simulações dela – vide a virtualização das redes socias em crescimento espantoso.

    E esta virtualização me parece um fenômeno biológico natural. A nossa cultura e “florestas de pedra” indicam que este caminho (aparentemente sem volta) foi escolhido há muito tempo.

  6. Geber Ramalho disse:

    com algum atraso… a definicão de craig reynolds é correta, útil e oportuna em se tratando de jogos *computer* games. mas, silvio, atualmente eu prefiro pensar mas no lado games do que no lado computer. em outras palavras, pra mim, *computer games é hoje um espaço para a gente aprender sobre interatividade*. quem faz games entende melhor como as pessoas interagem com o computador e entre elas. este conhecimento pode ser depois utilizado em coisas que nada parecem com o que chamaos atualmente de games… abraco

  7. Memória completamente afetiva. Mabuse pirralho jogando Atari.
    Ass. a irmã coruja =)

  8. renata gomes disse:

    gosto da definição do marcelo pita, mas tento refiná-la, acrescentando que a interface homem-máquina inclui um display de informações audiovisuais, o que tem aproximado os games (às vezes até demais) da tradição do cinema. esse “cada vez mais próximos da realidade” é que eu acho filosoficamente complicado… se já não se podia falar de algo assim em relação ao cinema, o que dizer dos games, que são imagens sintéticas? proponho usarmos o conceito de verossimilhança, que implica (no caso da verossimilhança externa), algo que *aceitamos* como mais próximo da realidade e, por sua vez, que esse “aceitar” é construído a partir de uma combinação de fatores. mas fico feliz de ver os games aqui, de todo modo 🙂