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Escrito por • 19/05/2009

o software [meio bêbado?] dos bafômetros

quando se trata de motoristas alcoolizados, o brasil tem uma das mais radicais legislações do planeta. em algumas cidades, como recife, verdadeiros cercos noturnos estão sendo realizados, à cata de qualquer um que tenha bebido uma taça de vinho que seja. e não deve ser para menos: as dezenas de milhares de mortes por ano, no trânsito brasileiro, têm muito a ver com pé na tábua e álcool no sangue.

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descontadas todas as desculpas, inclusive as de quem acha que meia garrafa de vinho nem se leva em conta como álcool, na prática, no chile, argentina, frança e itália, e nem por isso, por lá, morre tanta gente no trânsito… o caso brasileiro talvez seja grave o suficiente pra gente radicalizar e depois, quem sabe, voltar atrás.

bem no centro da guerra contra o álcool na direção estão os bafômetros, aqueles instrumentros “de precisão” capazes de medir o teor de álcool no seu sangue em duas casas decimais. mesmo?

pois bem. um número de casos, nos estados unidos, está pondo em séria dúvida a capacidade dos breathalyzers [como são chamados os bafômetros por lá] realmente decidirem quem passou da conta ou não. no caso de uma das marcas de bafômetros, a dräger, uma revisão sistemática do software usado no aparelho detectou falhas que podem por em sério risco a validade dos diagnósticos do mesmo. segundo especialistas independentes, o software do bafômetro modelo 7110 da dräger… [shows ample evidence of incomplete design, incomplete verification of design, and incomplete “white box” and “black box” testing]… tem claras evidências de incompletude de projeto, verificação de projeto e de incompletude de testes. o bafômetro 7110 da dräger teria mais de dez falhas que comprometeriam, de forma radical, o resultado das análises feitas com o equipamento.

a dräger pode acabar tendo que devolver US$7M que o estado de new jersey gastou em seus bafômetros, e o estado pode ter que compensar em muitos milhões a mais as pessoas que condenou a penas diversas, baseado em evidências produzidas [literalmente] pelo bafômetro. isso se o judiciário de lá levar em conta as análises de software que ele mesmo solicitou.

e não é o caso de um único fabricante ter problemas: em minnesota, a CMI está toda enrolada com seu modelo intoxilyzer 5000 en, cujo software não quer submeter a uma análise independente para certificar se a coisa funciona como deveria e, se não, em que condições dá pau.

resumo? este é um caso bastante claro em que membros da sociedade podem incorrer em graves penalidades decididas, na prática, por um programa de computador. no brasil, se o bafômetro do policial à sua frente mostrar mais de 0,2g/l de álcool no sangue, você está em dificuldades. se a discussão que está rolando nos EUA tiver fundamento, deveríamos exigir uma verificação ampla, pública e transparente, ou de ampla aceitação pública, da funcionalidade e qualidade do software que é, de fato, o bafômetro, para melhorar as garantias de que não estamos sendo analisados por software defeituoso.

e isso é só parte do problema: hoje, é o software do bafômetro. amanhã, pode ser software em muitas outras coisas, tomando decisões sobre se você pode ou não trabalhar, ir ao parque, à escola, votar, procriar e por aí vai. eu e vocês todos vivemos em um mundo cada vez mais instrumentado por software; mas não é por isso que devemos, todos e pura e simplesmente, nos render a ele como se fosse um novo deus todo-poderoso. pois não é. e não deveria chegar a ser, nunca.

falando nisso, quais são as marcas dos bafômetros sendo utilizados no brasil e por quais testes, verificações e validações amplas, gerais e irrestritas eles passaram, em que condições? quantos dräger e CMI [além de outros com os mesmo tipos de problemas] estão nas ruas, por aqui?…

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0 Responses to o software [meio bêbado?] dos bafômetros

  1. Imaginem então o que não acontece nesta urna eletrônica norte-americana utilizado no Brasil, que já nasceu bebada, identificando os eleitores pela digitação do número do título do eleitor pelo mesário em um teclado diretamente ligado àquela urna para que o eleitor possa votar e que, para completar, não possui o voto impresso para uma posterior recontagem, deixando as eleições no Brasil a mercê dos programadores do TSE e dos milhares de terceirizados que fazem a carga dos programas nas urnas pelo Brasil afora ?!!

    A diferença é que o judiciário de lá teve a dignidade de solicitar uma análise isenta dos programas daqueles pafômetros, enquanto o judiciário daqui, quando pede alguma coisa neste sentido, é DIRIGINDO as perguntas para só obter as respostas que ratifiquem a “infalibilidade” das urnas eletrônicas norte-americanas utilizadas no Brasil, para continuarem iludindo o povo e os próprios Ministros do TSE.

    Leamartine Pinheiro de Souza
    21 2558-9814 – lps@rionet.com.br
    Rua Conde de Baependi 78, Ap 1310
    Flamengo, Rio de Janeiro, RJ
    22231-140

  2. paco disse:

    -tudo é teste tudo de vende tudo gira em torno dos troco do povão então na dúvida não beba assim evitaria maiores problemas com os ditos cujos donos do soprador o gurizada bem chata…

  3. Goethe disse:

    Como sempre aqui em belém não existe transparência verdadeira, mas pior do que isso é não existir fiscalização nenhuma, como ocorre em Belém – PA, cidade que eu moro, INFELIZMENTE, o “povinho ignorante” dirige extremamente mal e de noite a quantidade de bebados e marginais nas ruas é estupida, e não se ve um PM, uma fiscalização, um nada, o máximo que se ve é alguns carros de pm indo pegar o “acerto” em certos lugares.

  4. Luiz disse:

    Sobre o infeliz comentário de “Leamartine Pinheiro de Souza”

    O Brasil é líder e exemplo na tecnologia das urnas eletrônicas. Governos de outros países mandam engenheiros de hardware e software para aprender nossa tecnologia. Literalmente BABAM com a eficácia de nosso sistema, que passa pela validação por diversos orgãos para comprovar a legitmidade dela.

    Sabes o que é mais infeliz em teu comentário, Leamartine Pinheiro de Souza? É que tu esboça o porque o Brasil não vai pra frente. Tu esboças o que grande parte dos brasileiros fdazem: sempre valorizam o estrangeiro e sempre desfazem o próprio país.

    Precisamos de pessoas que acreditem mais no país para que ele evolua.

    Repense tuas opiniões antes de falar tanta abobrinha Leamartine Pinheiro de Souza.

  5. Ricardo Sovat disse:

    A respeito da réplica do Luiz, o comentário do Leamartine NÂO é infeliz. Aliás, o problema é justamente uma desinformação generalizada na sociedade, o que leva pessoas a acharem, sinceramente, que outros países BABAM por nosso sistema. Infelizmente, não é verdade. Apesar da relativa simplicidade técnica, ela não foi adotada por mais nenhum país. Ainda que eu concorde que o nível de organização atingido pelo TSE no Brasil é invejável, a urna em si é um problema em potencial. Ela não é auditável e deixa o país nas mãos de pessoas, não de processos, Para piorar, o processo eleitoral brasileiro dá ao TSE poderes de Executivo, Legislativo e Judiciário, o que pode fragilizar ainda mais nossas eleições. Não tem nada a ver com desvalorizar o Brasil. Eu tenho certeza de que o Leamartine pensou e repensou antes de escrever. [ ] ‘s

  6. hehehe eu iria ficar muito revoltado… imagina: Sair, não beber porque estou dirigindo e depois ser pego no bafometro com nada de alcool no sangue!!!!!!!!
    aaaaaaaaaaaa

  7. Fernando disse:

    O mais divertido, duvido que no Brasil desse em alguma coisa pro desenvolvedor e pra empresa responsável. Já que não existem parâmetros legalmente válidos de qualidade para confrontar em uma eventual ação judicial.

  8. Fico imensamente grato pela defesa lúcida e isenta do Sr Ricardo Sovat, em contraposição às críticas insanas e submissas às pregações do TSE que colocam estas URNAS NORTE-AMERICANAS utilizadas no Brasil em um pedestal inalcançável para que ninguém possa provar o enorme engodo que fizeram instalar no sistema eleitoral brasileiro, defenestrado o preceito constituicional de que O VOTO É SECRETO e até o próprio Códio Eleitoral Brasileiro (Lei 4737/65) que, em seu Art 221 determina: É anulável a votação: II quando for negado ou sofrer restrição o direito de fiscalizar. Afinal, sem o voto impresso, é suprimido o direito à recontagem das cédulas, o que torna EFETIVAMENTE NULAS as eleições sob este alienígena artefato. Mas fazer o que, como diz o velho provérbio, PIOR CEGO, É AQUELE QUE NÃO QUER VER !!!

    Leamartine Pinheiro de Souza
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  9. Prezado Sr Ricardo Sovat.

    Na condição de Moderador do Fórum do Voto-Eletrônico no Google, sugiro que visites a página http://www.votoseguro.org e, se for do vosso intesse, que se inscrevas no referido fórum, através do link:

    http://www.brunazo.eng.br/voto-e/forum.htm#indice

    Atenciosamente,

    Leamartine Pinheiro de Souza
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  10. Prezado Sr Ricardo Sovat.

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  11. Prezado Sr Ricardo Sovat, na condição de Moderador do Fórum do Voto-Eletrônico no Google, sugiro que visites a página http://www.votoseguro.org e, se for do vosso intesse, que se inscrevas no referido fórum, através do link: http://www.brunazo.eng.br/voto-e/forum.htm#indice

  12. Roger Chadel disse:

    Me engana que eu gosto! O Luiz é dessas pessoas que gostam de ser enganadas. Dê-lhe uma uma notícia boa, ele a aceita imediatamente, sem verificar sua veracidade. O Brasil tem inúmeras coisas para se orgulhar, frutos da criatividade, do trabalho e da perseverança dos brasileiros. Mas quando essas coisas são feitas às escondidas, e alardeadas por propaganda oficial, é para desconfiar mesmo. Por que será que 50 países mandaram técnicos para cá e nunca adotaram a urna brasileira? Por que será que o Paraguai, que recebeu de presente 15 mil urnas do TSE, as abandonou em 2006? Por que será que o TSE nunca fez uma recontagem dos votos desde que a urna eletrônica foi implantada em 1996? Por que será que o TSE nunca permitiu uma auditoria externa do hardware e do software, como qualquer empresa que produz equipamento de informática é obrigada? Porque será que depois de gastar bilhões com essas urnas o TSE resolveu jogar tudo fora e abrir uma licitação para trocar todas? Porque será que o autor da urna eletrônica brasileira, Paulo César Camarão, foi expulso do Equador quando tentou implementar um sistema parecido? Por que será que todas as urnas eletrônicas no mundo de tecnologia semelhante à brasileira estão sendo condenadas e substituídas por outras que permitem a verificação pelo eleitor? Acorda, Luiz!

  13. PARTICIPEI DE UMA ELEIÇÃO ELETRONICA EM 2000 E ATÉ ENTÃO CONFIAVA NA JUSTIÇA ELEITORAL E SUAS MÁQUINAS

    DEPOIS DE VER COMO FUNCIONA O SISTEMA, POSSO AFIRMAR COM DOCUMENTOS QUE A JUSTIÇA ELEITORAL NÃO TEM TRANSPARENCIA NO SISTEMA E É PARCIAL EM SUAS DECISÕES QUANDO SE TRATA DE INVESTIGAR O SISTEMA QUE ELES CRIARAM AS REGRAS, EXECUTARAM E JULGAM … O RESULTADO DISSO JÁ DÁ PARA IMAGINAR QUANDO FALAMOS EM BRASIL ONDE OS NIVEIS DE CORRUPÇÃO É ALARMANTE E OS PRINCIPAIS CARGOS DO PAÍS É ESCOLHIDO POR UM SISTEMA QUE NÃO SE PODE AFERIR …
    A MIDIA É DOMINADA PELO DEPARTAMENTO COMERCIAL E A ÉTICA DOS HOMENS QUE OCUPAM CARGOS OFICIAIS… BEM, ACHO QUE JÁ ESTOU EXIGINDO DEMAIS NESSA AVALIAÇÃO.
    ENFIM, SE AQUELES QUE OCUPAM CARGOS OFICIAIS NA JUSTIÇA ELEITORAL REALMENTE QUISER TRANSPARENCIA ELEITORAL É SÓ ADOTAR O SISTEMA ELETRONICO COM IMPRESSÃO DO VOTO, QUANDO O ELEITOR TEM A OPORTUNIDADE DE CONFERIR O SEU VOTO E AO FINAL OS FISCAIS DOS PARTIDOS PODEM CONFERIR COM MATERIALIDADE, SEM ENGANOS ( FÁCEIS) DO SISTEMA VIRTUAL.
    FACIL, QUANDO SE QUER.

    PAULO CASTELANI
    http://paulocastelani.spaces.live.com/

  14. NICOLSON ARAUJO disse:

    Gente! Urna e eleição é muito importante e os comentários são procedentes, mas o assunto “Software Bebado’ é extremamente importante e deve ser discutido pela confraria por um imperativo de responsabilidade social da classe. São 50 milhões de condutores e 190 milhões de pessoas que podem ser autores ou vítimas de danos provocados pela falsa ou incorreta informação de um processo de análise ( perícia ) de um instrumento que está aos milhares nas ruas . Um inocente condenado ou um bebado dirigindo,nada disso pode ser confiável ou juridiicamente aceito. So para terem uma ideia,o modelo que a Drager disponibiliza no Brasil é o 7410 que la fora é utilizado para selecionar suspeitos e não para prova evidencial. O 7110 do artigo do MEIRA é mil vezes mais confiável e mesmo assim apresenta não conformidades conforme especifica. Voce poderá ser a próxima vítima da fiscalização da ignorância coletiva.
    CONFIRAM:
    http://www.draeger.com.br/ST/internet/pdf/BR/pt/detection/7410.pdf

    http://www.draeger.com.br/ST/internet/BR/pt/Products/Detection/AlcoDrug/Alcotest/Evidential/DragerAlcotest7110/pd_draeger_alcotest_7110.jsp